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Síntesedaaula:"Historiografia, imprensa e Censura no Brasil"- Sara gabrielly Monteiro

De Wikiversidade

Sara Gabrielly Monteiro





Historiografia da Censura à Imprensa Brasileira e a Exclusão Racial na Sociedade







Introdução A censura à imprensa brasileira constitui um dos temas mais recorrentes da historiografia, revelando as tensões entre liberdade de expressão, poder político e formação da esfera pública. O artigo de Carvalho e Figueira (2022) analisa como a censura se manteve como prática constante, adaptando-se a diferentes conjunturas históricas e regimes de poder. Paralelamente, Florestan Fernandes (2007) discute, em O negrmente o no mundo dos brancos, as formas de exclusão estrutural sofridas pela população negra no Brasil, evidenciando como mecanismos sociais e simbólicos também funcionam como formas de silenciamento.

Este trabalho busca relacionar os dois textos à luz das discussões apresentadas na disciplina de História do Brasil II, particularmente no debate sobre imprensa, censura e memória histórica

Desenvolvimento A censura no Brasil tem origem no período colonial, marcada pela influência da Coroa portuguesa e da Igreja na restrição à circulação de ideias (CARVALHO; FIGUEIRA, 2022). A partir da vinda da família real, a imprensa surge como instrumento do poder, voltada para legitimar interesses oficiais, como exemplifica a Gazeta do Rio de Janeiro. Em contraponto, o Correio Braziliense representava uma voz de crítica e emancipação, ainda que controlada pelo contexto político da época. Essa relação entre imprensa e poder, enfatizada também na aula, mostra como a liberdade de expressão esteve constante sujeita a forças autoritárias Durante a Primeira República, a censura se associou à fragilidade institucional e ao autoritarismo de presidentes que buscavam controlar movimentos sociais. No Estado Novo e, posteriormente, na ditadura militar de 1964, instauraram-se mecanismos legais de repressão, como a Lei de Imprensa e o Decreto-Lei nº 1.077/1970, que instituiu a censura prévia (CARVALHO; FIGUEIRA, 2022). Esse período foi caracterizado como um dos mais duros para o jornalismo, com perseguição a intelectuais, jornalistas e artistas. A aula destacou que apenas a partir da redemocratização houve uma retomada gradual da autonomia da imprensa, embora marcada por novas formas de controle, como a influência empresarial e, mais recentemente, os algoritmos digitais. Ao estabelecer um diálogo com Fernandes (2007), percebe-se que a censura não se limita a medidas institucionais impostas pelo Estado, mas pode assumir formas sociais e estruturais. O autor demonstra que a população negra, historicamente marginalizada, sofreu um processo de silenciamento e exclusão, tanto na vida social quanto na produção cultural. Esse fenômeno pode ser entendido como uma “censura social”, que impediu a plena inserção dos negros no espaço público e os privou do direito de narrar suas próprias experiências. Assim, a censura à imprensa e a exclusão racial convergem em um mesmo processo histórico: a negação da voz de determinados grupos sociais. Enquanto a historiografia da censura enfatiza o papel do Estado e de instituições formais, Fernandes (2007) revela a dimensão estrutural desse silenciamento, ligado ao racismo e à desigualdade. A aula reforça essa perspectiva ao destacar que a imprensa, muitas vezes vinculada a elites econômicas e políticas, reproduziu padrões de exclusão, deixando de representar as demandas de setores marginalizados da sociedade Conclusão A análise conjunta dos textos de Carvalho e Figueira (2022) e Fernandes (2007) permite compreender a censura em um sentido ampliado: não apenas como restrição legal e institucional, mas também como exclusão social e racial. A história da imprensa brasileira, desde o período colonial até a contemporaneidade, é marcada por permanências no controle da circulação de ideias e na invisibilização de determinados grupos. Ao mesmo tempo, a reflexão sobre a exclusão da população negra revela que a censura não se dá apenas no campo político, mas atravessa estruturas sociais, culturais e econômicas.

Portanto, compreender a censura no Brasil implica articular dimensões institucionais e sociais, reconhecendo tanto os mecanismos de repressão estatal quanto as formas sutis de silenciamento impostas pela desigualdade racial e pela lógica excludente da sociedade brasileira.

Referências

CARVALHO, G.; FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, v. 28, n. 3, p. 200-219, set./dez. 2022.

FERNANDES, F. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007. p. 104-130.

MINA, C. P. Aula História do Brasil II: Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil. Marília: UNESP, 2025. Material de aula