Trabalho sobre o Movimento Estudantil: A IMPORTÂNCIA DAS MORADIAS UNIVERSITÁRIAS PARA A PERMANÊNCIA ESTUDANTIL, E O PAPEL DE MANUTENÇÃO E MELHORIAS OPERADO POR MOVIMENTOS DISCENTES
Trabalho sobre o Movimento Estudantil
[editar | editar código]UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO
Ciências Sociais - Noturno
Marília, 2025
Ana Laura de Santana Silva (Noturno)
Estefany Nicole Ferreira dos Santos (Noturno)
Julia Rodrigues Missão (Noturno)
Lara Rodrigues Paquer Alves (Noturno)
Otávio Pontes Rici (Noturno)
A IMPORTÂNCIA DAS MORADIAS UNIVERSITÁRIAS PARA A PERMANÊNCIA ESTUDANTIL, E O PAPEL DE MANUTENÇÃO E MELHORIAS OPERADO POR MOVIMENTOS DISCENTES
[editar | editar código]INTRODUÇÃO
[editar | editar código]Os Programas de Auxílio Permanência e Moradia Estudantil possuem papéis fundamentais nas vivências universitárias. Com a finalidade de promover o acesso, e garantir a estância de estudantes de classes populares, tais políticas estão constituídas em instituições de ensino superior, e, em sua maioria, públicas. No entanto, atende parcialmente às reivindicações dos discentes, pois não alcançam todos os estudantes que precisam desse auxílio para dar continuidade aos seus estudos (Gomes; Pires; Silva, 2022).
Conforme atestado no documentário “Paredes que Falam - Memórias da Moradia Estudantil da Unesp Marília”, partindo de 14 entrevistas que relatam experiências, pode-se afirmar que, por mais importante que seja a existência de auxílios, tal política pública não certifica o suprimento das carências, e sua implementação não se sustenta sem adequações e mudanças estruturais, de acordo com a necessidade dos contextos. A obra demonstra, com muita destreza, o papel fundamental do movimento estudantil unespiano para a reivindicação de direitos, em tese, garantidos pela legislação que regem as assistências, ocupando espaços e evidenciando, em grande escala, a causa nobre que, seja dito de passagem, deu origem a luta e resistência, em 1986.
DESENVOLVIMENTO
[editar | editar código]A moradia estudantil faz parte do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), que tem como finalidade democratizar o acesso às universidades públicas na esfera federal e possibilitar a permanência estudantil, sobretudo para os estudantes em situação de vulnerabilidade econômica. De acordo com Lacerda e Valentini (2018), a moradia estudantil tem um efeito sobre o desempenho acadêmico dos universitários, como a maior participação em atividades extracurriculares, maior utilização dos recursos da universidade como a biblioteca, consequentemente aumentando as horas de estudo durante o período letivo e corroborando para um maior rendimento acadêmico.
Estudos nacionais apontam que a moradia estudantil contribui e impacta positivamente para a experiência universitária, evidenciando a relação entre a vivência no local, e as alterações provocadas, na dimensão pessoal, acadêmica e social dos estudantes. As influências propagadas por essa política partem de aspectos identitários e sociais, como a construção da própria individualidade; convivência com a diversidade; enfrentamento do preconceito e do estigma de ser morador. No entanto, embora tal assistência tenha avanços, ela não abrange a todos aqueles que necessitam desse auxílio (Garrido, 2012).
Diante disto, a seguinte passagem destaca a relevância de assistências que germinam o conforto coletivo:
Defende-se, por isso, que a moradia estudantil não deve ser concebida como uma medida que vise solucionar unicamente a necessidade de moradia daqueles que precisam. Sem negar que esse aspecto por si só já é de grande relevância no contexto brasileiro, propõe-se ampliar essa compreensão e, para isso, coloca-se a moradia estudantil como um valioso componente do ambiente de formação que deve favorecer experiências enriquecedoras para o estudante. Diante do exposto, ressalta-se a importância de compreender, na formação desses estudantes, as implicações decorrentes da experiência de residir em uma moradia estudantil (Garrido, 2012, p 39).
Partindo disso, o Movimento Estudantil foi gerado e consagrado a partir de filhos de trabalhadores que buscavam demandar seus direitos, utilizando de políticas públicas como base sólida. Registros apresentam que, desde o fim do período colonial, movimentos estudantis participam ativamente do cenário político, social e econômico brasileiro. A classe discente contribui tanto com ações relacionadas à educação, quanto com aspectos mais amplos englobados no contexto nacional vivido. Como objetivo de sua resistência, as mobilizações encorajadas pelo M.E buscam certificar o bem-estar e a qualidade de vida dos estudantes.
Sob esse viés, a moradia da UNESP de Marília foi conquistada por manifestações, encabeçadas e articuladas pelo movimento estudantil, e, finalmente, inaugurada em 1987. Entretanto, a luta por espaços de qualidade não se encerra neste ano. Devido à alta demanda dos estudantes, a qual a universidade não estava atendendo, originaram-se outras movimentações, de extrema importância para cenário atual, em 1999 e 2002, pautadas em debates sobre a superlotação e a precarização dos ambientes oferecidos para os beneficiários dos auxílios, sendo a moradia estudantil o principal exemplo.
