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Lista de supercélulas em Piracicaba

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Supercélula no Centro de Piracicaba em 28 de janeiro de 2025

Este artigo lista supercélulas ocorridas em/próximas a Piracicaba desde 1995 até o presente, confirmadas pela Piracicaba Meteorológica. Na classificação local, essas formações sempre entram na categoria de "tempo severo", embora frequentemente sejam de intensidade fraca a moderada.

Segundo a literatura meteorológica, a classificação de uma tempestade como supercélula não é necessariamente rígida e depende principalmente da formação de um mesociclone, que pode também ser evidenciado por formações indiretas. Além disso, a própria organização da tempestade pode servir como evidência em alguns casos (ex: 12 de agosto de 2023, 28 de dezembro de 2024), embora a confirmação dependa de uma análise mais cautelosa nessas condições. Por isso, supercélulas como estrutura são relativamente comuns em Piracicaba, embora nem todas representem tempestades severas. Junto com Barra Bonita, está entre as cidades do estado de São Paulo que mais documentam essas estruturas, em grande parte tanto devido à origem comum (Serra de Botucatu e Rio Tietê) quanto à influência do stormchasing nas duas regiões.

Tempestades supercelulares capazes de causar destruição severa, como destelhamentos generalizados, queda de árvores e galhos em massa e várias árvores derrubadas em uma mesma via, ocorrem com baixa frequência, aproximadamente uma a duas vezes por década, com registros em 1995, 2006, 2013, 2024 e 2025. Desde 2023, o número de registros de supercélulas como estrutura aumentou, resultado da expansão do stormchasing e da meteorologia voluntária em Piracicaba. Apesar disso, estudos indicam que essas tempestades ainda são subestimadas na cidade, devido à tendência de análises rigorosas e à superestimação da intensidade de supercélulas.

De acordo com o banco de dados da Piracicaba Meteorológica, a cidade e suas adjacências (Limeira, Saltinho, Rio das Pedras, Rio Claro, Capivari, etc.) já tiveram vinte e uma supercélulas confirmadas desde 1995, sendo que treze ocorreram desde 2023. A época mais comum para sua formação é entre os meses de agosto e março, com pico em outubro, dezembro, na segunda quinzena de fevereiro e na primeira quinzena de março. Em contrapartida, a época mais rara é no outono meteorológico seco (15 de abril a 31 de maio) e no mês de junho, com mínima na primeira quinzena de maio. Sua formação também dificilmente ocorre nos primeiros 20 dias de setembro, devido ao ápice de intensidade do anticiclone do Brasil Central, que limita a disponibilidade de umidade.

Multicélulas são as tempestades mais suscetíveis a serem confundidas com esses fenômenos, uma vez que também podem apresentar características de isolamento, longa duração e estrutura impactante. Um padrão curioso envolve o fato de que, embora multicélulas sejam mais comuns na Região como um todo, os municípios de Piracicaba e Anhembi distorcem esse padrão, com esses sistemas possuindo uma frequência bastante semelhante ou até menor que a das supercélulas em alguns meses.

Década de 1990

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20 de outubro de 1995

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  • Tipo: Desconhecido
  • Município de origem: ??
  • Ápice: Possivelmente Piracicaba
  • Dissipação: ??
  • Causa: Frente fria de ciclone extratropical.
  • Descrição: Supercélula que atingiu a cidade durante a manhã.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 2024. Indireta (severidade)
  • Prejuízo: Valor desconhecido. Queda de várias árvores, queda do muro do Estádio Barão da Serra Negra.
  • Áreas afetadas: Zona Norte, Zona Central.
  • Fatalidades: 1
  • Feridos: 35
  • Velocidade máxima dos ventos: 126,0 km/h (ESALQ)
  • Granizo: Tamanho desconhecido.

Década de 2000

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17 de março de 2005

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  • Tipo: Desconhecido
  • Município de origem: ??
  • Ápice: Provavelmente Piracicaba (área rural)
  • Dissipação: ??
  • Causa: Desconhecido.
  • Descrição: Supercélula que produziu um tornado em área agrícola.
  • Confirmação: Direta (tornado)
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Desconhecido.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Granizo: Não registrado.

