Trabalho de memória - 35 ANOS DO PLANO COLLOR I: MEMÓRIAS DO CENÁRIO ECONÔMICO NO BRASIL DE 1990 - Camila P. Sakuraba, Giovana B. Vieira, Maria Eduarda S. Pinho, Rafaela A. Galhardi (Matutino)
35 ANOS DO PLANO COLLOR I: MEMÓRIAS DO CENÁRIO ECONÔMICO NO BRASIL DE 1990
[editar | editar código]INTRODUÇÃO
Esta pesquisa buscou entender algumas relações econômicas estabelecidas entre o Plano Collor I, conjunto de reformas econômicas criada em 1990, durante o governo do presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), direcionada para atuação no Brasil, com o objetivo principal de conter a inflação e estabilizar a economia, e a medida de confisco das poupanças da população brasileira. Além disso, pretende compreender a memória da população que vivenciou esse período. Para isso, foi realizada uma entrevista com duas pessoas sobre a experiência que se recordam sobre o tema.
OBJETIVOS
O objetivo principal foi identificar e debater o contexto econômico do Brasil durante o governo Collor, em um momento fundamental de execução de políticas públicas para o desenvolvimento econômico brasileiro, nos anos 1990. Entre as questões que basearam essa pesquisa estiveram: Por que o governo Collor criou o Plano Collor? Por que Collor confiscou a poupança da população brasileira? Quais as memórias que a população brasileira guarda do governo Collor?
Partiu-se de algumas hipóteses: Collor teria criado um plano econômico a fim de conter a crise da economia brasileira; Collor teria confiscado a poupança com o intuito de controlar a inflação; e a população brasileira guardaria um sentimento de indignação com as medidas do governo Collor.
MATERIAIS E MÉTODOS
Para execução, foi utilizado o método histórico, a partir de pesquisa em fontes secundárias, por meio de um levantamento bibliográfico, que englobou livros, artigos, dissertações e teses a respeito do governo Collor e do contexto econômico do Brasil em 1990. Ademais, foi utilizado o método participante por meio de entrevista semiestruturada realizada com cinco pessoas em cinco perguntas.
Dentro do método das entrevistas, foi escolhido o grupo focal de homens e mulheres que possuem familiaridade com o grupo, dentro da faixa dos 40-50 anos. Isto é, pessoas que eram jovens durante o período pesquisado, que residiam no Estado de São Paulo e que já possuíam uma ocupação.
DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS
Na década de 1990, o Brasil enfrentava o cenário econômico com baixo crescimento, altas taxas inflacionárias, e elevação dos níveis de pobreza, devido principalmente ao fracasso dos Planos Cruzados. No entanto, nem toda a população brasileira lidava com a deterioração econômica do país e os mais ricos permaneciam acumulando riquezas.
Nesse contexto, a economia sofria um ciclo vicioso, em que a alta inflacionária acarretava empobrecimento e exigia atuação do governo. Ou seja, os planos econômicos mal sucedidos intensificaram os problemas socioeconômicos. (Andozia, 2019)
No período que antecedeu a posse do ex-presidente Fernando Collor de Mello, a economia brasileira estava em uma linha crescente da taxa de inflação, chegando, em janeiro de 1990, a 56%, em fevereiro a 76% e a 84% em março, mês em que o presidente eleito tomou posse. A hiperinflação estava materializada e a medida para contê-la foi colocada em prática logo no primeiro dia de governo, o assim chamado Plano Collor. O plano de estabilização consistia em 22 medidas divididas da seguinte forma:
[...] quatro grupos de medidas de curto prazo: a) uma reforma monetária, que incluía o bloqueio de 70% dos ativos financeiros do setor privado; b) um ajuste fiscal; c) uma política de rendas baseada num novo congelamento de preços; e d) a introdução de uma taxa de câmbio flutuante. Como políticas de médio prazo: liberalização do comércio exterior e privatização. (Bresser-Pereira; Nakano, 1991, p.574).
