Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Isabela Batistella
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.
Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.
O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.
Isabela Batistella
[editar | editar código]Isabela Batistella
Material selecionado
[editar | editar código]Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:
- dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
- a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
- Título e link da notícia 1: Estudo identifica potencial de regeneração em bordas urbanas | Link: https://veja.abril.com.br/agenda-verde/estudo-identifica-potencial-de-regeneracao-florestal-em-bordas-urbanas/
- Título e link da notícia 2: Bordas urbanas de SP têm 410 mil hectares com potencial de restauração florestal | Link: https://jornalggn.com.br/noticia/bordas-urbanas-sp-tem-410-mil-hectares-potencial-restauracao-florestal/
- Título e link da produção científica: Urban boundaries are an underexplored frontier for ecological restoration — Scientific Reports (Nature), 2025. | Link: https://www.nature.com/articles/s41598-025-19699-9
Produção científica
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.
- Qual a contribuição científica pretendida?
- Responda aqui: O estudo mostra que as bordas urbanas, áreas de transição entre o urbano e o rural, são regiões com grande potencial para restauração florestal. Os autores defendem que restaurar ecossistemas próximos das cidades traz benefícios ambientais e sociais, como regulação do clima, melhoria da qualidade do ar e da água e aumento da resiliência urbana.
- Qual o método científico adotado?
- Responda aqui: Os pesquisadores analisaram a dinâmica de desmatamento e regeneração entre 1990 e 2020, usando dados da oitava coleção do MapBiomas, que mapeia o uso e a cobertura do solo a partir de imagens de satélite (Landsat) processadas no Google Earth Engine.
O desmatamento foi definido como a transformação de áreas naturais em usos humanos (como agricultura ou zonas urbanas), e a regeneração, como o processo inverso — quando áreas antes ocupadas voltam a ter cobertura natural. O estudo comparou as taxas de desmatamento e regeneração e a evolução do uso do solo em áreas urbanas, bordas urbanas e rurais do estado e da macrometrópole paulista. O ponto de transição florestal foi identificado como o primeiro ano em que a regeneração superou o desmatamento de forma contínua.
- Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
- Responda aqui: O estudo reconhece limitações ligadas à fragmentação dos dados espaciais, às incertezas dos modelos de regeneração e à ausência de informações locais detalhadas sobre uso do solo e fatores socioeconômicos.
- P. 7: “Regeneration has not increased connectivity or the size of the largest fragment, indicating that regeneration primarily occurred in isolated patches…” - P. 8-9: “Methodological variations across studies, along with differing definitions of urban areas and boundaries, present challenges to direct comparison and limit the generalizability of findings across contexts.” - P. 3 e P. 9: “These strategies should consider not only ecological dimensions but also social, historical, and cultural factors, which may differ significantly between urban and rural settings.”
- Qual o resultado realizado?
- Responda aqui: As bordas urbanas mostraram as maiores taxas de regeneração entre todas as áreas analisadas e cerca de 410 mil hectares (50,9% das bordas) com potencial de restauração, o equivalente a um terço da meta estadual de reflorestamento até 2050.
- Qual o impacto deste resultado?
- Responda aqui: O estudo propõe que políticas públicas passem a incluir as bordas urbanas como prioridade de restauração, o que ampliaria os benefícios ecológicos e sociais para milhões de pessoas que vivem próximas dessas áreas.
Produção jornalística
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.
- Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
- Responda aqui para a comunicação 1: Veja: destaca o “potencial de regeneração em bordas urbanas” e faz conexão direta com metas de reflorestamento do governo, reforçando relevância política e ambiental.
- Responda aqui para a comunicação 2: Jornal GGN: foca no número exato — “410 mil hectares” — para dar concretude e peso ao achado científico, atraindo o leitor pela dimensão do dado.
- Em que medida o método da pesquisa é descrito?
- Responda aqui para a comunicação 1: Veja: menciona que o estudo analisou três décadas de dados, mas não detalha a metodologia.
- Responda aqui para a comunicação 2: GGN: explica que foram usados dados de satélite do MapBiomas para mapear áreas de regeneração e desmatamento, oferecendo mais clareza sobre o método.
- Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
- Responda aqui para a comunicação 1: Veja: utiliza falas de pesquisadores para traduzir o significado dos resultados e destacar os impactos positivos da restauração.
- Responda aqui para a comunicação 2: GGN: também inclui trechos de especialistas, mas com foco maior em contextualizar as políticas públicas e a relevância das áreas urbanas no combate à crise climática.
- Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
- Responda aqui para a comunicação 1: Veja: enfatiza o número ligado à meta de 2050 e os benefícios ambientais, sem mencionar as limitações do estudo.
- Responda aqui para a comunicação 2: GGN: destaca os dados de regeneração e a ausência de políticas específicas para as bordas urbanas, aproximando-se mais da discussão original do artigo.
- Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
- Responda aqui para a comunicação 1: Veja: fornece um contexto geral sobre restauração e metas climáticas, mas sem explicar como as bordas urbanas se diferenciam de outras áreas.
- Responda aqui para a comunicação 2: GGN: oferece contexto mais robusto, explicando o papel dessas regiões e como podem contribuir para políticas de restauração e adaptação climática.
Análise
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.
As duas matérias traduzem a pesquisa científica de formas complementares. A Veja adota uma linguagem leve e institucional, com foco no impacto político e nas metas de reflorestamento, priorizando o dado que conecta a ciência às ações do governo. A tradução intersemiótica privilegia a síntese e o engajamento do leitor, mas reduz a complexidade metodológica do estudo. O Jornal GGN, por outro lado, faz uma tradução mais analítica, detalhando o método, explicando o conceito de “bordas urbanas” e relacionando o resultado com lacunas nas políticas públicas. Essa abordagem aproxima o público do raciocínio científico, oferecendo mais contexto sobre o papel da regeneração natural. Enquanto a Veja aposta em um discurso de impacto e otimismo, o GGN se aproxima de uma divulgação científica explicativa, que traduz o processo e o resultado de forma mais fiel. Em conjunto, as duas matérias revelam diferentes modos de converter conhecimento científico em informação pública: um voltado à mobilização, outro à compreensão.
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.