Utilizador:BiCoelho
Congo ou quicongo (Predefinição:Langx)[1] é uma língua falada pelo povo congo no norte da República de Angola nas províncias de Cabinda, do Uíge, do Zaire e parte de Kwanza-Norte; e na região do baixo Congo, na República Democrática do Congo e nas regiões limítrofes da República do Congo além de em alguns povos do Gabão. A língua tem a sua origem no antigo Reino do Congo[1] como língua oficial e hoje, também possui o estatuto de língua nacional em Angola. Conta com diversos dialetos.####
Segundo a classificação linguística de Greenberg (1982), a língua Congo inclui-se no grupo bantu, da divisão bantóide, pertencente ao subgrupo benue-congo, que faz parte da ramificação níger-congo da grande família Níger-Kordofaniana. Apesar de classificação de Greenberg ser amplamente aceita, ela se faz controversa em relação à proposta de Guthrie, na qual as inúmeras semelhanças encontradas entre o bantu e outras línguas do níger-congo resultam de influências bantu sobre um grupo de línguas fundamentalmente diferentes.
Historicamente, era ima língua falada por muitos dos que foram levados como escravos para as Américas. Por essa razão, formas crioulas são adotadas desde o Caribe até a América do Sul e também podem ser vistas na linguagem ritual de religiões afro-americanas especialmente no Brasil, Cuba, Puerto Rico, Republica Dominicana, Haiti e Suriname. Também influenciou na formação da língua gullah nos Estados Unidos e do palenquero na Colômbia.
Existem atualmente aproximadamente 7 000 000 de falantes nativos e 2 000 000 de pessoas que a usam como segunda língua. Serviu de base para a formação do quituba.
Escrita
[editar | editar código]Atualmente, não existe um padrão de ortografia para o quicongo. São usados vários estilos diferentes, principalmente em jornais, panfletos e alguns livros.
O quicongo foi a primeira das línguas bantas a ser escrita em caracteres latinos e foi a primeira língua banta a possuir um dicionário. Foi escrito um catecismo em quicongo sob a autoridade de Diogo Gomes, um jesuíta nascido no Congo de pais portugueses em 1557, mas nenhuma versão dele existe nos dias atuais.
Em 1624, Mateus Cardoso, outro jesuíta português, editou e publicou uma tradução para o quicongo do catecismo de Marcos Jorge. Seu prefácio diz que a tradução foi feita por professores congoleses de São Salvador (Mabanza Congo), provavelmente parcialmente por obra do congolês Félix do Espírito Santo.[2]
O dicionário foi escrito por volta de 1648 para uso de missionários capuchinhos e o principal autor foi Manuel Robredo, um padre secular do Congo que se tornaria capuchinho sob o nome de Francisco de São Salvador. Nas costas do dicionário, existe um sermão de duas páginas escritas somente em quicongo. O dicionário tem aproximadamente 10 000 palavras.
Dicionários adicionais foram criados por missionários franceses na costa do reino de Loango na década de 1780, e uma lista de palavras foi publicada por Bernardo da Canecattim em 1805.
Missionários batistas que chegaram ao Congo em 1879 desenvolveram uma ortografia moderna para a língua.
O "Dicionário e Gramática da Língua Congo", de W. Holman Bentley, foi publicado em 1887. No prefácio, Bentley creditou Nlemvo, um africano, por sua assistência, e descreveu "os métodos que usou para compilar o dicionário, que incluíram organizar e corrigir 25 000 folhas de papel contendo palavras e suas definições."[3] Eventualmente, Bentley, com a assistência especial de João Lemvo, produziu uma Bíblia completa em 1905.
Classificação linguística
[editar | editar código]O quicongo pertence à família de línguas bantas. De acordo com Malcolm Guthrie, o quicongo pertence ao grupo linguístico H10, o grupo das línguas congos. Outra língua do grupo é o bembe. O Ethnologue 16 inclui o ndingi (H14) e o mboka (H15) como dialetos do Congo, embora reconheça que eles podem ser considerados línguas distintas.
De acordo com a classificação de Bastin, Coupez e Man (Tervuren), que é mais recente e precisa que a de Guthrie, a língua tem os seguintes dialetosː
- grupo quicongo H16
- quicongo do sul H16a
- quicongo central H16b
- Yombe H16c
- Fiote H16d
- quicongo ocidental H16d
- Bwende H16e
- Ladi (Lari) H16f
- quicongo oriental H16g
- quicongo do sudeste H16h
Fonologia
[editar | editar código]| anterior | posterior | |
|---|---|---|
| fechada | iPredefinição:IPAlink | uPredefinição:IPAlink |
| média | ePredefinição:IPAlink | oPredefinição:IPAlink |
| Baixa | aPredefinição:IPAlink | |
Existe uma contrastante quantidade vocálica. /m/ and /n/ também têm variantes silábicas, que contrastam com consoantes pré-nasalizadas.
Influência nas Américas
[editar | editar código]Muitos escravos africanos transportados para a América falavam quicongo, e sua influência pode ser vista em muitas línguas crioulas na diáspora africana, como o palenquero (falado por descendentes de escravos negros fugidos na Colômbia), o habla congo (a língua litúrgica da religião afro-cubana palo) e a língua crioula haitiana. Algumas palavras do inglês americano também são derivadas do quicongo, comoː goober (amendoim), do quicongo nguba; zombie (zumbi), do quicongo nzombie, "morto"; e funk, do quicongo lu-fuki.[4][5] O nome da dança cubana mambo deriva de um termo quicongo que significa "conversa com os deuses".
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ 1,0 1,1 Quicongo. Michaelis On-Line. Página visitada em 2016-12-04.
- ↑ BONTINCK, F., NSASI, D. N. Le catéchisme kikongo de 1624. Reédition critique. (Brussels, 1978)
- ↑ World Digital Library. Disponível em https://www.wdl.org/en/item/2533/. Acesso em 15 de novembro de 2017.
- ↑ Farris Thompson, in his work Flash Of The Spirit: African & Afro-American Art & Philosophy
- ↑ English language and usage. Disponível em https://english.stackexchange.com/questions/17228/where-does-funk-and-or-funky-come-from-and-why-the-musical-reference. Acesso em 15 de novembro de 2017.
Ligações externas
[editar | editar código]Predefinição:Línguas de Angola Predefinição:África/Línguas
Predefinição:Esboço-linguística Predefinição:Portal3