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Tecnologias da Comunicação com ênfase em Inteligência Artificial

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TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO COM ÊNFASE EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Disciplina optativa do Departamento de Comunicação e Artes (CCA) da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Professor Responsável: Leonardo Foletto - leonardo.foletto@usp.br

A disciplina introduz os conceitos de técnica, tecnologia e interação humano-máquina a partir de uma perspectiva histórico-crítica, abordando as operações de processamento de dados conhecidas como "inteligência artificial" generativa. Foca na análise dessas tecnologias comunicativas através de quatro dimensões: arquiteturas algorítmicas, dados de treinamento, modelos econômicos e relações de poder entre sistemas de IA e pessoas. Articula economia política da comunicação, estudos críticos de plataformas e algoritmos, comunicação humano-máquina e história da mídia para capacitar estudantes a desvelar as "caixas-pretas" tecnológicas e compreender como sistemas de IA generativa funcionam. Aborda, de modo transversal, o uso crítico de sistemas de IA generativa em processos comunicacionais, educomunicacionais e criativos.

OBJETIVOS

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  • Introduzir os fundamentos históricos, filosóficos e técnicos das tecnologias de comunicação, da reprodutibilidade técnica à inteligência artificial generativa, situando-os criticamente no campo da comunicação;
  • Desenvolver capacidade de análise crítica das arquiteturas algorítmicas, dos dados de treinamento, dos modelos econômicos e das relações de poder que estruturam sistemas de IA generativa;
  • Capacitar estudantes para uso consciente e crítico de sistemas de IA generativa em processos comunicacionais, educomunicacionais e criativos;
  • Promover compreensão das dimensões materiais, políticas e epistemológicas que estruturam tecnologias de comunicação contemporâneas;
  • Discutir questões éticas centrais da IA — responsabilidade, transparência, explicabilidade, colonialismo de dados e racismo algorítmico —, promovendo perspectivas contra-hegemônicas a partir do Sul Global;
  • Fomentar a investigação sobre comunicação humano-máquina, examinando como humanos e sistemas de IA negociam significados e atribuem agência em interações comunicativas.

PERÍODO E CARGA HORÁRIA

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Local: Escola de Comunicação e Artes (ECA), Universidade de São Paulo. Cidade Universitária, Butantã, São Paulo - SP

Quando: 1° semestre de 2026, 15 sessões às quintas-feiras, 19h30hs às 22:30hs.

Carga horária total: 60 horas, 4 créditos

Estudantes ouvintes podem participar das aulas (presenciais). Entretanto, a ECA não emite certificados de participação com carga horária, nem haverá avaliação do estudante. Para acompanhar/participar voluntariamente envie um email para leonardo.foletto@usp.br.

METODOLOGIA

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Aulas expositivas dialogadas com apoio de textos e materiais audiovisuais;

Discussões orientadas: análise crítica de leituras, debates sobre casos, problematização de experiências;

Análise prática de sistemas de IA generativa (ChatGPT, Gemini, DeepSeek, Claude, Midjourney, Stable Diffusion, etc.);

Experimentações guiadas com prompts e análise crítica de outputs;

Desenvolvimento de trabalhos práticos e teóricos com acompanhamento docente;

AVALIAÇÃO

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Participação e atividades em aula: 10% da nota final

Avaliação individual presencial: 40% da nota final

Trabalho coletivo: projeto aplicado: 50% da nota final

* Frequência mínima : 75% de presença

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO E CRONOGRAMA

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Aula 1 - Apresentação: Desvelando as caixas-pretas (5/3)

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Apresentação da disciplina, metodologia de trabalho, critérios de avaliação e discussão sobre o que significa "desvelar caixas-pretas" tecnológicas. Mapeamento coletivo de experiências prévias com IA.

Mapeamento colaborativo de experiências pessoais dos estudantes com sistemas de IA generativa (ChatGPT, Gemini, DeepSeek, Midjourney, etc.).

Aula 2 - Fundamentos: técnica e tecnologia  (12/3)

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Fundamentos filosóficos e históricos das tecnologias de comunicação. Distinção entre técnica e tecnologia. Relações entre tecnologia, sociedade e cultura e o mito da neutralidade.

