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Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Linianebrum

De Wikiversidade

Atividade Módulo 4

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.

Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.

O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.

Nome de usuário(a)

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Linianebrum

Material selecionado

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Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:

  • dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
  • a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
  • Título e link da notícia 1: Novas pegadas de dinossauros são descobertas por cientistas no Sertão da Paraíba / https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2024/08/24/novas-pegadas-de-dinossauros-sao-descobertas-por-cientistas-no-sertao-da-paraiba.ghtml
  • Título e link da notícia 2:Cientistas da UFRN encontram pegadas de dinossauro na PB / Cientistas da UFRN encontram pegadas de dinossauro na PB
  • Título e link da produção científica: A new ichnosite and ichnogenus from the Lower Cretaceous Rio do Peixe Basin, Brazil, with novel insights into the evolution of Titanosauriformes / https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/08912963.2024.2385613

Produção científica

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.

  • Qual a contribuição científica pretendida?
    • Responda aqui: Descrever um novo icnossítio, isto é, um lugar paleontológico que contém um conjunto significativo de icnofósseis – vestígios da atividade de organismos antigos. Icnofósseis não são partes da estrutura física de um animal (no caso, corpos de dinossauros), são evidências da atividade de organismos do passado preservadas em rochas. Ou seja, pegadas petrificadas. No município de São João do Rio do Peixe, no estado da Paraíba, local onde foi descoberto o novo icnossítio, segundo os cientistas que assinam o artigo, configura-se uma trilha de dinossauros saurópodes bem preservada, incluindo rastos de mãos e pés. A produção científica, além de relatar o icnossítio, também pretende discutir as pegadas, isto é, aspectos das marcas deixadas por um animal. O artigo ainda se propõe a sublinhar como a descoberta contribui para o conhecimento sobre a evolução e a diversidade dos neossaurópodes (que englobam os dinossauros saurópodes) do Cretáceo Inferior.
  • Qual o método científico adotado?
    • Responda aqui:1.   Primeiramente, convém informar que as análises foram feitas "in situ”. Ou seja, no local onde a evidência foi encontrada. A metodologia privilegiou procedimentos legados pelo paleontólogo Giuseppe Leonardi, pioneiro na criação e aplicação de métodos padronizados para identificar, classificar e registrar pegadas de dinossauros (nomear/categorizar icnofósseis; documentar o campo; cartografar as trilhas). Além disso, foi aplicado o modelo de Lorenzo Marchetti, Matteo Belvedere, Sebastian Voigt, Hendrik Klein e Diego Castaneran “para expressar o grau de preservação das pegadas”, em que se busca entender a idade das rochas e do ambiente em questão, com ênfase no uso de tecnologias digitais como fotogrametria e scanners a laser para criar modelos 3D de alta precisão de pistas. A formulação discursiva sobre a nova descoberta foi feita observando o estado da arte.
  • Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
    • Responda aqui: Não detectamos a explicitação pormenorizada das limitações do método. Pode-se inferir, no entanto, que a impossibilidade de se obter uma datação significativamente mais precisa da evolução dos neossaurópodes do Cretáceo Inferior, bem como uma visão completa de sua diversidade, conforme apontaram os autores do artigo, se deve a uma lacuna metodológica, qual seja: uma abordagem integrada e multidisciplinar (não foram mencionadas as disciplinas que poderiam, supostamente, ser envolvidas nessa abordagem múltipla).
  • Qual o resultado realizado?
    • Responda aqui: Um novo icnossítio na Formação Sousa (Bacia do Rio do Peixe) foi descrito e documentado. O mesmo apresentou uma sequência excepcional de pegadas de saurópodes bem preservada e rastos tridáctilos (um fóssil de pegada de três dedos) desconhecidos. A trilha de saurópodes apresentou características distintivas que permitiram a criação de um novo icnogênero e icnoespécie, denominados Sousatitanosauripus robsoni. De acordo com os autores do artigo, este estudo joga luz na diversidade e na evolução da forma corporal dos neossaurópodes durante o período conhecido como Cretáceo Inferior.
  • Qual o impacto deste resultado?.
    • Responda aqui: Além de ampliar os conhecimentos sobre os titanossauriformes da região geológica denominada Formação Sousa (Bacia do Rio do Peixe), a descoberta revelou um conjunto de características que permitiu a identificação de um novo icnogênero e icnoespécie. Importante ressaltar que icnogênero e icnoespécie tratam-se de definições relativas a vestígios de pegadas, e não se referem ao animal que as produziu (no caso, o dinossauro).
    • Especificamente: os rastos descritos mostram traços diferentes de formas já conhecidas. Além disso, os resultados descritos informam que a perda “dos dedos” (palavra nossa) dos Titanosauriformes ocorreu antes da evolução de membros robustos e arqueados, resultando pegadas mais largas e espaçadas. Trata-se, então, de uma contribuição que afeta o estudo da evolução da anatomia. Dir-se-ia, também, que tais resultados impactam tanto o próprio campo, os estudos paleontológicos, em nível local, nacional e internacional, na medida que avança no conhecimento sobre icnogênero e icnoespécie, quanto afeta a divulgação da ciência, que ganha espaço. Os aspectos científicos e simbólicos da pesquisa abrem possibilidades de divulgação de ciência na imprensa segmentada e generalista.

