Tecnologias Livres para educadores/as/Encontro 1
Encontro 1: Apresentações e Tecnologias de/para colaboração
[editar | editar código]Este primeiro encontro, além de ser dedicado as apresentações, para que as pessoas se conheçam e compreendam as proximidades entre si, é especialmente dedicado para a) entender a importância das tecnologias livres e da tecnocultura de cocriação e partilha para a educação e b) conhecer e experimentar um conjunto de tecnologias voltadas para a colaboração entre as pessoas. O roteiro abaixo é uma sugestão para organizarmos esse encontro.
1. Quem somos? (30 min)
[editar | editar código]Breve apresentação individual em que os participantes além de contarem quem são, especialmente partilham quais suas inquietudes de vida, suas paixões e o que as movem (além da família, amigos e outras dimensões pessoais).
2. Softwares Livres, Tecnoculturas de Cocriação e o que não esperar desses próximos dias (30 min)
[editar | editar código]Processos de digitalização, datificação e plataformização tem feito parte da realidade de praticamente todas instituições de educação. Apesar da crença de que esses processos geram progresso e melhorias, temos percebido sérios problemas, como a extinção da autonomia docente, implementação de cadeias de controle e a quantificação das atividades escolares, constantemente resumidas a índices e indicadores. Esse fenomeno que representa na realidade parte do avanço do capital sobre a educação - um campo de negócio fértil e que produz uma massa de consumidores fiéis - pode gerar para alguns um deslumbramento em relação as tecnologias, afinal, podem otimizar algumas atividades, mas para outros pode cultivar uma aversão a presença das tecnologias na educação.
Os espaços de formação docente e laboratórios cidadãos que buscamos propor são em especial, para visibilizar que existem outras formas de se fazer tecnologia, com outros objetivos e outras culturas tecnológicas, que não essa tecnocultura de consumo, onde consumimos e somos consumidos. Ao redor do mundo existem milhares de coletivos formados por pessoas voluntárias, aficcionados, empresas, movimentos sociais, acadêmicos, enfim, hackers que constrõem tecnologias e outros elementos culturais para serem partilhados livremente e contribuirem de alguma maneira para nossas sociedades.
Assim como existem os software proprietários, aqueles construídos por empresas, tendo o código fonte fechado como um segredo comercial, também existem os softwares livres, construídos e mantidos por comunidades e que dão as pessoas as quatro liberdades fundamentais sobre ele: Liberdade para 0) executar o softwar para qualquer propósito, 1) estudar como ele funciona e adaptá-lo para suas necessidades, 2) redistribuir cópias, para assim ajudar as demais pessoas e 3) melhorar o software e partilhar suas melhorias para que toda comunidade possa se beneficiar dele. Essas liberdades possibilitam que em torno dessas tecnologias se cultive uma cultura tecnológica distinta, baseada na cocriação.
Além dos softwares que vamos explorar em nosso curso, por certo que em algum momento você já se relacionou com algum software livre porque eles estão em todos os lugares. Sempre quando você acessa algum site, ele está hospedado em um servidor físico (as nuvens não existem, elas são só o computador de alguém!). Pois bem, 96% do servidores web utilizam uma distribuição do Sistema Operacional Linux! O próprio Android que está em nossos celulares é um sistema operacional linux que tem sido aprisionado e explorado pela Google, misturando nele vários outros softwares que são fechados e opacos.
Todos e todas que de alguma maneira usufruem de um software livre são chamados a contribuir com as comunidades que os criam! Engana-se quem acha que somente programadores/as e espertos/as em tecnologia que fazem parte dessas comunidades! Toda tecnologia precisa de tradutores/as, testadores/as, as vezes, educadores/as, enfim, diversas pessoas, para ajudarem a melhorar aquilo que é um bem comum. Na comunidade do LibreOffice, cerca de 20% são programadores/as. As demais pessoas são de outras áreas. Nessa tecnocultura de cocriação, vocês que estão tendo os primeiros contatos com os softwares livres são chamados/as a serem cocriadores deles também! Cada qual com sua disponibilidade, conhecimentos e olhar único.
