Relatório sobre a incidência de chuvas de granizo na Região Metropolitana de Piracicaba
Publicado em 7 de junho de 2025
Este relatório breve e preliminar aborda a crença popular e a evidência empírica sobre a alta incidência de chuvas de granizo em Piracicaba, especialmente quando comparada a outras cidades paulistas. A análise leva em consideração um histórico de eventos, fatores geográficos, além de diferentes fontes de documentação.
A percepção de que Piracicaba é uma das cidades paulistas com maior documentação e propensão a chuvas de granizo tem se fortalecido, impulsionada pelo aumento nos episódios desde 2022. Ademais, já se observava uma alta frequência de eventos entre 2008 e 2013. Por outro lado, o período de 2014 a 2021 foi marcado por uma sequência de anos com anomalia de alta pressão atmosférica, apresentando uma redução no número de eventos.
Para uma análise comparativa, foram consideradas cidades com histórico semelhante de eventos, incluindo São Paulo, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Ribeirão Preto. Estas foram comparadas com as cidades que integram a Região Metropolitana de Piracicaba (RMP). Botucatu e Laranjal Paulista, apesar de não fazerem parte politicamente da RMP, foram incluídas na análise como parte da Região de Piracicaba devido à sua proximidade geográfica e relevo semelhante.
No caso de Piracicaba, optou-se por desconsiderar os dados anteriores a 2008 devido à escassez de registros, bem como o período de 2016 a 2019, que foi marcado por anomalias nos padrões atmosféricos. A análise se baseou em fontes diversas, incluindo registros da imprensa local e estadual, além da lista elaborada pelo grupo Piracicaba Meteorológica, cujo período documenta ocorrências de granizo na cidade desde 1995 -- embora a Piracicaba Meteorológica tenha sido criada em 2023 --, e dados recentes do PREVOTS (Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas).
É importante ressaltar que a comparação com cidades próximas visou evitar que a boa documentação meteorológica de Piracicaba inflacionasse artificialmente seus dados. Além disso, foi realizada uma simulação que excluiu os casos de granizo que passaram despercebidos pela mídia e foram registrados apenas por observadores de tempestades dedicados.
Análises anteriores já indicavam que a RMP, e em particular uma região que abrange municípios como Piracicaba, Limeira, Laranjal Paulista e Botucatu, é altamente propícia a tempo severo. Isso se deve, principalmente, à localização na Depressão Periférica Paulista, que acumula bastante calor; à presença de uma bacia hidrográfica, a qual permite a elevação da umidade relativa do ar local; ao relevo relativamente plano; e à alta propensão ao cisalhamento vertical do vento. Essa combinação cria condições favoráveis para a formação de tempestades severas com granizo.
Com base nas análises, conclui-se que a RMP como um todo é bastante propensa a chuvas de granizo. No entanto, os registros se concentram mais em Limeira, Rio Claro, Piracicaba e Rio das Pedras. Botucatu também apresenta uma frequência alta. O destaque, contudo, recai sobre Piracicaba e Limeira. Piracicaba ocupou o segundo lugar em documentações de granizo no estado de São Paulo nos últimos anos, com seis registros somente em 2024 e quatro até março de 2025. A cidade fica aquém apenas de São Paulo e chega a superar Campinas nesse período. Limeira também possui um número elevado de ocorrências, com cinco registros apenas em 2023.
Segundo dados do PREVOTS, a Região Metropolitana de São Paulo apresenta um volume muito elevado e concentrado de registros, sendo a área mais ativa do estado. A Região Metropolitana de Campinas também supera a RMP em quantidade de eventos, mas a RMP se posiciona à frente de regiões como as regiões geográficas intermediárias de São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, onde os episódios são mais dispersos e menos frequentes.
Ao considerar os números históricos, nem Piracicaba nem Limeira superam Campinas em termos absolutos. Além disso, quando os casos de granizo documentados exclusivamente por observadores de tempestades são excluídos, a incidência de Limeira se mostra maior que a de Piracicaba. Para Limeira, essa exclusão não altera significativamente os números, mas para Piracicaba, que conta com uma rede ativa de meteorologia voluntária, vários dos registros entre 2022 e 2025 desaparecem sem os relatos desses observadores. Limeira, por outro lado, não conta com uma rede de meteorologia voluntária própria, dependendo de voluntários piracicabanos ou divulgação jornalística para a confirmação dos registros. Mesmo assim, a frequência de Piracicaba permanece alta; em 2024, por exemplo, o número de registros cai de seis para três, o que ainda é consideravelmente elevado.
Levando em consideração os registros absolutos dos últimos anos, a cidade de São Paulo é, disparadamente, a que possui a maior documentação de eventos de granizo no estado, seguida por Piracicaba em segundo lugar e Campinas em terceiro. Na sequência, também considerando os números absolutos, São José dos Campos ocupa a quarta posição, enquanto Limeira aparece em quinto lugar — pois, embora Limeira tenha registrado cinco eventos em 2023, houve uma queda significativa na quantidade de registros a partir de 2024.
No contexto do interior paulista, Piracicaba se destaca como a cidade com maior número de registros de granizo. Portanto, conclui-se que tanto Piracicaba quanto Limeira estão entre as cidades do estado de São Paulo mais propensas a chuvas de granizo, sendo os principais polos no interior paulista em termos de frequência desses eventos.
A Região Metropolitana de Piracicaba (RMP) é apontada como uma das áreas mais propícias para a ocorrência de granizo no estado, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e, possivelmente, da Região Metropolitana de Campinas (RMC). O Vale do Paraíba aparece logo na sequência da RMP em termos de frequência desses eventos.
Contudo, quando observados os números absolutos desde 2022, Piracicaba supera Campinas, consolidando-se como a cidade de médio porte com maior incidência documentada de granizo no estado. Dessa forma, é possível afirmar que Piracicaba e Limeira se destacam nos relatos de chuvas de granizo no interior paulista, liderando a frequência de episódios entre cidades de médio porte.