O INTEGRALISMO E SUA RELAÇÃO COM A “REVOLUÇÃO” DE 30: A PÓS-VERDADE E MEMÓRIA DE ESQUECIMENTO DA ERA VARGAS. - LAURA FARIA GUIRRO, LUÍS FERNANDO CREPALDI TREVISAN, LUCAS BRASILEIRO E RAUL CADAMURO MACHADO
O INTEGRALISMO E SUA RELAÇÃO COM A “REVOLUÇÃO” DE 30: A PÓS-VERDADE E MEMÓRIA DE ESQUECIMENTO DA ERA VARGAS.
LAURA F. GUIRRO; LUÍS F. C. TREVISAN; LUCAS BRASILEIRO; RAUL C. MACHADO
RESUMO
O presente trabalho pretende analisar como a Ação Integralista Brasileira (AIB) colaborou para a implementação do Novo Estado durante a Era Vargas, partindo de convergências em relação a inimigos comuns e ao corporativismo presentes em seus projetos de Estado. À vista disso, esta proposta tem como objetivo analisar a pós-verdade e a memória de esquecimento que este período “revolucionário” causou no âmbito nacional, trazendo, assim, aproximações entre as ideologias e a veracidade do governo Getúlio Vargas.
PALAVRAS-CHAVES: Integralismo; Era Vargas; pós-verdade.
INTRODUÇÃO
O contexto político internacional das últimas duas décadas vem produzindo significativas transformações nas Democracias Ocidentais. Ao observarmos a ascensão daquilo que na conceituação da ciência política denominamos genericamente como “pensamento conservador”, identificamos que os movimentos sociais e partidos políticos que se auto intitulam e reivindicam um posicionamento ideológico “de direita”, cresceram em número, adesão e legitimidade social. Tal legitimidade pode ser comprovada no plano político imediato com a chegada ao poder – ou mesmo com o aumento do protagonismo político – de partidos declaradamente conservadores, cujas propostas combatem, em larga medida, os fundamentos do que se convencionou identificar como pensamento progressista e/ou de esquerda. O tempo histórico e a dinâmica do referido avanço não são homogêneos, seja do ponto de vista cronológico, seja do conteúdo político dessas propostas conservadoras ou, como em alguns casos, reacionárias. Se é possível observar que partidos e movimentos sociais de direita – ou mesmo de extrema direita – ganham maior legitimidade na Europa a partir de finais do século passado e no início dos anos 2000, o mesmo fenômeno possui variações importantes quando analisamos os regimes democráticos na América.
Esses movimentos, intitulados como fascistas, além de se caracterizarem a partir de contestações de ideias vigentes do período, possuem componentes ideológicos que os fundamentam, como o nacionalismo e o mito de regressão à pátria conjuntamente com a ideia de um novo começo. Ademais, apresentam um política organicista, pautada sobretudo pelo corporativismo, que marcou profundamente o período Varguista, sendo a expressão política da “nação orgânica” e um forte meio autoritário de regulação econômica.
A questão da força social que tais proposições político-ideológicas (e, portanto, morais) recuperam, diz respeito exatamente à legitimidade que alcançam, ou seja, ao grau e ao nível de adesão social que passam a desfrutar/apresentar. Um dos elementos que podem explicar esse fenômeno se encontra no fato de que a perspectiva ideológica conservadora se apresenta como alternativa ao momento de crise social pela qual o Ocidente – e por que não, a humanidade – passa.
No Brasil, assim como no resto da Europa Ocidental, organizou-se a Ação Integralista Brasileira (AIB), que se apresentava como a única possibilidade de restauração de um país colapsado por uma crise material. Assim, difundia-se um ideal salvacionista, pautado pelo surgimento de um novo mundo espiritualista, que aconteceria a partir da implementação do “Estado Integral”. Esse Estado seria responsável pela condução do destino da nação e seria organizado a partir das forças produtoras nacionais, qualificando-se como Estado sindical-corporativo, alicerçado no autoritarismo, no nacionalismo e no corporativismo (Trindade, 2016)
OBJETIVOS
- Analisar o governo de Getúlio Vargas, suas origens, formas de organização e possíveis vínculos com a ideologia fascista.
