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Utilizador:Brenno Cunha Pimentel

De Wikiversidade

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP

Faculdade de Filosofia e Ciências - Câmpus de Marília

Alice Pinazza Brenno Cunha Pimentel

Síntese da aula "Movimento Feminista no Brasil

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INTRODUÇÃO

O artigo "O feminismo Brasileiro desde os anos 1970" busca focalizar de início a relação entre o contexto de autoritarismo político e a forma adquirida pelo feminismo no Brasil. E na leitura de Apesar de influenciado por experiencias europeias e norte americanas, o feminismo no Brasil foi bem-marcado pela contestação à ordem política instituída no país na época, desde o golpe militar de 64. Uma parte expressiva dos grupos feministas estava articulada a organizações de influência marxista, clandestinas e fortemente comprometidas com a oposição à ditadura.

A situação da mulher no Brasil a partir dos anos 60, propiciadas pela modernização que o país vinha passando, pondo em questão a tradicional hierarquia de gênero, no amargo contexto da ditadura.

Há uma radicalidade posta na questão das mulheres do movimento feminista, como uma questão fundamentalmente ‘conflituosa’, por contestar as relações de poder tanto no mundo naturalizado das relações entre homem e mulher, quanto em todo âmbito da sociedade, articulava relações de gênero com luta de classes, foi caráter desse movimento no Brasil.

CENÁRIO POLÍTICO

A presença das mulheres na luta armada implicava não só lutar contra a política vigente, mas também representou uma profunda transgressão ao que era designado à época como próprio das mulheres, as militantes negavam-se ao lugar tradicionalmente atribuído à mulher, elas pegaram as armas e tiveram êxito nesse comportamento.

O feminismo brasileiro enfrentou-se com a questão de articular à sua base marxista a questão da subjetividade, introduzindo por essa via também a psicanálise.

Em 96 foi discutida a presença da mulher como protagonista na resistência à ditadura, e pela primeira vez, como vítima de uma violência específica. Elas foram atingidas não apenas sexualmente, mas também por uma manipulação de vínculo entre mãe e filhos, uma vez que esse vínculo torna a mulher particularmente vulnerável e suscetível à dor.

O ano internacional da mulher, em 1975, declarado pela ONU, propiciou o cenário que permite a visibilidade do movimento feminista, isso abriu espaço para a formação de grupos políticos de mulheres que passaram a existir abertamente, como Brasil mulher, o nós mulheres etc.

Iniciado nas camadas medias, o feminismo brasileiro que se chamava movimento de mulheres, expandiu-se de forma peculiar com as camadas populares e suas organizações de bairro, constituindo-se um movimento de interclasses.

O feminismo foi se expandindo dentro desse quadro geral de mobilizações diferenciadas. Inicialmente, ser feminista tinha uma conotação pejorativa. Vivia-se sob fogo cruzado. Para a direita era um movimento imoral, portanto perigoso. Para a esquerda, reformismo burguês, e para muitos homens e mulheres, independentemente de sua ideologia, feminismo tinha uma conotação antifeminina.

A participação das mulheres nos movimentos de bairro, que as retirava do confinamento doméstico, propiciou a emergência de um novo sujeito político, ao questionar, de diferentes maneiras, a condição da mulher e pôr em discussão a identidade de gênero.

A conjuntura política apenas agravou, de forma marcante, o que constitui um impasse estrutural do feminismo, dado por duas ordens de questões: de um lado, a difícil articulação entre a luta política contra a opressão social e histórica da mulher e a dimensão da subjetividade intrínseca ao teor libertário feminista; e de outro, o já mencionado fato de que o feminismo, embora diga respeito à mulher em geral, não existe abstratamente, mas se refere a mulheres em contextos políticos, sociais e culturais específicos, o que implica recortes e clivagens que dividem estruturalmente o mundo que se identifica como feminino.

O movimento feminista em 1970 se organiza como movimento social político. É importante pensar os movimentos sociais na garantia dos direitos humanos na nova constituição da república federativa de 1988

Conforme expõe Colling (2004, p. 13), a história das mulheres é uma história recente pois desde o século XIX, o seu lugar dependeu das representações dos homens que foram, por muito tempo, os únicos historiadores - história dos homens como universal e mulheres na margem. Jaguaribe (1985) argumenta que, o encaminhamento do processo democrático, com alternâncias de medidas reformistas, atos revolucionários e retrocessos autoritários, é observável em todas as sociedades em que tal processo conseguiu continuidade histórica.

