Síntese de História do Brasil II
SÍNTESE DE HISTÓRIA DO BRASIL II
Professor: Paulo Teixeira
Mestranda: Camila Mina
Aluno(a): Lara Rodrigues Paquer Alves
Período: Noturno
Nessa síntese será exposta a história da imprensa brasileira marcada pela censura, controle estatal e disputa de poder político e cultural. Além disso, também irá focar em três conceitos importantes que ocorre na imprensa no contexto atual, os quais são o populismo, o fact-checking e a pós-verdade.
O jornalismo e a história sempre estão em constante contato, porque o jornalismo é um dos meios de estudar momentos que ocorreram no passado. Segundo Jobim, “os jornalistas são desafiados a compreender os fatos enquanto estão em curso, os historiadores são desafiados a compreender o passado, tomando o produto jornalístico, produzido no calor dos acontecimentos, como documento histórico. Ou seja, a história é observada à luz das narrativas presentificadas pelos jornalistas em suas épocas.”
O começo da imprensa no Brasil é marcado pelos os primeiros periódicos que são “A Gazeta do Rio de Janeiro (1810), o qual era um veículo oficial da coroa portuguesa que defendiam os interesses absolutistas, e o segundo periódico é o “Correio Braziliense” (1808-1822), que defendia ideias emancipacionistas. Nesse contexto, a imprensa surge já vinculada a disputas ideológicas e políticas.
A partir disso, o jornalismo passou por três fases, as quais são o período pré-jornalístico, na época da colônia e do império, o período do jornalismo profissional, o qual é da metade do século XIX, consolidado a partir de 1950, e por último o período da diversificação, que é da metade do século XX em diante. Na primeira fase o jornalismo foi marcado por uma grande onda da censura por parte da Coroa Portuguesa e da Igreja, a qual era tanta, que Portugal não recebia todas as notícias sobre o Brasil. O segundo período foi marcado por uma maior abertura e busca por objetividade jornalística, porém com o golpe de Estado de 1964, a imprensa passou por um grande retrocesso, marcado por leis repressivas como a “Lei de Segurança Nacional” e a “Lei da Censura Prévia” as quais restringiam a liberdade de expressão até o fim da década de 1970, com jornalistas perseguidos, jornais fechados e notícias manipuladas.
A imprensa só começa a retomar sua autonomia no período de redemocratização, mas as relações de dependências políticas ainda marcaram parte de sua atuação. Segundo os autores Carvalho e Figueira (2022), a censura não se trata apenas de momentos isolados de repressão, mas de um padrão estrutural que atravessa os séculos e se adapta às diferentes conjunturas históricas.
No texto “O negro no mundo dos brancos”, Florestan Fernandes, mostra como a marginalização histórica da população negra não se deu apenas na esfera econômica, mas também na cultural. A representação distorcida dos meios de comunicação reforçou a condição de subalternidade, perpetuando desigualdades estruturais. Logo, isso ajuda a entender como a censura e o monopólio da narrativa não atingiram igualmente todos os grupos sociais, afetando mais intensamente os que já estavam em posição de vulnerabilidade.
Dentro disso, com tanta manipulação da imprensa no país, a história não consegue mais se basear somente nas informações apresentadas pelos jornais, por isso é preciso ir em busca de documentos que comprove a verdadeira história da época.
No século XXI, a tecnologia passou a mudar o papel do jornalismo, com o surgimento das redes sociais, as quais possibilitam comunicação direta com o público. Porém, por mais que seja algo relativamente bom, a imprensa enfrenta um desafio para saber qual é veracidade das informações. Dentro disso, o termo populismo é algo que tem ocorrido muitos nesse meio tecnológico, pois ele é um discurso que busca unir diferentes demandas sociais heterogêneas em torno de uma figura carismática, apresentando-se como representante direto do povo. Segundo Laclau, autor do texto “La Razón Populista”, o populismo cria uma cadeia de equivalência que conecta diversos grupos insatisfeitos, gerando um sentimento coletivo de identidade. Com a expansão das redes sociais o populismo se intensifica porque as plataformas facilitam a comunicação direta entre líderes e seguidores. A partir disso, esse termo está muito ligado com o conceito da pós-verdade, a qual os fatos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública do que apelos a emoções, crenças pessoais e identidades. Nesse cenário, a verdade factual é relativizada ou subordinada a narrativas que reforçam convicções pré-existentes, independentemente da sua veracidade. Segundo Dunker (2017), a pós-verdade não se baseia em mentiras completas, mas em fragmentos de verdade combinados com distorções e omissões que criam uma narrativa enganosa. Por isso, nesse âmbito foi criado o fact-checking, algo para verificar a veracidade dos fatos, para distinguir o que é real das notícias espalhadas.
Assim, o fenômeno histórico da desinformação conecta-se à tradição histórica de censura e manipulação da imprensa no Brasil. Se antes o controle vinha de cima para baixo, hoje ele se manifesta descentralizadamente por causa do algoritmo, que disponibiliza apenas frações da verdade. Mesmo assim, a consequência é a restrição da circulação de informações plurais e o enfraquecimento da esfera pública democrática.
Portanto, a história da imprensa no Brasil não é linear de progresso, mas marcada por permanências, retrocessos e reconfigurações. Seja pela censura colonial, pelo autoritarismo do século XX ou pela desinformação digital do século XXI, a imprensa brasileira enfrenta o desafio de afirmar sua autonomia frente ao poder político, econômico e tecnológico. Nesse sentido, a liberdade de imprensa e o direito à informação continuam sendo conquistas em disputa.
REFERÊNCIAS:
CARVALHO, G. & FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, vol. 28, nº 3, set./dez. 2022, p. 200-219.
LUIZ, Thiago C. O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking. Galáxia (São Paulo, online), v. 48, 2023, pp.1-23. ISSN: 1982-2553. http://dx.doi.org/10.1590/1982 2553202362879.
FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007. p. 104-130.