Introdução ao Jornalismo Científico/Temas Centrais da Ciência Contemporânea/Atividade/Wanise Martinez
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 4 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]O jornalismo científico envolve finalmente um processo de tradução. Passamos dos signos próprios ao meio científico, que tem seus próprios e jargões, para um outro sistema de signos, mais próximo ao público amplo. A tradução torna-se ainda mais complexa quando há também uma adaptação a novos meios, por exemplo do texto científico para o produto audiovisual na comunicação científica.
Entender como a tradução intersemiótica é realizada no campo da divulgação científica é um esforço central na pesquisa sobre a comunicação da ciência. Neste exemplo, são apresentadas as estratégias de construção de duas matérias sobre ciências agrárias.
O exercício proposto aqui envolve justamente uma comparação sobre como foi realizada a comunicação sobre uma mesma produção científica. Para isso, você deverá selecionar uma notícia sobre um tema científico e verificar de que forma ela foi abordada por dois veículos jornalísticos diferentes. Analise tópicos como: o título, o abre, a descrição do método, a realização de entrevistas, o contexto que a notícia oferece. O roteiro abaixo explica como deve ser feito.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Wanise Martinez
Material selecionado
[editar | editar código]Nesta seção, você deve listar o material selecionado para o exercício:
- dois produtos jornalísticos, de qualquer meio e de veículos distintos, sobre um mesma tema científico, preferencialmente sobre uma mesma notícia científica; e
- a publicação científica que deu origem à divulgação científica realizada nos dois produtos jornalísticos selecionados.
- Título e link da notícia 1:
- Título e link da notícia 2:
- Título e link da produção científica:
Produção científica
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever a produção científica selecionada. Responda às questões abaixo.
- Qual a contribuição científica pretendida?
- O estudo busca contribuir com o registro fóssil dos anquilossauros, apresentando a descoberta de um novo espécime de Spicomellus, que tinha o corpo coberto por espinhos de quase um metro de comprimento, além de ser protegido por uma armadura óssea semelhante a lâminas afiadas ao redor do pescoço.
- Qual o método científico adotado?
- A realização da pesquisa contou com um método científico que envolveu trabalho de campo, onde foram feitas escavações e a análise geológica do local onde estava os restos do dinossauro. Depois veio o trabalho de laboratório, quando se realizou o preparo e a análise morfológica do fóssil, finalizando com um trabalho filogenético e de calibração temporal, feito no computador para ajudar a descobrir a idade e a posição evolutiva deste dinossauro dentro da paleontologia
- Quais são as limitações do método, tais quais apresentadas no artigo?
- Esse novo material encontrado é considerado substancialmente o mais completo até agora, e isso ajudou a questionar hipóteses anteriores, mas como se trata de um registro fóssil que pode ser acrescido de novos achados, existem limitações que podem surgir, alterando os dados atuais e as análises futuras dessa espécie.
- Qual o resultado realizado?
- O estudo mostra que essa descoberta alterou o que se sabia sobre a evolução dos anquilossauros até agora, especialmente uma determinada hipótese envolvendo um grupo chamado de paranquilossaurianos com caudas-arma peculiares, que ficava no antigo supercontinente de Gondwana. Com isso, o novo espécime se tornou o anquilossauro mais antigo conhecido do período do Jurássico Médio, vivendo cerca de 30 milhões de anos antes do que se imaginava e tendo caudas adaptadas. Os pesquisadores também chegaram à conclusão de que a armadura extravagante desse dinossauro, que é cheia de espinhos, pode ter evoluído ao longo do tempo, sendo primeiro usada como exibição sexual para atrair parceiros, e depois sendo reaproveitada como defesa, justamente quando outros grandes predadores começaram a surgir no Cretáceo e era preciso se defender.
- Qual o impacto deste resultado?
- O corpo desse novo anquilossauro é algo que chamou a atenção dos estudiosos, já que nunca foi visto em nenhum outro vertebrado, vivo ou extinto. Com isso, essa contribuição científica é considerada uma das mais importantes para a área de paleontologia, levando em consideração esses últimos anos, o que significa que ela pode ajudar a reescrever a história evolutiva deste grupo de dinossauros.
Produção jornalística
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará ler e descrever cada uma das notícias de comunicação científica selecionadas. Responda às questões abaixo.
- Por que no título (ou abre, no caso de um produto audiovisual) é destacada esta informação?
- Ao escolher o título “Cientistas descobrem espécie de dinossauro ‘punk rocker’, com espinhos de até 1 metro; veja como era”, o jornal quis aguçar a curiosidade do leitor trazendo essa referência conhecida de rock e espinhos, em seguida já convidando-o a descobrir mais sobre isso clicando na notícia. Acho que foi uma boa estratégia porque eu fiquei interessada.
- Com o título “Cientistas descobrem fóssil raro de dinossauro coberto por armadura de espinhos”, o site seguiu por um título mais tradicional, indicando se tratar de algo raro e buscou dar destaque para a “armadura de espinhos”. Apesar de simples, com informações de agência, achei efetivo para convidar à leitura, em especial pelo uso do termo “armadura”, que desperta bastante a atenção.
- Em que medida o método da pesquisa é descrito?
- O método não foi explicado em detalhes, foi dito apenas que essa descoberta realizada no Marrocos deve levar a uma possível reavaliação das teorias da evolução dos anquilossauros. Acho que isso aconteceu porque o foco da notícia era a descoberta em si desse tipo específico de animal, mas o repórter poderia ter trazido mais detalhes do estudo da revista “Nature”.