“Paredes que Falam - Memórias da Moradia Estudantil da UNESP de Marília” resgata a memória da Moradia Estudantil da UNESP, produzido pela estudante de Pedagogia, Fernanda Lima Peixoto, em parceria com outros discentes, utilizando-se da moradia estudantil como objeto de pesquisa, e retratando as problemáticas que envolviam tal espaço.
A idealizadora do projeto destaca que a moradia estudantil transcende a função de acolhimento, ela se torna um local de articulação política, de reafirmação do papel social da universidade e para além disso, um ambiente de troca, aprendizado e luta coletiva. De tal modo que, a luta pelo acesso a esse espaço, também é uma luta para que a universidade cumpra a sua função pública. Já a produtora do documentário, Meri, expõe que a moradia significa “entender o que é comunidade, e qual o papel dela na nossa vida social, no sentido de respeitar o outro e de viver com o outro em convivência mesmo” (Martinez, 2025).
No contexto de 2014, o campus da UNESP de Marília passava por diversas complicações relacionadas à moradia. Os estudantes que se encontravam em situações mais vulneráveis, por causa da alta demanda não conseguiam alojamento na moradia estudantil, considerando que sua estrutura suportava um número de discentes contemplados no ano de 2004. Portanto, no dia 05 de maio de 2014, a Assembleia de Moradores do Campus de Marília da UNESP decidiu, por unanimidade, a ocupação das salas de aula do Prédio de Atividades Didáticas, como uma tentativa de garantir um lugar para morar, e se organizaram para suprir demandas básicas, como alimentação e produtos de higiene pessoal. A ocupação da universidade foi uma manifestação para que a direção escutasse suas pautas sobre a moradia estudantil.
O documentário reforça a união dos estudantes em prol do acesso aos seus direitos da permanência, tanto nas filmagens de 2014 que expõem as manifestações e ocupações que aconteceram na universidade, quanto nos relatos dos estudantes que retomam a trajetória deles e de colegas na luta estudantil. Torna-se evidente para os telespectadores, a organização que as ações promovidas por esses alunos tinham, desde atribuição de tarefas, reuniões e em almoços de confraternização. “A universidade, historicamente voltada às elites, se viu pressionada a abrir suas portas para a diversidade social. Mas essa ampliação do acesso só faz sentido quando acompanhada de políticas efetivas de permanência”, expõe Fernanda (Martinez, 2025).
Por fim, determinadas reivindicações, feitas no ano de 2014, foram concedidas, como a instalação de novos eletrodomésticos, e, principalmente, um plano de obras para a construção de um novo bloco de moradias, que para ser construído, a Prefeitura de Marília precisaria viabilizar um terreno para obra, e assim seguir com a elaboração de um projeto executivo, referente a plantas baixas e a parte hidráulica e elétrica, além de um plano funcional, para atender as necessidades dos estudantes para enfim dar início às obras.
CONCLUSÃO
[editar | editar código]Esse projeto proporcionou a compreensão da relevância e magnitude de auxílios que garantam a permanência. Além disso, conforme comprovado durante a tese, é viável afirmar que tais políticas somente permanecem vivas e em constante evolução devido às organizações discentes, que se propõem a organizar e promover atos e manifestações que geram visibilidade, e garantem mudanças por parte dos órgãos responsáveis, a partir da união da classe universitária, que se mostra consciente de suas necessidades e de sua potência militante.
REFERÊNCIAS
[editar | editar código]CARTA de esclarecimento à Comunidade Universitária. Ocupação por Moradia Unesp FFC - Marília, 2014. Disponível em: https://ocupacaopormoradiaffcmarilia.blogspot.com/2014/05/carta-de-esclarecimento-comunidade.html. Acesso em: 24 out. 2025.
GARRIDO, Edleusa Nery. Moradia Estudantil e Formação do (a) Estudante Universitário(a). 2012. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012.
GOMES, Marília do Amparo Alves; PIRES, Ennia Débora Passos Braga; SANTOS SILVA, Soane. Perspectiva discente sobre os impactos da moradia estudantil para a permanência na universidade. Revista Educação em Páginas, [S. l.], v. 1, p. e11350, 2022. DOI: 10.22481/redupa.v1.11350. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/redupa/article/view/11350. Acesso em: 1 out. 2025.
LACERDA, Izabella Pirro; VALENTINI, Felipe. Impacto da Moradia Estudantil no Desempenho Acadêmico e na Permanência na Universidade. Revista Psicologia Escolar e Educacional, v. 22, p. 413-423, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pee/a/kPkhTBrFRcNFsj6MxFhp7Bx/?lang=pt. Acesso em: 17 out. 2025.
MARTINEZ, Rogério. 'Paredes que falam' resgata em Marília memórias e luta da Moradia na Unesp. Giro Marília, 2025. Disponível em: https://www.giromarilia.com.br/cidades/marilia/paredes-que-falam-resgata-em-marilia-memorias-e-luta-da-moradia-na-unesp/?utm_source=whatsapp&utm_medium=referral&utm_campaign=share_alongside. Acesso em: 28 out. 2025.
Paredes que Falam - Memórias Da Moradia Estudantil da UNESP Marília. Direção: Fernanda Lima Peixoto. Produção: Meri Moraes. Marília, 2025.
UNESP FFC. Nota de esclarecimento sobre as demandas na moradia estudantil. Marília, 2014. Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Modulos/Noticias/1201/nota-de-esclarecimento-sobre-demandas-da-moradia-estudantil---08-10-2014.pdf#page=2.00. Acesso em: 24 out. 2025.