29 de março de 2006, 11h25

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP)
  • Município de origem: Barra Bonita
  • Ápice: entre Piracicaba (distrito de Tupi) e Santa Bárbara d'Oeste.
  • Dissipação: ??
  • Causa: Avanço de frente fria sobre massa de ar quente e úmido, linha de convergência entre ventos de oeste e leste.
  • Descrição: Supercélula que se desenvolveu durante a manhã e atingiu a cidade por volta das 11h25, produzindo um tornado no bairro da Agronomia e múltiplos downbursts severos.
  • Confirmação: Universidade de São Paulo, 2008. Direta (tornado)
  • Prejuízo: >R$ 1,5 milhão. Queda em massa de árvores e postes, destelhamentos generalizados, destruição de canaviais.
  • Áreas afetadas: Praticamente toda a cidade (exceto áreas mais ao sudoeste, ex: Novo Horizonte, Campestre, etc.).
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 21
  • Velocidade máxima dos ventos: 158,4 km/h (ESALQ).
  • Granizo: Não registrado.
  • Fatos notáveis: Primeira tempestade registrada em vídeo na história de Piracicaba, em dois clipes de, no máximo, cinco segundos por um estudante da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), dentro da universidade.

Década de 2010

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10 de abril de 2011

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: ??
  • Ápice: Piracicaba (Zona Norte)
  • Dissipação: ??
  • Causa: ??
  • Descrição: Supercélula produziu granizo de médio porte superior na Zona Norte.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 2 de dezembro de 2025. Indireta (severidade)
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Zona Norte
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido
  • Granizo: 4,5 cm

21 de julho de 2013, 16h

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP)
  • Município de origem: ??
  • Ápice: Piracicaba (Zona Central)
  • Dissipação: ??
  • Causa: Avanço de frente fria sobre massa de ar quente e úmido.
  • Descrição: Supercélula que se desenvolveu durante pré-frontal e produziu um macroburst severo.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 2023. Indireta (severidade, estrutura)
  • Prejuízo: ~R$ 500 mil. Queda em massa de árvores e postes, destelhamentos, destruição de estruturas de madeira, queda do muro do Cemitério da Saudade.
  • Áreas afetadas: Praticamente toda a área urbana, distrito do Ártemis, distrito de Tupi, distrito de Santa Teresinha.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 4
  • Velocidade máxima dos ventos: 136,8 km/h (INMET)
  • Granizo: >3 cm. Acúmulo.
  • Fatos notáveis: Primeira supercélula em Piracicaba cuja estrutura foi filmada, não apenas a tempestade.

10 de maio de 2015

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: Saltinho
  • Ápice: Capivari
  • Dissipação: Campinas
  • Causa: Entrada de umidade proveniente de frente fria.
  • Descrição: Wall cloud foi fotografa próxima à SP-304 por moradora de Capivari, confundida com um tornado.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 31 de outubro de 2025. Indireta (wall cloud, isolamento e duração)
  • Prejuízo: Nulo.
  • Áreas afetadas: Municípios de Saltinho, Rio das Pedras, Tietê, Mombuca, Rafard, Capivari, Santa Bárbara d'Oeste, Monte Mor e Campinas.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Fatos notáveis: Caso raro de supercélula ocorrida em pleno outono meteorológico seco (~15 de abril a 31 de maio)

1º de junho de 2016, 19h

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: Araraquara
  • Ápice: Rio Claro
  • Dissipação: região de Americana
  • Causa: Convergência entre ar frio e seco de frente fria e uma massa de ar quente e úmido predominante na região.
  • Descrição: Supercélula que avançou sobre Rio Claro, Piracicaba e Limeira, produzindo granizo de grande porte em Rio Claro, e pequeno em grande quantidade em Piracicaba, além de ventos intensos.
  • Confirmação: Indireta (estrutura, diâmetro do granizo, duração)
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Desconhecido.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: 97,2 km/h (ESALQ)
  • Granizo: Diâmetro desconhecido.

