Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Thiago Altafini
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.
Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.
O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Thiago Altafini
Material selecionado
[editar | editar código]Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:
- dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
- a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
- Título e link da notícia 1: Intoxicação por chumbo pode ter impedido neandertais e outras espécies humanas de se comunicarem - https://revistapesquisa.fapesp.br/intoxicacao-por-chumbo-pode-ter-impedido-neandertais-e-outras-especies-humanas-de-se-comunicarem/
- Título e link da notícia 2: Exposição ao chumbo pode ter influenciado a evolução do cérebro humano; entenda - https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2025/10/15/exposicao-chumbo-cerebro-humano.ghtml
- Título e link da produção científica: Impact of intermittent lead exposure on hominid brain evolution - https://www.science.org/doi/epdf/10.1126/sciadv.adr1524
Produção científica
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.
- Qual a contribuição científica pretendida?
- Responda aqui: O artigo investiga o papel potencial da exposição intermitente ao chumbo (Pb) como força seletiva ao longo da evolução dos hominídeos. Os autores demonstram que episódios repetidos de exposição ao chumbo ocorreram de forma recorrente ao longo de mais de 2 milhões de anos, contrariando a hipótese de que esse metal seria um contaminante exclusivamente pós-industrial.
- Qual o método científico adotado?
- Responda aqui: O método adotado foi a análise de alta resolução por em 51 dentes fósseis de hominídeos e primatas provenientes da África, Ásia, Oceania e Europa. Para explorar o impacto neurobiológico dessa exposição, o estudo emprega organoides cerebrais humanos (mini cérebros), carregando variantes moderna e arcaica do gene “NOVA1”, conhecido por seu papel central na regulação do “splicing” neuronal.
- Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
- Responda aqui: O modelo baseado em organoides, que são muito mais simples do que cérebros completos, impõe limitações interpretativas.
- Qual o resultado realizado?
- Responda aqui: Os resultados revelam que a variante arcaica do gene “NOVA1” (associada a Neandertais e Denisovanos) apresenta maior vulnerabilidade aos efeitos neurotóxicos do chumbo, incluindo alterações significativas em vias de neurodesenvolvimento, sinaptogênese e, de modo notável, na expressão do gene “FOXP2”, essencial para circuitos neuronais relacionados à linguagem.
- Qual o impacto deste resultado?
- Responda aqui: A integração dos dados fósseis, transcriptômicos, proteômicos e celulares sugere que o ambiente natural rico em chumbo pode ter exercido pressões seletivas que favoreceram a fixação da variante moderna do gene “NOVA1” em Homo sapiens, potencialmente contribuindo para diferenças em resiliência neurocognitiva e capacidades comunicativas entre humanos modernos e outros hominídeos.
Produção jornalística
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.
- Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
- Responda aqui para a comunicação 1: O artigo da publicação Pesquisa Fapesp enfatiza a deficiência comunicacional que a intoxicação por chumbo pode ter causado em outras espécies de hominídeos como os Neandertais.
- Responda aqui para a comunicação 2: Na matéria do G1 a ênfase do título e do abre é no fato de que a exposição ao chumbo pode ter favorecido os Homo sapiens na evolução. Aqui é destacado também que a exposição ao chumbo já ocorria há pelo menos 2 milhões de anos.
- Em que medida o método da pesquisa é descrito?
- Responda aqui para a comunicação 1: Primeiramente, o artigo faz um resumo explicando que os resultados que comprovam a presença de chumbo foram obtidos a partir de análises de dentes fossilizados e a utilização dos “mini cérebros” para simular os impactos da exposição ao chumbo. Posteriormente o texto desenvolve-se para contextualizar como essa exposição pode ter acontecido na pré-história.
