Jornalismo Básico 2: reportagens especiais/Reportagens do JOB/Gisele Sartini e Lídia Anjos

Fonte: Wikiversidade
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Voltada principalmente para artigos fotográficos, a Galeria 7 de Abril é reconhecida nacionalmente como um dos melhores lugares para fotógrafos, sejam eles de profissão ou paixão.

Nascido há mais de 30 anos, o endereço abriga dezenas de lojas que se tornaram tradicionais por venderem câmeras profissionais e artigos raros procurados por colecionadores.

No entanto, este “recanto” da fotografia não nasceu no prédio de número 125 na rua 7 de Abril. “Antigamente as casas de foto ficavam na Rua Conselheiro Crispiniano, mas o aluguel foi ficando caro e as lojas vieram para a galeria”, explica o comerciante Walter que trabalha na mesma loja há cerca de 30 anos, logo quando ela foi realocada para o prédio que não fica nem a 5 minutos do endereço anterior.

Hoje quem passa pela pequena rua que praticamente desemboca na Galeria 7 de Abril nem poderia dizer que lá costumava ser a “25 de março da fotografia”, como disse Walter. Ao andar nela vimos poucas lojas do ramo, perdidas em meio a supermercados, lojas de roupa e vendedores ambulantes.

Walter conta que antigamente quem frequentava as lojas da região eram fotógrafos mais velhos que se reuniam aos sábados no local, mas ao longo dos anos esse público mudou. “Hoje não há tantos profissionais que vêm para comprar máquinas de 14 mil reais, tem muitas pessoas apaixonadas e interessadas no assunto que nos procuram também”, explica.

Não foi apenas o endereço das lojas que mudou nos últimos 30 anos, a tecnologia avançou e mudou o conceito de fotografia que se democratizou e não é mais restrito a apenas um nicho de fotógrafos que sabem manusear corretamente uma câmera profissional. Segundo Walter “a freguesia mudou muito nos últimos anos. Hoje temos jovens que procuram câmeras influenciados por escolas de fotografias”, conta.

“Antigamente só existiam máquinas analógicas, agora temos modelos digitais”, diz Walter, que afirma preferir a resolução das câmeras manuais para o exercício do hobbie, mesmo admitindo os benefícios e a qualidade oferecida pelos dispositivos digitais.

Abner tem apenas 18 anos. No mesmo ano em que nascia, a Nikon apresentava ao mundo a F-50, uma câmera automática porém sem visor LCD, e composta por filmes fotográficos onde seriam revelados em uma loja.

Em 2016, ele trabalharia em uma galeria no centro de São Paulo onde seria referência nacional de fotografia, mas a idade não condiz com a mente: “O tempo pode até ter passado mas o que mais sai na nossa loja ainda são os modelos analógicos. Os preços daqui são muito diferentes do que os de fora do Brasil... Quando você procura na internet, você só acha preços de colecionadores. Se você ver aqui, mal acredita na diferença e na qualidade”

Apesar dos preços serem melhores, a galeria ainda perde para a internet que, como diz Abner, “é o mundo todo em um lugar só”. A facilidade em estar em casa e ainda assim pesquisar preços em diversos lugares faz com que inúmeras pessoas não conheçam o que há dentro da Sete de Abril.

O  gerente de e-commerce da loja mais antiga da galeria, Hebert Costa, acredita que a tecnologia veio para abranger mais o mundo da fotografia.  A febre Instax, pequenas câmeras analógicas coloridas em tons pasteis que atraem os olhos e o coração de qualquer um, trouxe uma nova geração para lá. Porém, ainda falta o transporte dessa informação. Para ele, o que não torna a galeria (novamente) a maior procura em itens fotográficos são as mídias sociais. “Eu organizo o site e todas as informações técnicas dos equipamentos da loja... a procura on-line só vem aumentando. Acredito que o páginas como o Facebook e Instagram dariam novos ares para a galeria e poderíamos fazer uma competição justa com a internet”

Ao meu ver o encontro da tecnologia (no caso, mídias sociais) com a fotografia seria não só justo, como esplendor. A última vez que isso ocorreu, trouxe facilidade para a vida de inúmeros profissionais como o disparar de 100 fotos em um minuto.

Seria justamente esplendor mostrar aos jovens que apenas procuram materiais em comércios multinacionais eletrônicos que há um pedaço da história da fotografia em uma rua no centro de São Paulo. Seria justamente esplendoroso mostrar aos donos dessa galeria o quanto a tecnologia irá melhorar e mudar suas vidas.