Década de 2020

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28 de outubro de 2022, 14h

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: São Pedro
  • Ápice: Piracicaba
  • Dissipação: Bragança Paulista
  • Causa: CAPE de 1500 J/kg + CIN fraco, forçante termodinâmica.
  • Descrição: Formação da célula foi filmada pela câmera de monitoramento da Clima ao Vivo. Foi identificado um inflow com tail cloud, downbursts e granizo.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 15 de outubro de 2025. Indireta (formação de área ascendente e inflow com tail cloud)
  • Prejuízo: Quase nulo.
  • Áreas afetadas: Toda a área urbana.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: 95 km/h (loteamento Jardim Santo Antônio, bairro São Jorge)
  • Granizo: ~1,5 cm.

9 de agosto de 2023, 17h

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP)
  • Município de origem: Cordeirópolis
  • Ápice: Entre Cordeirópolis e Limeira
  • Dissipação: ??
  • Causa: Cavado em 500 hPa + máxima do JAN, alta disponibilidade de ar quente e úmido na troposfera.
  • Descrição: Supercélula que provocou granizo de médio porte em grande quantidade na SP-310, entre Limeira e Cordeirópolis. Não afetou Piracicaba.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 31 de agosto de 2025. Indireta (comportamento do granizo, duração)
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: SP-310
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Granizo: Diâmetro desconhecido. Grande acúmulo.

9 de agosto de 2023, 17h

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: Saltinho
  • Ápice: Rio das Pedras
  • Dissipação: Campinas
  • Causa: Cavado em 500 hPa + máxima do JAN, alta disponibilidade de ar quente e úmido na troposfera.
  • Descrição: Supercélula que provocou granizo no município de Rio das Pedras. Não afetou Piracicaba.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 31 de agosto de 2025. Indireta (duração, isolamento, organização)
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Rio das Pedras
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Granizo: Diâmetro desconhecido.

12 de agosto de 2023, 16h17

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP)
  • Município de origem: Guareí
  • Ápice: Piracicaba (Zona Central)
  • Dissipação: Cordeirópolis
  • Causa: Cavado em 500 hPa + máxima do JAN, alta disponibilidade de ar quente e úmido na troposfera.
  • Descrição: Supercélula que provocou granizo de médio porte na cidade e um microburst na Zona Central às 16h20. Alcançou a estratosfera, com o topo atingindo 17 km de altitude.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 31 de agosto de 2025. Indireta (estrutura, organização, isolamento, comportamento do granizo, duração)
  • Prejuízo: ~R$ 40 mil. Queda de 67 árvores, destelhamentos, vidraças quebradas, calhas entupidas e toldos perfurados.
  • Áreas afetadas: Toda a área urbana (as zonas Central e Leste foram afetadas pelo granizo).
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: 93 km/h (região da Escola Estadual Doutor Prudente, Bairro Alto)
  • Granizo: ~4 cm.

28 de dezembro de 2024, 20h25

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP)
  • Município de origem: Laranjal Paulista
  • Ápice: Piracicaba (Zona Norte)
  • Dissipação: Rio Claro
  • Causa: CAPE >2500 J/kg + rompimento da CIN, intensa massa de ar quente e úmida, JAN mais intenso que JMN.
  • Descrição: Supercélula isolada que se formou em Laranjal Paulista, passou por Saltinho e avançou sobre Piracicaba, produzindo um macroburst úmido com natureza pulsante nas zonas norte e leste. Granizo relatado no Santa Rosa.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 23 de junho de 2025. Indireta (estrutura, alta atividade elétrica, isolamento, severidade).
    • OBS: embora tivesse sido tratado desde o início como uma supercélula, o relatório da Piracicaba Meteorológica que o confirmou definitivamente só foi publicado em junho de 2025.
  • Prejuízo: Valor desconhecido. Queda de mais de 50 árvores em diferentes pontos, havendo queda em massa de dezenas de árvores e galhos somente na Avenida Comendador Pedro Morganti, entre os bairros Agronomia e Monte Alegre. Destelhamentos. Danificação da ETA Capim Fino. Transbordamento do Rio Piracicaba.
  • Áreas afetadas: Toda a área urbana (o macroburst afetou, no primeiro pulso, parte das zonas Sul e Oeste; no segundo, o mais severo, a zona Norte e o norte da Leste).
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: 120 km/h (bairro Santa Rosa)
  • Granizo: 1 cm.