- Nesta matéria também não é apresentado o método, mas somente a indicação dos fósseis recém-descobertos, sem explicação de como eles foram avaliados pelos pesquisadores. Entendo que o foco da notícia era a descoberta desse tipo curioso de dinossauro, mas acho que poderia ter sido um pouco mais detalhado esse processo de estudo feito pelos cientistas.
- Qual a função das entrevistas, se ocorreram?
- As duas entrevistas contribuem muito com a matéria porque trazem dados fundamentais sobre o que se sabia sobre essa espécie de dinossauro até agora, explicadas por especialistas da área. Além disso, a ideia do “punk rocker” veio justamente de um dos entrevistados, autor da pesquisa.
- São trazidas entrevistas interessantes com os dois estudiosos envolvidos na descobertas, com destaque para pontos descritos como bizarros, como “espinhos enormes que sobressaem para cima sobre os quadris e toda uma série de espinhos longos em forma de lâmina”. Acho que o repórter que editou esse conteúdo poderia ter aproveitado para fazer alguma comparação divertida com algum filme de cultura pop, tipo Godzilla, até porque a notícia termina com uma frase bem impactante da pesquisadora: "Nunca tínhamos visto nada parecido em nenhum outro animal".
- Em que medida alguns resultados são destacados e outros, não?
- A notícia traz os resultados mais importantes, focando nos diferenciais desse dinossauro, trazendo as falas dos estudiosos para exemplificar. Não apresenta, porém, os comparativos com as pesquisas anteriores com foco no mesmo tema.
- O texto destaca os principais resultados sobre o estudo envolvendo esse novo dinossauro, inclusive com um dado mais detalhado em comparação com o Estadão, que é a cauda em forma de marreta. Achei simples de ler, ainda que meio curto. Não traz muito detalhado o valor da descoberta evolutiva.
- Em que medida a notícia oferece um contexto suficiente para a compreensão da produção científica?
- Acho que a matéria cumpre bem o seu objetivo de noticiar algo interessante e importante para a área científica, mas, por exemplo, a parte em que explica para que serve a carapaça (“protegê-los dos contemporâneos carnívoros”) deveria estar mais para cima no texto, já que esse é o grande diferencial desses animais, e ali ficaria mais simples para que os leitores pudessem entender melhor do que se trata. Além disso, o repórter perdeu a chance de fazer uma brincadeira/metáfora com esse dinossauro e algum cantor de punk rock, como Billy Idol, já que os especialistas enfatizaram o quanto ele era único e como isso pode mudar todo o conhecimento sobre os anquilossauros.
- A matéria é bem interessante de ler e contribui para a divulgação científica dessa nova descoberta, tentando explicar de maneira breve todas as peculiaridades da espécie, mas é um pouco curta demais e termina deixando uma sensação de que falta informação. Ou seja: o repórter poderia ter acrescentado mais dados sobre o estudo para que ficasse mais robusto, incentivando o leitor a querer saber mais sobre a novidade.
Análise
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará fazer um texto de até 2.000 caracteres comparando as estratégias de tradução intersemiótica realizadas pelas duas notícias. O que queremos saber finalmente é em que medida conseguiram comunicar adequadamente o resultado e o processo da ciência. Você pode também indicar exemplos positivos e negativos da prática de comunicação realizada.
As duas notícias que escolhi analisar utilizam estratégias quase semelhantes de tradução intersemiótica para comunicar a mesma descoberta, e acredito que isso impacta a maneira como os resultados do estudo são transmitidos ao público. O Estadão escolheu ser mais criativo, até mesmo metafórico, ao chamar o anquilossauro de “dinossauro punk rocker”, o que aproxima a descoberta científica do universo pop, gerando identificação e despertando curiosidade e até mesmo emoção no leitor. Entretanto, esse enquadramento traz como risco a possibilidade de ofuscar a complexidade e a importância científica do novo estudo. Além disso, a escolha do termo “carapaça” não sei se é de fácil acesso para o leitor, podendo inclusive ser lida como “carapuça”. Vale destacar que o texto também se apoia em entrevistas com os pesquisadores envolvidos, que acrescentam legitimidade ao tema abordado, apesar de não detalhar melhor os métodos empregados, o que enfraquece a compreensão, por parte do leitor, de como funciona o processo científico da paleontologia. Já o G1, optou por destacar a “armadura de espinhos” e qualificar a descoberta do fóssil como sendo rara para enfatizar a importância da descoberta. Acho que foi um acerto usar o termo “armadura”, porque gera conexão com o leitor que pensa em armaduras de soldados, inclusive vistas em filmes. Para reforçar mais a credibilidade da matéria, são utilizados trechos interessantes das entrevistas, que trazem descrições claras da morfologia deste tipo de dinossauro, mas, assim como no caso do Estadão, não há explicação detalhada sobre os métodos de pesquisa que foram utilizados no estudo. No geral, o texto é de leitura fácil, mas um pouco curto para um tema considerado de grande importância para a ciência. Como resultado, as matérias se mostram relatos curiosos, com boas traduções visuais, mas que falham nas explicações metodológicas, explorando pouco as possibilidades de divulgação e de melhor entendimento de como a ciência é feita.
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.