- Compreender, a partir de um grupo focal, se existe alguma evidência que nos permita identificar a prática política conservadora/reacionária da Era Vargas
DESENVOLVIMENTO
Durante a década de 20, se inicia um processo emergencial de grupos políticos, autoritários em prática, que se manifestaram em oposição à estrutura liberal-oligárquica que fora estabelecida na Primeira República (1889-1930), na qual detinha o controle fraudulento do voto, da apatia política, da ausência de competição eleitoral e desrespeito aos direitos das minorias (VISCARDI, 2016). Nesse contexto, instituiu-se um processo político assinalado pela instabilidade política, em que teve como predomínio o discurso de crise em relação ao liberalismo oligárquico. Sendo assim, atores políticos de variados grupos, visando a recuperação da nação, passaram a defender projetos de Estado a fim de solucionar os problemas nacionais.
À vista disso, desencadeou-se a Revolução de 30, onde forças políticas lideradas por Getúlio Vargas chegaram ao poder, dando início a um governo provisório na Segunda República brasileira (1930 - 1937): “com um vago programa autoritário e antioligárquico, depois de ter assumido o poder, o governo provisório de Vargas não teve pressa em estabelecer uma nova ordem constitucional, e em vez disso rapidamente começou a fortalecer o poder central” (PINTO, 2021).
O governo provisório de Vargas então em vigência, foi eleito em Assembléia Nacional Constituinte para exercer um mandato até as novas eleições de 1938, que foram frustradas pela instauração da ditadura estadonovista em 1937. Em seu segundo governo (1934 - 1937), Vargas encontrou uma série de crises, marcadas pela polarização política e tensões entre projetos que buscavam o restabelecimento da ordem liberal ou o reforço do autoritarismo. É válido ressaltar que para a solução das crises capitalistas a burguesia impõe medidas que atingem diretamente os direitos dos trabalhadores. Portanto, qualquer avanço democrático, no sentido de ampliação das conquistas dos trabalhadores, acaba sendo um obstáculo para as pretensões da acumulação capitalista. Para alcançar seus interesses, então, a burguesia apoia governos ditatoriais, que acabam por impor ao conjunto dos trabalhadores um controle social e político (pelas corporativas), perseguindo, prendendo e, na maioria das vezes torturando e eliminando aqueles que questionam a ordem ditatorial. Eis o caráter fascista que aflora na burguesia em momentos de crise capitalista, eis também o ocorrido na durante a Revolução de 30 e todo o período da Era Vargas.
Nesse cenário de inúmeras conturbações, Getúlio endureceu seu discurso e ampliou os aparelhos repressivos do Estado (PINTO, 2021). Além disso, foram instauradas as primeiras corporativas brasileiras, tornando-se constitucionais com a promulgação da carta de 1934, em que se estabeleceu uma representação profissional (VISCARDI, 2019). Ademais, outros projetos corporativos foram pensados para o Brasil nos anos de 1930. Dentre eles, destaca-se a proposta de Plínio Salgado, que apresentou o “corporativismo integral” como uma das bases de seu projeto de Estado. Os integralistas apareceram nesse cenário com um planejamento de Estado puramente fascista e constituíram a maior expressão do fascismo extraeuropeu (PINTO, 2021). Já Getúlio, desenvolveu determinado projeto, também corporativista, amparado em pautas trabalhistas, que foi concretizado com a implementação do Estado Novo. A ditadura estado-novista pode ser considerada um regime “para fascista”, ou seja, um regime que
Por mais ritualístico que seja o seu estilo de política, por mais bem orquestrado que seja seu culto ao líder, por mais palingenética que seja sua retórica, por mais implacável que seja seu aparato de terror, por mais temível que seja sua liga paramilitar oficial, por mais dinâmica que seja a sua organização juvenil ou monolítico seja seu partido de Estado, ele reagirá ao fascismo genuíno como ameaça e, embora possa ser forçado a buscar a cooperação de um movimento fascista para garantir apoio populista ou afastar inimigos comuns (notadamente o socialismo revolucionário), este regime aproveitará a primeira oportunidade para neutralizar este fascismo (GRIFFIN, 2006, p. 161).
Apesar de não se configurarem com regimes fascistas nos mesmos termos, estes “para fascismos” se referem a governos que sofreram processos de fascistização a partir da influência de ideias em circulação no período entreguerras, como são as desenvolvidas pela Itália e a Alemanha nazista. No caso da Era Vargas, o governo foi construído em torno de um discurso fortemente nacionalista e autoritário, com elementos corporativistas, o que era convergente com o proposto pelos integralistas.