28 de janeiro de 2025, 14h55

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  • Tipo: Supercélula clássica.
  • Município de origem: Piracicaba (Zona Central)
  • Ápice: Piracicaba (Zona Leste)
  • Dissipação: Monte Mor
  • Causa: Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), cisalhamento vertical favorável.
  • Descrição: Mesociclone foi observado na Zona Central da cidade por um caçador de tempestades. A supercélula não evoluiu para uma tempestade severa e resultou apenas em chuva intensa.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 28 de janeiro de 2025. Direta (mesociclone).
  • Prejuízo: Valor desconhecido.
  • Áreas afetadas: Zona Central, Zona Leste.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Granizo: Não registrado.

31 de janeiro de 2025, 19h00

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: Piracicaba (zona rural central)
  • Ápice: Piracicaba
  • Dissipação: Rio das Pedras
  • Causa: Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), convergência entre ventos quentes e secos do interior paulista e ventos frios e úmidos do Oceano Atlântico, cisalhamentos vertical e horizontal favoráveis.
  • Descrição: Wall cloud foi observada por um caçador de tempestades. Produção de um tornado F0 de curta duração no bairro Pau Queimado, na zona rural, às 19h04.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 23 de fevereiro de 2025. Direta (tornado evidencia rotação).
  • Prejuízo: Nenhum.
  • Áreas afetadas: Zona rural central (precipitação intensa), Pau Queimado (tornado).
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: <100 km/h (tornado)
  • Granizo: Não registrado.

27 de junho de 2025, 16h

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  • Tipo: Supercélula de baixa precipitação (LP)
  • Município de origem: Botucatu
  • Ápice: Piracicaba (zona rural central)
  • Dissipação: Limeira
  • Causa: Confronto entre frentes fria e quente, cisalhamento vertical >17 m/s, máxima do JAN + cavado em médios níveis, alta disponibilidade de ar quente e úmido.
  • Descrição: Supercélula com mesociclone definido, alta organização entre correntes ascendentes e descendentes e tail cloud foi observada por caçador de tempestades. A célula se formou no município de Botucatu e perdurou por quatro horas, atingindo a área urbana de Piracicaba com chuva forte e granizo pequeno nas zonas Sul, Oeste e rural. Houve relatos de acúmulo de granizo no Serrote, na área rural.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 27 de junho de 2025 (preliminar) / 30 de agosto de 2025 (consolidação). Direta (mesociclone).
    • OBS: o evento havia sido classificado como uma supercélula pela Piracicaba Meteorológica já no dia de sua ocorrência. No entanto, por razões de discrepância entre meteorologistas, o grupo acadêmico realizou um estudo para comprovar a ocorrência do fenômeno em agosto de 2025.
  • Prejuízo: Nenhum.
  • Áreas afetadas: Área urbana (chuva forte), Zona Oeste (granizo), Zona Sul (granizo), zona rural centro-sul (granizo), zona rural central (mesociclone).
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Granizo: 1 cm. Acúmulo no Serrote.

