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Utilizador Discussão:Animeirekudo

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A mídia no ensino estudantil


Tendo as artes visuais como conhecimento, e defendendo o ensino desta através do uso da imagem, buscamos através da nossa formação inicial, e agora no processo de conclusão, refletir sobre as imagens da mídia televisiva e impressa, enfocando no ato da leitura e construção da crítica sobre o que se vê. Observando os Parâmetros Curriculares Nacionais em Arte (1998) no ensino de artes visuais, a mídia faz parte dos:

Conteúdos em artes visuais: Apreciação significativa:

Conhecimento e competência de leitura das formas visuais em diversos meios de comunicação da imagem: fotografia, vídeo, quadrinhos, telas de computador, publicações, publicidade, design, desenho animado, etc. Reconhecimento da diversidade de sentidos existentes nas imagens produzidas por artistas ou veiculadas nas mídias e suas influências na vida pessoal e social (PCN Arte, 1998, p.67, 68).

Como este documento orienta de forma nacional a educação básica, serve-nos, então, de fundamento, pois está afirmando que o ensino de artes visuais deve tratar a questão da mídia como conteúdo, além de está enfatizando que a leitura das formas visuais é um conhecimento, e que as imagens possuem uma diversidade de sentidos. Partindo da proposta de Paulo Freire (1992) na qual a aprendizagem se dá a partir do cotidiano do estudante, e depois iniciar sua expansão, ampliando-se aos saberes científicos mais complexos, propusemo-nos a trabalhar com as imagens de televisão. Diante dessa proposta vemos que as imagens televisivas configuram-se como grande repertorio cotidiano de crianças e jovens na contemporaneidade. BARBOSA (1998, p.06) defende que o ensino de artes visuais, como “expressão cultural pessoal e como cultura é um importante instrumento para a identificação cultural” e para o desenvolvimento da percepção, imaginação, capacidade crítica, criatividade, etc., pois, segundo ela aprendemos através das imagens, e não sendo capazes de lê-las, essa aprendizagem se dá de forma inconsciente. Sendo assim, torna-se função do ensino de artes visuais conscientizar e capacitar os indivíduos para a leitura de imagens. Sabedoras dessa opinião dispusemo-nos a refletir e discutir com os estudantes de uma escola de ensino fundamental como estas imagens representam diversos sentidos, e o que é possível de ser aprendido com elas. No mundo pós-moderno as imagens passaram a ser encaradas como expressões da cultura, ficando evidente que a cultura de massa atual representa a forma de ser ou querer ser da maioria da sociedade, isto se efetivou com a chama “virada cultural”, ou seja, uma expansão do que se designava cultura, ultrapassando a acumulação de saberes ou processo estético, intelectual ou espiritual. Todos os aspectos da vida social, então, passam a ser encarado como manifestações culturais (COSTA, M. V. Anais Confaeb, 2003), pois até o início do séc. XX a cultura era definida como alta cultura, a máxima expressão do espírito humano, e cultura de massa, expressões de manifestações menores e sem relevância no cenário social elitista, porém atualmente percebe-se que está cada vez mais híbrida. Propomos uma experiência pedagógica de uma avaliação crítica dessas imagens midiáticas oportunizando ao leitor uma reflexão detalhada, pois cada imagem está carregada de significações, cabendo a nós, tanto professores como estudantes, decodificá-las para não sermos enredados nessa grande malha que é a mídia. Como afirma MARTINS (2004, p. 27), “a imagem é uma elaboração complexa prenhe de significados e interpretações que dependem de uma rede de informações, convenções e interações sociais que não opera de modo linear”.

Imbuídas dessas inquietações elaboramos um projeto de intervenção pedagógica em artes visuais (estágio supervisionado IV e V), que foi desenvolvido na Escola Municipal Maria Helena Batista Bretas, na cidade de Goiânia. 

