Ir para o conteúdo

Relatório sobre o temporal em Piracicaba em 22 de setembro de 2025

De Wikiversidade
Esta página é somente um esboço. Ampliando-a você ajudará a melhorar a Wikiversidade.


Produção iniciada em 24 de outubro de 2025 - Piracicaba Meteorológica

A tempestade avançando em direção a Piracicaba

O temporal registrado em Piracicaba no dia 22 de setembro de 2025 ocorreu por volta das 16h21 UTC (13h21 local) e atingiu todo o município. O evento foi marcado por uma onda de downbursts associada à formação de duas supercélulas com topos de até 15 km de altitude, inseridas em um Sistema Convectivo Quase-Linear (QLCS).

Os ventos chegaram a 95,04 km/h na estação do INMET localizada no bairro Agronomia e foram estimados em até 111,2 km/h no bairro Jupiá, a partir de simulação numérica. O INMET também registrou precipitação de 10,2 mm e taxa de precipitação superior a 120 mm/h. Foi a segunda tempestade mais intensa de 2025 em termos de velocidade dos ventos, atrás de 10 de outubro de 2025 (150 km/h), e a quarta mais severa da década de 2020, atrás de 28 de dezembro de 2024 (~120 km/h), 27 de setembro de 2023 (132,5±2,5 km/h) e 10 de outubro de 2025.

O evento apresentou temporariamente a ocorrência do maior mesociclone já documentado em Piracicaba, com 4 km de diâmetro, que passou sobre municípios ao sul e foi avistado a partir da cidade, até ser superado por um registro de 10 km em 7 de dezembro de 2025, embebido em uma supercélula HP que gerou um tornado em Rio das Pedras.

O episódio contou com ampla documentação audiovisual, incluindo o primeiro registro em 4K de uma tempestade na área urbana de Piracicaba. Até então, havia apenas um registro semelhante em 22 de setembro de 2023, mas restrito à Rodovia SP-127, entre Saltinho e Piracicaba.

Em 25 de outubro de 2025, o temporal em Piracicaba em 22 de setembro de 2025 alcançou 9,575 de 10 no Índice Informal de Documentação de Tempestades de Piracicaba (IIDTP), classificando-se como a tempestade mais bem documentada da história da cidade, e a única a atingir a categoria "destaque em documentação" (≥9,500), um nível que anteriormente era considerado extraordinário para os padrões de documentação da cidade. (Temporal em Piracicaba em 22 de setembro de 2025/IIDTP 05.2025).

Palavras-chave: Tempestade, Piracicaba, Tempo severo, Supercélula

Danos em diferentes bairros

[editar | editar código]
  • Algodoal: queda de árvore em via pública.
  • Bongue: interrupção no fornecimento de energia elétrica.
  • Campestre: queda de galho em frente a escola estadual.
  • Centro: danos em vidraças de estabelecimentos e rompimento de fios elétricos.
  • Jardim Itapuã: destelhamento de residências na comunidade Pantanal.
  • Jupiá: destelhamento do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), vidraças estouradas e falta de energia elétrica por período superior a 30 horas.
Supermercado que teve o portão arrancado pela ventania
Avenida Thales Castanho de Andrade inundada após bueiro transbordar
  • Monte Líbano: portão do supermercado Premium, na Avenida Thales Castanho de Andrade, arrancado; transbordamento de bueiro na mesma avenida.
  • Pompeia: interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Velocidade máxima do vento por bairro

[editar | editar código]

Valores estimados proporcionalmente pelo estudo com base no registro oficial de 95,0 km/h no INMET, levando em consideração fatores como relevo e intensidade dos núcleos convectivos.