22 de setembro de 2025, 13h20 (dois eventos)

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP), ambas.
  • Município de origem: Botucatu (1), Brotas (2)
  • Ápice: entre Laranjal Paulista e Porto Feliz (1); São Pedro (2)
  • Dissipação: Campinas (1); região de Mogi-Mirim (2)
  • Causa: Linha de instabilidade, avanço de frente fria, JBN de forte intensidade (>80 km/h), CAPE >2000 J/kg, alto cisalhamento vertical do vento.
  • Descrição: Duas supercélulas HP embutidas em uma linha de instabilidade passaram próximas a Piracicaba, causando efeitos indiretos na cidade a partir da intensificação de downbursts. Onda de downbursts registrada.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 5 de janeiro de 2026. Direta (mesociclone observado).
  • Prejuízo: Valor desconhecido. Queda de árvores, destelhamentos, quebra de vidraças.
  • Áreas afetadas: Toda a cidade (pelo downburst associado)
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: 95,0 km/h (medido no bairro Agronomia pelo INMET); 104,5 km/h (valor calculado na comunidade Portelinha, Monte Líbano).
  • Granizo: Não registrado
  • Fatos notáveis: A supercélula de Laranjal Paulista possuiu o maior mesociclone já registrado em Piracicaba (até 4 km de largura); primeira supercélula da cidade filmada em 4K.

10 de outubro de 2025, 16h30

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  • Tipo: Supercélula de alta precipitação (HP)
  • Município de origem: Piracicaba
  • Ápice: Piracicaba
  • Dissipação: Socorro
  • Causa: Convergência em baixos níveis entre ventos de sudeste e noroeste, CAPE de 1500 J/kg, cavado em 500 hPa e JAN, cisalhamento vertical do vento de 27,5 ± 2,5 m/s.
  • Descrição: Núcleo de supercélula se formou sobre Piracicaba em meio a uma tempestade multicelular e alimentou uma unicélula já severa sobre a cidade, gerando um microburst com ventos de até 145 ± 5 km/h.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 12 de outubro de 2025 (preliminar). Indireta (severidade, imagens de satélite)
  • Prejuízo: ~R$ 1 milhão.
  • Áreas afetadas: distrito do Artemis e bairros de Santa Teresinha, Itaperu, Vale do Sol e Vila Sônia (pelo microburst associado)
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 1
  • Velocidade máxima dos ventos: 150 km/h (bairro Itaperu, distrito do Artemis)
  • Granizo: 2 cm. Acúmulo no Artemis.

1º de novembro de 2025, 14h30

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: Rio Claro
  • Ápice: Machado (MG)
  • Dissipação: Congonhas (MG)
  • Causa: CAPE elevado (>2500 J/kg), CVV alto (>20 m/s), máxima do JAN.
  • Descrição: Supercélula se formou em meio a uma multicélula, causando um microburst com granizo de médio porte em Rio Claro. Posteriormente, avançou para o leste, atravessando a divisa SP-MG.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 10 de novembro de 2025. Indireta (estrutura, duração).
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Diversos municípios no eixo Rio Claro-Poços de Caldas-Lavras-Congonhas
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: >70 km/h.
  • Granizo: 2 cm.

7 de dezembro de 2025, 19h00

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  • Tipo: Supercélula clássica
  • Município de origem: Elias Fausto
  • Ápice: Capivari
  • Dissipação: Rio das Pedras
  • Causa: Alta disponibilidade de ar quente e úmido, faixa de baixa pressão, convergência entre ventos quentes e secos do interior e uma frente de rajada do sudeste.
  • Descrição: Supercélula semi-estacionária se desenvolveu enquanto uma multicélula avançava de sudeste, gerando grande convergência ao interagir com os ventos quentes e secos de noroeste. Tornado foi observado na zona rural de Rio das Pedras com um RFD bem definido.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 10 de novembro de 2025. Direta (tornado e base mesociclônica)
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Área rural de Rio das Pedras (pelo tornado e RFD associado)
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: >80 km/h.
  • Granizo: Não registrado.

