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Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Caio Lamas

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.

Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.

O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.

Nome de usuário(a)

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Caio Lamas

Material selecionado

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Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:

  • dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
  • a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.

Produção científica

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.

  • Qual a contribuição científica pretendida?
    • Responda aqui: A contribuição pretendida é a criação de uma vacina para a dengue de dose única e que abranja todas as 4 variantes do vírus (DENV 1-4). A vacina é desenvolvida pelo Instituto Butantan, e é direcionada para o público de 2 a 59 anos.
  • Qual o método científico adotado?
    • Responda aqui: Trata-se de um ensaio clínico duplo cego, randômico, com controle de placebo. O artigo reporta resultados referentes à fase 3, na qual 16235 voluntários, oriundos das 5 regiões geográficas do país e distribuídos por 16 locais de aplicação, foram randomicamente alocados em dois grupos: um em que a vacina foi aplicada, e outro com a aplicação de um placebo, na proporção de 2:1. Todos os voluntários elegíveis para participar dessa etapa da pesquisa não poderiam atender aos critérios de exclusão adotados, que incluiam apresentar febre suspeita ou confirmada dentro de 72 horas antes do dia da vacinação; ter alguma doença autoimune; estar grávida ou em período de amamentação; ter recebido previamente outra vacina contra a dengue, entre outros. Todos os voluntários foram acompanhados pela equipe de pesquisa por um período entre 3 e 7 anos, dependendo da data de inscrição. Todas as seringas foram preparadas por um farmacêutico que sabia da alocação dos voluntários por grupo, porém não se envolveu em nenhuma avaliação posterior dos resultados.
  • Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
    • Responda aqui: Uma das limitações do método exposta no artigo é a vulnerabilidade em relação aos dados contextuais, no que se inclui a ausência no estudo de casos com as variantes 3 e 4 (DENV 3 e 4) do vírus, além do número baixo de ocorrência da doença durante o período de acompanhamento, uma vez que foram abarcados os anos atípicos da pandemia da COVID-19. Outra limitação é um possível viés na escolha dos voluntários por protocolo e por dados de resultados ausentes. O método ainda é vulnerável a falhas do sistema eletrônico de distribuição randômica dos participantes, e no estudo foi observado um erro nesse sentido, que resultou em uma taxa geral de alocação menor que 2:1 na faixa etária de 18 a 59 anos. Há ainda uma variação na quantidade de anos em que cada um dos participantes foi observado, entre 2 e 5 anos, a depender de sua data de inscrição.
  • Qual o resultado realizado?
    • Responda aqui: Uma dose única da Butantan-DV obteve uma boa tolerância e uma eficácia significativa contra as variantes 1 e 2 do vírus (DENV 1 e 2). A eficácia depende da variante abordada e da faixa etária: para participantes com idade entre 18 e 59 anos, a taxa foi de 72,8% para qualquer variante do vírus, de 77,7% para a variante 1 e 71,4% para a variante 2; para os participantes com idade entre 7 e 17 anos, essa taxa variou entre 70,6% (qualquer tipo), 78,9% (tipo 1) e 59,8% (tipo 2); para os participantes com idade entre 2 e 6 anos, as taxas foram de 64,6 % (qualquer tipo), 77,9 % (tipo 1) e 40,4% (tipo 2). O imunizante foi particularmente eficaz em evitar casos graves da doença, com uma taxa para esses casos de 89%.
  • Qual o impacto deste resultado?
    • Responda aqui: Os achados da pesquisa estimulam a continuação dos ensaios clínicos desenvolvidos pelo instituto e com foco tanto em adultos, como em adolescentes e crianças. Sabe-se como, atualmente, a vacina está em processo de registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)[1], e já se encontra em processo de fabricação[2].

Produção jornalística

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.

  • Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
    • Responda aqui para a comunicação 1: Porque se trata da maior porcentagem de eficiência do imunizante apresentada no estudo, além do pior nível de severidade da doença, levando a óbito 6041 pessoas somente em 2024, uma alta de 400% se comparado a 2023.[3]
    • Responda aqui para a comunicação 2: Porque se trata da maior porcentagem de eficiência do imunizante apresentada no estudo, além do pior nível de severidade da doença, levando a óbito 6041 pessoas somente em 2024, uma alta de 400% se comparado a 2023. [3]
  • Em que medida o método da pesquisa é descrito?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A descrição do método é bastante sucinta, apresentando em um parágrafo o número total de pacientes por grupo, além do fato do ensaio ser caracterizado como duplo cego. Há a menção também, no início do texto, ao fato de ter sido aplicada somente uma única dose de 0,5 mililitro do imunizante. Faz-se menção ao fato de não ter sido registrada, durante o período de observação, incidência da doença com os tipos 3 e 4, o que prejudicou a análise para esses dois sorotipos.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A descrição é também sucinta: faz-se menção à quantidade total de voluntários, a faixa etária, o período em que todos receberam a vacina ou o placebo, o período em que os participante foram ou ainda estão sendo observados, a depender de quando participaram na etapa da imunização. Faz-se menção também ao fato de não ter sido registrada, durante o período de observação, incidência da doença com os tipos 3 e 4, o que prejudicou a análise para esses dois sorotipos.
  • Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
    • Responda aqui para a comunicação 1: Há trechos de duas entrevistas. Com relação ao primeiro, sua função é a de complementar as informações a respeito da taxa de eficiência do imunizante, indicando queda natural da proteção ao longo dos anos e a não necessidade da adoção de dose de reforço. Com relação ao segundo, sua função é corroborar a informação que se encontra no parágrafo anterior, a respeito dos ótimos dados de segurança apresentados pelo imunizante.
    • Responda aqui para a comunicação 2:Há quatro trechos de entrevistas na matéria. Com relação ao primeiro, de maneira semelhante ao que ocorreu na matéria da Revista Pesquisa Fapesp, sua função é a de complementar as informações a respeito da taxa de eficiência do imunizante, indicando queda natural da proteção ao longo dos anos, sem que com isso haja prejuízo significativo de seu desempenho. Com relação ao segundo, sua função é apresentar a ideia de que há a necessidade real da população ter acesso a mais de um tipo de vacina contra a dengue, de diferentes fabricantes, uma vez que a capacidade de produção de somente uma instituição dificilmente corresponde à demanda que se tem de proteção por parte da população, em especial para doenças como a dengue. Em relação aos dois últimos trechos, ambos têm a função de acrescentar informações a respeito do procedimento adotado pela Anvisa para a aprovação do imunizante, salientando como ele foi concebido de maneira a agilizar a avaliação da agência.
  • Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A reportagem destaca vários dos achados da pesquisa, em especial com relação às diferentes taxas de eficiência apresentadas pela vacina, a depender do nível de gravidade da doença e da faixa etária em que se encontra o paciente. Dessa forma, são evidenciadas a porcentagem de eficiência para casos de dengue grave (89%); para todos os tipos de sintomas e público (67,3%); para indivíduos situados na faixa de 2 aos 6 anos (64,6%, na média), de 7 a 17 anos (70,6%) e de 18 a 59 anos (72,8%). Não são mencionados pormenores desses números, como as variações que ocorreram no caso do paciente já ter tido ou não contato prévio com a doença, ou as diferenças de eficácia para cada grupo com relação às variantes 1 (DENV-1) e 2 (DENV-2). Nesse quesito, apresenta-se somente o dado geral, de que na média o índice de proteção foi de 75,8% contra o sorotipo 1, e de 59,7% contra o sorotipo 2.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A reportagem é bastante sucinta nesse aspecto, salientando somente, com relação à taxa de eficiência do imunizante, os números relativos a casos graves da doença (89%); à média para todos os públicos, graus de gravidade e sorotipos (67,3 %); e às diferenças de acordo com o sorotipo (75,8% para DENV-1 e 59,7% para DENV-2). Há uma rápida menção à diferença de dados entre voluntários com ou sem contato prévio com a doença antes da aplicação. Não se detalha as variações dos dados entre as diferentes faixas etárias.
  • Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A reportagem, ainda que sucinta nos aspectos metodológicos, proporciona um contexto bastante satisfatório para a compreensão da produção científica, pensando no público em geral. Isso se dá em diferentes partes do texto: no segundo parágrafo, quando se menciona o fato dos dados terem sido publicados primeiramente no periódico The Lancet Infectious Diseases, reforçando a importância da publicação em revistas científicas como parte do processo científico; no terceiro parágrafo, ao sinalizar tanto as diferenças de eficácia do imunizante entre grupos de diferentes faixas etárias, mostrando como os resultados de pesquisa desse porte são complexas, como ao apontar que não há dados de imunização referentes aos sorotipos 3 e 4, uma vez que não foram detectadas infecções desse tipo no período de estudo, revelando como os resultados de uma pesquisa podem ser prejudicados por circunstâncias que fogem ao controle dos pesquisadores; no quinto parágrafo, ao mencionar a quantidade de voluntários envolvidos e a divisão por grupos, reforçando a dimensão do estudo e, portanto, os esforços substanciais feitos para se chegar aos resultados divulgados; por fim, no sétimo parágrafo, ao relatar a submissão gradual dos dados da pesquisa à Anvisa, revelando como é complexo o processo de aprovação do imunizante para sua possível futura adoção pelo SUS.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A reportagem igualmente apresenta um contexto bastante satisfatório para a compreensão da produção científica, pensando no público em geral. Isso se dá em diversas partes do texto: no primeiro parágrafo (lide), em que se menciona a parceria do Instituto Butantan com o Instituto Naciona de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, reforçando a necessidade de parcerias internacionais para algumas pesquisas, além de relatar o fato dos resultados terem sido publicados anteriormente na The Lancet, sugerindo a importância da publicação em revistas de renome para o desenvolvimento científico; em seguida, menciona-se alguns detalhes da metodologia, incluindo a quantidade de voluntários, a faixa etária e o período de estudo, bem como algumas das taxas de eficiência encontradas, ainda que de forma não tão pormenorizada como na comunicação 1; faz-se também menção, mais a frente, ao fato de não haver dados de imunização referentes aos sorotipos 3 e 4, uma vez que não foram detectadas infecções desse tipo no período de estudo, revelando como os resultados de uma pesquisa podem ser prejudicados por circunstâncias que fogem ao controle dos pesquisadores; faz-se menção também à tendência de queda da taxa de eficiência desse e de todos os outros imunizantes ao longo do tempo, revelando como a proteção fornecida por vacinas pode não ser definitiva, embora não seja o caso da Butantan DV, que até o momento apresenta bons dados para o período de acompanhamento entre 3 e 7 anos; destaca-se ainda o caso de outra vacina existente para a doença, a Qdenga, produzida pela Takeda, farmacêutica japonesa, como ela apresenta dados parecidos com a Butantan DV, apesar de ter incluído pacientes de 7 países difentes durante os ensaios clínicos, além de mencionar como os dados foram igualmente publicados em periódico científico e como há a necessidade real de haver mais de uma opção de imunizante para a doença, uma vez que a demanda por proteção da população é alta; por fim, menciona-se o processo de aprovação junto à Anvisa, detalhando mais o processo de avaliação da agência e revelando, de maneira um pouco mais detalhada do que na comunicação 1, como é complexo o processo de aprovação do imunizante para sua possível futura adoção pelo SUS.

Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.

Como o público de ambas as publicações não é necessariamente de cientistas, mas sim um mais geral, com formação universitária[4] (Revista FAPESP) ou pertencente às classes B e A [5] (O Globo), é natural que haja, portanto, a síntese dos resultados e dos processos que caracterizam a ciência. A reportagem da Revista FAPESP destaca vários dos achados da pesquisa, em especial com relação às diferentes taxas de eficiência apresentadas pela vacina, a depender do nível de gravidade da doença e da faixa etária em que se encontra o paciente. Não são mencionados pormenores desses números, como as variações que ocorreram no caso do paciente já ter tido ou não contato prévio com a doença. A descrição do método é bastante sucinta, apresentando em um parágrafo o número total de pacientes por grupo, além do fato do ensaio ser caracterizado como duplo cego. A reportagem omite pormenores da metodologia, relativos, por exemplo, ao processo de aleatorização da pesquisa, ao software utilizado para tal fim, à distribuição geográfica dos participantes, entre outros aspectos. As informações essenciais, no entanto, estão apresentadas no texto, ainda que a metodologia pudesse ser um pouco mais detalhada.

Já a reportagem de O Globo é bastante sucinta na exposição dos resultados, salientando somente, com relação à taxa de eficiência do imunizante, os números relativos a casos graves da doença (89%); à média para todos os públicos, graus de gravidade e sorotipos (67,3 %); e às diferenças de acordo com o sorotipo (75,8% para DENV-1 e 59,7% para DENV-2). Não se detalha as variações entre os diferentes grupos, ou aquelas derivadas do fato do paciente já ter tido contato prévio com a doença antes da aplicação. Com relação à descrição do método, ela é também sucinta: faz-se menção à quantidade total de voluntários, à faixa etária, ao período em que todos receberam a vacina ou o placebo, entre outras informações. De maneira análoga à reportagem 1, a de O Globo omite vários dados e talvez pudesse pormenorizar mais os aspectos metodológico. No entanto, a reportagem contextualiza muito bem o artigo científico, realizando uma comparação com dados da Qdenga e detalhando o processo de aprovação junto à Anvisa, o que facilita ao leitor compreender o processo científico.

Próximos passos

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Referências