Síntese de aula - “Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil” - Carolina Fischer
UNESP – Universidade Estadual Paulista
Faculdade de Filosofia e Ciências – FFC
Curso de Ciências Sociais
Carolina Fischer
SÍNTESE – HISTORIOGRAFIA, IMPRENSA E CENSURA NO BRASIL
Trabalho apresentado à disciplina História do Brasil II, sob orientação da Profª Camila Prado Mina, como requisito avaliativo.
Marília – SP
2025
INTRODUÇÃO
A aula ministrada pela mestranda Camila Prado Mina, no âmbito da disciplina de História do Brasil II, discutiu a relação entre a escrita da história, a atuação da imprensa e os mecanismos de censura que marcaram o Brasil. O ponto de partida foi uma reflexão sobre os meios de comunicação – jornais, revistas, cartas, rádio, televisão e, mais recentemente, as redes sociais – e como eles influenciam a forma como as pessoas compreendem os acontecimentos. Tanto o jornalismo quanto a história utilizam informações vindas desses meios, mas cada um lida de forma diferente com esses dados. O historiador procura compreender e analisar de forma mais ampla, enquanto o jornalista transmite notícias de maneira mais rápida, mas sempre atravessado por influências sociais, econômicas e políticas.
HISTÓRIA E JORNALISMO: APROXIMAÇÕES E DESAFIOS
A professora destacou que história e jornalismo não são áreas idênticas, mas se relacionam. A história usa fragmentos produzidos pela imprensa como fontes para reconstruir o passado. O jornalismo, por sua vez, também recorre ao passado para interpretar situações atuais. Ambos compartilham uma característica: a ausência de neutralidade total. Toda narrativa, seja histórica ou jornalística, é feita a partir de escolhas, interpretações e interesses.
Foi ressaltado ainda que a imprensa brasileira passou por diferentes fases. O primeiro momento é o chamado período pré-jornalístico, que engloba a Colônia e o Império, quando a Coroa portuguesa e a Igreja controlavam rigidamente o que poderia ser publicado. Esse período deixou como herança a censura e a filtragem de informações que chegavam à população. Em um segundo momento, com o avanço do jornalismo profissional a partir do fim do século XIX, houve maior organização da atividade, mas ainda sob forte influência de grupos políticos e econômicos. Já no terceiro momento, a partir da segunda metade do século XX até os dias atuais, o jornalismo diversificou suas formas de atuação em meio à concorrência das novas mídias, como rádio, televisão e, sobretudo, a internet e as redes sociais.
Outro ponto importante trabalhado em sala foi a questão da censura nos períodos autoritários. No Estado Novo e, mais fortemente, na Ditadura Militar de 1964 a 1985, a liberdade de imprensa foi duramente restringida. Foram criadas leis específicas que barravam a divulgação de notícias, e jornalistas eram constantemente vigiados. Entre 1968 e 1979, esse controle foi ainda mais rígido, impedindo que informações chegassem à sociedade. Somente nos anos 1980 iniciou-se um processo de maior autonomia da imprensa, em sintonia com a redemocratização do país.
TECNOLOGIA, PÓS-VERDADE E DESINFORMAÇÃO
A professora também abordou o impacto das transformações tecnológicas. Até o início do século XXI, os jornalistas tinham como responsabilidade principal checar a veracidade das informações, garantindo confiança às notícias. Com o surgimento das redes sociais e o uso de algoritmos, esse papel deixou de ser exclusivo da imprensa, já que outros atores passaram a produzir e espalhar informações de maneira muito rápida e nem sempre confiável.
Foi nesse contexto que surgiu a ideia de “pós-verdade”, explicada como uma forma de manipulação em que partes verdadeiras são misturadas com distorções para formar narrativas que parecem plausíveis, mas não correspondem à realidade. Essa prática ganhou espaço nos últimos anos, principalmente associada a discursos políticos populistas, que apelam às emoções do público e criam uma divisão entre “nós” e “eles”. Um exemplo citado foi a circulação de informações falsas no episódio de 8 de janeiro de 2023, quando grupos tentaram um golpe de Estado em Brasília. A verificação de fatos (fact-checking) foi apresentada como um recurso para enfrentar a desinformação, embora tenha limites diante da velocidade com que os conteúdos se espalham.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os textos indicados pela professora serviram de apoio à discussão feita em sala. O estudo de Carvalho e Figueira destacou a permanência da censura como característica histórica da imprensa no Brasil. O artigo de Thiago Luiz analisou os problemas da desinformação e do populismo no ambiente digital. Já o trecho de Florestan Fernandes ajudou a compreender que a exclusão social também faz parte da estrutura histórica brasileira, lembrando que censura e desigualdade caminham juntas.
De modo geral, a aula mostrou que a imprensa brasileira nunca esteve totalmente livre de pressões e interferências. A censura, seja imposta pelo Estado, por empresas ou pelos novos mecanismos digitais, continua a moldar a forma como a sociedade tem acesso à informação. Ao mesmo tempo, a história e o jornalismo, mesmo distintos, se aproximam porque ambos dependem dessas fontes para construir suas narrativas. Essa relação entre história, imprensa e censura ajuda a entender como a sociedade brasileira interpreta o passado e lida com os desafios do presente.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, G.; FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, v. 28, n. 3, p. 200-219, set./dez. 2022.
FERNANDES, F. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007. p. 104-130.
LUIZ, T. C. O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking. Galáxia, São Paulo, n. 48, p. 1-23, 2023.
DUNKER, C. Subjetividade em tempos de pós-verdade. In: DUNKER, C. Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, 2017.
SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.
MELO, José Marques de. Gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. 1983. Tese (Livre Docência) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1983.