4 de janeiro de 2026, 19h40

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  • Tipo: Supercélula LP
  • Município de origem: Saltinho
  • Ápice: Entre Saltinho, Rio das Pedras e Piracicaba
  • Dissipação: Piracicaba
  • Causa: CAPE >2000 J/kg, forçante da frente de rajada de um sistema multicelular, helicidade >150 m²/s².
  • Descrição: Supercélula LP se formou em meio a uma multicélula que avançava do Rio Tietê, causando chuva moderada em vários pontos, além de núcleos isolados de granizo.
  • Confirmação: Piracicaba Meteorológica, 4 de janeiro de 2026. Direta (mesociclone observado).
  • Prejuízo: Desconhecido.
  • Áreas afetadas: Saltinho, Piracicaba.
  • Fatalidades: 0
  • Feridos: 0
  • Velocidade máxima dos ventos: Desconhecido.
  • Granizo: 2,5 cm (Saltinho).

Eventos descartados

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OBS: Em Piracicaba, como os radares meteorológicos disponíveis possuem resolução muito baixa, a eliminação de classificações equivocadas de supercélulas é feita a partir da observação de fatores como comportamento, organização e estrutura visual da tempestade em si, uma vez que os radares Doppler que cobrem a cidade dificilmente conseguem capturar mesociclones. Por essa razão, a ausência de um mesociclone não pode ser provada e, consequentemente, usada como base de comprovação.

  • 1º de março de 2024: Multicélula observada em municípios ao sul de Piracicaba com estrutura impactante. No entanto, foi comprovado via radar que eram várias células aglomeradas de intensidade moderada.
  • 16 de novembro de 2024: Uma célula avançou em direção à cidade com uma shelf cloud e cortina de chuva impactante, nuvens escuras e imponentes, ventos fortes e chuva intensa. Todavia, tratou-se de uma multicélula. Supercélulas geralmente não apresentam uma distância longa entre a shelf cloud e a área de precipitação do downdraft de flanco frontal, que, nesse caso, era um downdraft comum, não de flanco.
  • 25 de dezembro de 2024: Uma suposta wall cloud foi observada no bairro rural Alpes Suíços, alimentando nuvens convectivas ao sul. Inicialmente, havia suspeitas de uma supercélula de topo baixo (LT). Entretanto, a suposta wall cloud era, na verdade, scud clouds circundando a área de precipitação.

Rota comum

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A estatística mostra que quase metade das supercélulas registradas em Piracicaba (41%) têm origem na região do Médio Tietê, ao sul, sudoeste e oeste. Além disso, nunca houve registro de uma célula severa proveniente do leste, sudeste ou nordeste. Se desconsiderarmos as supercélulas originadas na própria região, 58% foram provenientes do Médio Tietê.

As rotas costumam ser:

  • Ventos NW e NNW: Região de Araraquara ⮕ Piracicaba ⮕ Região de Campinas (inclui Campinas, Monte Mor, Indaiatuba, Americana, Sumaré, Socorro e adj.)
  • Ventos W e WNW: Área rural de Piracicaba ⮕ área urbana ⮕ Região de Campinas
  • Ventos SW: Serra de Botucatu ⮕ Piracicaba ⮕ adjacências de Limeira
  • Ventos SSW e S: Serra de Botucatu ou Rio Tietê ⮕ Piracicaba ⮕ Bacia do Rio Corumbataí

As tempestades frequentemente se formam em regiões mais altas (como a Cuesta Basáltica de Botucatu/Serra de Botucatu) e avançam para a Depressão Periférica Paulista, onde Piracicaba está situada. A Serra de Botucatu possui uma diferença de relevo significativa entre as partes altas e baixas (300-400 metros). No verão, isso oferece um suporte mínimo, mas necessário para o rompimento da CIN, além de agir como forçante termodinâmica. Posteriormente, essa célula encontra o ar mais quente e úmido da Depressão Periférica e se intensifica.