Nesse curso as tecnologias não são escolhidas a partir somente da sua facilidade, estética ou automação possibilitada. Esses são elementos importantes, porém, não são os únicos que nos fazem eleger uma tecnologia para ser incorporada em nossa prática docente. Existem outras dimensões tão importante quanto a instrumental: a) Da criação e suas intenções; b) Das consequências para/no o indíviduo e c) Das consequências coletivas e sociais. Algumas perguntas que nos ajudam nessa escolha:
- Quem criou e quais suas intenções?
- Ela permite a nós adaptarmos às nossas necessidades e específicidades do território?
- Podemos auditá-la para verificar se não está coletando dados pessoais e expondo nossa comunidade?
- De alguma maneira ela desumaniza as pessoas?
- Quais os efeitos individuais e sociais da sua utilização?
- Ela é e continuará sendo acessível para nossos estudantes fora da escola e ao termino após sua formação?
3. Ferramentas de colaboração na internet - Demonstração (1h)
[editar | editar código]Em 2025, na Semana do Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica da UFSC (PPGECT-UFSC), tivemos uma primeira oficina sobre softwares livres para educadores/as. Nela fizemos uma curadoria de softwares livres para educadores que está disponível aqui. Vocês encontrarão uma grande lista organizada por áreas do conhecimento e que vai muito além dos softwares que iremos explorar neste curso. Hoje focaremos em algumas tecnologias que permitem a construção colaborativa ou o diálogo entre as pessoas:
FDroid
[editar | editar código]O FDroid não é uma ferramenta de colaboração, porém, sua instalação no celular permite àss pessoas não ficarem reféns da loja de aplicativos do Google! Ele é um "ecossistema de distribuição de aplicativos para Android" através do qual você pode buscar e instalar softwares livres em seu celular! A loja de aplicativos do Google (Play Store) também fornece alguns softwares livres, porém, geralmente envolve um custo ($$) para os/as desenvolvedores/as e exige incorporar-se através logins, emails, a ecossistema Google. Com isso há um processo de coleta de dados e controle feito através de tecnologias opacas. Instalar o FDroid em seu celular pode ser um excelente primeiro passo para libertar-se das tecnologias proprietárias.
- Site do projeto: https://f-droid.org/pt_BR/
- Instruções: Através do site é bem simples a instalação, escaneando o QrCode ou clicando em "Baixar o F-Droid". Talvez você tenha que liberar a instalação de apps de terceiros em seu celular nas configurações de segurança.
Signal
[editar | editar código]Existem diversas opções de mensageiros (Whatsapp, Telegram, etc), cada qual com vantagens e desvantagens. O Signal é um destes, desenvolvido com foco na privacidade. Enquanto o Whatsapp é uma tecnologia opaca (não auditável) e que coleta uma grande gama de dados e metadados que são utilizados para entre outras coisas, criar um portfólio de conhecimento individual e coletivo das pessoas, o Signal é um projeto em software livre com foco na privacidade e segurança. Suporta conversas em texto, áudio e vídeo.
- Site do projeto: https://signal.org/pt_BR/
- Instruções: Pode ser instalado via F-Droid ou nas lojas privadas de apps.
Jit.si
[editar | editar código]Durante a pandemia, nós educadores nos aproximamos das ferramentas de videoconferência. Enquanto muitas escolas implementaram massivamente ferramentas como Meet, Zoom e Teams, a comunidade do projeto Jit.si em parceria com alguns movimentos sociais e comunidades hacker possibilitou uma ferramenta gratuita e livre para muitas pessoas. O Jit.si segue como uma importante ferramenta de videoconferência.