A mais famosa das medidas foi o confisco das cadernetas de poupança e contas correntes pelo período de 18 meses. Porém, cada brasileiro teria disponível a quantia de 50 mil Novos Cruzados. Também apelidada de “empréstimo compulsório”, a justificativa da medida era que os valores seriam retornados após os 18 meses com a correção de 6% de juros ao ano. Após o fim do feriado bancário de 1990 a população formou longas filas nos bancos, e em muitos casos, acabando com o dinheiro dos caixas eletrônicos.
O Plano Collor I, com sua medida mais drástica de confisco da poupança, não foi apenas um evento macroeconômico, ele se inscreveu profundamente na memória coletiva da população brasileira, moldando percepções sobre a política, o Estado e a segurança financeira.
Esta que seria uma das mais drásticas intervenções do Estado na economia brasileira, teve origem nos debates que sucederam o fracasso de planos anteriores, em especial o Plano Verão, colocado em prática no governo Sarney. Porém, para Carvalho (2006), o elemento central que o diferencia de outros programas de estabilização é o bloqueio da liquidez dos haveres financeiros. Este momento chave da Nova República não teve apenas consequências econômicas, mas marcou profundamente a memória de todos aqueles que o testemunharam.
Andozia (2019, p.62) explica que toda a população brasileira foi afetada pela medida do confisco de poupanças.
De forma indireta, entretanto, podemos inferir que toda a população brasileira foi afetada, uma vez que o choque de liquidez teve forte reflexo na atividade econômica do País, promovendo uma reação em cadeia que levou a uma severa recessão nos meses seguintes ao anúncio do Plano Collor.
Enquanto na memória da população o que ficou marcado foi seu dinheiro sendo confiscado, para o ex-presidente, a medida não passava de um bloqueio de ativos:
O sr. foi o autor do plano econômico mais polêmico da história recente do País e ficou marcado como o homem que confiscou as economias dos brasileiros. Como, quase 14 anos depois, o sr. avalia essa decisão? Sente algum remorso?
Em primeiro lugar, não houve confisco pois não nos apropriamos do dinheiro. Foi tudo devolvido. O que fizemos foi um bloqueio de ativos. Hoje é muito difícil, como protagonista, fazer um balanço de acontecimentos como esse com pura isenção.
O sr. não acha que o seu impeachment começou a nascer ali, no confisco?
Sem dúvida. Outro dia recebi uns estudantes da USP. Perguntei que idade eles tinham em 1992. A mais nova tinha oito anos e o mais velho tinha 11. A mocinha disse algo que me tocou, porque eu me coloquei no lugar dela.
O quê?
Ela contou que foi às ruas e que pintou o rosto pela minha saída. Quando eu perguntei o porquê, ela disse que não tinha muita noção das coisas na época, mas que se lembrava de uma história da sua empregada, que tinha uma Brasília amarela e estava juntando um dinheirinho para comprar um carro melhor, mas teve o dinheiro retido na conta. Ou seja: em toda família brasileira, tem sempre uma história de sofrimento, um trauma ligado ao plano.
Quando o plano não teve mais volta?
No dia da minha posse, 15 de março de 1990. Depois do discurso no Parlatório fui ao meu gabinete e, no intervalo do almoço, assinei as medidas em uma mesa- redonda. Não quis sentar na cadeira presidencial com o estandarte da República, que o Sarney usava, antes que trocassem os móveis. O Bernardo ficou encarregado de levar o plano ao Diário Oficial, mas no final do dia, para evitar vazamentos. À noite, rezei: Meu Deus do céu, ajudai-me para que amanhã as coisas não sejam tão dramáticas.
(IstoÉ-Dinheiro, 2003).
O que ficou marcado após a implementação do Plano foi o completo caos que se instaurou, filas gigantes nas agências bancárias, falta de dinheiro nos caixas e compras gigantes nos supermercados. Tamanho era o desespero em que se encontravam, que muitas pessoas chegaram a relatar algum aumento na taxa de suicídio na época. A jornalista e historiadora Francine de Lorenzo Andozia, autora da dissertação de mestrado “Passaram a mão na minha poupança: um estudo sobre o impacto do Plano Collor no cotidiano da população urbana em 1990” (2019) chegou a afirmar que
O dinheiro aplicado nas cadernetas de poupança não era um dinheiro qualquer. Para muitos, era a motivação para se viver, o meio para se atingir um sonho ou a esperança de cura para uma doença grave. Era a garantia de uma velhice digna ou a chance de ajudar um ente querido em dificuldade (Andozia, 2019, p.141).
