Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/ IzabelCMartins
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Descrição da atividade
[editar | editar código]Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.
Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.
As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]IzabelCMartins
Link para a matéria selecionada
[editar | editar código]Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.
- Título de matéria: Como o turismo afeta as mudanças climáticas e vice-versa. Embora ainda pouco estudado no Brasil, tema começa a despertar a atenção dos pesquisadores
- Autoria de matéria: Mônica Manir
- Link de matéria: https://revistapesquisa.fapesp.br/como-o-turismo-afeta-as-mudancas-climaticas-e-vice-versa/
Resumo da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.
A matéria trata de como o turismo afeta o clima global, despertando a atenção dos pesquisadores, em especial ao analisar as regiões litorâneas do Brasil. O texto destaca como a ocupação humana pode levar à destruição da restinga do litoral e o seu impacto para as enchentes e aumento de temperatura.
Análise da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.
Objeto de pesquisa A reportagem investiga a relação entre turismo e mudanças climáticas, como o turismo impacta no clima com ocupação costa brasileira, poluição gerada, e como o clima afetado provoca eventos extremos como: aquecimento, elevação do nível do mar. Afetando destinos turísticos, infraestrutura e destruindo ecossistemas.
Metodologia científica A reportagem menciona vários tipos de abordagens metodológicas usadas nos estudos citados como: Observação e análise empírica: com pesquisadores avaliando como a ocupação urbana (prédios, calçadões) na costa contribui para vulnerabilidade a enchentes.
Análise estatística de emissões de GEE: há dados sobre o transporte de turistas (carro, avião, ônibus) e aumento das emissões pelo turismo global entre 2009 e 2019, ou seja, estudos que quantificam as emissões e estimam a pegada de carbono.
Estudos ecológicos e monitoramento de corais: com os trabalhos que monitora recifes de coral entre estados brasileiros e mostra o adoecimento e quantifica mortalidade após ondas de calor.
Rede de pesquisa colaborativa e publicação coletiva: a Rede Internacional de Pesquisa Turismo e Dinâmicas Socioterritoriais Contemporâneas reúne cerca de 100 pesquisadores, de diferentes disciplinas e países, para produzir reflexões e capítulos no livro citado. Logo, a metodologia utilizada é mista, pois há observação de campo, análise quantitativa de emissões, dados de turismo; colaboração interdisciplinar, e publicação de resultados em livro e artigos.
Análise da pesquisa
[editar | editar código]Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.
No Livro “Mudanças Climáticas e Turismo”, livro organizado por muitos autores, cada capítulo tem uma metodologia distinta, dependendo do tema (geografia, sociologia, turismo, política). A reportagem não detalha uma “metodologia global” do livro, mas menciona que a rede de pesquisadores foi usada para coletar diferentes olhares. A documentação do processo parece bem documentada no sentido de que há uma rede de pesquisa formal criada desde 2020, com pesquisadores de vários países. O que ficou de fora ou poderia ser melhor é que acredito que a reportagem não menciona se todos os capítulos têm dados empíricos robustos (alguns podem ser mais teóricos), nem se há uso de modelos quantitativos padronizados para estimar cenários futuros de turismo e clima. Também não fica claro até que ponto políticas públicas foram avaliadas com métodos.
No estudo “Coral bleaching and mortality across a 24° latitudinal range in the Southwestern Atlantic during the fourth global bleaching event”(Corazza et al., 2024) – repositório USP. A metodologia utilizada a comparação com fotos para medir cobertura de coral vivo ao longo do tempo, comparando antes e depois do branqueamento. A documentação tem DOI, nome dos autores e número de artigo, o que sugere publicação rigorosa. De limitações que consegui observar foi que na reportagem não discute se há variabilidade de locais (quantos recifes foram monitorados) nem se há controle para outros fatores além do estresse térmico (como poluição, turismo local).
Resumindo: A reportagem da Pesquisa FAPESP faz um bom trabalho ao referenciar os estudos principais, citar os pesquisadores e mencionar organizações (rede de pesquisa, instituições).Porém, achei que por conta da publicação não ter muito espaço, foi relativamente superficial no que toca os métodos científicos específicos (ela não descreve em detalhes como os dados foram coletados, quais os tamanhos de amostra, os métodos estatísticos, os controles). Isso é normal para reportagem derevista, porque o objetivo é comunicar as ideias, mais do que descrever metodologias completas.
Metáfora científica
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.
Começa com “Divisor de águas”: a geógrafa Rita de Cássia Ariza da Cruz diz que a catástrofe de Vila Sahy “foi literalmente um divisor de águas no foco dos meus estudos”. Aqui a metáfora tem dupla função: “divisor de águas” no sentido figurado, momento decisivo e literalmente, porque a água está relacionada à tragédia climática, uma vez que choveu muito e as águas desceram com as encostas. Isso reforça emocionalmente a importância do evento para a pesquisadora e para o tema.
Aparece como “Receita para o desastre”: a frase de Miguel Mies sobre ondas de calor, “isso é uma receita para o desastre nos sítios recifais”, ele usa uma metáfora culinária para descrever uma combinação de fatores como calor intenso, frequência, duração, como uma receita, um preparo para um resultado catastrófico. Facilita o entendimento popular do risco ecológico.
E por fim, “Na UTI”, ao falar dos corais branqueados, é dito que “não estão mortos, mas estão na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo)”, uma metáfora médica para indicar grau de gravidade, vulnerabilidade e a necessidade urgente de intervenção, cuidado para que se recupere o que ainda dá para ser recuperado.
As metáforas ajudam bastante, tornam conceitos científicos (como eventos extremos, estresse térmico, mortalidade de corais) mais compreensíveis para o público geral, evocando imagens emocionais e cotidianas (água, cozinha, hospital) de fácil associação. Acredito que também criam empatia, como no caso da “UTI” que sugere urgência, vulnerabilidade; “divisor de águas” que marca um ponto de virada; “receita para desastre” alerta sobre consequências previsíveis se ações não forem tomadas.
As metáforas foram usadas corretamente porque não aparecem em excesso, não tem tom sensacionalista, parece bem dosada e a autora faz o eficaz de cada uma delas.
Filosofia da ciência
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.
A matéria da revista atua como mediação crítica ao mostrar não apenas os efeitos negativos do turismo (vilão), mas também sua potencialidade como parte da solução (mitigação, conscientização). Isso questiona visões simplistas.
Ela vai além e traz exemplos concretos: tragédias humanas (deslizamento em São Sebastião), impactos ecológicos (corais branqueados), e análise social (especulação imobiliária), mostrando que o turismo-clima não é apenas uma abstração científica, mas algo com consequências sociais, econômicas e políticas. Também destaca a produção científica, como na apresentação do livro, da rede de pesquisa, pesquisadores renomados, o que reforça a legitimidade do tema e dá visibilidade à ciência brasileira.
Penso que, a matéria não apenas tem a função de explicar a ciência, mas também questionar práticas, propor reflexões críticas e apresentar caminhos para ação.
Palavras-chave: Turismo sustentável, Mudanças climáticas, Vulnerabilidade litorânea, Mitigação climática, aquecimento global
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.