Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Ana Noele Brito Silva
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.
Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.
O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Ana Noele Brito Silva
Material selecionado
[editar | editar código]Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:
- dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
- a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
- Título e link da notícia 1: O ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a exceder 1,5°C de aquecimento acima do nível pré-industrial. https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/01/o-ano-de-2024-foi-o-mais-quente-da-historia-e-o-primeiro-a-exceder-15degc-de-aquecimento-acima-do-nivel-pre-industrial
- Título e link da notícia 2: ONU confirma 2024 como o ano mais quente em 175 anos. https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-03/onu-confirma-2024-como-o-ano-mais-quente-em-175-anos
- Título e link da produção científica: 2024 é o primeiro ano a ultrapassar 1,5°C acima do nível pré-industrial. https://climate-copernicus-eu.translate.goog/copernicus-2024-first-year-exceed-15degc-above-pre-industrial-level?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=wa ONU: O planeta Terra está emitindo “sinais de socorro. https://brasil.un.org/pt-br/291584-onu-o-planeta-terra-est%C3%A1-emitindo-%E2%80%9Csinais-de-socorro%E2%80%9D
Produção científica
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.
- Qual a contribuição científica pretendida?
- Copernicus: A contribuição científica principal é documentar e analisar com base em evidências que o ano de 2024 foi o mais quente já registrado desde 1850, e o primeiro ano civil em que a temperatura média global excedeu 1,5 °C acima do nível pré-industrial, um marco climático significativo. Além disso, o relatório:
- Fornece dados robustos e sistemáticos sobre temperaturas atmosféricas, da superfície do mar, extensão do gelo marinho, vapor de água atmosférico e concentrações de gases de efeito estufa.
- Contribui para a compreensão da relação entre atividades humanas, fenômenos naturais como o El Niño, e a intensificação das mudanças climáticas.
- Oferece subsídios científicos para políticas públicas e decisões internacionais, especialmente no contexto do Acordo de Paris.
- ONU:
- Monitorar e divulgar com precisão o estado atual do clima global, fornecendo dados científicos atualizados e robustos sobre o aquecimento global, eventos climáticos extremos, mudanças nos oceanos, gelo e elevação do nível do mar.
- Fornecer subsídios para políticas públicas, ações climáticas e decisões internacionais, especialmente no contexto do Acordo de Paris e da necessidade urgente de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
- Alertar a sociedade global sobre os riscos crescentes associados ao aquecimento global e a intensificação de fenômenos climáticos extremos.
- Copernicus: A contribuição científica principal é documentar e analisar com base em evidências que o ano de 2024 foi o mais quente já registrado desde 1850, e o primeiro ano civil em que a temperatura média global excedeu 1,5 °C acima do nível pré-industrial, um marco climático significativo. Além disso, o relatório:
- Qual o método científico adotado?
- Copernicus:
- Observação sistemática e coleta de dados meteorológicos e climáticos por meio de satélites, estações meteorológicas e sensores atmosféricos.
- Modelagem climática e estatística com uso de reanálises como o sistema ERA5 do ECMWF.
- Comparação histórica e análise de séries temporais de longo prazo (desde 1850) para calcular anomalias de temperatura em relação a períodos de referência (ex: 1991–2020 e 1850–1900).
- Colaboração e validação cruzada de dados entre diversas agências científicas internacionais (ex: NASA, NOAA, UK Met Office, OMM, Berkeley Earth).
- ONU:
- Análise de séries temporais de dados observacionais globais (como temperatura, níveis de CO₂, extensão do gelo, nível do mar, etc.).
- Comparação com dados históricos (linha de base de 1850–1900) para calcular anomalias de temperatura.
- Integração de dados de diferentes fontes internacionais confiáveis, como Serviços Meteorológicos Nacionais, Centros Climáticos Regionais, satélites e instituições de pesquisa.
- Uso de três métodos distintos para estimar o aquecimento global atual, comparando-os com o método tradicional do IPCC (média dos 10 anos anteriores).
- Copernicus:
- Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
- Copernicus: Embora o artigo não aponte diretamente limitações técnicas específicas, algumas limitações implícitas ou conhecidas são:
- A ultrapassagem do limite de 1,5 °C em 2024 não implica, por si só, violação do Acordo de Paris, que considera médias sobre períodos de 20 anos ou mais. Isso mostra a limitação temporal na interpretação do dado anual isolado.