No período antecedente ao Estado Novo, as relações entre os integralistas e Getúlio Vargas eram confusas e duvidosas. O contato da AIB com o governo ocorria principalmente por meio da proximidade de um inimigo em comum: o comunismo. Portanto, ambos estavam em busca do poder a fim de instituir suas propostas de Estado, o que acabava gerando divergências na maioria das vezes (GONÇALVES, 2017)
[O integralismo] tentava impedir qualquer tipo de supremacia partidária oligárquica estadual, ou até mesmo entre opositores esquerdistas - os comunistas do PCB, os aliancistas da Aliança Nacional Libertadora (ANL), criado no mesmo período da oficialização partidária da AIB e colocada na ilegalidade em julho de 1935, ou até mesmo da Frente Única Antifascista (FUA), existente desde 1933 (GONÇALVES, 2017, p. 97)
Ocorre uma radicalização em relação ao anticomunismo: embates entre o integralismo e seus opositores passaram a ser inevitáveis, desenvolvendo-se não só no campo verbal, mas também conflitos armados. A partir desse cenário, o anticomunismo presente no discurso integralista torna-se um elemento de ligação com o governo de Getúlio (GONÇALVES, 2017). Em um artigo no jornal integralista “A Offensiva”, Plínio Salgado aconselhou Vargas em relação às atividades comunistas no cenário nacional:
O comunismo já não é infelizmente entre nós uma ficção intelectual, entretida pelos que se dão ao estranho gosto de ler a literatura social inspirada nos postulados do credo rubro de Moscou. Já passou desse período, tendo abandonado o terreno das vagas aspirações espirituais pelo de uma realidade que reclama a ação do Estado, dada a sua evidente gravidade [...] Ao invés de andar timidamente dentro dos artigos da Constituição, precisa o governo encarar o comunismo como um perigo nacional, exigindo providências radicais e extremas (SALGADO, 1934)
Aliados ao anticomunismo, ocorria a convergência em torno de um projeto de Estado corporativo. Em outra revista integralista, intitulada como “Panorama”, havia intelectuais que atuavam ativamente nos governos varguistas, desempenhando papéis decisivos na institucionalização do corporativismo, onde eram convidados a publicar textos acerca de questões nacional-corporativas.
Analisando essas publicações integralistas, é possível encontrar posições positivas em relação ao governo de Vargas, que resultaria na instauração de uma ditadura no Brasil. Em uma dessas revistas, “Anauê!”, apresentaram uma imagem do diretor da Secretaria de Doutrina e Estudos da AIB discursando em favor do governo no Teatro Municipal de São Paulo:
Os oradores que se fizeram ouvir expressaram com fidelidade o espírito do atual momento brasileiro, as aspirações do nosso povo nesta hora importante da nossa vida [...] vieram demonstrar de público que o seu apoio ao Presidente da República exprime o sentimento de todo o país na repulsa ao imperialismo russo. E ao mesmo tempo a vontade nacional no sentido de se criar o Brasil novo encheu na noite do dia 3 de Novembro o Teatro Municipal, do legítimo espírito revolucionário que a jornada de 30 tanto contribuiu para suscitar no Brasil (ANAUÊ!, 1937).
Por mais que o integralismo apresentasse um projeto de Estado próprio, desvinculado com o planejamento de Vargas, o discurso foi, em certa medida, adaptado no período que antecede a instauração da ditadura varguista. Plínio Salgado, por exemplo, retirou sua candidatura à Presidência da República para as eleições que ocorreriam em 1938, o que sinaliza um aparente apoio a Vargas. Esse movimento conciliatório dos integralistas não se conformou ao acaso. Foi decorrente de uma manobra política articulada por Getúlio Vargas a fim de angariar apoio integralista. Em um momento de “ameaça esquerdista/comunista”, estabeleceu-se o Plano Cohen, organizado por Olympio Mourão Filho (integralista e capitão do exército):
O objetivo era buscar uma unidade entre os anticomunistas por meio de um forte discurso conspiracionista. Dessa forma, o chefe do Estado-Maior Goés Monteiro noticiou, no programa radiofônico Hora do Brasil, a descoberta de um plano cujo objetivo era derrubar o presidente Getúlio Vargas. Todos eram categóricos de que o documento foi arquitetado entre membros do PCB e as organizações comunistas internacionais. Após o programa de rádio, o medo transformou-se em terror e pânico. A histeria foi geral. O que a população não sabia é que o plano era uma fraude (GONÇALVES; CALDEIRA NETO, 2020).