  • Texto base: VIEIRA PINTO, Álvaro. O conceito de tecnologia. Vol. I (trechos dos cap. 3 e 4). Rio de Janeiro: Contraponto, 2005 (2013).
  • Textos complementares (apoio): ALENCAR, Anderson F. A tecnologia na obra de Álvaro Vieira Pinto e Paulo Freire. In:Aguiar, Vicente. (Org.). Software livre, cultura hacker e o ecossistema da colaboração. São Paulo: Momento Editorial, 2009. Disponível em: http://acervo.paulofreire.org:8080/xmlui/bitstream/handle/7891/3564/FPF_PTPF_12_092.pdf

Casos: Análise da narrativa dominante sobre "revolução da IA" e como ela oculta continuidades históricas, agência humana e interesses econômicos.

Aula 3 - História das tecnologias de comunicação e reprodutibilidade técnica (19/3)

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Breve panorama histórico das tecnologias de comunicação. Da imprensa à fotografia, do cinema ao digital. Conceito de reprodutibilidade técnica e suas implicações para criatividade, autoria e indústria cultural.

  • Texto-base: BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1936 [1994]. p. 165-196 (trechos selecionados) MANOVICH, Lev. Separar e Remontar: IA generativa através das lentes das histórias da arte e da mídia. MATRIZes, v. 18, n. 2, p. 7–18, 2024.
  • Texto complementar (apoio): FOLETTO, Leonardo. A Cultura é Livre: uma história da resistência antipropriedade. Autonomia Literária/Rosa Luxemburgo, 2021. (cap.3, “Cultura Proprietária”, partes III e IV, p.75-89)

Casos: Comparação entre debates históricos sobre fotografia ("a fotografia mata a pintura?") e debates atuais sobre IA generativa ("a IA mata a criatividade humana?").

Aula 4 - Cibernética, máquinas pensantes e as origens da IA (26/3)

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Origens históricas da inteligência artificial. Teste de Turing: As máquinas pensam? Cibernética e teoria da informação. Interação humano-máquina e tecnologias cognitivas.

  • Textos-base: WIENER, Norbert. “Cybernetics”. Scientific American, v. 179, n. 5, pp. 14–19. 1948. CESARINO, Letícia. O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital. São Paulo; Ubu Editora, 2022. (Parte I, p.27-40;) TURING, A. "Computing Machinery and Intelligence". Mind, 1950. (trechos selecionados). Tradução para o português.
  • Textos complementares (apoio): WIENER, Norbert. Cibernética: ou controle e comunicação no animal e na máquina. Tradução de José Paulo Paes. São Paulo: Perspectiva, 2020. O JOGO DA IMITAÇÃO (The Imitation Game). Direção: Morten Tyldum. Produção de: Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman. Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode. [S.l.]: Black Bear Pictures, Bristol Automotive, 2014. Filme disponível na Netflix e Amazon Prime, entre outros streamings

Casos: Análise crítica do Teste de Turing: o que ele revela (e oculta) sobre inteligência, comunicação e humanidade?

**[30/3 a 4/4 - Semana Santa - não haverá aulas na USP]**

Aula 5 -  Fundamentos da IA Generativa (9/4). Divisão dos grupos.

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Introdução ao aprendizado de máquina (machine learning) e aprendizado profundo (deep learning). Processamento de Linguagem Natural (PLN) e grandes modelos de linguagem (LLMs). Arquiteturas algorítmicas: Transformers, GANs, modelos de difusão e multimodais. Como sistemas generativos processam inputs e produzem outputs comunicativos.

  • Texto-base: RUSSELL, S.; NORVIG, P. Inteligência Artificial (tradução da 3a. edição). Elsevier Editora Ltda, 2013. [Artificial Intelligence: A Modern Approach. 4º ed. Pearson, 2021] (trechos selecionados). Recurso de apoio:  https://aima.cs.berkeley.edu/
  • Textos complementares (apoio): HAO, Karen. Empire of AI. Dreams and Nightmares in San Altman 's OpenAI. Penguin Press; New York, 2025. (cap. 4 “Dreams of Modernity”, p.88-116)

Casos: Desmontagem técnica de uma interação com IAGs: o que acontece "por trás" quando fazemos uma pergunta? (análise de arquitetura transformer, tokenização, probabilidades).

