SÍNTESE DA AULA: Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil - Natália Cristina Alves Coelho, Pablo Eduardo Telis da Silva, Rafaela Attico Silva Melo
Universidade Paulista Mesquita Filho
Ciências Sociais - História do Brasil II - Paulo Teixeira
Natália Cristina Alves Coelho, Pablo Eduardo Telis da Silva, Rafaela Attico Silva Melo
SÍNTESE DA AULA: Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil
1. Síntese
A aula apresentada pela mestranda Camila Prado Mina explorou a relação entre historiografia, mídia e restrições à liberdade de expressão no Brasil. A palestra destacou a conexão entre o trabalho jornalístico e a pesquisa histórica, além dos desafios enfrentados pelos meios de comunicação em um ambiente historicamente marcado por regimes autoritários, tensões políticas e avanços tecnológicos constantes.
Tanto a história quanto o jornalismo compartilham métodos de análise, já que ambas as áreas procuram entender eventos importantes para a sociedade. Contudo, elas se distinguem na maneira como usam os dados: a história se dedica a analisar o contexto e a criticar o passado, enquanto o jornalismo lida com fragmentos de eventos recentes, conectando-os ao presente. Como salientado, "a história é vista através das narrativas que os jornalistas de cada época apresentam" (CARVALHO; FIGUEIRA, 2022, p. 201), mostrando uma ligação constante e mútua entre as duas áreas.
A trajetória do jornalismo brasileiro é dividida em três grandes fases:
1. Período pré-jornalístico (Colônia e Império), marcado pela herança de censura advinda da Coroa portuguesa e reforçada pela Igreja, como discutem Sodré (1977) e Melo (1973).
2. Jornalismo profissional, iniciado no final do século XIX e consolidado a partir de 1950, quando se afirma o ideal de objetividade e neutralidade.
3. Diversificação do jornalismo, ocorrida desde meados do século XX, em um mercado cada vez mais competitivo e plural.
Nesse caminho, destacam-se os primeiros jornais: a Gazeta do Rio de Janeiro, ligada à família real e aos interesses do governo, e o Correio Braziliense (1808-1822), que criticava o governo e defendia a independência. Esses veículos mostram a disputa entre a imprensa oficial e a imprensa crítica desde o começo.
No começo do século XX apresentou um jornalismo instável, com censuras ligadas à fragilidade da República e ao poder de presidentes autoritários. Durante o governo Vargas (1930-1954), a repressão à imprensa foi forte, mas após 1954, o setor teve um pouco mais de liberdade. No entanto, o golpe militar de 1964 foi um dos piores momentos para a liberdade de imprensa no Brasil. O governo criou a Lei de Imprensa (1967), a Lei de Segurança Nacional (1969) e a Lei da Censura Prévia (1970), tornando o período entre 1968 e 1979 muito difícil (CARVALHO; FIGUEIRA, 2022). Apenas na década de 1980 a imprensa começou a recuperar sua autonomia aos poucos.
Com a chegada do século XXI, a imprensa passou a competir com novas formas de produzir e divulgar informações. Antes, os jornais verificavam e garantiam que os fatos eram verdadeiros. Hoje, as redes sociais dão acesso direto ao público, criando novas formas de comunicação e permitindo tanto a união de grupos quanto a divulgação de informações falsas. Vreese et al. (2018) mostram que os algoritmos se tornaram os novos "guardiões" da informação, controlando o alcance das notícias.
Nesse contexto, surge a pós-verdade, que Dunker (2017) define não como uma mentira completa, mas como o uso de parte da verdade para criar histórias falsas. Essa situação está ligada ao populismo, à desinformação e às disputas políticas, como analisa Luiz (2023), e exige novas formas de verificar os fatos e combater as notícias falsas.
A análise evidenciou que o estudo da história da mídia no Brasil precisa levar em conta um desenvolvimento marcado por conflitos entre expressão livre e restrições, análise e promoção governamental, fatos e deturpação. O jornalismo, funcionando como registro e tema histórico, reflete os embates políticos e sociais de cada período. No território brasileiro, essa jornada foi muito influenciada pelo legado colonial, pela repressão ditatorial e, em tempos atuais, pelas mudanças tecnológicas que questionam a criação de relatos fidedignos.
2. Referências
CARVALHO, G.; FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, v. 28, n. 3, p. 200-219, set./dez. 2022.
DUNKER, C. Subjetividade em tempos de pós-verdade. In: DUNKER, C. Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, 2017.
FERNANDES, F. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007.
LUIZ, T. C. O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking. Galáxia, n. 48, 2023.
MELO, J. M. de. História do jornalismo no Brasil. São Paulo: Paulus, 1973.
SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
SCHWARCZ, L. M. Clara dos Anjos e as cores de Lima. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.
VREESE, C. H. de; et al. Populism as an Expression of Political Communication Content and Style: A New Perspective. The International Journal of Press/Politics, v. 23, n. 4, p. 423-438, 2018.