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Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Paulo Carneiro de Oliveira

De Wikiversidade

A escolha da notícia foi baseada na atual conjuntura política que se instalou no país, principalmente após a eleição presidencial de 2018. Embora a palavra e o conceito estejam desgastados ainda podemos dizer que o Brasil está polarizado. Nesse contexto político dicotômico a emissora de rádio e televisão Jovem Pan adotou uma linha editorial conservadora pró governo.

Uma pauta que sempre gerou e ainda gera muita polêmica é a questão sobre as drogas de abuso no Brasil, principalmente a maconha. Enquanto os progressistas tentam abrir discussão sobre a descriminalização ou legalização da cannabis e seus derivados os conservadores insistem no ultrapassado conceito que considera a planta como “porta de entrada” para outras substâncias.

O fato em si foi a aprovação de um projeto de lei votado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) no dia 21 de dezembro de 2022 que propunha a obrigatoriedade do fornecimento de medicamentos à base de cannabis pelo SUS. A notícia foi veiculada por diversos portais, incluindo o da Jovem Pan, os quais destacavam principalmente a fala do deputado que propôs o PL e as enfermidades que seriam cobertas pela gratuidade dos medicamentos fornecidos. Os títulos e os abres de três sites são apresentados a seguir:

• Alesp aprova PL que libera distribuição de medicamentos à base de cannabis no SUS

Projeto do deputado Caio França beneficia autistas, pessoas com síndromes raras, Parkison e outras patologias; proposta vai para sanção do governador

Por Jovem Pan, 21/12/2022 22h36

• Remédios à base de cannabis poderão ser fornecidos de graça no estado de SP

No Brasil, milhares de pacientes usam medicamentos à base de cannabis para tratar doenças como epilepsia e Parkinson

Do UOL, 22/12/2022 14h42

• Assembleia Legislativa de SP aprova projeto que garante fornecimento de medicamentos à base da cannabis no SUS no estado

Remédios só são fornecidos pela gestão estadual por meio de decisão judicial. Autor do PL, deputado quer ampliar acesso para tratamento de pacientes autistas, pessoas com síndromes raras, Parkinson, epilepsia, Alzheimer. Projeto será enviado para ser vetado ou aprovado pelo governador.

Por g1 SP, 22/12/2022 07h31

Embora, nesse primeiro momento, as informações tivessem um caráter bastante imparcial, a Jovem Pan foi o único site que apresentou uma reflexão sobre os prós e contras do benefício aprovado pela Alesp. O título diz:

• Veja os pontos positivos e negativos do fornecimento de medicamentos de cannabis no SUS em SP

Projeto de lei que garante a distribuição no Estado foi aprovado na Assembleia, mas ainda precisa de sanção do governador

Por Jovem Pan, 24/12/2022 10h32

A matéria traz a opinião de dois especialistas na área para apresentar dois pontos de vista distintos, mas que na prática vão de encontro ao texto do PL. O trecho que traz a crítica do médico Antônio Geraldo, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria diz:

“Esse projeto só vai trazer malefícios porque na sua construção já começa errado. Ele fala de medicamentos a base… e no Brasil, a própria Anvisa diz, não são chamados medicamentos, são chamados produtos. Não têm bula, exatamente por não serem medicamento. E são produtos que a Anvisa coloca na venda, os que estão à venda, nós temos folheto, não temos bula”, diz Geraldo. Quanto à questão do uso das substâncias da cannabis, o psiquiatra pondera a falta de comprovação científica e os efeitos colaterais. “Quando você está falando de uso de THC. você está permitindo THC além do canabidiol, nós estamos falando do tetrahidrocanabinol, que provoca delírios, alucinações, faz desencadear doenças gravíssimas, como esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão e outros mais”.

A opinião do médico é sensacionalista e os argumentos são rasos, visto que a Anvisa controla a quantidade de THC presente nos produtos derivados da cannabis. Na RDC No 327 de 09 de dezembro de 2019 a Anvisa estabelece que os produtos derivados da cannabis devem conter exclusivamente canabidiol e não mais que 0,2% de THC. Além disso, o PL no 1.180 de 2019 em seu texto original utiliza o termo “... medicamentos formulados de derivado vegetal à base de canabidiol...”. A lei beneficiaria milhares de pacientes com Parkinson, autismo, doenças raras, Alzheimer e epilepsia, mas o foco do presidente da ABP foi falar do THC e dizer que não existe comprovação científica para o uso do canabidiol. Inclusive a afirmação de Antônio Geraldo era errada, visto que as pesquisas na área são vastas.

A matéria segue com a declaração de Cassiano Gomes, fundador da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace) que embora defenda o uso clínico da substância, apresenta um discurso contraditório.