Aula 6 -  Criatividade e Tecnologias Cognitivas (16/4).

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Da mente à máquina; psicologia cognitiva e interação humano-máquina. Tipos de criatividade e aparatos técnicos. Inteligência Artificial e as transformações do processo criativo. Estética algorítmica e novos paradigmas de expressão. Analogia, modelo e simulação. Sistemas generativos como modelos probabilísticos. Limitações e potências da simulação algorítmica.

  • Textos-base: BODEN, Margaret A. The creative mind: myths and mechanisms. 2. ed. London: Routledge, 2004. (trechos selecionados) MANOVICH, Lev; ARIELLI, Emanuele. Artificial aesthetics. 2024. Disponível em: https://manovich.net/index.php/projects/artificial-aesthetics (Cap.4, “AI & Myths of Creativity”, p.59-75)
  • Textos complementares (apoio): BODEN, Margaret. Inteligência Artificial: Uma brevíssima introdução. São Paulo; Editora Unesp, 2020. KAUFMANN, Dora. Desmistificando a inteligência artificial. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Autêntica Editora, 2022. SANTAELLA, Lúcia. Ética e criatividade na inteligência artificial. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2022. BODEN, Margaret. Creativity and artificial intelligence. TED Conferences, 2016. Vídeo (TED Talk). Disponível em: https://www.ted.com/talks/margaret_boden_creativity_and_artificial_intelligence

Casos: Criando "no estilo de": diferentes modos de criatividade usando IA generativa; criatividade combinatória (combinar elementos existentes), exploratória (explorar espaços conceituais estabelecidos)/ Debate a partir de “Um Frankenstein no Jabuti”: autoria humana, agência maquínica;

Aula 7 - Dados de treinamento, Direitos Autorais e IA Generativa (23/4)

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De onde vêm os dados que treinam IAs? Apropriação não-consentida de produções culturais. Sub-representação do Sul Global em datasets. Tensões entre IA generativa e direitos autorais. Modelos de compartilhamento (Creative Commons, Copyleft). Alternativas à propriedade intelectual restritiva.

  • Textos-base: MHLAMBI, S.; PAUDYAL, P.; CHÉVEZ, V. A. Achieving Equitable AI in the Global South. Stanford Social Innovation Review, 19 mar. 2024. Disponível em: https://ssir.org/articles/entry/equitable-ai-in-the-global-south  Acesso em: 21 jan. 2026. FOLETTO, Leonardo. Criação e cultura livre na era da inteligência artificial generativa. Aurora: revista de arte, mídia e política, São Paulo, v.16, n.48, p. 76-92, setembro-dezembro 2023
  • Textos complementares (apoio):  INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITOS AUTORAIS (IBDA). Inteligência Artificial e Direitos Autorais: contribuições ao debate regulatório no Brasil. 2024. XIONG, Jeff. Sul Global e os caminhos para uma IA soberana. Outras Palavras, 12 nov. 2025. Disponível em: https://outraspalavras.net/outrasmidias/sul-global-e-os-caminhos-para-uma-ia-soberana. Acesso em: 21 jan. 2026. HARVEY, Adam; LAPLACE, Jules. Exposing AI. Disponível em: https://exposing.ai/

Casos: Investigação sobre datasets que treinaram sistemas de IA generativa. Quais culturas estão representadas? Quais obras brasileiras/latino-americanas foram apropriadas sem consentimento? Processos judiciais contra OpenAI, Stability AI e Midjourney por uso não-autorizado de obras: análise dos argumentos legais e implicações para criadores brasileiros.

Aula 8 - Comunicação Humano-Máquina (30/4)

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IAs como parceiros comunicativos dotados de agência. Comunicação humano-máquina (Human-Machine Communication). Negociação de significados em interações humano-IA. Atribuição de agência ("ela não entendeu", "ele sugeriu bem").