- Responda aqui para a comunicação 2: Já no artigo do G1 o texto primeiro contextualiza os possíveis efeitos da exposição ao chumbo em relação à linguagem e a comunicação dos hominídeos, depois se detém na explicação da metodologia da análise dos dentes fossilizados e como o chumbo se acumula em camadas. Logo após evidencia como essa contaminação pode ter ocorrido na pré-história e só então avança para descrever o método de utilização de “mini cérebros” para avaliar o impacto dessa contaminação na capacidade cognitiva dos hominídeos e primatas.
- Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
- Responda aqui para a comunicação 1: A matéria traz depoimentos do biólogo brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia (UCSD), nos Estados Unidos, coordenador do estudo, que destaca a mutação sofrida pelo gene “NOVA 1” nos Homo sapiens que favoreceu nossa evolução. Muotri destaca também a idéia comum de que a contaminação humana por chumbo começou a ocorrer só na era industrial e os estudo propõe que essa contaminação é muito intensa desde a pré-história. Outro depoimento de Muotri ainda é utilizado no texto para destacar a ativação de genes importantes para o neurodesenvolvimento no experimento com os organóides (mini cérebros). O texto traz ainda trechos do depoimento do neurocientista Daniel Martins-de-Souza, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista no estudo de distúrbios neurológicos e psicológicos, que não participou do estudo. Daniel destaca a importância do estudo “para o entendimento atual de doenças como a esquizofrenia, a bipolaridade e o autismo, todos influenciados pelo funcionamento do gene ‘Nova 1”e comenta também sobre a sofisticação da tecnologia aplicada nesta pesquisa.
- Responda aqui para a comunicação 2: A matéria do G1 traz somente trechos de entrevistas com o biólogo brasileiro Alysson Muotri, responsável pelo estudo. Aqui Muotri destaca primeiramente que os dados são experimentais mas não existem outras pesquisas que contrariem a hipótese apresentada, que pode explicar a origem da linguagem humana. Mais a frente no texto o pesquisador comenta sobre como deixamos de utilizar o chumbo recentemente quando foi detectada seu potencial tóxico mas que não haviam pesquisas sobre contaminação pelo metal na pré-história. Posteriormente, outro depoimento de Muotri explica como uma mutação no gene “Nova 1” verificada no experimento com os organóides (mini cérebros) pode ter dado alguma vantagem evolutiva aos Homo sapiens. O pesquisador destaca ainda o desenvolvimento da linguagem como nossa “superpotência”, que permitiu ao Homo sapiens “organizar grupos, trocar ideias e construir civilizações”. A matéria é finalizada com um vídeo sobre outro projeto do pesquisador Alysson Muotri no qual ele irá a uma estação espacial para pesquisar as consequências neurais da exposição de astronautas à microgravidade.
- Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
- Responda aqui para a comunicação 1: O texto da revista Pesquisa Fapesp enfatiza como a contaminação por doses baixas de chumbo nas duas versões (arcaica e moderna) do gene “Nova 1”, tiveram respostas diferentes. Na versão arcaica houve a modificação de “centenas de genes ligados à aprendizagem, à memória e ao comportamento”, afetando “a comunicação entre neurônios” e levando “à morte dos neurônios FOXP2, que servem de ponte entre as estruturas cerebrais conhecidas como córtex e tálamo, e também são essenciais para a formação da linguagem. A intoxicação também afetou a forma como o Nova 1 orienta a seleção de moléculas para formação do RNA mensageiro”. Já na versão moderna do gene “Nova 1” houve uma resposta diferente em relação à exposição ao chumbo, acionando mecanismos de proteção e reparo neuronal que fizeram com que sofresse menos alterações genéticas. Isso garantiu a proteção dos neurônios FOXP2 e do processamento de RNA. Além disso, os minicérebros representativos de H. sapiens apresentaram uma atividade elétrica mais estável após a contaminação e perderam menos conexões (ou sinapses) entre os neurônios, um sinal de adaptação a esse desafio ambiental. Essa resistência pode ter conferido uma vantagem evolutiva essencial para H. sapiens, garantindo melhores formas de comunicação e coesão social.”