“A minha preocupação em relação ao fornecimento do SUS, além do desvio de finalidade, que algumas pessoas podem utilizar esse medicamento para vender, a minha preocupação maior é a questão da judicialização. Porque, hoje, a judicialização garante o acesso, e o Estado, quando não cumpre, recebe uma penalidade, porém, quando o Estado fornece de forma normal, por meio de um de um pedido na secretaria, se faltar o medicamento, eu creio, o Estado não tem nenhuma punição, não há uma ferramenta para que a gente possa cobrar. Então, a minha preocupação é com a descontinuidade do tratamento”, diz Gomes.

A opinião de Cassiano Gomes, que tinha por finalidade ser o ponto positivo proposto no título da notícia, tornou-se mais um argumento contra o PL aprovado pela Alesp. Não vemos no texto um destaque dos benefícios que os tratamentos com esses medicamentos podem trazer. A linha de raciocínio vai ao sentido de causar uma aversão à proposta do deputado Caio França.

Na parte final da matéria é apresentada mais uma declaração do fundador da Abrace, a qual reafirma que não existem evidências científicas que embasem a terapia com as substâncias derivadas da cannabis.

“Para o diretor da Abrace, a dificuldade de comprovação científica vem do fato de que o uso das substâncias é muito particular em cada caso. Para ele, os relatos positivos são, em si, evidências. “A Abrace atende hoje 37 mil famílias. Então, a gente já tem evidência diária. E o sucesso é a prova da evidência, de que funciona. Os médicos que são contra cada dia mais ficam isolados e perdem pacientes, porque a porteira já se abriu, já são 29 produtos aprovados pela Anvisa. Eu acredito que uma das maiores dificuldades para que os médicos aceitem é que eles querem uma fórmula. Eles querem algo que dê a eles segurança para que prescrevam, mas a cannabis não funciona assim. Cada pessoa responde diferente. Não vamos encontrar uma fórmula e nem uma dosagem exata”, argumentou.”

A insegurança demonstrada por Cassiano ajuda a fortalecer a ideia de que não existem estudos sobre o assunto. A Jovem Pan convida um especialista da área médica para apresentar os contras, mas para destacar os prós recorrem a um especialista na área jurídico-social. É difícil haver um debate imparcial quando as partes não ocupam lugares semelhantes no assunto discutido. As últimas frases da declaração de Cassiano deixa isso evidente: “Cada pessoa responde diferente. Não vamos encontrar uma fórmula e nem uma dosagem exata”.

A abordagem da emissora vai ao encontro do censo comum do seu público conservador. A matéria em quase sua totalidade tenta confundir a cabeça dos leitores. Não vejo pontos positivos e negativos no texto, além do fato dos argumentos apresentados pelos especialistas serem pouco sólidos.

Links:

Matéria da Jovem Pan, 21/12/2022 22h36 https://jovempan.com.br/noticias/brasil/alesp-aprova-pl-que-libera-distribuicao-de-medicamentos-a-base-de-cannabis-no-sus.html

Matéria do UOL, 22/12/2022 14h42 https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/12/22/alesp-aprova-fornecimento-de-medicamentos-a-base-de-cannabis-no-sus.htm

Matéria do g1 SP, 22/12/2022 07h31 https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/12/22/assembleia-legislativa-de-sp-aprova-projeto-que-preve-fornecimento-de-medicamentos-a-base-da-cannabis-no-sus-no-estado.ghtml

Matéria da Jovem Pan, 24/12/2022 10h32 https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/veja-os-pontos-positivos-e-negativos-do-fornecimento-de-medicamentos-de-cannabis-no-sus-em-sp.html

RDC No 327 de 09 de dezembro de 2019 https://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/5533192/RDC_327_2019_.pdf/db3ae185-6443-453d-805d-7fc174654edb

PL No 1.180 de 2019 https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1000290593#:~:text=Projeto%20de%20lei%20n%C2%BA%201180%20/2019

Lei No 17.618 de 31 de janeiro de 2023 https://www.al.sp.gov.br/norma/?tipo=Lei&numero=17618&ano=2023



Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.

Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.

O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.

Nome de usuário(a)

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Paulo Carneiro de Oliveira

Material selecionado

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Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:

  • dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
  • a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
  • Título e link da notícia 1:
  • Título e link da notícia 2:
  • Título e link da produção científica:

Produção científica

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.

  • Qual a contribuição científica pretendida?
    • Responda aqui:
  • Qual o método científico adotado?
    • Responda aqui:
  • Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
    • Responda aqui:
  • Qual o resultado realizado?
    • Responda aqui:
  • Qual o impacto deste resultado?
    • Responda aqui:

Produção jornalística

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Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.

  • Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
    • Responda aqui para a comunicação 1:
    • Responda aqui para a comunicação 2:
  • Em que medida o método da pesquisa é descrito?
    • Responda aqui para a comunicação 1:
    • Responda aqui para a comunicação 2:
  • Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
    • Responda aqui para a comunicação 1:
    • Responda aqui para a comunicação 2:
  • Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
    • Responda aqui para a comunicação 1:
    • Responda aqui para a comunicação 2:
  • Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
    • Responda aqui para a comunicação 1:
    • Responda aqui para a comunicação 2:

Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.

Escreva aqui sua resposta

Próximos passos

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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.

Referências