Essa situação possibilitou um endurecimento do discurso de Vargas e foi utilizado para legitimar o golpe de Estado de novembro de 1937. Nesse sentido, a presença integralista no processo de organização para a implementação do Estado Novo era visível, o que foi uma movimentação que representou um elemento de esperança e ajudou a intensificar o contexto da época, na qual Getúlio Vargas desenrolava um claro processo de manipulação: prometeu que Plínio Salgado entraria oficialmente no governo após o golpe, sendo responsável pelo Ministério da Educação (GONÇALVES, 2017).
Este acordo, mediado pelo ministro da Justiça Francisco Campos, possibilitou o contato dos integralistas com o texto da Constituição de 1937 antes mesmo de ela ser outorgada. Em carta a Ribeiro Couto, o chefe integralista demonstrou conhecimento prévio sobre a Carta e indicou que “a elaboração da Carta Constitucional [...] foi discutida e trabalhada em minha casa” (SALGADO, 1940). Além disso, enunciou que “[...] fui ouvido sobre a nova constituição brasileira e essa constituição coincidir com muitas das idéias integralistas” (SALGADO, 1934). Ademais, o próprio presidente indicou o contato com os integralistas em seus diários: “Plínio Salgado, nos entendimentos com o ministro da Justiça, mostrou-se de inteiro acordo com a dissolução dos partidos políticos, inclusive do integralismo, e sua entrada para o Ministério” (VARGAS, 1995).
Portanto, é claro um diálogo entre integralistas e Getúlio Vargas sobre a Constituição de 1937 que regulamentava o Estado Novo a partir de bases corporativas, o que era favorável às posições integralistas em relação aos rumos da nação brasileira. Portanto. quando instaurado o golpe de Estado, Getúlio Vargas não deu poder à Salgado, o que demonstra que apenas utilizou da força política dos militantes integralistas para auxiliar na consolidação da ditadura estado-novista (GONÇALVES; CALDEIRA NETO, 2020)
SOBRE AS CORPORAÇÕES
No desenvolvimento de uma escalada autoritária na qual o Brasil passava no período entreguerras, como também toda a Europa num geral, funda-se a Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1932. Para além desse grupo autodenominado fascista, o próprio governo de Getúlio Vargas caminhava em direção ao autoritarismo, criando um projeto nacional-estatista de inspiração corporativa. Processo que culminou em uma ditadura no país, conhecido como “Estado Novo”.
Vargas introduziu uma nova forma política autoritária e antidemocrática no Brasil: o trabalhismo. Tal feitio se configurava como um projeto de incorporação política dos trabalhadores brasileiros por meio de uma representação corporativa. Segundo Ângela de Castro Gomes, o sucesso do projeto político estatal do “trabalhismo”, pode ser explicado pelo fato de ter tomado do discurso articulado pelas lideranças da classe trabalhadora, durante a Primeira República, elementos-chaves de sua autoimagem e de os ter investido de novo significado em outro contexto discursivo. Assim, o projeto estatal que constitui a identidade coletiva da classe trabalhadora articulou uma lógica material, fundada nos benefícios da legislação social, com uma lógica simbólica, que representava estes benefícios como doações e beneficiava-se da experiência de luta dos próprios trabalhadores.
Pode-se encontrar também, na Constituição de 1937, tais projetos nacionalistas na qual Getúlio Vargas propôs a desenvolver em seu governo “revolucionário”. Segundo o Art.19: “A economia da população será organizada em corporações, e estas, como entidades representativas das forças do trabalho nacional, colocadas sob a assistência e a proteção do Estado, são órgãos destes e exercem funções delegadas do Poder Público”, sendo assim, é de suma importância analisarmos o verdadeiro significado do que foi, e ainda é, o corporativismo na sociedade capitalista.
O corporativismo da teoria econômica fascista exige a organização de cada um dos principais setores da indústria, agricultura, profissões e artes. Esses setores se organizam em sindicatos controlados pelo Estado, e representam os interesses gerais de suas profissões em uma assembleia maior de corporações, ou “parlamento corporativista”. Instituições corporativas substituem todas as organizações independentes de trabalhadores e empregadores, e o parlamento corporativo substitui os representantes tradicionais e órgãos legislativos. Em teoria, o modelo corporativista representa uma “terceira via” entre o capitalismo e o comunismo, permitindo a cooperação harmoniosa de trabalhadores e empregadores para o bem da nação como um todo. Porém, na prática, tal organização é usada para destruir os movimentos trabalhistas e suprimir a dissidência política.