(Última atualização em 1º de dezembro de 2025)

Região de Origem Quantidade Porcentagem
Médio Tietê (Inclui Tietê, Laranjal Paulista, Botucatu, Barra Bonita e adj.) 7 41,18%
Própria região (Bacia do Rio Piracicaba; inclui Piracicaba, Saltinho, Rio das Pedras, Limeira, Cordeirópolis e adj.) 5 29,41%
Bacia do Rio Corumbataí (Inclui Rio Claro e adj.) 2 11,76%
Região de Araraquara (Inclui Araraquara, São Carlos e adj.) 2 11,76%
Serra de São Pedro (Inclui São Pedro, Charqueada, Santa Maria da Serra e adj.) 1 5,88%

Frequência

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Supercélulas em Piracicaba são mais comuns entre o fim do inverno meteorológico e o início do outono meteorológico, aproximadamente entre os dias 20 de agosto e 31 de março. Os períodos de pico ocorrem nos meses de outubro, dezembro e entre os dias 15 de fevereiro e 14 de março. Já o período mais raro é abril (segunda quinzena), maio e junho, com mínima na primeira quinzena de maio.

Todavia, Piracicaba possui um clima tropical com estação seca no inverno (Aw), que inclui uma estação seca (~15 de abril-19 de setembro) com frequentes dias de máximas superiores a 30°C, além de episódios de mínimas abaixo de 5°C anuais (não raramente 0°C). No inverno, esses extremos frequentemente sofrem troca abrupta em menos de 48 horas, combinadas com correntes de jato intensas em altos e médios níveis. Portanto, essas tempestades podem se desenvolver em qualquer época do ano, desde que as condições estejam favoráveis à sua formação. Embora a energia necessária para a sua ocorrência se concentre mais na estação chuvosa (~20 de setembro a ~15 de abril), o cisalhamento vertical costuma ser mais severo durante a estação seca. Além disso, sua origem varia ao longo do ano:

Período Origem comum Limitações Frequência
Segunda metade do verão meteorológico (15 de janeiro a 28/29 de fevereiro) CAPE elevado (>3000 J/kg), com frequente rompimento da CIN, o que permite correntes ascendentes localizadas e intensas. Linhas de confluência entre ventos de oeste e leste também não são incomuns e favorecem a convecção profunda. Cisalhamento vertical mais fraco. Relativamente comum.
Outono meteorológico úmido (1º de março a 14 de abril) CAPE elevado (>2000 J/kg), linhas de convergência e confronto entre massas de ar. CAPE menor. Relativamente comum (especialmente em março)
Outono meteorológico seco (15 de abril a 31 de maio) Confronto entre massas de ar. Período de transição. Combinação entre CAPE razoável e cisalhamento vertical favorável dificilmente ocorre. Raro.
Primeira metade do inverno meteorológico (1º de junho a 14 de julho) Confronto e convergência entre massas de ar de alto contraste térmico (a amplitude térmica pode alcançar 30°C em menos de 48 horas), alto cisalhamento vertical do vento. CAPE menor e fortalecimento do anticiclone do Brasil Central. Relativamente raro.
Segunda metade do inverno meteorológico (15 de julho a 31 de agosto) CAPE razoável (500-1500 J/kg), confronto e convergência entre massas de ar de alto contraste térmico, rápido escoamento, frequente combinação entre máxima do JAN + cavado em 500 hPa. Pico de intensidade do anticiclone do Brasil Central.
  • OBS: Agosto poderia ser mais ativo em tempo severo se não fosse por essa limitação
Incomum.
Primavera meteorológica seca (1º de setembro a 20 de setembro) CAPE elevado (>2000 J/kg), confronto e convergência entre massas de ar de alto contraste térmico, rápido escoamento. Pico de intensidade do anticiclone do Brasil Central. Raro.
Primavera meteorológica úmida (20 de setembro a 30 de novembro) CAPE elevado (>2000 J/kg), confronto e convergência entre massas de ar de alto contraste térmico, rápido escoamento, frequente combinação entre JBN intenso + cavado em 500 hPa. JAN menos intenso, CIN relativamente mais elevado. Comum.
Primeira metade do verão meteorológico (1º de dezembro a 14 de janeiro) CAPE elevado (>2500 J/kg), com frequente rompimento da CIN, especialmente quando esses são combinados com cisalhamento vertical elevado (>17 m/s). Cisalhamento vertical mais fraco, ausência de convergência de massas de ar. Relativamente comum.