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Síntese da aula " Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil" Estefany Nicole Ferreira dos Santos

De Wikiversidade

SÍNTESE DE HISTÓRIA DO BRASIL II

Nome: Estefany Nicole Ferreira dos Santos - Ciências sociais - Noturno

Prof. Dr: Paulo Teixeira

Mestranda: Camila Mina

Jornalismo, história e mídias sociais:

 Jornalismo e história estabelecem relações próximas. Enquanto os jornalistas enfrentam o desafio de compreender fatos em curso, os historiadores são desafiados a compreender o passado, tomando o produto  jornalístico, produzido no momento dos acontecimentos, como documento histórico.

Ao analisarmos as mídias digitais e os jornais, percebemos que muitas vezes há uma fuga da abordagem cronológica. Alguns meios de comunicação utilizam a técnica de propagar uma informação rasa, sem uma análise mais profunda. Um exemplo é o fato de frequentemente a abolição ser apresentada de forma linear e homogênea, mas ao estudá - la de forma profunda, entendemos que não ocorreu ao mesmo tempo e do mesmo jeito em todos os estados e cidades do Brasil.

A história reconhece que partes não são suficientes para explicar o todo em sua complexidade. Essa lógica se repete nas mídias digitais, que produzem conteúdos em vídeos curtos, anúncios, publicações e postagens rápidas que não são capazes de explicar todo o contexto de um fato, trata-se de um pequeno recorte e não da totalidade de um acontecimento.

Até o início do século XXI, as agências de jornalismo eram responsáveis por averiguar a veracidade das informações que chegavam até a população. Era papel do jornalista verificar as fontes e garantir a confiança das notícias divulgadas. Com o surgimento da tecnologia e seus algoritmos esse trabalho torna-se secundário e a dinâmica de propagação da informação passa a ser determinada por múltiplos agentes, não apenas por uma única instituição. Essa lógica cria bolhas informacionais, onde gera pertencimento entre grupos, mas que disseminam conteúdos de interesse restrito em informações que podem ser verdadeiras, falsas ou “meia verdade”. Nesse cenário se encaixa o conceito de pós-verdade, segundo Dunker(2017) esse conceito não está situado no campo da mentira integral, pelo contrário, ele se apropria de frações da verdade que, em seu todo, geram uma narrativa falsa.

Jornalismo e censura:

No artigo “Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades”, Carvalho e Figueira (2022) analisam a trajetória do jornalismo em três grandes momentos

1) Período pré - jornalístico (Brasil colônia e império);

2) jornalismo profissional ( início no final do séc XIX e se consolida a partir de 1950); 3)Diversificação do jornalismo em um mercado de grande concorrência ( surge na metade do séc XX até hoje).

Sodré apresenta reflexões sobre o fato do Brasil adquirir de Portugal e da igreja católica essa herança de censura, e controle do que é publicado.  Cádima (2013) aponta, ainda, ainda diversos episódios de prisões e apreensões de impressos “não autorizados” no período entre 1500 e 1800.

 Mello acrescenta a essa discussão o agravante de um analfabetismo, o atraso cultural das comunidades indígenas em relação aos demais nativos de colônias inglesas e espanholas, entre outros aspectos. Os pesquisadores portugueses reconhecem que o seu país carregava já uma tradição censória decorrente das ações da Igreja católica no período da Inquisição.

 O Correio Braziliense (1808-1822), de Hipólito da Costa, foi o primeiro a chegar no Brasil, era publicado em Londres e chegava clandestinamente ao território brasileiro. Ele contestava o governo e defendia idéias emancipacionistas nos dois lados do Atlântico. Se, por um lado, o Correio Braziliense fazia críticas ao governo, de outro, a Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal a ser impresso no Brasil pelas mãos da família real portuguesa, seria porta-voz dos interesses oficiais e  absolutistas.

 No início do século XX, a censura persiste, refletindo a fragilidade da recém-estabelecida república brasileira e de presidentes autoritários que  reprimiram as organizações e os movimentos jornalísticos que poderiam vir a provocar qualquer tipo de instabilidade na política do país naquele momento.

Após o fim do governo Getúlio Vargas em 1954, o jornalismo brasileiro encontrou uma oportunidade de exercer maior autonomia, trazendo consigo ideais de neutralidade e objetivismo, no entanto, com o golpe militar em 1964, o jornalismo passa por mais um retrocesso histórico.

No periodo da ditadura surgiu a Lei de Imprensa (1967), que criminalizava jornalistas e proprietários de jornais por divulgação de notícias falsas capazes de pôr em perigo o nome, a autoridade e crédito ou prestígio do Brasil, a ofensa à honra do presidente de qualquer dos poderes da União, incitação à guerra ou à subversão da ordem político-social, à desobediência coletiva às leis, à animosidade entre as forças armadas, à luta entre as classes sociais, à paralisação dos serviços públicos, ao ódio ou à discriminação racial; propaganda subversiva; incitamento à prática de crimes contra a segurança nacional. Para julgamento de tais delitos passou a ser competente o foro militar. Tal quadro foi mantido e até agravado pelo Decreto-lei n. 510, de 20 de março de 1969, uma nova Lei de Segurança Nacional (Costella, s.d.). Apenas em 1980 é que o jornalismo ganha novamente uma certa autonomia em suas publicações frente ao Estado. Olhar para esse percurso ajuda a entender como o jornalismo se construiu ao longo do tempo e qual é a sua importância para a forma como percebemos e interpretamos as notícias hoje.

Referências:

FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007. p. 104-130.

CARVALHO, G. & FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, vol. 28, nº 3, set./dez. 2022, p. 200-219

LUIZ, Thiago C. O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking. Galáxia (São Paulo, online), v. 48, 2023, pp.1-23. ISSN: 1982-2553. http://dx.doi.org/10.1590/1982-2553202362879