  • Texto-base: GUZMAN, Andrea L.; LEWIS, Seth C. Artificial intelligence and communication: A Human–Machine Communication research agenda. New Media & Society, v. 22, n. 1, p. 70-86, 2020.
  • Texto-complementar (de apoio): GUZMAN, Andrea L.; MCEWAN, Rhonda; JONES, Steve (eds.). The SAGE Handbook of Human-Machine Communication. London: Sage, 2023.

Casos: Como humanos e máquinas co-criam significados? Quando atribuímos intencionalidade à IA? Como pessoas atribuem agência a máquinas ("ela entendeu", "ele sugeriu"). Alexa/Siri - por que são "femininas"? Que papel social performam? ChatGPT - que papel ele assume? (professor? assistente? amigo?)

Aula 9 - Economia Política da IA (7/5)

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Modelos de negócio das big techs. Capitalismo de plataforma e acumulação de dados. Plataformização. Estruturas de propriedade na indústria de IA (OpenAI, Anthropic, Google, Meta). Infraestrutura, poder e a Indústria da IA. Quem lucra com IA?

  • Textos-base POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, José. Plataformização. Revista Fronteiras – estudos midiáticos 22(1):2-10 janeiro/abril 2020. TIMCKE, Scott; MAKUMBIROFA, Sandra. Five things to know about the political economy of AI. Research ICT Africa, 22 maio 2024. Disponível em: https://researchictafrica.net/2024/05/22/five-things-to-know-about-the-political-economy-of-ai/. Acesso em: 21 jan. 2026.
  • Textos complementares (apoio): CASSIOLATO, José Eduardo; DANTAS, Marcos. LASTRES, Helena Maria Martins (org.). Economia política de dados e soberania digital. Editora Contracorrente, 2025. (cap. 1) VAN DER VLIST et al, 2025. The Political Economy of AI as a Platform. Selected Papers of #AoIR2024: The 25th Annual Conference of the Association of Internet Researchers. Disponível em: https://spir.aoir.org/ojs/index.php/spir/article/view/14088/11969 Acesso em: 20 jan. 2026

Casos: Mapeamento da estrutura corporativa da OpenAI: quem são os investidores? Como a transição de non-profit para for-profit revelou contradições do "AI for good"? (baseado em HAO, Karen. Empire of AI, 2025)

Aula 10 - Colonialismo de dados e racismo algorítmico (14/5)

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Colonialismo digital e de dados. Extração de recursos informacionais do Sul para acumulação no Norte.  Como preconceitos de raça, gênero e classe são codificados algoritmicamente. Vieses em sistemas de reconhecimento facial, processamento de linguagem e geração de imagens. Discriminação automatizada.

  • Textos-base: FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. São Paulo: Boitempo, 2023. (Parte II) SILVA, Tarcízio. Racismo Algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. Edições Sesc, 2022. (cap. 2 e 3).
  • Textos complementares (apoio): BIRHANE, Abeba; TALAT, Zeerak. It’s incomprehensible: on machine learning and decoloniality. IN: LINDGREN, Simon (ed.). The Handbook of Critical Studies of Artificial Intelligence. Cheltenham: Edward Elgar Publishing Limited, 2023. COULDRY, Nick; MEJIAS, Ulises A. The costs of connection: how data is colonizing human life and appropriating it for capitalism. Stanford: Stanford University Press, 2019 SILVEIRA, S. A; A hipótese do Colonialismo de Dados e o Neoliberalismo. p.33 - 51. IN: SILVEIRA, S. A; SOUZA, J; CASSINO, J. F. Colonialismo de dados. São Paulo; Autonomia Literária, 2021.

Casos: Análise de como sistemas de IA generativa respondem a prompts sobre culturas indígenas brasileiras, religiões de matriz africana ou conhecimentos tradicionais: que vieses aparecem? Teste prático com Midjourney/DALL-E: geração de imagens de "CEO", "enfermeira", "cientista", "criminoso" revela que vieses raciais e de gênero?

Aula 11 - Avaliação em aula (21/5)

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Ensaio reflexivo pessoal

Aula 12 - Ética na Inteligência Artificial  I: Responsabilidade, transparência, explicabilidade (28/5). Dúvidas e atendimento para trabalho final.