- Interferência de fatores naturais, como o El Niño, que contribuem temporariamente para o aumento das temperaturas, complicando a distinção entre variabilidade natural e tendência de longo prazo.
- Incertezas inerentes às reanálises climáticas, como limitações em dados históricos ou áreas com menor densidade de observações (ex: polos, oceanos).
- Modelos estatísticos e físicos, apesar de robustos, são limitados pela complexidade dos sistemas climáticos e podem ter margens de erro.
- ONU: As principais limitações apontadas são:
- Incertezas nas estatísticas de temperatura global, especialmente ao estimar frações de grau de aquecimento (por exemplo, a média global foi de 1,55 ± 0,13 °C).
- Dependência de múltiplas metodologias para garantir consistência, o que gera faixas de variação nos resultados.
- Necessidade de maior padronização e continuidade no monitoramento, atualmente sendo estudada por uma equipe de especialistas da OMM em colaboração com o IPCC.
- Limitação da cobertura de sistemas de alerta precoce, que está presente apenas em metade dos países do mundo — o que impacta a capacidade de resposta aos eventos climáticos.
- Qual o resultado realizado?
- Copernicus: Os principais resultados obtidos foram:
- 2024 foi o ano mais quente registrado globalmente, com temperatura média de 15,10 °C.
- Primeiro ano a exceder 1,5 °C acima do nível pré-industrial em média anual.
- Recordes de calor em quase todos os meses do ano e em todas as estações do hemisfério norte (exceto para a Antártida e Australásia).
- Temperatura da superfície do mar extrapolar atingiu um recorde histórico de 20,87 °C.
- Concentrações atmosféricas de CO₂ (422 ppm) e CH₄ (1.897 ppb) atingiram os níveis mais altos já registrados.
- Extensões do gelo marinho no Ártico e na Antártida ficaram entre as mais baixas desde o início dos registros por satélite.
- Aumento de eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e incêndios florestais.
- ONU:
- 2023 foi o ano mais quente já registrado, e 2024 superou esse recorde, com média de 1,55 °C acima da era pré-industrial.
- Concentração de CO₂ atingiu níveis mais altos em 800.000 anos.
- Os últimos 10 anos foram os mais quentes da história registrada.
- Calor oceânico, derretimento de geleiras e aumento do nível do mar bateram novos recordes.
- Eventos extremos climáticos (secas, enchentes, ciclones) provocaram deslocamentos humanos e agravaram crises alimentares.
- Mudança do padrão climático de La Niña para El Niño, associada ao aumento da temperatura global.
- Qual o impacto deste resultado?
- Copernicus:
- O impacto é científico, político e social:
- Cientificamente, o relatório reforça o consenso sobre o aquecimento global e sua intensificação.
- Politicamente, pressiona governos e instituições a adotarem ações mais urgentes e eficazes para mitigar os impactos das mudanças climáticas e cumprir metas do Acordo de Paris.
- Socialmente, alerta para os riscos crescentes de eventos climáticos extremos que afetam a saúde humana, segurança alimentar, infraestrutura e biodiversidade.
- Instrumentaliza políticas públicas com dados científicos para adaptação e mitigação climática. Evidencia a urgência de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, dado o ritmo acelerado de aquecimento global e suas consequências.
- ONU:
- Alerta global claro sobre a urgência de limitar o aquecimento global a 1,5 °C conforme o Acordo de Paris — já que o limite foi ultrapassado momentaneamente em 2024.
- Pressão por ação mais rápida e eficaz dos governos, empresas e sociedade civil no combate às mudanças climáticas.
- Maior conscientização sobre a necessidade de sistemas de alerta precoce, especialmente em países vulneráveis.
- Fundamentação científica para políticas públicas internacionais de mitigação, adaptação e financiamento climático.
Produção jornalística
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.
- Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
- National Geographic Brasil: O título destaca que 2024 foi o mais quente da história e o primeiro ano a ultrapassar 1,5°C acima do nível pré-industrial porque essa é uma marca científica muito relevante, ligada ao limite acordado internacionalmente para evitar impactos climáticos catastróficos. O destaque chama a atenção para a gravidade da situação climática atual.
