EaD-FE-UnB/Potencialidades e Desafios do Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP): a visão do estudante

Fonte: Wikiversidade
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Resumo do Trabalho[editar | editar código-fonte]

O artigo trata de pesquisa qualitativa e quantitativa realizada sobre a percepção de qualidade do Programa Nacional de Formação em Administração Pública – PNAP sob o ponto de vista de seus alunos. O PNAP consiste em um curso de graduação à distância, com atividades presenciais, na modalidade bacharelado (em administração), com duração de oito semestres, no qual o aluno pode optar por três áreas de concentração: gestão governamental, de municípios ou de sistemas de saúde. Além disso, oferece pós-graduações (especializações) nessas três áreas.

Apresentação do Trabalho[editar | editar código-fonte]

Antes de tratarem especificamente do PNAP, as autoras fazem uma longa exposição sobre o crescimento da adoção do ensino à distância, principalmente no âmbito do ensino superior e suas consequências. Além disso, buscam explanar, com detalhes, o conceito de “qualidade”, no que se refere à avaliação de cursos, seja dos EAD como dos presenciais ou semipresenciais. Não obstante, ressalta a importância de que tal avaliação seja feita pelos próprios alunos dos cursos. De acordo com Mantovani e Gouvêa (2018, p. 382):

“As instituições de nível superior têm trabalhado em seu posicionamento, com vistas a diferenciar-se no mercado, a aumentar a lealdade do aluno e a reduzir as taxas de evasão. A evasão acarreta alto custo e ineficiência tanto para as instituições de nível superior, quanto para a sociedade. Nesse sentido, é relevante que as instituições atraiam alunos cujas necessidades e expectativas possam ser atendidas, pois isso ajuda a reduzir as taxas de desistência e transferência externa”.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP (2015), citados no texto, dos alunos matriculados no ensino superior, 17,1%, integravam cursos na modalidade EAD, já no ano de 2014. A adoção dessa modalidade tem ocorrido em todas as categorias de curso, incluindo graduação e pós-graduação lato e stricto sensu.

De acordo com Mantovani e Gouvêa (2018, p. 381 apud POHL, 2007), as vantagens dos cursos EAD seriam: “a flexibilidade temporal e espacial – já que o aluno pode realizar as atividades do curso de qualquer local, nos momentos que lhe forem mais apropriados – e a interatividade com os professores, colegas e com os materiais do curso – que devem ser projetados e desenvolvidos para essa modalidade educacional”.

Por outro lado, no campo das dificuldades, está a motivação e disciplina individual do aluno, de forma que deve haver uma preocupação esmerada no desenvolvimento do material, em conformidade com as necessidades do público-alvo, um reforço nas interações entre aluno-aluno e aluno-professor, tanto assíncronas, quanto síncronas, com mais destaque na segunda e um ambiente virtual de aprendizagem que seja estável e de fácil acesso e entendimento.

Não se pode apenas esperar o crescimento indiscriminado dos cursos EAD, mesmo que haja muitas vantagens em sua oferta pelas instituições de ensino superior. Deve-se primar pela qualidade e como ela é percebida pelo público-alvo dos cursos, principalmente seus próprios alunos. Segundo Mantovani e Gouvêa (2018, p. 381 apud SIMIÉ, CARAPIÉ, 2008), “A qualidade é um fator-chave para a competitividade e sustentabilidade das instituições de ensino, tanto presencial quanto a distância. O conceito de qualidade em serviços é abstrato e se relaciona com a atitude do indivíduo, sua satisfação e experiência com o serviço”.

Antes de se mensurar a qualidade de um curso, independentemente de sua modalidade, é necessário entender o que é necessariamente o conceito de qualidade e como ele se aplica no contexto da avaliação de cursos, que é essencialmente diferente daquela de um produto material, por exemplo. As autoras mencionam que os cursos, em si, se caracterizam pela:

- Intangibilidade

- Heterogeneidade

- Inseparabilidade

De acordo com Mantovani e Gouvêa (2018, p. 384 apud LAM, 2002), “deve-se considerar também que a percepção de qualidade é influenciada por fatores culturais, demográficos e mesmo individuais, como os interesses do indivíduo”.

