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Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Juliana Di Beo

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.

Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.

O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.

Nome de usuário(a)

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Juliana Di Beo

Material selecionado

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Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:

  • dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
  • a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
  • Título e link da notícia 1: Marte pode abrigar reservatório de água suficiente para cobrir o planeta e

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/08/marte-pode-abrigar-reservatorio-de-agua-suficiente-para-cobrir-o-planeta.shtml

Produção científica

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.

  • Qual a contribuição científica pretendida?
    • Responda aqui: compreender o que ocorreu com o grande volume de água líquida que existiu transitoriamente na superfície de Marte há mais de 3 bilhões de anos
  • Qual o método científico adotado?
    • Responda aqui: foi utilizado dados sísmicos do módulo de pouso InSight lander e modelos de física de rochas e inversão bayesiana para identificar combinações de litologia, saturação de água líquida, porosidade e formato de poro consistentes com as velocidades sísmicas e gravidade da crosta média restrita (profundidades de ∼11,5 a 20 km).
  • Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
    • Responda aqui: acesso a água líquida nos poros das rochas, pois estão há uma profundidade muito alta para pesquisas futuras.
  • Qual o resultado realizado?
    • Responda aqui: uma crosta média composta de rochas ígneas fraturadas saturadas com água líquida explica melhor os dados existentes.
  • Qual o impacto deste resultado?
    • Responda aqui: os resultados têm implicações para a compreensão do ciclo da água de Marte, determinando os destinos da água da superfície passada, buscando vida passada ou existente e avaliando a utilização de recursos in situ para missões futuras.

Produção jornalística

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.

  • Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
    • Responda aqui para a comunicação 1: O título é sucinto, revela o assunto principal do tema científico e se preocupa em utilizar o termo ‘reservatório de água’ para melhor descrever o achado do estudo.
    • Responda aqui para a comunicação 2: O título revela o assunto principal do tema científico e utiliza o termo ‘oceano subterrâneo’ com intuito de facilitar o entendimento do público e despertar mais curiosidade para a leitura da notícia. Também utiliza o mesmo termo do título da notícia da Folha de São Paulo, ‘reservatório de água’, e aponta a sonda da Nasa como a responsável pela descoberta.
  • Em que medida o método da pesquisa é descrito?
    • Responda aqui para a comunicação 1:aparece logo no lide, em que a autora descreve que foi usada a sonda da Nasa InSight Lander. Depois, reaparece nos últimos três parágrafos da notícia seguido do intertítulo “Os dados da InSight Lander”. É descrito a duração da atividade da sonda em solo marciano (entre 2018 e 2022), explicou-se o objetivo dessa atividade (reunir informações que ajudassem a explicar os processos por trás da formação do planeta vermelho) e explicou (a partir de falas de especialistas entrevistados) em detalhes como a sonda gera dados a partir de um trabalho estatístico minucioso que permite detecção de água subterrânea com diferentes modelos de rochas na Terra e com diferentes quantidade de água nos poros de rochas.
    • Responda aqui para a comunicação 2: a notícia descreve o método logo na abertura da notícia (“medições sísmicas realizadas pela sonda Mars InSight, da Nasa”) e destaca com mais detalhes a metodologia no meio da notícia, em que compara a detecção de água em Marte com técnicas semelhantes usadas por geólogos para mapear aquíferos subterrâneos e campos de petróleo em Marte, acredito que a autora queria ter escrito Terra. (parece ter sido erro de digitação). No penúltimo parágrafo, a notícia menciona a explicação dos cientistas do estudo sobre a metodologia usada para identificar detalhes mais finos, como o formato do poro da rocha, a saturação de água líquida, combinação de litologia e outros.
  • Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
    • Responda aqui para a comunicação 1: Na notícia aparece no segundo parágrafo a fala de um dos autores do estudo, o geocientista canadense-americano Michael Manga. Depois aparecem outros especialistas, como o astrofísico e astrobiólogo brasileiro do Observatório do Valongo - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Gustavo Porto de Mello;o pesquisador e pós-doutorando do Instituto de Química (IQ-USP) Bruno Nascimento-Dias e a pós-doutoranda da Universidade de Lund, na Suécia, Aline Novais. Ao todo foram contatados 4 especialistas para contribuir para a notícia. A finalidade das entrevistas foi para apontar a implicação do estudo, para explicar qual a interpretação dos primeiros dados que apontavam a existência de água em Marte, para enfatizar o que o achado do estudo revela, e explicações sobre a descoberta e a hipótese do estudo. Além de explicações e detalhamento sobre a metodologia do estudo.
    • Responda aqui para a comunicação 2: Não há citação de nenhum especialista em particular, a notícia menciona falas dos ‘cientistas do estudo’ no plural e de modo genérico e do texto contido no próprio estudo como citação, com o propósito de dar mais detalhes e explicações sobre a metodologia usada e as implicações dos resultados do estudo.
  • Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A abertura da notícia já mostra os principais resultados do estudo, apontando que pesquisadores encontraram evidência de água líquida em Marte nos poros de rochas ígneas na crosta do planeta.
    • Responda aqui para a comunicação 2: Descreve o principal achado do estudo, apontando que a sonda Mars InSight detectou que a água estaria localizada entre 11 e 20 km de profundidade na crosta do planeta vermelho. Ainda revela a implicação dessa localização água, que dificulta o acesso para futuros astronautas.
  • Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A notícia oferece um contexto para o tema científico abordado, com o intertítulo “um passado de oceano”, em que a autora aborda um estudo da década de 1970 com a sonda Mariner 9, que mapeou a superfície do planeta Marte, mostrando através de fotografias a existência de canais de escoamento, deixando a interpretação de que havia uma grande quantidade de água no planeta. Acredita-se que há 3 bilhões de anos havia um oceano no norte do planeta, parte dele foi perdida para o espaço e outra parte está congelada nos polos do planeta sob a forma de permafrost. O novo estudo traz uma nova evidência de que outra parte se acumulou em poros de rochas ígneas.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A notícia menciona que em Marte já foram encontrados vulcão e montanhas, e embora haja água congelada nos pólos de Marte e evidências de vapor na atmosfera, é a primeira vez que água líquida é encontrada no planeta. A notícia também menciona que cientistas apontam que os oceanos de superfície reais em Marte tenham desaparecido há mais de três bilhões de anos. E explicar o que as pesquisas explicam sobre as hipóteses levantadas para explicar o que pode ter acontecido com grande parte dessa água.

Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.

Escreva aqui sua resposta


Acredito que a notícia da Folha de São Paulo tenha comunicado de modo bastante satisfatório e adequado à produção científica sobre a existência de água líquida em Marte. Logo no título, há o emprego dos verbos “pode” e “abrigar” no propósito de revelar que não foi comprovado a existência, mas a melhor hipótese levantada no estudo indica que pode haver água no planeta. No decorrer da notícia, a autora Ramana Rech, traz contribuições de especialistas de áreas diversificadas para explicar as implicações do estudo e a metodologia utilizada. Além de se preocupar em enfatizar possíveis conclusões que as pessoas podem tirar de forma precipitada, como a existência de vida em Marte, algo que é frisado na notícia com fala de especialista. Algo notável da notícia é a contribuição de especialistas, em sua maioria brasileiros, e que não são os autores do estudo, pois quem assina o artigo são todos estrangeiros, o que valoriza os cientistas brasileiros. Quase não aparecem jargões científicos na notícia, quando aparecem vêm acompanhada de uma explicação clara e objetiva. Um exemplo é o emprego da palavra permafrost que é seguido pela definição (solo congelado, que também existe na Terra), e rochas ígneas, produtos do resfriamento do magma. Nessa última explicação, poderia ter substituído magma por lava vulcânica, que me parece ser menos técnico. Em relação a notícia do Terra, acredito que logo pelo título há um equívoco de comunicação pois traz a ideia da existência de um oceano subterrâneo encontrado pela sonda da Nasa. A importância de comunicar adequadamente logo pelo título é importante pois pode gerar algum nível de informação incorreta no leitor. Em segundo lugar, a imagem utilizada para comunicar a notícia não deixa claro se trata-se de Marte ou da lua de Saturno. Acredito que a escolha da imagem traz mais dúvidas do que esclarecimento para o que se deseja comunicar, o que se justifica pela legenda que acompanha a imagem. O uso do termo “anúncio” ao referir-se ao estudo, me parece não adequado pois trata-se de uma pesquisa científica, o que não pode ser usada como sinônimo de anúncio. A escolha de não entrevistar um especialista em particular, como o emprego de “Cientistas apontam que os oceanos…” soa como algo genérico e pode levar ao descrédito do texto. Por outro lado, a notícia descreve de maneira bastante satisfatória a metodologia adotada no estudo, apesar de ao fazer uma comparação com a metodologia apresentar um erro “campos de petróleo em Marte”, quando na verdade se referiria ao planeta Terra. De maneira geral, faltou maior cuidado e revisão na comunicação científica realizada pela notícia do Terra.

Próximos passos

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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.

Referências