A partir da análise das entrevistas foi possível constatar a grande diferença entre a visão apresentada por Collor e pela população. Enquanto o ex-presidente diz que não se apropriou do dinheiro, e portanto, não teria ocorrido o confisco, os entrevistados não deixaram de pontuar o quanto isso os afetaram direta ou indiretamente. Outro ponto de destaque nas entrevistas é a visão de que ele não cumpriu aquilo que havia prometido na campanha, e posteriormente esteve envolvido em um escândalo que acarretou no seu impeachment.
Com base nisso, a discussão de Halbwachs sobre a memória coletiva expõe que “A contextualização realizada pelos quadros sociais inclui, ainda, a padronização social do tempo e do espaço, dimensões fundamentais da experiência humana.” (Rios, 2013, p.6). De modo que, analisamos a medida adotada por Collor de acordo com a conjuntura econômica do período e da percepção de pessoas próximas que o vivenciaram.
Ainda, como apontado por Halbwachs as visões sobre um período anterior podem se alterar de acordo com a posição que ocupamos em um determinado grupo, resultando em uma visão parcial e incompleta. A análise das entrevistas sobre a memória do período Collor enfatiza isso, visto que o grupo focal selecionado relatou experiências similares.
A memória conceituada por Halbwachs é uma forma de relação que se constitui entre o presente e o passado. (Rios, 2013) As entrevistas coletadas foram um modo de resgatar a memória das pessoas, proporcionando a recordação de um tempo específico da vida delas que permanece vivo até os dias atuais, pois se tratou de um contexto econômico que moldou a memória e afetou a percepção dessas pessoas acerca de diferentes assuntos.
CONCLUSÃO
Sendo assim, é notório que o plano econômico do governo Collor foi um dos momentos mais marcantes da história econômica brasileira. O confisco das poupanças, parte principal do plano, deixou profundas marcas na memória coletiva. Assim, ao resgatar as lembranças e experiências vividas nesse período, evidencia-se não apenas o impacto econômico brasileiro, mas também o impacto e o trauma social e psicológico durante o Governo Collor.
Além disso, as hipóteses da pesquisa foram confirmadas e complementadas. Collor criou seu plano econômico com o objetivo de melhorar a condição sócio econômica do país que se encontrava prejudicada devido aos governos anteriores e adotou a medida do confisco de poupanças na tentativa de conter a inflação e cessar o ciclo vicioso da economia.
Dessa maneira, por meio das entrevistas foi possível constatar que para a população que vivenciou o período, a memória do Plano Collor é inseparável da memória da hiperinflação que antecedeu o ocorrido. Collor foi eleito com uma promessa forte de "caçar os marajás" e resolver a inflação. A memória inicial de esperança e a subsequente decepção com o confisco agravam a situação política. O plano, inicialmente visto como a solução radical necessária, rapidamente se mostrou ser um problema.
Portanto, o desenvolvimento desta pesquisa, focado na memória da população brasileira, permite contemplar os dados da inflação e das medidas técnicas, e capturar o impacto humano e a ressignificação de um período de grande instabilidade.
TRANSCRIÇÃO ENTREVISTA
1)Possui alguma memória a respeito do contexto econômico em que o Brasil se encontrava em 1990, quando Collor assumiu?
R1: Inflação muito alta.
R2: O confisco do dinheiro do povo. Eu tive que derrubar muito barranco para conseguir dinheiro e pagar.
R3: Me lembro sim. Me lembro do país estar indo muito mal.
R4: As memórias que tenho do governo Collor, é se tornou candidato com uma proposta aparentemente boa para a elite do país, com o lema "caçador de marajás", a inflação subia continuamente, a poupança pagava juros altíssimos, sendo uma forma de aplicação financeira lucrativa! Alguns votaram nele por causa de sua beleza, se vestia bem, e demonstrava alta classe!
R5: Muita inflação.
2)Qual era sua ocupação durante o governo Collor?
R1: Dentista no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo.
R2: Empreiteiro.