Em termos de qualidade de cursos presenciais por exemplo, as autoras citaram as pesquisas de Simié e Carapié (2008) e de Jager e Gbadamosi (2009), que, em suma, mencionam como dimensões de qualidade aspectos como a infraestrutura oferecida, a qualidade do corpo docente, o apoio às necessidades do aluno para a realização do curso, reputação da instituição, segurança, localização, oferecimento de currículos com padrão de qualidade reconhecido, preço acessível etc.

No caso da educação à distância, há fatores diferentes envolvidos. Segundo Mantovani e Gouvêa (2018, p. 388 apud PELTIER, SCHIBROWSKY e DRAGO, 2007) haveria seis dimensões “que influenciam a percepção de um curso à distância online (...)

- Interação aluno-aluno;

- Interação aluno-professor;

- Suporte e mentoring do professor;

- Qualidade na entrega do curso (tecnologias empregadas);

- Conteúdo;

- Estrutura do curso”.

Entre dimensões citadas, destacam-se, como de maior interesse para os alunos a questão do conteúdo do curso, com técnicas que estimulem o estudante a aprender de forma ativa e não passiva, a rápida resposta entre esses e os professores tutores, seja de forma síncrona ou assíncrona e as tecnologias empregadas para o funcionamento do curso, que se forem precárias, atrapalham todo o processo e dificultam o aprendizado. Assim, de acordo com Mantovani e Gouvêa (2018, p. 388): “A capacidade de oferecer um serviço educacional de qualidade que atenda ou exceda as expectativas dos alunos é determinante para a obtenção de estudantes satisfeitos e leais”.

No âmbito da Educação à Distância pública, o maior empreendimento é a Universidade Aberta do Brasil – UAB, criada em 2006, que aumenta a oferta de vagas em todas as regiões do país. De acordo com Mantovani e Gouvêa (2008, p. 383), “O sistema articula instituições de ensino superior públicas e governos estaduais e municipais, que em parceria oferecem a estrutura necessária para a oferta dos cursos em diferentes áreas do conhecimento. Entre as iniciativas da UAB, destaca-se o Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP), (...), que apresenta por objetivo a formação de gestores para a área pública”.

O PNAP consiste em um curso de graduação à distância, com atividades presenciais, na modalidade bacharelado (em administração), com duração de oito semestres, no qual o aluno pode optar por três áreas de concentração: gestão governamental, de municípios ou de sistemas de saúde. Além disso, oferece pós-graduações (especializações) nessas três áreas.

Seu primeiro edital foi aberto no ano de 2009. Podem aderir ao PNAP as Instituições Públicas de Ensino Superior que compõem o Sistema UAB, para a oferta desse Programa em todo o território nacional, por meio da rede de polos de educação a distância do Sistema UAB. Assim, não são cursos completamente à distância. Há a necessidade de comparecer aos polos presenciais com uma periodicidade definida, principalmente quando são ministradas as disciplinas da área quantitativa, em que se verifica haver mais dificuldade por parte dos alunos.

A seleção dos alunos é realizada por meio de vestibular. Os materiais e aulas são disponibilizados via moodle, no qual há a abertura de fóruns de discussão e chats para interação aluno-aluno, aluno-professor e também é o ambiente pelo qual os trabalhos são enviados e as provas realizadas. De acordo com Mantovani e Gouvêa (2018, p. 392-393), “A estrutura de gestão do curso inclui um coordenador, um vice-coordenador e um coordenador de tutoria. O coordenador e o vice-coordenador são responsáveis pela gestão do curso e obediência às diretrizes do Ministério da Educação e da UAB. O coordenador de tutoria é responsável por liderar a equipe de tutores online e presenciais”.

Após a apresentação dos pressupostos teóricos, as autoras passam a tratar dos pressupostos metodológicos e dos resultados da pesquisa, que como já foi dito, visa captar as percepções de qualidade do Programa Nacional de Formação em Administração Pública – PNAP sob o ponto de vista de seus alunos, com o ulterior objetivo de traçar as potencialidades e desafios dessa empreitada:

- Pesquisa de design misto: qualitativa e quantitativa

- Coleta de dados online por meio de um questionário eletrônico disponibilizado pela plataforma Google Drive

- Parte 1: Levantamento das variáveis demográficas e características pessoais do estudante

- Parte 2: Perguntas sobre avaliação da qualidade percebida pelo aluno, satisfação, lealdade, percepção sobre a organização do curso, interação com os colegas e estrutura de apoio ao curso, com opção de resposta em escala de concordância Likert de cinco pontos, em que 1 = discordo totalmente e 5= concordo totalmente

- Parte 3: Fase qualitativa da pesquisa na qual o estudante foi convidado a expressar livremente seus comentários acerca do PNAP

- Coleta de dados: mês de maio de 2012.