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Principais questões e dilemas éticos em IA. Responsabilidade moral e agência em sistemas automatizados. Transparência, explicabilidade e auditabilidade. Opacidade algorítmica e "caixas-pretas". Direito à explicação: entender decisões que nos afetam. Justiça algorítmica e distribuição de benefícios/riscos. Privacidade e vigilância. Breve panorama sobre regulação de IA no Brasil e no mundo.

Textos-base:

  • COECKELBERGH, Mark. Ética na inteligência artificial. São Paulo: Ubu Editora, 2023. (trechos selecionados)
  • Marcos legais brasileiros: Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD - Lei 13.709/2018); Projeto de Lei 2338/2023 (regulação de IA no Brasil); PL 4675/2025 - Mercados Digitais;
  • Outros marcos legais: AI Act (União Europeia, 2024); China, Reino Unido, Japão e Estados Unidos.

Casos: Análise integrada de dois dilemas éticos: o caso dos carros autônomos e o "dilema do bonde" algorítmico - quem deve ser responsabilizado em acidentes?


**[4/6- Corpus Christi, Feriado]**

Aula 13 - Ética na Inteligência Artificial II: Poder, trabalho e meio ambiente (11/6)

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Infraestrutura, poder e a Indústria da IA. Quem lucra com IA? Trabalho invisível e microtrabalho em IA. Impactos ambientais da IA: consumo energético, pegada de carbono, escassez hídrica e infraestrutura material dos data centers. Ética ambiental e sustentabilidade tecnológica.

Textos-base:

  • CRAWFORD, Kate. Atlas da IA: poder, política e os custos planetários da inteligência artificial. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 1. ed., 2025. (Introdução, “Terra” e “Trabalho”, p.11-108)

Textos complementares (apoio)

  • BRAZ VIANA, Matheus; TUBARO, Paola; CASILLI, Antonio. Microtrabalho no Brasil: quem são os trabalhadores por trás da Inteligência Artificial. Relatório Diplab & Latraps, 2023.
  • CASSIOLATO, José Eduardo; DANTAS, Marcos. LASTRES, Helena Maria Martins (org.). Economia política de dados e soberania digital. Editora Contracorrente, 2025. (cap. 1)

Casos: Cálculo da pegada ambiental de uma consulta ao ChatGPT vs. uma busca no Google: quantificação de custos ocultos e invisibilizados das tecnologias aparentemente "limpas" e "desmaterializadas". Como articular ética humana e ética ambiental na análise de sistemas de IA?


Aula 14 - Apresentação dos trabalhos (18/6)

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Atividade: Apresentações dos grupos, seguidas de debate coletivo.

Aula 15 - Apresentação dos trabalhos e encerramento da disciplina (25/6)

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Atividade: Apresentações dos grupo, seguidas de debate coletivo. Avaliação crítica da disciplina.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

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BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1936 [1994]. p. 165-196.

BODEN, Margaret A. The creative mind: myths and mechanisms. 2. ed. London: Routledge, 2004.

CESARINO, Letícia. O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital. São Paulo; Ubu Editora, 2022. (Parte I, p.27-40;)

COECKELBERGH, Mark. Ética na inteligência artificial. São Paulo: Ubu Editora, 2023.

CRAWFORD, Kate. Atlas da IA: poder, política e os custos planetários da inteligência artificial. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 1. ed., 2025.

FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. São Paulo: Boitempo, 2023.

FOLETTO, Leonardo. Criação e cultura livre na era da inteligência artificial generativa. Aurora: revista de arte, mídia e política, São Paulo, v.16, n.48, p. 76-92, setembro-dezembro 2023

GUZMAN, Andrea L.; LEWIS, Seth C. Artificial intelligence and communication: A Human–Machine Communication research agenda. New Media & Society, v. 22, n. 1, p. 70-86, 2020.

HAO, Karen. Empire of AI: Dreams and Nightmares in San Altman's OpenAI. New York: Penguin Press, 2025.

LINDGREN, Simon (ed.). The Handbook of Critical Studies of Artificial Intelligence. Cheltenham: Edward Elgar Publishing Limited, 2023.

