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Utilizador:Natália Bittencourt Santos

De Wikiversidade

A Leishmaniose

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O que é?

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A leishmaniose é uma doença causada por várias espécies de protozoários do gênero Leishmania que atinge 12 milhões de pessoas no mundo. Trata-se de uma doença infecciosa, parasitária, cujos principais agentes são quatro espécies deste protozoário: Leishmania chagasi, Leishmania braziliensis, Leishmania amazonensis e Leishmania guyanensis.
A L. chagasi é o agente causador da forma visceral da leishmaniose, a L. braziliensis é causadora da forma mucocutânea desfigurante, as demais provocam a forma tegumentar.
A leishmaniose é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Lutzomyia longipalpis, não existindo, assim, transmissão humano-humano. Considerada uma moléstia negligenciada por receber pouca ou nenhuma atenção dos grandes laboratórios farmacêuticos, ela é prevalente em populações de baixa renda de países da Ásia, África e América Latina (dados da OMS aponta que surgem entre 2 e 2,5 milhões de casos a cada ano, no Brasil, onde a doença é considerada uma epidemia, são notificados a cada ano 34 mil novos casos).

Classificações

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A Leishmaniose é classificada em dois grupos: tegumentar (cutânea e mucocutânea) e visceral.

Tegumentar

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É caracterizada por lesões (feridas pequenas, vermelhas e arredondadas ) na pele e mucosa, podendo também afetar nariz, boca e garganta (esta forma é conhecida como “ferida brava”).

É uma doença sistêmica, pois afeta vários órgãos vitais, sendo que os mais acometidos são o fígado, baço e medula óssea. Sua evolução é longa podendo, em alguns casos, até ultrapassar o período de um ano, podendo levar a morte.

Pessoas com leishmaniose cutânea apresentam uma ou mais feridas na pele. Essas feridas podem mudar de tamanho e aparência com o tempo. Algumas feridas são cobertas por uma crosta, que podem ser doloridas ou não. Algumas pessoas têm glândulas inchadas perto das feridas. Pessoas com leishmaniose visceral geralmente têm febre, perda de peso, inchaço no baço e fígado, e alguns testes de sangue anormais. Por exemplo, pacientes geralmente tem baixa contagem de sangue, incluindo diminuição das células vermelhas (anemia), das células brancas e das plaquetas.

Tratamento

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O tratamento convencional da leishmaniose é bastante doloroso e consiste na aplicação de injeções diárias por um período prolongado, que apresentam efeitos colaterais sérios como dores musculares e abdominais, além de náuseas, e nem sempre são eficazes. As feridas na pele geralmente curam-se por si mesmas sem tratamento, porém isso pode levar meses ou até anos. Seu tratamento é dificultado por conta da localização do parasita dentro dos macrófagos (um tipo de célula do sistema imunológico de difícil acesso, que reduz a eficácia da ação dos fármacos). Outra preocupação é a leishmaniose mucosa (feridas na no nariz e na boca causadas por alguns tipos de parasita que se espalham da pele para o nariz e boca). A leishmaniose mucosa pode aparecer até anos depois que as feridas originais na pele sararam. A melhor forma de prevenir é tratar a infecção cutânea antes que ela se espalhe.

Pesquisas recentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro estão formulando uma nova cura para a leishmaniose contendo chalconas. A primeira vantagem da nova formulação contendo chalconas encapsuladas em lipossomos, destinada exclusivamente ao tratamento da leishmaniose cutânea, é sua aplicação local.
A chalcona possui comprovados efeitos anti-inflamatórios e cicatrizantes. Estudos diversos comprovaram a atividade contra a leishmaniose cutânea. Ela age na desestruturação da membrana celular do parasita, levando-o à morte, mas também possui efeito residual tóxico para as células do paciente. Para atenuar esse efeito, novas classes de chalconas foram desenvolvidas, sendo que a chalcona nitrogenada (CH8) da UFRJ revelou-se a mais seletiva e ativa para o tratamento da moléstia.
A chalcona encapsulada foi produzida e caracterizada quimicamente no Laboratório de Desenvolvimento de Processos Biotecnológicos da FEQ da Unicamp.

Uma das várias frentes de combate à transmissão da leishmaniose visceral é a vacina.
Um tipo de vacina recombinante contra a leishmaniose visceral canina, chamada Leish-Tec, desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a empresa mineira Hertape Calier Saúde Animal, mostrou eficiência de 90% nos testes conduzidos em uma área endêmica da doença tanto humana como canina, com animais de diferentes raças sujeitos à picada do inseto.
A vacina recombinante é feita a partir da inserção da informação genética do protozoário Leishmania chagasi em bactérias, que são então replicadas. As bactérias são como uma biofábrica que produz o antígeno para a vacina. Lançada comercialmente em outubro de 2008, a vacina continua a ser alvo de estudos clínicos, para que possa ter seu uso recomendado pelo Ministério da Saúde.
A vacina foi criada para induzir uma resposta celular do organismo, já que o Leishmania é um parasita intracelular. O primeiro passo para chegar à vacina recombinante foi identificar genes importantes do protozoário na ativação do sistema imune para desenvolver uma resposta protetora. No caso, o gene escolhido codifica uma proteína chamada pelos pesquisadores de A2.
A partir de 2004, foi iniciado um teste, chamado de fase 2, da vacina em cães, conduzido com um número limitado de animais submetidos a infecção artificial do parasita.
Em um novo estudo chamado de ensaio clínico fase 3, que está sendo realizado desde o início de 2008, estão sendo feitos testes com 1.150 cães de uma região endêmica para leishmaniose visceral, tanto humana como canina. Para se obter resultados mais precisos, foi utilizada a metodologia de estudo duplo-cego, ou seja, nenhum dos donos dos animais participantes do estudo sabe quais deles receberam a vacina. Já foram investidos cerca de R$ 25 milhões no desenvolvimento da Leish-Tec até agora.
Os estudos sobre a Leish-Tec e outras vacinas contra a leishmaniose continuam, e já se comprovam diminuições consideráveis dos casos.

Referências

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1. Palatnik de Sousa, C.B. et al. Decrease of the incidence of human and canine visceral leishmaniasis after dog vaccination with Leishmune in Brazilian endemic áreas. Vaccine. v. 27, p. 3.505-12. 2 jun. 2009.
2. Fernandes. A. P. et al. Protective immunity against challenge with Leishmania chagasi in beagle dogs vaccinated with recombinant A2 protein. Vaccine. v. 26, p. 5.888-95. 29 out. 2008.
3.http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3972&bd=1&pg=3&lg=
4.Parasitologia Humana - Neves, David Pereira / ATHENEU