Produção jornalística

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.

  • Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
    • Responda aqui para a comunicação 1:“Novas pegadas de dinossauros são descobertas por cientistas no Sertão da Paraíba” é o título da matéria do portal G1. Ele se inicia com a expressão “novas pegadas de dinossauros” (sujeito da oração). Pode-se inferir que o interesse do editor (do veículo), uma vez que o portal G1 é um meio de comunicação generalista (e “mainstream”), seria comunicar imediatamente a um público o mais amplo possível, que se interessaria pelo possível caráter de fait divers que envolve uma matéria sobre a existência pregressa de dinossauros. Isso não exclui, no entanto, a mira no leitor que se interessa particularmente por ciência. Diga-se que o título escolhido é fiel ao principal resultado do estudo descrito na produção científica (artigo). Tem-se, assim, um título adequado e fidedigno, que tanto pode atuar como uma “isca” para o público leigo, quanto pode despertar o interesse de pessoas de algum modo ligadas à ciência (cientistas, acadêmicos, estudantes escolares e universitários, entre outros). A informação que se segue ao sujeito da oração, isto é, o predicado (“são descobertas por cientistas no Sertão da Paraíba”), denota que são justamente os indivíduos de quem se espera uma descoberta dessa monta - os cientistas - que a fazem. Ou seja, provavelmente a escolha do título se deveu a uma linha editorial que busca equilibrar “fait divers” e fidedignidade, passando ao largo sensacionalismo ou de títulos “caçadores de likes”.
    • Responda aqui para a comunicação 2: “Cientistas da UFRN encontram pegadas de dinossauro na PB” é o título escolhido pelo site Saiba Mais. A principal pista: o sujeito da frase, que nesse caso a inicia, são os “cientistas”. Mas, o veículo não apela para a autoridade do cientista, pois ele dá crédito também a instituição a partir da qual foi possível fazer a descoberta. Assim estabelece, de início, uma relação que poder-se-ia descrever como “causal”: não são cientistas soltos, ou “apenas cientistas” que encontram os rastros deixados por animais pré-históricos. São pessoas da ciência em um contexto onde se faz ciência: uma universidade. Ou seja, ele relaciona ciência e universidade. A seguir, a informação de que as pegadas foram localizadas em um determinado estado federativo, facilita a imediata visualização mental do leitor. Tudo isso é coerente com o propósito de site SAIBA MAIS, que se apresenta como “uma agência de jornalismo local e independente fundada em 2017 em Natal (RN)”, que escreve “para e sobre o Rio Grande do Norte com foco em três princípios básicos: Democracia, Direitos Humanos e Justiça Social”.
  • Em que medida o método da pesquisa é descrito?
    • Responda aqui para a comunicação 1:O método é tangenciado.
    • Responda aqui para a comunicação 2: O método não é descrito.
  • Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
    • Responda aqui para a comunicação 1:Não foi possível identificar a realização de entrevistas.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A matéria ouviu a professora da UFRN Aline Ghilardi. (Não há menção à entrevista, mas trechos de suas contribuições à matéria estão entre aspas).Endossa o reportado e joga luz em pontos específicos da paleontologia.
  • Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
    • Responda aqui para a comunicação 1:Foco na descoberta e no que ela representa para os estudos de paleonteologia (“evolução da forma, postura e locomoção dos pescoçudos”) e destaque para impacto da identificação (do icnossítio) para a região do Vale dos Dinossauros.”
    • Responda aqui para a comunicação 2:Foco no ineditismo do resultado principal com endosso (aspas) da cientista e professora da UFRN Aline Ghilardi e na descoberta do icnossítio e em “uma nova iconoespécie (marcas preservadas que não são parte do corpo do ser vivo, como as pegadas), a Sousatitanosauripus robsoni”. Além disso, são mencionadas as pegadas não identificadas.
  • Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
    • Responda aqui para a comunicação 1: Contexto é parcialmente dado pela matéria. Os dois primeiros parágrafos se iniciam com “Um novo conjunto de pegadas de dinossauros foi descoberto” e “As novas pistas de pegadas foram encontradas em 2022”, respectivamente, sem, no entanto, mencionar por que motivo são “novo” e "novas”. O leitor se pergunta: ora, que conjunto de pegadas e pistas foram levantadas por estudos anteriores, ou imediatamente anterior a esse que está sendo apresentado? (Fica uma lacuna sobre o que precede essa descoberta, reforçada inclusive pela linguagem: a escolha dos adjetivos “novo” e “nova”.)
    • Responda aqui para a comunicação 2: ·  O contexto de pesquisa do objeto (pegadas de dinossauros) é fornecido, mas parece incompleto. Me parece que o contexto geológico, que consta no artigo, poderia ter sido mencionado. Exemplo que revela essa incompletude: “Porém, a descoberta inaugura uma nova iconoespécie (marcas preservadas que não são parte do corpo do ser vivo, como as pegadas), a Sousatitanosauripus robsoni. O nome é uma homenagem a Robson Araújo Marques, também conhecido como “velho do rio”, que cuidava da região onde o material foi encontrado.” Ora, porque não acrescentar ao menos uma linha que pudesse revelar sobre a região?

Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.

Escreva aqui sua resposta

Comecemos pelo subtítulo do G1. “As pegadas foram deixadas por dinossauros de até 15 metros de comprimento, conhecidos popularmente como ‘pescoçudos’, e que viveram na região há mais de 125 milhões de anos”: é salientada a robustez dos dinossauros, dado usado pela indústria do entretenimento, reiteradamente, para chamar a atenção para o caráter extraordinário e terrível desse animal. Há nessa abordagem um elemento de fascinação: um dinossauro de até 15 metros mede a altura de um edifício. Adiante, é informado que esses seres são conhecidos por “pescoçudos” (o que é verdade), permitindo ao leitor formar uma imagem mental de um dinossauro com essas características. Trata-se de uma estratégia comunicativa que investe no imaginário. Além disso, o G1 usa a locução “pegadas foram deixadas”, que é afirmativa e não dá espaço para dúvidas. Nada disso, no entanto, encobre a divulgação de que há resultados científicos concretos. Um ponto importante: o G1 destaca o falecido habitante da região onde as pegadas foram encontradas, Robson Araújo Marques, valorizando a sua participação empírica na pesquisa e reverenciando o saber não institucionalizado que ele representa. Robson Araújo foi homenageado pelos cientistas, que nomearam a icnoespécie, que corresponde ao segundo nome da descoberta, de Sousatitanosauripus robsoni. Já o Saiba Mais não apresenta subtítulo. Ele retoma, no lead, a estratégia de evidenciar o contexto em que se dá a descoberta, ou seja, na universidade e de forma coletiva: “Um grupo de cientistas da UFRN descobriu um conjunto de pegadas consideradas únicas, nas proximidades de Sousa, na Bacia do Rio do Peixe (...) na área conhecida como Vale dos Dinossauros.” A matéria também tem o mérito de, ao que parece, entrevistar Aline Ghilardi, professora da UFRN. Ainda: o texto finaliza destacando o ineditismo do trabalho e demonstrando, concretamente, o porquê desse pioneirismo, - e menciona quem é a principal autora da produção científica em que a descoberta foi formalizada. As duas matérias remetem ao artigo da Historical Biology.

Próximos passos

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Referências