MANOVICH, Lev. Separar e Remontar: IA generativa através das lentes das histórias da arte e da mídia. MATRIZes, v. 18, n. 2, p. 7–18, 2024.

MHLAMBI, S.; PAUDYAL, P.; CHÉVEZ, V. A. Achieving Equitable AI in the Global South. Stanford Social Innovation Review, 19 mar. 2024. Disponível em: https://ssir.org/articles/entry/equitable-ai-in-the-global-south  Acesso em: 21 jan. 2026.

POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, José. Plataformização. Revista Fronteiras – estudos midiáticos 22(1):2-10 janeiro/abril 2020

RUSSELL, S.; NORVIG, P. Artificial Intelligence: A Modern Approach. Pearson Education Limited, 2021 (4º ed.).

SILVA, Tarcízio. Racismo Algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. São Paulo: Edições Sesc, 2022.

TIMCKE, Scott; MAKUMBIROFA, Sandra. Five things to know about the political economy of AI. Research ICT Africa, 22 maio 2024. Disponível em: https://researchictafrica.net/2024/05/22/five-things-to-know-about-the-political-economy-of-ai/ Acesso em: 21 jan. 2026.

TURING, A. Computing Machinery and Intelligence. Mind, 1950. (trechos selecionados). Tradução disponível em: https://gist.github.com/hellmrf/695859dcadfd9394320f2920e3fc5548  

VIEIRA PINTO, Álvaro. O conceito de tecnologia. Vol. I. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005 (2013).

WIENER, Norbert. “Cybernetics”. Scientific American, v. 179, n. 5, pp. 14–19. 1948.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

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ARTIFICIAL INTELLIGENCE INDEX. The AI index report 2024. California: Stanford University, 2024.

BENFIELD, Dália M.; MORESCHI, Bruno; PEREIRA, Gabriel; YE, Katherine (eds.). Afetando tecnologias, maquinando inteligências. Wayland: Center for Arts, Design and Social Research, 2021.

BENJAMIN, Ruha. Race After Technology: Abolitionist Tools for the New Jim Code. Cambridge: Polity Press, 2022.

BENKLER, Yochai. The Penguin and the Leviathan: The Triumph of Cooperation Over Self-Interest. New York: Crown Business, 2011.

BROWNE, Jude; CAVE, Stephen; DRAGE, Eleanor; MCINERNEY, Kerry (eds.). Feminist AI: Critical Perspectives on Data, Algorithms and Intelligent Machines. Oxford: Oxford University Press, 2023.

BODEN, M. A. AI: Its Nature and Future. Oxford University Press, 2016.

BODEN, Margaret. Inteligência Artificial: Uma brevíssima introdução. São Paulo; Editora Unesp, 2020.

BRUNO, F. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2020.

BRAZ VIANA, Matheus; TUBARO, Paola; CASILLI, Antonio. Microtrabalho no Brasil: quem são os trabalhadores por trás da Inteligência Artificial. Relatório Diplab & Latraps, 2023.

BUOLAMWINI, Joy; GEBRU, Timnit. Gender Shades: Intersectional Accuracy Disparities in Commercial Gender Classification. Proceedings of Machine Learning Research, v. 81, p. 1-15, 2018.

CASSIOLATO, José Eduardo; DANTAS, Marcos. LASTRES, Helena Maria Martins (org.). Economia política de dados e soberania digital. Editora Contracorrente, 2025.

CHIANG, Ted. "Why A.I. Isn't Going to Make Art." The New Yorker, 31 ago. 2024. Disponível em: https://www.newyorker.com/culture/the-weekend-essay/why-ai-isnt-going-to-make-art Acesso em: 8 jan. 2026

COSTA, Flávia. Tecnoceno: Algoritmos, biohackers y nuevas formas de vida. Buenos Aires: Taurus, 2021.

COULDRY, Nick; MEJIAS, Ulises A. The Costs of Connection: How Data Is Colonizing Human Life and Appropriating It for Capitalism. Stanford: Stanford University Press, 2019.

INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITOS AUTORAIS (IBDA). Inteligência Artificial e Direitos Autorais: contribuições ao debate regulatório no Brasil. 2024.

FISHER, Max. A máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo. São Paulo: Todavia, 2023.