- Respostas de nove instituições de ensino que faziam parte do PNAP

As dimensões avaliadas na pesquisa referente ao curso de bacharelado foram: segurança, empatia, confiabilidade, presteza, conteúdo do Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA, qualidade geral, satisfação, lealdade, organização do curso, interação com os colegas e estrutura de apoio. A amostra teve 593 participantes, sendo que 50, 1% do sexo masculino e 40,9% do sexo feminino. Também tiveram que fornecer informações sobre sua idade, experiência prévia com EAD, estado civil, tempo dedicado ao curso, status profissional, apoio da família, do empregador (caso houvesse) e instituição ao qual estavam vinculados. Cabe citar alguns resultados encontrados para essas variáveis:

- 25% dos alunos com idade acima de 41 anos

- Média de 8,9 para o suporte da família na realização do curso e de 6,4 para o apoio do empregador (escala de 0 a 10)

- 93,6% trabalham

- Carga média de trabalho de 41,7 horas semanais

- PNAP foi a primeira experiência com a educação não presencial para 78,6% dos estudantes.

- A dedicação média ao curso foi de 12,8 horas por semana

- 45,4% deles necessitam deslocar-se para outros municípios a fim de comparecer às atividades presenciais

- 42,8% dos alunos pesquisados cursava o terceiro ano do curso

- Região Sudeste: 41% dos pesquisados

- Região Nordeste: 26,6% dos pesquisados

- Região Sul: 26,1% dos pesquisados

- Região Centro-Oeste: 6,2% dos pesquisados

- Região Norte: nenhuma Instituição de Ensino que oferecia o PNAP nessa região aceitou participar da pesquisa.

No tocante aos resultados das dimensões avaliadas na pesquisa quantitativa, considerando-se a escala Likert de cinco pontos, os resultados foram:  

- Segurança: 3,6

- Empatia: 3,4

- Presteza: 3,3

- Confiabilidade: 3.6

- Conteúdo do AVA: 3,6

- Qualidade Geral: 3,7

- Satisfação: 4,0

- Lealdade: 4,0

- Organização do Curso: 3,8

- Interação com os colegas: 3,2

- Estrutura de Apoio: 3,6

Mantovani e Gouvêa (2018, p. 398) avaliam os resultados da pesquisa da seguinte forma:

“Observa-se escore médio mais elevado para as dimensões satisfação e lealdade, isto é, em média os estudantes consideram-se satisfeitos com a escolha do PNAP para sua formação superior e possuem a intenção de finalizar o curso e recomendá-lo a sua rede de influência. Para as demais dimensões, as notas médias foram acima de 3,0, o que sugere uma percepção com tendência favorável em relação à qualidade e organização do curso, interação com os colegas e estrutura de apoio”.

Por fim, as autoras registram as impressões qualitativas dos alunos referentes à etapa 3 da pesquisa, em que apresentam as vantagens do curso, tais como:

- Inclusão (facilita o acesso ao ensino superior)

- Não há necessidade de abrir mão do convívio familiar

- Acessibilidade

- Flexibilidade de horários

- Imparcialidade na correção das provas

- Qualidade do ensino

No que se refere aos aspectos negativos, pode-se citar:

- Necessária grande carga de motivação por parte dos alunos

- Solidão dos alunos (falta de interação entre os participantes do curso e entre estes e os tutores)

- Exige muito tempo de estudo

- Falta de disciplina para organização dos estudos

- Não são disponibilizadas vídeo-aulas

- Sem incentivo para fóruns e trabalhos conjuntos

- Falta da figura do professor presencial

- Excesso de atividades avaliativas

Conclusão do Trabalho[editar | editar código-fonte]

Com relação à fase quantitativa da pesquisa, as categorias de satisfação e lealdade ao curso tiveram notas maiores. As outras categorias oscilaram entre três e quatro pontos. Assim, ao mesmo tempo que os alunos se expressaram satisfeitos com o curso e com a intenção de concluí-lo, nos outros aspectos, tais como: qualidade, interação com os colegas e estrutura de apoio são passíveis de melhorias.