- Responda aqui para a comunicação 2: A matéria do G1 expõe de uma forma mais simplificada ao público leigo sobre as diferentes respostas das duas versões dos genes “Nova 1” em relação a contaminação por chumbo. A partir dessa experiência o pesquisador conclui uma “hipótese ousada: a exposição ao chumbo pode ter atuado, ao longo da evolução, como uma espécie de filtro natural, favorecendo indivíduos com maior resistência ao metal. Em outras palavras, o Homo sapiens teria herdado um ajuste genético capaz de proteger o cérebro e, de quebra, preservar duas das habilidades que nos tornam únicos: a linguagem e a cooperação”.
- Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
- Responda aqui para a comunicação 1: O texto da Pesquisa Fapespa apresenta o conteúdo do artigo científico de origem de maneira objetiva. Como é uma revista voltada para um público universitário mais familiarizado com a linguagem científica, a matéria se estrutura principalmente na exposição das informações em forma de texto, utilizando de poucas imagens provenientes do próprio artigo de origem. Por outro lado, apresenta uma opinião de um pesquisador que não participou da pesquisa, apresentando um ponto de vista externo, emulando na própria estrutura da matéria jornalística a premissa científica da revisão por pares.
- Responda aqui para a comunicação 2: Já a matéria do G1 é voltada para um público mais amplo, muitas vezes leigo sobre o assunto e não familiarizado com a linguagem e a metodologia científica. Para tanto, o jornalista também estrutura um texto objetivo que favorece a compreensão dos aspectos conceituais e técnicos do artigo de origem. Para ampliar essa abordagem destinada a um público menos especializado, a edição da matéria utiliza-se de uma série de recursos visuais como logo no início uma conjunto de slides que resumem a matéria em poucas imagens complementadas por textos curtos, fotografia do pesquisador, imagens de crânios, dois vídeos contendo matérias produzidas anteriormente sobre o sequenciamento genético dos Neandertais e sobre outro projeto do pesquisador Alysson Muotri envolvendo neurociência espacial, muitas imagens provenientes do artigo de origem e um infográfico em modelo esquemático explicando o processo das experiências com organóides (mini cérebros).
Análise
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.
Escreva aqui sua resposta
As duas notícias, tanto a da Pesquisa Fapesp quanto do G1 foram analisadas a partir de sua disponibilização online. Portanto, como é inerente a esse ambiente, ambas notícias são estruturas a partir de um texto sincrético, ou seja, que utiliza tanto a palavra quanto imagens que se complementam na transmissão da informação.
O texto da Pesquisa/Fapesp é voltado para um público universitário já familiarizado com a linguagem científica, portanto, utiliza-se mais da linguagem verbal para a exposição das informações, com poucas imagens provenientes do próprio artigo de origem, com função ilustrativa. Destaca-se nesse texto a estratégia de trazer um ponto de vista de um pesquisador externo ao estudo abordado, emulando na matéria jornalística a premissa científica da revisão por pares.
Já o texto do G1 é voltado para um público mais abrangente e menos especializado. Para alcançar uma comunicação mais efetiva com esse público utiliza uma linguagem verbal mais simplificada e direta, em alguns momentos optando pelo recurso das metáforas, por exemplo quando utiliza expressões como “anéis de uma árvore” para explicar como as camadas de chumbo vão se acumulando nos dentes fósseis dos hominídeos, ou ainda a expressão "cápsula do tempo” para reforçar o aspecto dos dentes fossilizados como um registro de informações ancestrais.
É importante destacar ainda na matéria do G1 a ampla utilização de informação visual por meio de vídeos, fotos e infográficos produzidos pela própria edição da reportagem ou utilizando-se dos arquivos da Rede Globo, além de imagens do próprio artigo de origem, ampliando as possibilidades de compreensão por parte do leitor mais leigo.
Podemos concluir que ambos os textos foram eficazes em traduzir jornalisticamente as informações do artigo de origem para seus públicos-leitores específicos.
Próximos passos
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