R3: Motorista de caminhão.
R4: Eu tinha 16 anos, trabalhava na manutenção de máquinas e uma empresa de fios de algodão!
R5: Trabalhava no setor administrativo, na tesouraria da Universidade de Sorocaba (UNISO).
3)Qual a lembrança mais marcante que tem a respeito do governo Collor?
R1: O confisco das poupanças.
R2: Além do confisco das poupanças, ele entrou como se fosse um caçador de marajás, que iria acabar com a corrupção no Brasil, mas acabou sendo um dos maiores corruptos.
R3: A lembrança mais marcante sobre o governo foi quando ele prendeu o dinheiro que eu tinha.
R4: O que marcou na lembrança, foram os noticiários sobre as ações do governo para conter o aumento da inflação, que deixou muita gente indignada!
R5: O confisco das poupanças e aplicações financeiras, que era uma renda para algum investimento futuro ou até mesmo para pagar funcionários de empresas.
4) Qual foi a reação ao descobrir sobre o confisco das poupanças? Te afetou ou afetou alguém que conhecia?
R1: Foi um susto enorme, não me atingiu, pois não tinha dinheiro na poupança. Mas, afetou meu namorado, irmãos e amigos. Também houveram muitos suicídios na época.
R2: Uma das obras em que eu trabalhava, um dos empresários se matou, e muitas pessoas conhecidas chegaram a passar fome.
R3: A primeira reação foi indignação. Me afetou sim, já que eu tinha dinheiro guardado.
R4: Muita gente ao descobrir sobre o confisco das poupanças, entraram em desespero, foram apedrejar os bancos, e tentar invadir as agências bancárias. Mas não me afetou diretamente, porque eu não tinha dinheiro investido, mas afetou muitas pessoas da minha família e amigos.
R5: Não me afetou diretamente, porque eu tinha 25 anos, tinha acabado de entrar no mercado de trabalho, então ainda não tinha poupança e nem dinheiro aplicado, mas afetou muitas pessoas que eu conhecia, parentes, muitas pessoas ficaram muito mal, pois estava guardando o dinheiro para algum planejamento e, de repente, se viram sem nada, muitas empresas acabaram, fecharam também e funcionários mandados embora.
5) Pelo que você se lembra, houve alguma contradição entre as promessas de campanha e as medidas do governo? Se sim, quais?
R1: Tínhamos esperança que fosse uma renovação, sem corrupção, sem o comando dos militares, sem censura. Mas na verdade era um corrupto e louco.
R2: A contradição foi ele entrando como se fosse um caçador de marajás, com a ajuda da mídia, pois ele já era corrupto lá em Alagoas, e se mostrando sendo um dos maiores corruptos.
R3: Eu não votei nele. O plano de governo dele era bom na conversa, me lembro dele falar que ia caçar marajás, que ia fazer acontecer. Mas depois de eleito ele fez tudo ao contrário, o país já não ia bem e com ele acabou piorando.
R4: Sim, houve muita contradição, pois ele era o novo candidato da direita que iria resolver os problemas do país. Suas propostas eram caçar os marajás, pois segundo o entendimento dele, muita gente ganhava dinheiro sem trabalhar. Na visão de Collor, muitas pessoas se aposentavam cedo demais, com 45 a 50 anos de idade, colocavam o dinheiro de rescisão contratual de emprego, em rendimento da poupança, vivendo dos juros. Também com a promessa de controlar a inflação, ia resolver os problemas econômicos do país. Não resolveu os problemas, foi processado, e renunciou ao mandato pouco antes de ser cassado.
R5: O governo era cheio de promessas. Prometeram que iriam acabar com a inflação e, assim, foi criado o Plano Collor. Mas foi um governo cheio de corrupção e desvio de dinheiro, tanto do Collor como de seus assessores. Teve até o caso do Paulo César Farias que foi assassinado, tanto que em 1990, ele assumiu, e em 1992 já pediram o impeachment e o Itamar franco assumiu com novas ideias e conseguiu dar uma melhorada na economia brasileira.
REFERÊNCIAS
ANDOZIA, Francine de Lorenzo. Passaram a mão na minha poupança: Um estudo sobre o impacto do Plano Collor no cotidiano da população brasileira urbana em 1990. Dissertação (mestrado), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2019.
