Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Julia dilarri
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.
Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.
O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Julia dilarri Julia dilarri
Material selecionado
[editar | editar código]Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:
- dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
- a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
- Título e link da notícia 1: Brasil perdeu 30 milhões de hectares por causa de queimadas em 2024; Amazônia é a mais afetada. https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2025/06/24/brasil-perdeu-30-milhoes-de-hectares-por-causa-de-queimadas-em-2024-amazonia-e-a-mais-afetada.ghtml
- Título e link da notícia 2: Amazônia bate recorde de queimadas em meio ao discurso de proteção ambiental de Lula. https://www.gazetadopovo.com.br/republica/amazonia-recorde-queimadas-discurso-ambiental-lula/
- Título e link da produção científica:Relatório anual de fogo no brasil https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/4/2025/06/RAF2024_24.06.2025_v2.pdf
Produção científica
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.
- Qual a contribuição científica pretendida?
- Responda aqui: A iniciativa MapBiomas Fogo busca fornecer dados sistemáticos, históricos e detalhados sobre áreas queimadas no Brasil, permitindo compreender padrões de ocorrência, vulnerabilidade dos ecossistemas e impactos do fogo. A contribuição científica está em gerar informações públicas e baseadas em evidências que possam subsidiar pesquisas, políticas públicas, prevenção de incêndios e gestão territorial frente às mudanças climáticas e pressões humanas.
- Qual o método científico adotado?
- Responda aqui: O método utiliza imagens de satélite Landsat com resolução espacial de 30 metros e resolução temporal de 16 dias. Para identificar áreas queimadas, o projeto aplica algoritmos de deep learning (Redes Neurais Profundas – DNN) que detectam cicatrizes de fogo a partir de alterações espectrais em séries temporais. Os resultados são validados por especialistas em cada bioma, garantindo confiabilidade.
- Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
- Responda aqui:
- As imagens de satélite podem não detectar queimadas muito pequenas ou de baixa intensidade.
- Mudanças rápidas no uso do solo ou incêndios recentes podem não ser capturados imediatamente.
- A classificação depende de validação especializada, o que pode gerar limitações em áreas com poucos dados de referência.
- Responda aqui:
- Qual o resultado realizado?
- Responda aqui: O MapBiomas Fogo produziu mapas anuais e mensais de áreas queimadas no Brasil, cobrindo o período de 1985 a 2024, com detalhamento por bioma, estado, município, classes de uso da terra e categorias fundiárias. Os dados estão disponíveis publicamente na plataforma online do MapBiomas.
- Qual o impacto deste resultado?
- Responda aqui:O resultado permite monitorar e compreender a dinâmica do fogo nos ecossistemas brasileiros, orientar políticas públicas e estratégias de prevenção, apoiar decisões de conservação ambiental e fornecer subsídios científicos para pesquisadores e organizações da sociedade civil.
Produção jornalística
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.
- Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
- Responda aqui para a comunicação 1: O título destaca a perda de 30 milhões de hectares devido às queimadas em 2024 para chamar atenção para a extensão recorde da devastação ambiental, enfatizando a gravidade da situação e a necessidade urgente de ação.
- Responda aqui para a comunicação 2: O título destaca o recorde de queimadas na Amazônia em 2024 para ressaltar a contradição entre os discursos de proteção ambiental do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a realidade observada no bioma, sugerindo uma discrepância entre as promessas e os resultados.
- Em que medida o método da pesquisa é descrito?
- Responda aqui para a comunicação 1:O método é descrito de forma sucinta, mencionando que os dados provêm do Relatório Anual do Fogo (RAF), do MapBiomas, que utiliza monitoramento por satélite para mapear as áreas afetadas pelo fogo no Brasil.
- Responda aqui para a comunicação 2:O método é descrito de forma geral, mencionando que os dados são provenientes do Relatório Anual do Fogo (RAF), do MapBiomas, sem detalhar os procedimentos específicos de coleta e análise utilizados na pesquisa.
- Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
- Responda aqui para a comunicação 1:A reportagem não inclui entrevistas diretas. As informações são apresentadas com base em dados técnicos e declarações de especialistas citadas no texto.
- Responda aqui para a comunicação 2: A reportagem inclui declarações de especialistas, como Felipe Martenexen, coordenador de mapeamento do bioma Amazônia do MapBiomas, e Vera Arruda, coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, que ajudam a contextualizar os dados e oferecer interpretações sobre as causas e consequências das queimadas.
- Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
- Responda aqui para a comunicação 1: A matéria destaca principalmente os dados alarmantes sobre a Amazônia, mencionando que o bioma foi responsável por 52% da área queimada no Brasil em 2024, sem entrar em detalhes sobre outros biomas ou comparações com anos anteriores.
- Responda aqui para a comunicação 2:A matéria destaca os dados sobre a Amazônia, mencionando que o bioma teve 15,6 milhões de hectares queimados, representando 52% de toda a área queimada no Brasil em 2024, e compara esses números com a média histórica, sem aprofundar-se em outros biomas ou aspectos da pesquisa
- Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
- Responda aqui para a comunicação 1:A notícia fornece um contexto adequado, explicando que o aumento das queimadas é resultado da ação humana, agravada por dois anos consecutivos de seca severa, e mencionando a combinação de fatores como vegetação altamente inflamável e baixa umidade.
- Responda aqui para a comunicação 2: A notícia oferece um contexto razoável, explicando que as queimadas na Amazônia são resultado da ação humana, exacerbada por seca severa, e destacando a mudança na dinâmica do fogo no Cerrado, que agora afeta mais as formações florestais, ameaçando a biodiversidade e a resiliência do bioma.
Análise
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.
As duas reportagens analisadas — G1 (“Brasil perdeu 30 milhões de hectares por causa de queimadas em 2024; Amazônia é a mais afetada”) e Gazeta do Povo (“Amazônia bate recorde de queimadas em meio ao discurso de proteção ambiental de Lula”) utilizam estratégias distintas de tradução intersemiótica para comunicar resultados científicos sobre queimadas.
No G1, a tradução intersemiótica se dá principalmente por meio de números absolutos e comparativos (30 milhões de hectares queimados, 52% da Amazônia afetada), que transformam dados técnicos do Relatório Anual do Fogo (RAF/MapBiomas) em informações acessíveis ao público leigo. O uso de gráficos e mapas facilita a visualização do impacto, aproximando o leitor da dimensão real das queimadas. A reportagem consegue comunicar adequadamente o resultado da pesquisa, mas dedica pouco espaço à explicação detalhada do processo científico, como métodos de monitoramento por satélite, o que limita a compreensão completa da produção científica.
Na Gazeta do Povo, a tradução intersemiótica incorpora elementos narrativos e políticos, relacionando o recorde de queimadas à retórica do governo federal. Declarações de especialistas do MapBiomas ajudam a contextualizar os dados e explicam parcialmente os fatores climáticos e humanos que aumentaram as queimadas. Essa abordagem torna a informação mais interpretativa e crítica, mas pode deslocar o foco do resultado científico em si para a análise política. Positivamente, a matéria conecta ciência e sociedade, mas negativamente, o viés político pode obscurecer o entendimento técnico sobre o processo de monitoramento.
Em síntese, o G1 prioriza exatidão e clareza dos resultados, enquanto a Gazeta do Povo enfatiza contextualização e repercussão social. Ambas alcançam diferentes públicos, mas apresentam limitações: a primeira por não detalhar o método científico, a segunda por misturar análise política e científica, o que pode gerar interpretação enviesada. Exemplos positivos incluem o uso de mapas e citações de especialistas; negativos incluem a ausência de explicações metodológicas no G1 e o foco político que pode distorcer a percepção da ciência na Gazeta do Povo.
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.