Neste contexto, buscamos contribuir para uma reflexão acerca da descentralização dos saberes tradicionais do professor e dos currículos, valorizando o cotidiano social e privado dos indivíduos, e suas manifestações artísticas. Percebemos a necessidade de ver com outros olhos o cotidiano, tecendo considerações sobre a leitura de imagens a partir da compreensão de que as imagens refletem o tempo e o homem historicamente. Este sistema foi realizado dentro do projeto “Escola para o séc. XXI”. Trata-se de um projeto de educação que propõe rupturas em relação ao modelo tradicional de se conceber a escola, a formação humana e a prática pedagógica. Parte de uma concepção de formação de sujeitos unilateral em sua globalidade, considerando educando nas suas várias dimensões: física, psíquica, cognitiva, afetiva, ética, estética, social, emocional, dentre outras. Na LDB (9.394/96) no Art. 23, regulamentou a possibilidade de organização da escola em ciclos. Considerando esse aspecto, Lima (2002) afirma que: “Educação por ciclos de formação é uma organização do tempo escolar de forma a se adequar melhor às características biológicas e culturais do desenvolvimento de todos os alunos. Não significa, portanto, dar mais tempo para os mais fracos, mas, antes disso, é dar tempo adequado a todos” pois o município deixa a critério da instituição a escolha de uma das três opções: artes, educação física ou uma língua estrangeira, nos ciclos dois e três. Mesmo estando imersos na “civilização da imagem”, as instituições do ensino formal se esquivam de estudar, discutir e analisar as imagens midiáticas.


Os temas transversais são abordados como conteúdos com problemáticas que envolvem todas as áreas o conhecimento, e têm o objetivo de fazer a escola abrir-se para o debate, sendo que devem ser incorporados nas áreas já existentes e no trabalho educativo da escola como uma nova forma de organizar o trabalho didático. Os temas são: ética, pluralidade cultural, orientação sexual, meio ambiente, saúde (PCN’s - Temas transversais, 1998). Nos Parâmetros Curriculares Nacionais é adotada como tema transversal a pluralidade cultural, que tem como objetivo estimular o respeito às várias culturas que se apresentam dentro e fora da escola, o que não refere necessariamente com a disciplina de artes visuais: “3.2.2. Pluralidade Cultural Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar os diferentes grupos e culturas que a constituem. A sociedade brasileira é formada não só por diferentes etnias, como por imigrantes de diferentes países. Além disso, as migrações colocam em contato grupos diferenciados. Sabe-se que as regiões brasileiras têm características culturais bastante diversas e que a convivência entre grupos diferenciados nos planos: social e cultural muitas vezes é marcada pelo preconceito e pela discriminação. O grande desafio da escola é investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade etno-cultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade. “Nesse sentido, a escola deve ser local de diálogo, de aprender, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural”. (PCN - Temas Transversais, 1998).


Conforme BARBOSA (1991, p. 33), a escola seria o “lugar em que se poderia exercer o princípio democrático de acesso à informação e a formação estética de todas as classes sociais, propiciando-se na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais de diferentes grupos”. Como se observa é parte da história o pedagogo se responsabilizar pela formação estética e cultural dos alunos da educação infantil e dos primeiros ciclos da fundamental. Isto não garante que estes estudantes terão um bom ou suficiente desenvolvimento nas artes visuais de modo geral. No curso de pedagogia, que forma estes professores, é oferecida apenas uma disciplina chamada arte-educação I e II, passando uma mínima noção do que é, e de todo seu processo histórico, além de ser tratada as quatro linguagens (música, teatro, dança, e artes visuais) 1, esta formação não fundamenta este profissional para trabalhar no ensino de artes visuais e de nenhuma das demais linguagens.

A chamada Pedagogia Nova começa a surgir no Brasil a partir de 1930, vindo como um reflexo dos Estados Unidos e da Europa, a fim de democratizarem a sociedade. Esta escola previa a livre expressão do aluno, valorizando seus aspectos psicológicos. Entre 1960 e 1970 introduz-se no Brasil o ensino tecnicista que visava um acréscimo de eficiência da escola para formação de trabalhadores, pois a industrialização estava em plena expansão.

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