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Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Patriciamrg

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.

Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.

O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.

Nome de usuário(a)

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Patriciamrg

Material selecionado

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Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:

  • dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
  • a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.

Produção científica

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.

  • Qual a contribuição científica pretendida?
    • Responda aqui: É mapear geneticamente a população brasileira e usar esse genoma único para alavancar a pesquisa médica (variantes deletérias, genes de doenças) e entender a profunda interconexão entre a história violenta da colonização e a evolução adaptativa da maior população miscigenada do mundo.
  • Qual o método científico adotado?
    • Responda aqui: Amostra: Foram geradas sequências do genoma completo de alta cobertura (cerca de 35× de cobertura, em média) de 2.723 indivíduos. Os indivíduos foram recrutados de cinco distintas coortes de estudos de saúde e representam populações de todas as cinco regiões geográficas do Brasil (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste). As sequências de genoma completo foram produzidas usando o sistema Illumina NovaSeq 6000 e processadas seguindo as melhores práticas do GATK (Genome Analysis Toolkit), incluindo a chamada de variantes (VCF).Foram feitas análises de diversidade, identificação de variantes e predição de patogenicidade com as amostras. Para entender como a miscigenação moldou a população , foram utilizadas técnicas avançadas: software ADMIXTURE, software GNOMIX, software CHROMOPAINTER e fineSTRUCTURE, o HaploGrep3 e SNAPPY. Foram averiguados Padrões de Acasalamento Não Aleatório (Nonrandom Mating) e Detecção de Seleção Natural.
  • Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
    • Responda aqui: As principais limitações apresentadas se concentram na sub-representação de grupos indígenas e nas incertezas metodológicas que podem distorcer a datação precisa de eventos de miscigenação ou a detecção de linhagens de haplótipos.
  • Qual o resultado realizado?
    • Responda aqui: O estudo revelou uma riqueza genética impressionante na população brasileira, destacando a importância de amostrar populações sub-representadas. Foi identificado um total de mais de 8 milhões (8.721.871) de variantes de nucleotídeo único (SNVs) que eram previamente desconhecidas (novel) nos principais bancos de dados públicos globais. Dessas variantes inéditas, 36.637 são consideradas potencialmente deletérias (nocivas). Foi observada uma correlação positiva entre a presença de variantes raras e deletérias e a ancestralidade africana. O artigo também destaca que as novas variantes deletérias mostram uma correlação positiva fraca com a ancestralidade indígena americana e europeia. O resultado da pesquisa detalhou como o Brasil se formou geneticamente ao longo dos séculos, identificando mudanças nos padrões de acasalamento, e confirmando um padrão assimétrico nos séculos iniciais da colonização. A vasta maioria das linhagens do cromossomo Y (masculinas) é de ancestralidade europeia (71%), enquanto a maioria das linhagens do DNA mitocondrial (maternas) é africana (42%) ou indígena americana (35%). Esse padrão é consistente com a história de colonização e as dinâmicas de violência. O pico dos eventos de miscigenação ocorreu principalmente durante os séculos XVIII e XIX (aproximadamente entre 1750 e 1875 CE), coincidindo com grandes eventos demográficos, como o Ciclo do Ouro e o auge do tráfico transatlântico de escravizados. A ancestralidade indígena americana média foi de 13,14%, notavelmente mais alta do que estimativas anteriores (que variavam tipicamente entre 7% e 9%), possivelmente devido à melhor representação de indivíduos da região Norte. A ancestralidade africana é predominante na região Nordeste, enquanto a ancestralidade europeia é predominante nas regiões Sudeste e Sul. A ancestralidade europeia na região Sul (como no Rio Grande do Sul) mostra uma relação mais forte com populações do Norte Europeu (Alemanha e Norte da Itália), o que é consistente com registros históricos de imigração. O estudo identificou regiões genômicas que foram alvo de seleção natural após o início da miscigenação, com foco em traços relevantes para a sobrevivência e reprodução, como os de resposta imunológica e os metabólicos distintos.
  • Qual o impacto deste resultado?
    • Responda aqui: O impacto do estudo é duplo: ele oferece um poderoso espelho genético da história violenta e complexa do Brasil e fornece um recurso científico indispensável, que tem o potencial de revolucionar a saúde e a medicina de precisão para a população brasileira.

Produção jornalística

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.

  • Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
    • Responda aqui para a comunicação 1: O título "O brasileiro é ainda mais miscigenado do que você pensa" apela para a surpresa e a novidade. Esse impacto de ir além do que o senso comum ou estudos anteriores mostravam é a razão pela qual a informação é central no título.
    • Responda aqui para a comunicação 2: O título "Imigração, miscigenação, violência: como a história do Brasil deixou marcas até no nosso DNA" destaca que a ciência conseguiu, pela primeira vez em grande escala, encontrar pistas desse passado diretamente no DNA dos brasileiros de hoje. A descoberta de que a história está gravada no DNA é, por si só, o principal gancho do artigo.
  • Em que medida o método da pesquisa é descrito?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A descrição do método na revista FAPESP é feita principalmente nos parágrafos iniciais e dispersa ao longo do texto para contextualizar as descobertas. Integra a descrição metodológica mais diretamente aos resultados (por exemplo, mencionando o sequenciamento de 2.723 pessoas no parágrafo de abertura) e destaca a inovação tecnológica e o esforço logístico e de big data.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A BBC dedica uma seção separada ("Como a pesquisa foi feita") e explica conceitos básicos de genética para o público leigo.
  • Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A revista FAPESP utiliza as entrevistas para aprofundar a crítica social, aprofundar o contexto histórico (incluindo a violência) e destacar as implicações científicas e de saúde. O uso de fontes é mais amplo, incluindo cientistas e historiadores externos.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A BBC utilizou as entrevistas principalmente para validar a importância da descoberta e traduzir conceitos genéticos para seu público. As fontes citadas são geneticistas diretamente envolvidas no estudo.
  • Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A revista FAPESP destaca resultados que desafiam o conhecimento científico prévio (novas variantes genéticas) e que servem a uma análise crítica social e científica (violência, saúde pública). A revista usa a assimetria para criticar a "farsa da democracia racial", incluindo a citação da geneticista Tábita Hünemeier de que a "única explicação são quatro séculos de violência em diversos sentidos"
    • Responda aqui para a comunicação 2: A BBC destaca resultados que conectam o DNA ao currículo escolar e à história oficial. Além disso, suaviza as evidências de violência sexual associadas à micigenação. Menciona que o achado é consistente com a "violência sexual voltada às mulheres desses grupos", mas usa a linguagem mais técnica de "relacionamentos assimétricos"
  • Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
    • Responda aqui para a comunicação 1: A revista FAPESP oferece contexto suficiente para a compreensão da evolução da área de pesquisa e do impacto técnico-científico dentro de um contexto para cientistas e leitores interessados em detalhes.
    • Responda aqui para a comunicação 2: A BBC oferece a informação suficiente para a compreensão da relevância social e histórica, além da funcionalidade do método para a validação da história em um contexto para o público geral.

Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.

A tradução intersemiótica, ou seja, a conversão da linguagem científica do artigo de alta relevância da Science para o formato jornalístico, difere entre a Revista Pesquisa FAPESP e a BBC News Brasil, refletindo seus respectivos públicos-alvo. Ambas comunicaram adequadamente o resultado principal: a miscigenação assimétrica e a violência histórica, mas divergiram na comunicação do processo da ciência. A BBC adotou uma estratégia didática e de validação histórica. O resultado (homens europeus, mulheres africanas/indígenas) é traduzido como a evidência de que a história "deixou marcas até no nosso DNA". O processo é comunicado de forma simples, explicando conceitos como DNA mitocondrial e cromossomo Y em blocos separados, o que é adequado para o público leigo. A FAPESP priorizou a crítica social e a profundidade científica. O resultado é traduzido como a "dinâmica de violência contra as mulheres" e uma forma de "derrubar a farsa da democracia racial". A FAPESP comunica o processo situando o estudo na evolução da pesquisa nacional e destacando os desafios técnicos (uso de big data e o número de 2.723 genomas). Essa abordagem é mais adequada para um leitor já familiarizado com o contexto da pesquisa. A abordagem mais crítica referente à dinâmica de violência contra as mulheres é feita pela revista FAPESP, inclusive com a fala da historiadora Maria Helena Machado, que interpreta o dado genético da assimetria em termos de ilegitimidade ("nosso avô é um europeu que não se casou com ela"). A BBC exibe uma explicação modular de conceitos genéticos (mtDNA, cromossomo Y) e garante que o leitor leigo compreenda a lógica metodológica por trás da identificação da assimetria. A BBC omite alguns resultados científicos do processo, como a descoberta das quase 9 milhões de variantes genéticas desconhecidas e o potencial impacto delas na saúde, focando apenas no diagnóstico futuro. Essa omissão diminui a percepção da magnitude científica do trabalho. A revista FAPESP se aprofunda em informações técnicas (como a necessidade de lidar com o big data), o que pode sobrecarregar o leitor menos especializado que busca apenas a narrativa histórica e os aspectos essenciais do achado. Em suma, ambas tiveram sucesso na comunicação do resultado central, mas a FAPESP se destacou na comunicação do inédito científico e da crítica social, enquanto a BBC se concentrou na função educativa e na validação da narrativa histórica, posicionando-se, portanto, como um portal de informações mais direcionada a um público leigo.

Próximos passos

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Referências