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos; NAKANO, Yoshiaki. Hiperinflação e estabilização no Brasil: o primeiro Plano Collor. In: Revista de Economia Política, vol. 11, nº 4 (44), pp. 565-591, 1991.
REVELAÇÕES DE COLLOR. IstoÉ: Dinheiro. 2003. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/revelacoes-de-collor.
RIOS, Fábio Daniel. MEMÓRIA COLETIVA E LEMBRANÇAS INDIVIDUAIS A PARTIR DAS PERSPECTIVAS DE MAURICE HALBWACHS, MICHAEL POLLAK E BEATRIZ SARLO. INTRATEXTOS, Rio de Janeiro, v. 5, ed. 1, p. 1-22, 2013.
RELATÓRIO
FASE INICIAL:
Tratando-se de um grupo formado por quatro pessoas, a maior “dificuldade” encontrada foi na divisão de tarefas. A possibilidade de realizar o trabalho em momentos distintos fez com que cada uma adequasse sua tarefa com sua rotina. O primeiro momento foi a delimitação do tema, feito em conjunto. Seguido da metodologia a ser utilizada, onde optamos pelo método histórico e participante. E por fim a delimitação acerca de quem ficaria responsável pela elaboração das perguntas, da revisão bibliográfica, realização das entrevistas e análise dos resultados encontrados.
FASE INTERMEDIÁRIA:
As tarefas foram distribuídas entre os membros do grupo de acordo com um equilíbrio entre os participantes. Sendo que, o projeto foi pensado em conjunto, uma integrante ficou responsável pela elaboração dos objetivos, outra integrante pela introdução, outra encarregada da escrita dos métodos e técnicas utilizados, e outra da conclusão. Enquanto, todas ficaram designadas para ler sobre o tema e escrever o desenvolvimento de modo que complementasse o que cada uma elaborou. Ainda, para criação do relatório todas trouxeram sua contribuição e opinião para que uma das integrantes pudesse transcrever a descrição das fases.
O método de pesquisa selecionado foi devido a sugestão do docente e aprimoramento por parte do grupo, que escolheu o tema por se tratar de um assunto relevante aos dias atuais, considerando que Collor continua atuando na política e os problemas econômicos brasileiros persistem. A temática abordada também foi delimitada por ser de fácil entendimento por parte das pessoas que o grupo possui contato para a realização das entrevistas. O uso do levantamento bibliográfico, se torna indispensável para fundamentação, orientação e validação do conteúdo pesquisado.
Dentro do método escolhido, foi possível fazer um complemento com outra matéria aplicada no curso de “Métodos e técnicas de pesquisa nas Ciências Sociais”. Sendo, viável fazer uma aplicação dos conhecimentos adquiridos mais compatíveis com essa disciplina.
FASE FINAL:
Os resultados obtidos com a pesquisa revelaram que muitas pessoas foram diretamente afetadas pelo Plano Collor, especialmente pelo confisco das poupanças. Mesmo entre os que não sofreram prejuízos diretos, a maioria conhecia alguém que foi impactado e todos foram indiretamente afetados. Em duas das quatro entrevistas realizadas, os participantes relataram conhecer pessoas que chegaram a tirar a própria vida em decorrência das perdas financeiras provocadas pelo plano. Esses relatos nos permitiram compreender melhor a profundidade do impacto social e psicológico que essa medida deixou na memória coletiva da população brasileira.
Dessa maneira, o método escolhido foi o histórico, em conjunto com o método participante, por meio da realização de entrevistas. Essa escolha nos permitiu um contato mais direto com as experiências individuais, especialmente considerando que os documentos disponíveis apresentavam, em sua maioria, um enfoque predominantemente econômico. Assim, os relatos pessoais contribuíram para ampliar nossa compreensão sobre os impactos sociais do Plano Collor.
No entanto, enfrentamos dificuldades para encontrar pessoas que se recordam do período ou que estivessem dispostas a participar da pesquisa. Como sugestão de pesquisa seria interessante realizar uma busca bibliográfica mais ampla e produzir dados estatísticos a respeito do tema.