GRUPO FOCAL
Para uma melhor análise e compreensão dos objetivos propostos no presente trabalho, fez-se necessário a utilização de um grupo focal. Tal técnica de pesquisa nos permitiu tirar conclusões sobre o tema apresentado. O grupo focal contou com 2 participantes com faixa etária de 25 à 30 anos, na qual não devem ser identificados, e 2 entrevistadores, sendo eles: Laura F. Guirro e Luís F. C. Trevisan.
ROTEIRO UTILIZADO PARA AS ENTREVISTAS
- O que você sabe sobre a Era Vargas?
- Você acha que a chamada “Revolução de 30” foi realmente uma Revolução? Se não, pode considerá-la como sendo um golpe?
- Você acha que o governo varguista possuia ideologias de esquerda ou de direita?
- O que você sabe sobre o Integralismo?
- Para você, o integralismo possui uma ideologia de esquerda ou direita?
- Você acha que o Integralismo possui alguma relação com a Era Vargas?
- Você acredita que o governo varguista possuiu mecanismos de manipulação ideológica com a população?
- Quais os feitos de Getúlio você se lembra?
- Conhecem algum feito do integralismo no país?
RESPOSTAS OBTIDAS NA ENTREVISTA
1º Getúlio Vargas foi um ditador que tinha queimado café durante o seu governo. Morreu com um tiro na cabeça. Forjou o próprio suicídio, mas não se sabe ao certo se o fez ou se o mataram, questão que fica no ar até os dias de hoje. Ele era uma pessoa ruim, tinha bastante fome de poder. Era realmente um ditador, possuía todas as características de ditador.
2º Foi um golpe armado, lembro que criou uma história que o vice de João Pessoa havia falecido, fez isso para conseguir tomar o poder do Brasil.
3º Ideologias de direita.
4º Antes de estudar sobre, achava que o Integralismo era algo bom, mas se trata do facismo brasileiro. Tinham como objetivo colocar o catolicismo como sendo a religião “oficial” e um líder unitário no país.
5º De direita, até por querer agregar todos os poderes na mão de uma única pessoa.
6º Sim, ajudou Vargas na tomada do poder, mas posteriormente tentaram o matar. Depois que Vargas instaurou sua ditadura, tentaram seu assassinato (Ortega).
7º Com certeza, repressão com quem não ia de acordo, repressão contra opositores. O governo internamente era manipulado. Foi oferecido migalhas para população. Golpes consecutivos para manutenção do poder em suas mãos.
8º Queima de café e o fato de ser um ditador. Foi ele quem fez legislações que beneficiaram os trabalhadores, investiu em educação pública, previdência, ferrovias, etc. Deu início ao concurso público. Inseriu representantes governamentais dentro de sindicatos e posteriormente os colocou para trabalhar em conjunto ao governo. Utilizou forte propaganda via rádio.
9º Possível atentado contra Vargas. Foram perseguidos por ele. Agiram de forma clandestina por irem contra ao partido único instaurado por Vargas
CONCLUSÃO
Portanto, de acordo com as análises feitas a partir dos resultados obtidos na realização do grupo focal, compreendemos que o golpe de Estado de Getúlio Vargas, conhecido como “Revolução de 30”, não foi de fato uma revolução da classe trabalhadora, mas uma tomada do poder pela hegemonia oligárquica cafeeira da época. Ademais, desmistificando o mito de um “governo revolucionário de esquerda”, a Era Vargas, na realidade, foi um movimento ditatorial anticomunista e reacionário.
Tal visão conturbada sobre o período, que faz com que a massa da população brasileira pense que o “pai dos pobres” desempenhou um papel fundamental na vida da classe subalterna, se dá pela política de pós-verdade na qual confunde e complexifica tal governo. Getúlio aproximava-se dos trabalhadores apenas quando lhe faltava a concordância com as classes dominantes, como também dependia do apelo delas para continuar no poder ou, ao menos, ter uma saída digna do poder. A política da pós-verdade pode ser entendida como enganosa e mentirosa, mas a novidade associada a esse neologismo consiste na popularização das crenças falsas e na facilidade para fazer com que os boatos prosperem. Compreendemos tal questão nas organizações corporativas instauradas durante o período e a relação com a Ação Integralista Brasileira (AIB), que já foram explicitados no presente trabalho.
