Ir para o conteúdo

Piracicaba Meteorológica/Nota sobre classificação do tornado de 07-12-2025

De Wikiversidade

Publicado em 20 de dezembro de 2025

A Piracicaba Meteorológica comprova cientificamente a classificação preliminar do tornado ocorrido em Rio das Pedras em 7 de novembro de 2025 como EF1, a partir de uma metodologia rígida fundamentada na análise convectiva do ambiente e em evidências visuais de superfície.

O diagnóstico técnico revela que o índice de Energia Potencial Convectiva Disponível (CAPE) atingiu valores superiores a 2000 J/kg, o qual, associado a uma taxa de resfriamento vertical de -7.5°C/km e temperaturas de superfície de 34 a 36°C com ponto de orvalho acima de 20°C, gerou uma Energia Potencial Descendente (DCAPE) de aproximadamente 1000 J/kg. Este cenário projetou ventos descendentes de 160 km/h, definindo a velocidade teórica do Rear Flank Downdraft (RFD) entre a base da nuvem (LCL ≈ 1,7 km) e o solo. Os modelos teóricos estimam probabilidade acima de 85% de que o tornado tenha tocado o solo em algum momento, considerando a intensidade da convergência em superfície e elevado potencial para rotação, o que é corroborado pela coluna de poeira levantada, evidência suficiente para consolidar o contato com a superfície.

Considerando que os ventos ambientais em escala sinótica eram reduzidos, não excedendo 10 km/h até o nível de 500 hPa, o cálculo de helicidade relativa e convergência foi ajustado para evitar subestimação. A análise de microescala aponta que o cisalhamento vertical do vento (CVV) entre 0-6 km superou 20 m/s, enquanto a helicidade relativa à tempestade (SRH) excedeu 250 m²/s², considerando uma aproximação do outflow do complexo multicelular em 60 km/h. Tais fatores, somados ao Índice de Helicidade Energética (EHI) entre 3 e 3,5, estabeleceram o ambiente dinâmico ideal para a tornadogênese.

A rotação interna no funil foi estimada a partir da velocidade vertical máxima teórica de 227 km/h. Aplicando a correlação empírica onde a velocidade máxima no funil de tornados de média intensidade varia entre 1,3 e 1,6 vezes a velocidade das rajadas do RFD circundante, obteve-se um intervalo entre 190 e 210 km/h. Embora tal intervalo sugira tecnicamente o patamar de um tornado EF2, a ausência de uma avaliação de danos estruturais em campo impede a confirmação definitiva desta categoria superior. Além disso, a densidade da coluna de poeira levantada, visível a uma distância de 20 km mesmo sob condições de solo relativamente úmido típicas da estação chuvosa, afasta a classificação de EF0. Consequentemente, a Piracicaba Meteorológica estabelece a classificação preliminar do evento como EF1, com base na consistência dos dados físicos e na magnitude do transporte de massa sólida observado.