Síntese da Aula "Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil" - Julia Rodrigues Missão
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA "JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC)
Ciências Sociais - Período Noturno
História do Brasil II
Julia Rodrigues Missão
Síntese da Aula "Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil"
[editar | editar código]Carvalho e Figueira (2022) abordam em “Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades” o resgate ao nascimento da Imprensa Brasileira, tratando de identificar a preservação de ideais coloniais em aspectos relacionados aos veículos de comunicação nacionais, que permeiam até os dias atuais. Partindo de uma análise histórica do jornalismo, o artigo ressalta a proximidade das áreas de estudo, que se assemelham na compreensão da importância de analisar dados, extraídos de acontecimentos socialmente relevantes, evidenciando o papel específico designado a ambas. Fundamentados nessa definição, a pesquisa apresenta três momentos essenciais para o entendimento da Imprensa: o período pré-jornalístico, o jornalismo profissional, e a diversificação da oferta jornalística em um mercado de grande concorrência.
O período pré-jornalístico, que abrangeu o Brasil Colônia e República, foi caracterizado pela censura institucional e intermediações por parte da Coroa Portuguesa como identificado por Sodré (1977). Utilizando da imprensa como elemento de dominação e controle de ondas independentistas e ideais revolucionários – como a existência do Correio Braziliense, veículo de caráter mobilizador das causas combativas –, a conduta foi reconhecida como tradicionalmente censória, resultante da época da Inquisição, marcada por apreensões de impressos “não autorizados”, seguindo a lógica imperialista, somente replicada para a realidade da colônia.
Com caráter empresarial, o jornalismo e a comunicação brasileira passam por novas modificações. Iniciado no final do século XIX, e consolidado a partir de 1950, o jornalismo profissional mantinha seus fins voltados a opiniões e política, entretanto, passou a contar com narrações cotidianas, de forma concentrada, em determinadas cidades. Tal característica sucedida por motivações financeiras. A Imprensa-empresa, todavia, não esteve isenta de limitações e censuras. O contexto político encontrava-se fragilizado, e movimentos e organizações considerados contrários ao momento poderiam provocar instabilidades. Dado como referência, o período varguista exemplifica perfeitamente o cenário da época: jornais comprometidos com a promoção do governo garantiam financiamento a partir de recursos públicos, e jornalistas opostos aos ideais propagados eram perseguidos, pelo aval das leis restritivas promulgadas, como explica Luca (2012, p.76). Por conseguinte, firmado o fim da Era Vargas, instaura-se um período de liberdade concedido a jornais, instituindo o profissionalismo, os princípios de objetividade e os valores de neutralidade no jornalismo brasileiro, segundo Barbosa (2008).
A Ditadura Militar, era marcada pela extrema repressão, leva o jornalismo nacional para outra fase. O Ato Institucional número 5, a criação do Serviço Nacional de Informações, e o fortalecimento do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), destaques de desempenho do papel censório destinado à imprensa, marcam, explicitamente, o teor repressor e violento por parte do Estado, sobre os jornalistas. As transformações que consolidaram a indústria cultural brasileira, em 1960, favorecem o jornalismo caracterizado pela concentração de grandes empresas de comunicação, concentradas em poucas mãos, formato que determina, até a atualidade, o contexto jornalístico do país. Barbosa (2008) e Kushnir (2001) contribuem para o debate, abordando a influência da imprensa no golpe militar, que, por sua vez, era beneficiada pelo regime, e o processo de autocensura, presente nas redações brasileiras. Surgem, durante a ditadura, a ascensão da telecomunicação, fator intrínseco a discussão. A Rede Globo, administrada por Roberto Marinho, esteve alinhada diretamente ao autoritarismo do momento, promovendo editoriais oficialistas e triunfalistas.
Ao desfecho do artigo, Carvalho e Figueira (2022) descrevem momentos relevantes da política contemporânea brasileira caracterizados pela intervenção da imprensa em prol do favorecimento da classe imponente. Apontam, também, a relevância da tecnologia e do estabelecimento das redes sociais no Brasil, que, presentemente, “competem” com o ofício jornalístico de mediar a relação entre a sociedade e os fatos (LUIZ, 2023, p.2) para desempenhar a função de censurar, com um teor mais sofisticado, e utilizando de táticas denominadas como “linchamento virtual”. O debate torna-se ainda mais atual assim que abrange o conceito de “pós-verdade”, elaborado por Dunker (2017), que se configura pela não-presença integral no campo da mentira, mas que, ao se apropriar de fragmentos da verdade, gera uma falsa narrativa.
CARVALHO, G. & FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, vol. 28, no 3, set./dez. 2022, p. 200-219.
LUIZ, Thiago C. O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking. Galáxia (São Paulo, online), v. 48, 2023, pp.1-23. ISSN: 1982-2553. http://dx.doi.org/10.1590/1982- 2553202362879.
MINA, Camila Prado. Historiografia da censura no Brasil. Aula de História do Brasil II, 01 ago. 2025.