No que se refere à parte qualitativa da pesquisa, os aspectos mais encontrados foram a dificuldade de auto-organização dos estudos e a falta da dinâmica das aulas presenciais, com consequente sentimento de isolamento em relação aos colegas e os professores (tutores). De acordo com Mantovani e Gouvêa (2018, p. 407):

“Os achados da pesquisa qualitativa, além de corroborar os resultados da etapa quantitativa, demonstram o sucesso do PNAP em sua primeira iniciativa de implantação. Contudo, vale destacar que a pesquisa levou em conta apenas alunos ativos que participaram voluntariamente do estudo. Estes alunos, possivelmente, são mais motivados e isto pode ter influência nos resultados obtidos. Sugere-se o acompanhamento dos evadidos como forma de identificação de potenciais problemas adicionais não diagnosticados pela presente pesquisa”.

Análise[editar | editar código-fonte]

O Programa Nacional de Formação em Administração Pública - PNAP é uma grande iniciativa da Universidade Aberta do Brasil – UAB, pois como já foi dito, visa levar formação superior em Administração Pública para regiões do Brasil com pouco ou nenhum acesso a ela. Universidades públicas e governos municipais e estaduais se consorciam a fim de fazer frente a essa empreitada.

A presente pesquisa buscou avaliar as “potencialidades e desafios” do PNAP, o que propicia uma análise da efetividade e eficácia do programa, principalmente em termos da qualidade dos cursos oferecidos sob a ótica dos próprios alunos. No contexto atual, em que a educação superior à distância está ganhando cada vez mais espaço, tal análise é indispensável para se verificar se o PNAP (e a própria UAB) está atingindo seus objetivos e se ele deve continuar sendo oferecido e as providências que devem ser tomadas para sua expansão, se necessário.

As referidas “potencialidades e desafios” descritos no artigo, que tem o cuidado de “dar voz” aos anseios e percepções dos alunos, assim como a análise das características que foram levantadas sobre o público-alvo, além da metodologia da pesquisa e revisão bibliográfica com foco na qualidade de cursos podem servir de parâmetro para avaliações de outros cursos à distância e iniciativas afins, ou inclusive para estimular que se realizem pesquisas sobre o tema com maior regularidade.

Crítica[editar | editar código-fonte]

O artigo em comento separa apenas uma pequena parte para explicar o que é o PNAP e como funciona. Para entender melhor o programa, foi necessário fazer uma pesquisa na página da UAB na internet. As autoras, que fizeram ampla revisão teórica, podiam ter se incumbido de explanar melhor sobre o próprio PNAP.

Os resultados da parte quantitativa da pesquisa não foram tão elucidativos no que se refere ao diagnóstico do PNAP quanto às impressões apresentadas pelos alunos na fase qualitativa da pesquisa. Assim, sugere-se que talvez deva haver uma modificação na escala a ser utilizada para detectar melhor as nuances relativas à satisfação, qualidade geral, confiabilidade, lealdade e organização do curso.

Isso porque os resultados para satisfação e lealdade, por exemplo, obtiveram escore alto, mas não se distanciaram muito da média encontrada para conteúdo do AVA e qualidade geral. Entretanto, houve muitas reclamações quanto ao conteúdo nada interativo do AVA (ausência de vídeo-aulas por exemplo) e também muitos alunos demonstraram ter dificuldades de autodisciplina e organização, aspecto muito importante a ser levado em conta nos cursos EAD. Sugere-se, então, que se inclua também na pesquisa quantitativa perguntas para avaliar o nível de auto-organização dos alunos e não apenas da instituição.

Referências[editar | editar código-fonte]

MANTOVANI, Daielly Melina Nassif e GOUVÊA, Maria Aparecida. Potencialidades e Desafios do Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP): a visão do estudante. In: DURAN, Maria Renata da Cruz, AMIEL, Tel e COSTA, Celso José da (Orgs.). Utopias e distopias da tecnologia na educação à distância e aberta [recurso eletrônico]. Niterói, RJ : CEAD/UFF, 2018. P. 379-410. Disponível em: <https://zenodo.org/record/1328233#.XLakX5NKjVo>. Acesso em: 17 abr. 2019.