Conforme Blay: O movimento de mulheres teve, a partir dos anos 60, uma trajetória em duas direções. A primeira, marcada pela Marcha da Família com deus e pela Propriedade, liderada pelo MAF (Movimento de Arregimentação Feminina) constituiu-se na expressão de segmentos conservadores da sociedade brasileira: manutenção da “ordem”, preservação da família tradicional, conservação da propriedade privada, contra a restrição à remessa de lucros por parte de empresas estrangeiras, contra o direito de greve, pela obediência aos valores hierárquicos seja da igreja, família ou militares. Tais valores estariam sendo ‘ameaçados’ pelo governo Jango, assim como por grupos políticos progressistas de então, o que provocou amplo movimento social de reação, baseado na classe média alta e com apoio também de setores populares. (BLAY, 1988, p. 43.) - isso é um movimento de mulheres, conservador, que se colocava sobre os problemas do país.

Mostrando como o movimento feminista teve sempre um importante papel, em resposta aos problemas que afetavam às mulheres e à sociedade em geral, nos anos de 1970, surgem outros dois amplos movimentos sociais com liderança feminina, o movimento contra a carestia e o movimento de luta por creches. Tais movimentos estavam reivindicando os direitos humanos e de cidadania. O primeiro deles ocupou um espaço político antes específico aos sindicatos de trabalhadores que nestes anos estavam sob intervenção federal. O movimento contra a carestia desmascarou quem estava pagando pelo “milagre brasileiro” juntando forças na direção da reabertura sindical e dos movimentos grevistas de 1978 e 1979


RECORTE RACIAL


Mulheres negras não estão nessa discussão, mesmo que estejam presentes na vida dos homens brancos e negros e mulheres brancas, e não se falava nelas, para que elas pudessem continuar servindo os brancos (homens e mulheres). As mulheres brancas colocavam a ordem em questão, mas não colocavam em questão quem sustentava tudo, as mulheres negras. O movimento feminista não contemplou todas as camadas sociais, era negligente nesse sentido. A libertação da mulher branca tem sido feita às custas da mulher negra, por exemplo, como uma mulher branca sairia para lutar na rua se não tivesse uma mulher negra cuidando da sua casa, dos seus filhos. É necessário subir em cima de uma classe ou grupo social para manter essa ordem hierárquica de exploração. Pensando na interseccionalidade, classe é importante para colocar a mulher negra na discussão feminista. Existe uma grande diferença entre mulheres brancas e negras em cargos de trabalho e níveis escolares, era nítido que os brancos sempre ocupavam mais espaços.

A luta que visava representatividade e necessidade de conquistar mais espaço era resultado de uma luta feminista em conjunto do movimento negro unificado. O movimento negro trouxe as pautas da mulher negra ao movimento feminista. O que acontece no Brasil não é apenas discriminação efetiva, mas diferentes formas de discriminação em diferentes âmbitos, e a figura da mulher negra vem atribuída a escrava doméstica e mucamas, sempre ligadas ao trabalho doméstico e baixa remuneração. Essas mulheres negras estavam geralmente dentro das casas, em prostituições ou em classes mais baixas de trabalho, e isso mostra como elas na universidade é um ato revolucionário.

O movimento feminista foi muito importante, porém existiam falhas que eram corrigidas por outros movimentos, exemplo foi o movimento negro unificado que foi muito importante para conquistar esses lugares considerados indignos para essa população e para que futuras gerações ainda tragam essas discussões.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.3

SARTI, Cynthia Andersen. O Feminismo Brasileiro desde os anos 1970: Revisitando uma trajetória. Estudos Feministas, Florianópolis, 12(2): 264. 2004.

BRABO, T. S. A. M.A participação do movimento feminista contra a Ditadura Militar e no processo de redemocratização do Brasil. In: BRABO, T. S. A. M. (org.).

Direitos humanos, educação e participação popular :50 anos do golpe militar. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014. p.153-170.

POSSAS, L.M.V. O enigma das viúvas: vivências e sensibilidades. Anos 60-80. Curitiba CRV, 2019.

(Capítulo 1 - Por que falar de viuvez e das viúvas) e (Capítulo 4 Viuvez, o terrorismo de estado e memória: reconectar o desconexo).