FOLETTO, Leonardo. A Cultura é Livre: uma história da resistência antipropriedade. São Paulo: Autonomia Literária/Fundação Rosa Luxemburgo, 2021.

GROHMANN, Rafael; ARAÚJO, Willian. Beyond Mechanical Turk: The Work of Brazilians on Global AI Platforms. In: AI for Everyone? Critical Perspectives.London: University of Westminster Press, 2021.

GROHMANN, Rafael; VALENTE, Jonas. Critical data studies with Latin America: Theorizing beyond data colonialism. Big Data & Society, 2024.

GUNKEL, David J. Comunicação e inteligência artificial: novos desafios e oportunidades para a pesquisa em comunicação. GALÁxIA. Revista Interdisciplinar de Comunicação e Cultura, São Paulo, n. 34, 30 mar. 2017

GUZMAN, Andrea L; MCEWEN, Rhonda; JONES, Steve (eds.). The SAGE Handbook of Human-Machine Communication. London: Sage, 2023.

HAO, Karen. Empire of AI. Dreams and Nightmares in San Altman 's OpenAI. Penguin Press; New York, 2025

HARVEY, Adam; LAPLACE, Jules. Exposing AI. Disponível em: https://exposing.ai/

HIMANEN, Peka. The hacker ethic, and the spirit of the new economy. New York: Random House, 2001.

LEVY, Steven. Hackers: Heroes of the computer revolution. New York: Penguin Books, 2001.

LINDGREN, Simon (ed.). The Handbook of Critical Studies of Artificial Intelligence. Edward Elgar, 2023.

KAUFMANN, Dora. Desmistificando a inteligência artificial. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Autêntica Editora, 2022.

MANOVICH, Lev; ARIELLI, Emanuelle. Artificial aesthetics. 2024. Disponível em: https://manovich.net/index.php/projects/artificial-aesthetics

MENEZES, Karina Moreira. Pirâmide da pedagogia hacker = [vivências do (in)possível]. Doutorado em pedagogia, Salvador: UFBA, 2018.

NOBLE, Safiya Umoja. Algorithms of Oppression: How Search Engines Reinforce Racism. New York: NYU Press, 2018.

O'NEIL, Cathy. Algoritmos de Destruição em Massa. Rua do Sabão, 2020.

PASQUALE, Frank. The Black Box Society: The Secret Algorithms That Control Money and Information. Cambridge: Harvard University Press, 2015.

PASQUINELLI, Matteo. The Eye of the Master - A Social History of Artificial Intelligence. Londres; Verso Books, 2023.

PASQUINELLI, Matteo. "O olho do mestre: a automação da inteligência geral". Trad. Leonardo Foletto e Leonardo Palma. BaixaCultura, 2024. https://baixacultura.org/2024/02/28/o-olho-do-mestre-a-automacao-da-inteligencia-geral/

PAVLIK, J. V. Collaborating with ChatGPT: Considering the implications of generative artificial intelligence for journalism and media education. Journalism & Mass Communication Educator, v. 78, n. 1, p. 84-93, 2023. DOI: https://doi.org/10.1177/10776958221149577

PRIMO, Alex; COELHO, Luciano Roth. Comunicação e inteligência artificial: interagindo com a robô de conversação Cybelle. In: MOTTA, L. G. M. et al. (Eds.). Estratégias e culturas da comunicação ed.Brasília. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002. p. 83-106.

RICAURTE, Paola. Data epistemologies, the coloniality of knowledge, and resistance. Television & New Media, v. 20, n. 4, p. 350-365, 2019.

RICAURTE, Paola; ZASSO, Mariel (ed.). Inteligência artificial feminista: hacia una agenda de investigación en América Latina y Caribe. Cartago: Editorial Tecnológica de Costa Rica, 2022.

SANTAELLA, Lúcia. Ética e criatividade na inteligência artificial. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2022.

SILVEIRA, S. A; A hipótese do Colonialismo de Dados e o Neoliberalismo. p.33 - 51. IN: SILVEIRA, S. A; SOUZA, J; CASSINO, J. F. Colonialismo de dados. São Paulo; Autonomia Literária, 2021.

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