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Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Lais CF

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.

Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.

O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.

Nome de usuário(a)

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Laís Cerqueira Fernandes

Material selecionado

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Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:

  • dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
  • a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.

Produção científica

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.

  • Qual a contribuição científica pretendida?
    • Demonstrar que exercício aeróbico pode retardar o envelhecimento cerebral em adultos jovens e de meia-idade (entre 26 e 58 anos), uma faixa etária, segundo os autores, pouco estudada nesse contexto.
  • Qual o método científico adotado?
    • Ensaio clínico randomizado controlado. Participaram 130 adultos saudáveis, divididos por sorteio em dois grupos. O primeiro fez exercício aeróbico de intensidade moderada a vigorosa: duas sessões supervisionadas de 60 minutos por semana em laboratório, mais exercícios em casa, totalizando 150 minutos semanais. O segundo grupo manteve a rotina habitual. A idade cerebral foi calculada pelo software brainageR. Também testaram possíveis explicações biológicas para o efeito: aptidão cardiorrespiratória, composição corporal, pressão arterial e níveis de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro). A aptidão cardiorrespiratória foi medida pelo VO2pico em teste de esforço máximo. A análise estatística empregou modelos lineares mistos e testes de mediação.
  • Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
    • Os autores reconhecem várias restrições: a amostra é relativamente pequena (130 participantes, dos quais 81 concluíram as avaliações finais); a pandemia de Covid-19 elevou o abandono dos participantes do estudo; durante os períodos de isolamento, o exercício passou a ser feito em casa, fora da supervisão direta; a amostra era relativamente saudável e com alta escolaridade, o que dificulta generalizar os achados para outras populações; fatores como consumo de álcool e tabagismo não foram controlados. O brain-PAD também é uma métrica global: aparentemente, não indica quais regiões específicas do cérebro mudaram.
  • Qual o resultado realizado?
    • O grupo que se exercitou apresentou redução média de 0,60 ano na idade cerebral (p=0,034). No grupo controle, houve aumento de 0,35 ano, sem significância estatística. A diferença entre os grupos chegou a 0,95 ano (p=0,019). A aptidão cardiorrespiratória também melhorou no grupo de exercício: aumento de 1,60 mL/kg/min no VO2pico (p=0,017). No grupo controle, houve leve queda. Na análise transversal feita no início do estudo, a maior aptidão física foi associada ao cérebro mais jovem. Para cada aumento de 7 mL/kg/min no VO2pico, a idade cerebral diminuía cerca de 1,83 ano. Composição corporal, pressão arterial e níveis de BDNF não mudaram de forma significativa. Nenhuma dessas variáveis explicou estatisticamente o efeito do exercício na idade cerebral.
  • Qual o impacto deste resultado?
    • Pesquisas anteriores indicam que cada ano adicional de idade cerebral aumenta em 3% o risco de demência futura. Se o exercício reduz a idade cerebral, pode haver benefício preventivo a longo prazo. Segundo os autores, a meia-idade é considerada período crítico para saúde cognitiva, e as alterações no cérebro começam antes dos sintomas aparecerem. Intervenções nessa fase podem modificar a trajetória do envelhecimento. O estudo não encontrou os mecanismos biológicos do efeito. Os autores sugerem que outras vias (inflamação, função vascular ou biogênese mitocondrial) podem estar envolvidas. Afirmam que são necessárias investigações futuras.

Produção jornalística

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.

  • Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
    • Responda aqui para a comunicação 1: ÉPOCA: “Um ano de exercícios ajuda o cérebro a se manter mais jovem”: o título frisa a duração da intervenção e o benefício. Um ano é prazo concreto, fácil de visualizar. “Cérebro mais jovem” traduz o conceito técnico de brain-PAD em linguagem mais acessível. A combinação é como uma receita para o leitor: “faça X por tanto tempo, e obtenha resultado Y”.
    • Responda aqui para a comunicação 2: METRÓPOLES: “Fazer exercício físico pode rejuvenescer o seu cérebro”: o verbo “rejuvenescer” tem uma conotação de reversão, mais apelativa que “manter jovem”. O pronome “seu” estabelece conexão direta com o leitor e o uso de “pode” dá o tom de uma ressalva sutil.
  • Em que medida o método da pesquisa é descrito?
    • Responda aqui para a comunicação 1: ÉPOCA: A matéria informa o número de participantes (130), a faixa etária (26 a 58 anos) e a divisão em dois grupos. Detalha o protocolo: sessões supervisionadas de 60 minutos, duas vezes por semana, mais exercícios em casa para completar 150 minutos semanais. Menciona as diretrizes do Colégio Americano de Medicina Esportiva como referência. Explica que a estrutura cerebral foi medida por ressonância magnética e a aptidão cardiorrespiratória pelo VO2pico. Não esclarece como funciona o cálculo da idade cerebral nem menciona o processo de randomização.
    • Responda aqui para a comunicação 2: METRÓPOLES: Traz menos detalhes metodológicos. Informa o número de participantes, faixa etária, divisão em grupos, sessões de 60 minutos duas vezes por semana e os 150 minutos totais. Explica brevemente o conceito de idade cerebral: comparação entre aparência do cérebro e idade real da pessoa. Não menciona a medição de aptidão cardiorrespiratória como variável do estudo.
  • Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
    • Responda aqui para a comunicação 1: ÉPOCA: A matéria traz duas falas: Lu Wan, autor principal, afirma que um programa de exercícios baseado em diretrizes pode fazer o cérebro parecer mais jovem em doze meses. Kirk Erickson, autor sênior, contextualiza que cada “ano” adicional de idade cerebral associa-se a diferenças na saúde durante a velhice. A primeira citação traduz o achado em linguagem direta, e a segunda explica por que o resultado importa para a vida das pessoas.
    • Responda aqui para a comunicação 2: METRÓPOLES: Não há entrevistas ou falas. Todas as informações aparecem em discurso indireto: “os cientistas usam”, “os pesquisadores fizeram”, “segundo os pesquisadores”. Essa ausência torna a pesquisa mais impessoal.
  • Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
    • Responda aqui para a comunicação 1: ÉPOCA: Destaca os números principais: redução de 0,6 ano no grupo de exercício, aumento de 0,35 no grupo controle, diferença de quase um ano entre eles. Menciona que os participantes eram saudáveis. Aponta que as alterações foram modestas e que estudos maiores são necessários. Não menciona a análise de mediadores, que não encontrou explicação para o efeito. Não fala dos testes com BDNF, pressão arterial e composição corporal.
    • Responda aqui para a comunicação 2: METRÓPOLES: Traz os mesmos números centrais. Diferencia-se ao mencionar que os pesquisadores analisaram possíveis explicações (condicionamento, pressão arterial, composição corporal, BDNF) e que nenhuma explicou sozinha o efeito, o que comunica a incerteza científica. Não informa valores de significância estatística. Omite a associação transversal entre aptidão e idade cerebral e não menciona limitações metodológicas do estudo.
  • Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
    • Responda aqui para a comunicação 1: ÉPOCA: O contexto é parcialmente suficiente. A matéria explica o conceito de idade cerebral (diferença entre idade prevista e idade real) e menciona que estudos anteriores associaram essa medida a pior desempenho e maior risco de morte. Apresenta ressalvas: amostra saudável, alterações modestas, necessidade de mais pesquisas. Falta, porém, conexão com estudos anteriores sobre exercício e cognição. Também não explica por que a meia-idade seria período particularmente relevante para intervenções.
    • Responda aqui para a comunicação 2: METRÓPOLES: O contexto é suficiente para compreender o resultado, mas não o processo. A matéria descreve bem as consequências de ter cérebro biologicamente mais velho (pior desempenho cognitivo, menor capacidade física, maior risco de doenças) e os benefícios de um cérebro mais jovem (raciocínio, memória, bem-estar mental). Destaca que o estudo focou em adultos mais jovens. Não menciona limitações e apresenta os resultados de forma mais assertiva do que o artigo original permite, o que compromete a compreensão da ciência como processo provisório e sujeito a revisões.

Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.

A revista Época segue a linha mais próxima do jornalismo científico convencional. Traz falas dos pesquisadores, o que dá rosto à ciência. Menciona que a amostra era saudável, que as alterações foram modestas, que estudos maiores são necessários. O leitor tem mais ferramentas para perceber que a ciência é processo, não uma verdade “fechada”.

Já o Metrópoles parece priorizar o lado positivo do estudo, mas sem ressalvas sobre as limitações do estudo. Contextualiza bem o que significa ter cérebro envelhecido (perda cognitiva, menor capacidade física, risco de doenças), o que fortalece a importância das conclusões do estudo. O dado que mais “desafia” os resultados e que está presente no texto do Metrópoles é a informação de que os pesquisadores testaram explicações biológicas e não encontraram resposta. Também não há falas ou entrevistas com os autores ou especialistas da área. O tom soa mais afirmativo do que o artigo original sustenta.

Ponto fraco em ambas: omitem a análise feita no início do estudo, que mostrou associação entre aptidão física e cérebro mais jovem.

Em geral, na comunicação do processo científico, a Época se sai melhor ao incluir ressalvas. Na comunicação do resultado, as duas transmitem a mensagem principal. Metrópoles, porém, apresenta o achado de forma mais categórica. Nenhuma das matérias explora a fundo que os mecanismos do efeito permanecem desconhecidos, que é a lacuna que define o próximo passo da pesquisa.

Próximos passos

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Referências