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Síntese da aula "Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil" - Iago de Carvalho Sylverio

De Wikiversidade

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO

HISTÓRIA DO BRASIL II

Síntese da aula: Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil

Aluno: Iago de Carvalho Sylverio

Professor: Paulo Teixeira

Marília - 2025

A relação entre História e Jornalismo apresenta interseções significativas, pois ambos se debruçam sobre acontecimentos socialmente relevantes. Contudo, a forma de abordagem se distingue, já que a história utiliza como estudo o material jornalístico presente na época. Assim, a produção jornalística, serve como importante fonte para a pesquisa historiográfica.

O historiador usa como base os veículos de informações pesquisados pelos jornalistas também através da memória para interpretação do contexto no qual é estudado. Assim, tem objetivos semelhantes porém possuem suas  perspectivas distintas. Pois as notícias muita das vezes possuem interesses fugindo da neutralidade, já a história busca a análise de fragmentos para a compreensão.

No Brasil, o desenvolvimento da imprensa pode ser compreendido em três fases: o período pré-jornalístico, referente à Colônia e ao Império; o jornalismo profissional, iniciado no final do século XIX e consolidado a partir de 1950; e a diversificação, marcada pela concorrência e expansão do mercado a partir da segunda metade do século XX.

O início da imprensa brasileira esteve diretamente vinculado a práticas de censura herdadas de Portugal. Segundo Sodré (1977) e Melo (1973), Onde nessa práticas de censuras são exercidas pela Coroa portuguesa, e também, pelo poder da Igreja. Tornando o veículo de informação controlado de forma que as informações passadas utilizam de uma só visão e um só interesse, a expansão da classe dominante e o controle da classe dominada. Nesse contexto, a Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal impresso em território nacional, atuava como veículo de propaganda oficial da Coroa. Em contrapartida, o Correio Braziliense (1808-1822) criticava o governo e defendia a emancipação política, posicionando-se como espaço de oposição.

Durante a Primeira República, a instabilidade política foi acompanhada de forte repressão ao jornalismo. Estudos apontam que a censura estava associada à fragilidade da jovem república e ao autoritarismo dos presidentes que buscavam conter possíveis críticas. Após o fim do Estado Novo em 1954, o jornalismo experimentou maior liberdade, com valorização do objetivismo, os valores da neutralidade e o profissionalismo da profissão. Isso, antecedendo o retrocesso que o jornalismo teria após o golpe militar de 1964, sendo observado como pior período (1978 - 1979) através das praticas de censuras, perseguições e controle midiático.

As medidas autoritárias foram reforçadas por instrumentos legais, como o Decreto-Lei nº 898/1969 (Lei de Segurança Nacional) e o Decreto-Lei nº 1.077/1970 (Lei da Censura Prévia). Apenas a partir dos anos 1980 ocorreu uma gradativa retomada da autonomia da imprensa. Com o aumento da competitividade no mercado pela expansão tecnológica trazendo mais veículos de informação, e gradativamente veículos de informação alternativos.

No século XXI, as novas tecnologias transformaram a lógica da informação. Antes, cabia ao jornalista o papel de averiguar a veracidade das fontes; entretanto, com as redes sociais, a produção e circulação de informações passou a ser descentralizada.  Esse cenário intensifica o fenômeno da pós-verdade, conceito definido por Dunker (2017) como a apropriação de “frações da verdade que, em seu todo, geram uma narrativa falsa”.

Com esse avanço da tecnologia muitas das notícias são propagadas de modo impactante para o aumento de acessos do portal de notícias dentro de redes sociais. Onde além do grande mercado e competitividade no ramo jornalístico, as mentiras com fragmentos da verdade são utilizadas de diversas maneiras criando narrativas falsas, com isso, a manipulação de notícias favorecendo pautas políticas.

Dessa forma, a análise da imprensa brasileira evidencia não apenas o desenvolvimento de uma prática comunicacional, mas também sua interdependência com a política, a censura e os mecanismos de controle social. A imprensa, enquanto fonte histórica, permite compreender os limites da liberdade de expressão no Brasil e os impactos das transformações tecnológicas recentes sobre a produção da verdade.

Referências

MINA, Camila Prado. Historiografia, imprensa e censura no Brasil. Aula de História do Brasil II, 01 ago. 2025.

CARVALHO, G.; FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, v. 28, n. 3, p. 200-219, set./dez. 2022.

DUNKER, C. Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, 2017.

SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.

MELO, J. M. de. História social da imprensa. São Paulo: Paulus, 1973.