Ademais, também podemos perceber, através do grupo focal, que ocorre uma certa memória de esquecimento que atinge parte da sociedade que viveu esse período e também posterior a ele. Essa questão pode ser notada pelas respostas obtidas durante a entrevista, pois os participantes não se articularam o do porquê a Era Vargas era reacionária, mas sabiam que o governo não possuía ideologias de esquerda. Assim como o Integralismo e sua relação com o Estado Novo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Anauê!, Rio de Janeiro, n. 22, dez. 1937.
GONÇALVES, Leandro Pereira; CALDEIRA NETO, Odilon. O fascismo em camisas verdes: do integralismo ao neointegralismo. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2020.
GONÇALVES, Leandro Pereira. Plínio Salgado: um católico integralista entre Portugal e o Brasil (1895-1975). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2017.
GRIFFIN, Roger. Fascism: An Introduction to Comparative Fascist Studies. Cambridge: Polity Press, 2018.
GRIFFIN, Roger. The Nature of Fascism. London, and New York: Routledge, 2006
PINTO, António Costa. A América Latina na Era do Fascismo. Lisboa: Edições 70, 2021.
SALGADO, Plínio. Correspondência de Plínio Salgado a Ribeiro Couto, 28 fev. 1940. (FCRB/APEB-Pop: 28177).
TRINDADE, Hélgio. Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 1930. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2016
VARGAS, Getúlio. Diário (1930-1942). Vol. 2. São Paulo; Rio de Janeiro: Siciliano; FGV, 1995
VISCARDI, Cláudia Maria Ribeiro. Corporativismos: uma análise conceitual e historiográfica. In: ABREU, Luciano Aronne de; VANNUCCHI, Marco Aurélio (org.). Corporativismos ibéricos e latino-americanos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2019
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm
NOTAS DE RODAPÉ
1- Entre os países da Comunidade Europeia, destacamos o crescimento do partido FIDESZ (Partido União Cívica) a partir de 1998 na Hungria, sob a liderança de Viktor Orbán. Na Polônia, a partir de 2005 o PiS (Partido Lei e Justiça) passa a ser protagonista nas eleições. No final de 2019, as eleições parlamentares na Polônia indicaram uma ampla vitória do PiS com 43,8% dos votos, liderados por Jaroslaw Kaczynski. Na Croácia, Kolinda Grabar Kitarovic, do partido de centro-direita HDZ (União Democrática Croata), governa o país e controla o parlamento desde 2015. Na Bulgária, o primeiro-ministro Boyko Bolison e seu partido GERB (Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária) estão no poder desde 2009. No Reino Unido, os governos conservadores de David Cameron (2010-2016), Theresa May (2016-2019) e Boris Johnson (2019-2022) articularam e concluíram o Brexit. Na Itália o crescimento da adesão ao conteúdo político conservador/reacionário é galopante. É o que observamos desde 1994, quando Silvio Berlusconi e seu partido, Força Itália, chegam ao parlamento, até a esmagadora vitória nas eleições de 2018, da aliança entre esse mesmo partido, os Fratelli d’Italia e a Lega Nord, sob a liderança de Matteo Salvini. A direita conservadora está no poder na Alemanha desde 2005, com Angela Merkel, que concluiu seu mandato em 2021. Na Áustria, o FPÖ (Partido da Liberdade da Áustria) foi derrotado nas eleições de 2019, mas continua com grande base social. Na Grécia, o partido Nova Democracia, de centro-direita, acaba de vencer as eleições de 2019. Em outros países, mesmo que os governos eleitos não sejam declaradamente de direita ou extrema direita, tais partidos ganharam grande protagonismo nos últimos anos, é o caso do Agrupamento Nacional, de Marine Le Pen na França, e o Alternativa para Alemanha de Jörg Meuthen e Alexander Gauland.
2- A Batalha da Praça da Sé foi um conflito entre integralistas e antifascistas na cidade de São Paulo. Esta ocorreu em decorrência de uma comemoração marcada pelos integralistas no dia 7 de outubro de 1934 para comemorar dois anos da fundação da AIB. Havia um desfile de 10 mil integralistas programado em direção à praça da Sé, onde Plínio Salgado faria um comício e os militantes prestariam juramento ao chefe. A comemoração, entretanto, foi frustrada por organizações antifascistas, que se reuniram para um embate com os integralistas. Neste, houve vários mortos e feridos.