- Site do projeto: https://jitsi.org/
- Instruções: O Jit.si, como outras ferramentas na internet, precisa estar instalado em algum servidor. Geralmente, as instituições (escolas, secreterias de educação, movimentos sociais, etc) que mantém uma infraestrutura física, instalam e disponibilizam para sua comunidade. Essa é uma exigência que dificulta muitas vezes a adesão individual por uma tecnologia livre (as bigtechs, em geral, disponibilizam a tecnologia já em seus servidores porque tem enormes recursos, interesse na centralização de poder e coleta massiva de dados e metadados). Apesar disso, comunidades de voluntários, movimentos sociais ou até mesmo os próprios projetos disponibilizam servidores para as pessoas experimentarem e usarem essas tecnologias livres. É o caso do projeto jit.si que disponibiliza o servidor https://meet.jit.si onde você pode criar sua sala de videoconferencia e compartilhar o link com as pessoas. Sempre lembrando que se for possível, converse com sua instituição para terem seu próprio servidor!
Etherpad
[editar | editar código]Precisando escrever um texto colaborativo com seus pares? O Etherpad é uma excelente tecnologia livre com esse propósito! Ele foi desenvolvido com o propósito de ser simples para uso e permitir a colaboração em texto sem exigir criação de usuários e conexões de internet robustas.
- Site do projeto: https://etherpad.org/
- Instruções: O mesmo que dissemos sobre o jit.si vale também para o Etherpad. É necessário um servidor web com sua instalação. Porém, sua simplicidade permite que mais organizações disponibilizem gratuitamente seu uso para o público. Uma lista completa das instâncias você encontra em https://scanner.etherpad.org/. Recomendo a utilização da instância da Wikimedia Foundation ( https://etherpad.wikimedia.org/ ), porém, explorem outras instalações que podem conter outros plugins que amplificam as possibilidades.
Nextcloud
[editar | editar código]Este é um dos projetos mais completos quando o assunto é colaboração. O Nextcloud não é só um servidor de nuvens que disponibiliza a partilha de arquivos, mas muito mais que isso: um ambiente que integra ferramentas de escritório através do Collabora (como o Google Docs), partilha de arquivos (como o Drive), ferramentas de comunicação (como o Signal), gestão de projetos (como o Trello), entre muitas outras! Pode ser visto como uma plataforma que integra diversos serviços e outros softwares livres.
- Site: https://nextcloud.com/
- Instruções: Costumamos dizer que não existe "nuvem", mas sim, os computadores de alguém! O Nextcloud precisa ser instalado e disponibilizado em algum servidor. Uma lista de empresas que disponibilizam servidores gratuitos está em https://github.com/thetuxinator/nextcloud_providers . Estamos em um projeto de pesquisa chamado Soberania em Movimento, onde parte de nosso esforço é para que as instituições federais criem uma rede federada de servidores que entre outros serviços integre também o Nextcloud. No momento estamos prototipando o nó 0 dessa rede e esperamos em breve, que os 3 primeiros estejam em funcionamento na UFBA, UFSC e IFSP.
4. Exploração e experimentação (1 hora)
[editar | editar código]Iniciamos a aula com cada pessoa partilhando suas inquietudes e paixões. Agora cada um/a irá buscar alguém da turma com quem se identificou! Juntos/as vocês terão a missão de criar colaborativamente algo que toque nessas inquietudes de vocês. Essa produção textual pode ser no formato de entrevista, diálogo, página wiki, etc. Sejam criativas/os.
Alguns elementos para conduzir a atividade:
- Se juntem no máximo em 3 pessoas para que todos/as possam contribuir.
- Comecem por escolher um dos softwares que demonstramos para vocês utilizarem na produção colaborativa.
- Após finalizarem, insira o link da produção de vocês no documento público disponibilizado.
5. Partilha (30 min)
[editar | editar código]Algumas perguntas para conduzir esse momento:
- O que construíram?
- Quais dificuldades?
- Como foi a experiência?