- Agência Brasil: O título enfatiza a confirmação da ONU (via OMM) de que 2024 foi o ano mais quente em 175 anos porque a validação por uma organização mundial de prestígio confere autoridade e urgência à notícia, reforçando o peso científico do resultado.
- Em que medida o método da pesquisa é descrito?
- National Geographic Brasil: O método é descrito de forma geral, mencionando que os dados vêm de estações meteorológicas e satélites globais, além do uso de modelos climáticos para análise e projeções. A descrição é simplificada para facilitar a compreensão do público leigo.
- Agência Brasil: A descrição do método é ainda mais superficial, focando principalmente no anúncio oficial da OMM, sem detalhar o processo científico ou a metodologia por trás dos dados climáticos, dando mais ênfase à autoridade da organização.
- Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
- National Geographic Brasil: Normalmente, a National Geographic inclui entrevistas ou cita especialistas para contextualizar os dados e explicar as implicações climáticas, dando voz a cientistas que reforçam a interpretação dos dados e a urgência do problema.
- Agência Brasil: A Agência Brasil tende a usar declarações oficiais de autoridades da OMM, com entrevistas ou citações institucionais que conferem legitimidade e respaldo à notícia, mas menos foco em entrevistas aprofundadas com especialistas independentes.
- Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
- National Geographic Brasil: Destaca resultados impactantes, como o ultrapassagem do limite de 1,5°C, e o recorde de temperatura média global, porque esses dados têm grande apelo e relevância para o público e para o debate político. Outros dados técnicos ou mais detalhados ficam menos enfatizados. Agência Brasil: Foca em destacar o fato oficial da OMM sobre o ano mais quente e o recorde histórico, sem aprofundar muito em outros resultados científicos ou dados complementares, priorizando a confirmação institucional do fenômeno.
- Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
- National Geographic Brasil: Oferece um contexto razoável, explicando o que significa ultrapassar 1,5°C, relacionando com o Acordo de Paris e impactos climáticos globais. Ajuda o leitor a entender a importância do dado no cenário científico.
- Agência Brasil: O contexto é mais limitado, concentrando-se na divulgação oficial da OMM, com menos explicações sobre o significado científico do aquecimento global, não ampliando a compreensão completa para leitores menos familiarizados com o tema.
Análise
[editar | editar código]As matérias da National Geographic Brasil e da Agência Brasil sobre o ano de 2024 como o mais quente já registrado adotam estratégias distintas de tradução intersemiótica para comunicar um tema complexo da ciência climática ao público leigo. Ambas partem de um conjunto de dados científicos robustos e convergem na divulgação de uma informação crucial: a ultrapassagem do limite de 1,5°C de aquecimento global, mas diferem na forma como transmitem esse conteúdo.
A National Geographic Brasil destaca o aspecto científico do dado, usando uma linguagem acessível, porém técnica, que insere o leitor no contexto do Acordo de Paris e dos impactos ambientais relacionados. O uso de dados numéricos precisos, combinados com explicações claras sobre o que significa ultrapassar 1,5°C, é uma estratégia positiva de tradução que aproxima o público do processo científico, explicando não só o resultado, mas seu significado e implicações. Além disso, a inclusão de citações de especialistas e a menção ao método de coleta e análise dos dados ajudam a fortalecer a credibilidade e a compreensão da pesquisa.
Já a matéria da Agência Brasil opta por uma tradução intersemiótica mais institucional, centrada na autoridade da Organização Meteorológica Mundial (OMM). A notícia privilegia a oficialização do resultado, destacando o comunicado da OMM como principal fonte de legitimidade. Embora isso reforce o peso científico do dado, a reportagem se distancia do detalhamento do processo e dos contextos explicativos, limitando a profundidade da compreensão do leitor sobre a produção científica. A ausência de um relato mais detalhado do método e da importância do número pode restringir o engajamento do público com o tema.
Em suma, a National Geographic Brasil consegue comunicar de forma mais completa o resultado e o processo científico, integrando dados, contexto e voz de especialistas, facilitando a apropriação do conhecimento pelo público. Por outro lado, a Agência Brasil desempenha papel importante ao transmitir uma notícia oficial com linguagem objetiva e direta, mas sua tradução intersemiótica é menos detalhada, o que pode comprometer o entendimento mais aprofundado do fenômeno. Ambas, porém, cumprem papéis complementares na comunicação científica: uma mais explicativa e outra mais institucional.
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