SÍNTESE DA AULA - Movimento Feminista no Brasil - Pedro Henrique Alves Pereira
NOME: Pedro Henrique Alves Pereira
ANALÍSE DE AULA: O movimento feminista no Brasil.
DISCIPLINA: HISTÓRIA DO BRASIL II
A aula apresentou sobre o movimento feminista no Brasil trazendo debates sobre o início, o desenvolvimento e as modificações que ocorreram nas reivindicações e perspectivas do próprio movimento. Nesse sentido, colocou em discussão as problemáticas a partir de uma perspectiva histórica que mostrou como se constituí num primeiro momento o movimento feminista, como se desenvolveu, quais eram as forças políticas, econômicas e sociais que influenciaram no decorrer desse processo. Por outro lado, também trouxe uma abordagem interseccional que evidenciou outros recortes necessários para a análise do movimento feminista, como por exemplo o recorte étnico-racial, gênero e classe que são essenciais para fazer uma analíse de forma a abordas todas as questões das mulheres no Brasil.
Para se chegar ao objetivo da aula que era discutir o movimento feminista a partir de uma perspectiva crítica, foi trabalhada algumas autoras, porém minha reflexão vai muito de encontro com o pensamento de Lélia Gonzalez, extremamente importante para se pensar sobre a questão racial a partir da perspectiva interseccional. Com isso, farei duas perguntas que irei tentar responder neste breve trabalho, dialogando com alguns textos do livro Por um feminismo afro latina americano de Lélia Gonzalez. Onde estava a mulher negra no processo de construção do movimento feminista? e quando ela é realmente envolvida nas discussões?.
Como discutido pela professora em sala, o movimento feminista por volta de 1970 tem início no seio das classes médias, ou seja, mulheres brancas, advindas da classe média com possibilidades economicas para pensar sobre a questão de genêro. Neste início se tinha a reivindicação de inserção das mulheres no mercado de trabalho. Porém, ainda dando centralidade às mulheres brancas de classe média. E as mulheres negras de favela? aonde estavam? existiam?. Nesse sentido, Lélia traz dados interessantes para pensar a questão da mulher negra, em seu texto “A mulher negra no Brasil” do seu livro Por um feminismo afro latina americano.
Em relação à diferença na média salarial, o Censo de 1980 revela os seguintes dados: recebem até um salário mínimo mensal (cerca de cinquenta dólares americanos), 23,4% de homens brancos, 43% de mulheres brancas, 44,4% de homens negros e 68,5% de mulheres negras. De um a três salários mínimos mensais, 14,6% de homens brancos, 9,5% de mulheres brancas, 8% de homens negros e 3,1% de mulheres negras. Entre aqueles que recebem mais de dez salários mínimos a proporção é: 8,5% de homens brancos, 2,4% de mulheres brancas, 1,4% de homens negros e 0,3% de mulheres negras. (GONZALÉZ, 2020)
Tais dados evidenciam que as mulheres negras estão em desvantagem em qualquer atividade, seja na ocupação de postos de trabalho não manuais, seja na ocupação de cargos intelectuais e, até de formação na educação básica e superior. Portanto, por volta de 1970 a mulher negra estava trabalhando, em sua grande maioria em trabalhos manuais, ou seja, trabalhos domésticos, rurais e nas fábricas. Portanto, a situação da mulher negra nesse contexto era de vulnerabilidade em todos os sentidos, impossibilitada de pensar sobre seu lugar na sociedade brasileira.
Avançando e chegando agora sobre a segunda, há um fator determinante na reivindicação de se pensar sobre a mulher negra. O movimento negro unificado. Lélia também cita o movimento em seu livro na seguinte passagem:
O desenvolvimento e a expansão dos movimentos sociais na segunda metade dos anos 1970 tornaram possíveis a mobilização e a participação de amplos setores da população brasileira, não apenas em termos de reivindicação de direitos mas de uma intervenção mais direta na política, especialmente no movimento negro e no movimento de favelas. O movimento negro teve (e continua a ter) um papel extremamente relevante na luta antirracista em nosso país, inclusive sensibilizando setores não negros, e buscou mobilizar diferentes grupos da comunidade afrobrasileira para uma discussão sobre o racismo e suas práticas. (GONZALÉZ, pg147, 2020)
Nessa passagem, é possível evidenciar a contribuição do movimento negro unificado na iserção da mulher negra no debate feminista. Por outro lado, é possível destacar as organizações feitas nas favelas dos grandes centros urbanos que trouxeram outros debates e incluíram a população pobre nos debates políticos e sociais latentes na sociedade brasileira que, até então, era feito pela classe média no interior das universidades públicas.
Para finalizar retorno às duas perguntas norteadoras da análise que eram: Onde estava a mulher negra no processo de construção do movimento feminista? e quando ela é realmente envolvida nas discussões?. Tentando responder essas perguntas percebi que, a inclusão dessas mulheres negras nas discussões foi acontecendo de forma muito lenta e gradual, sendo que, em 2025 a gente vê que a maior parte das mulheres negras ainda estão em postos de trabalhos precários e longe dos cargos de destaque e o mais preocupante, longe das universidades, por mais que se tenha aumentado a presença de pessoas negras de forma gradual.