  • Agronomia (Zona Leste): 95,0 km/h (INMET)
  • Água Branca (Zona Sul): 95 km/h
  • Algodoal (Zona Norte): 108 km/h
  • Bairro Alto (Zona Central): 93 km/h
  • Bongue (Zona Oeste): 105 km/h
  • Campestre (Zona Sul): 102 km/h (loteamento Jardim Costa Rica)
  • Centro (Zona Central): 105 km/h (Rio Piracicaba)
  • Jaraguá (Zona Oeste): 100 km/h
  • Jardim Elite (Zona Sul): 100 km/h (Avenida Professor Alberto Vollet Sachs)
  • Jardim Itapuã (Zona Oeste): 106,2 km/h (comunidade Pantanal)
  • Jupiá (Zona Oeste): 111,2 km/h (CCZ)
  • Monte Líbano (Zona Sul): 109,3 km/h (comunidade Portelinha)
  • Morumbi (Zona Leste): 100 km/h (Avenida Professor Alberto Vollet Sachs)
  • Piracicamirim (Zona Leste): 100 km/h (Avenida Professor Alberto Vollet Sachs)
  • Nova América (Zona Sul): 100 km/h (Avenida Professor Alberto Vollet Sachs)
  • Novo Horizonte (Zona Oeste): 102 km/h
  • Paulista (Zona Sul): 100 km/h
  • Pauliceia (Zona Sul): 102 km/h (Avenida Raposo Tavares)
  • São Dimas e São Judas (Zona Central): 93 km/h
  • Vila Cristina (Zona Oeste): 102,6 km/h
  • Vila Monteiro (Zona Leste): 97 km/h
  • Vila Rezende (Zona Central): 105 km/h

Percepção pública

[editar | editar código]

Uma pesquisa divulgada em 25 de outubro de 2025 pela Piracicaba Meteorológica, conduzida com moradores do perímetro das zonas Oeste e Sul de Piracicaba (Monte Líbano, Campestre, Jardim Itapuã, Vila Cristina e Água Branca) analisou a percepção do público durante o temporal. O foco principal foram os grupos etários mais recentes, oferecendo uma visão atualizada sobre a experiência de eventos climáticos extremos.

Foram entrevistados 18 indivíduos, divididos em três faixas etárias: 10 adolescentes (15-18 anos), 3 jovens (19-30 anos) e 5 adultos (>30 anos). Em relação à percepção de raridade da tempestade, 60% dos adolescentes a consideraram comum, enquanto 40% a viram como incomum. Todos os jovens perceberam o evento como incomum, e entre os adultos, 60% o classificaram como incomum e 40% como comum. 0% classificaram o fenômeno como raro ou inédito.

Quanto às reações emocionais, os adolescentes apresentaram 40% de surpresa, 30% de normalidade, 20% de desconforto e 10% de medo. Nos jovens, dois demonstraram desconforto e um medo. Nos adultos, a emoção predominante foi medo (60%), enquanto 40% relataram normalidade.

Em relação à percepção de elementos específicos da tempestade, 70% dos adolescentes destacaram a intensidade da chuva, enquanto 30% notaram os ventos. Entre os jovens, a atenção predominante foi para os ventos, e entre os adultos, 40% destacaram a chuva e 60% os ventos. Entre todos os entrevistados, 94,4% citaram a intensidade da chuva, 83,3% a chegada súbita do temporal, 61,1% os ventos e 11,1% o céu escuro antes do fenômeno.

Em relação à pergunta "Já presenciou alguma tempestade semelhante?", a maioria dos entrevistados afirmou já ter presenciado temporais com essa intensidade, com apenas um adolescente não sabendo responder.

O comportamento durante o evento dividiu os participantes em dois subgrupos: os que permaneceram dentro de casa (n=10) e os que observaram o temporal externamente (n=8). Observou-se que 88,9% dos destaques sobre os ventos vieram do subgrupo que esteve exposto diretamente ao temporal. Este mesmo subgrupo também apresentou maior incidência de medo e surpresa, enquanto o subgrupo que permaneceu dentro apresentou mais respostas relacionadas à normalidade e surpresa.

A análise da percepção pública durante o temporal em Piracicaba em 22 de setembro de 2025 indica que a sensação de normalidade esteve geralmente associada aos participantes que permaneceram dentro de casa. Esse subgrupo concentrou sua atenção principalmente no aguaceiro, que, embora intenso, não é necessariamente considerado incomum na região.

O fato de 60% dos adolescentes terem classificado a tempestade como comum evidencia um certo hábito com o padrão climático pós-2023, marcado pelo aumento de tempestades severas, refletindo-se no comportamento e na percepção das gerações mais recentes.

A chuva concentrou grande parte dos relatos devido ao som ensurdecedor e ao período de estiagem anterior, que fez com que muitos aguardassem por precipitação. Por outro lado, a observação direta do vento esteve mais relacionada às reações de surpresa e medo.

(ARTIGO EM CONSTRUÇÃO)