Ir para o conteúdo

Utilizador Discussão:Fábio Oliveira Santos

O conteúdo da página não é suportado noutras línguas.
Adicionar tópico
De Wikiversidade

Brecht mitosTróia Batman--HQs do Tio Patinhasdepressão de 1929MOYERS & CAMPBELL gênero Barthes Lex LuthorCúpido e PsiqueZeus==O mito na escola: a formação a partir dos mitos==

1. Introdução: O trabalho com gêneros textuais faz-se presente no cotidiano escolar, todavia a escolha do gênero para discussão é pessoal do professor, daí suas experiências de leitor transpassarem o papel escrito às interpretações do mundo a partir da literatura. Neste trabalho, procurou-se considerar esses apontamentos e posicionar o professor como fator atuante no ensino de literatura, além de intervir na realidade no sentido de construir outras realidades. Para isso, estudamos a realidade a partir dos mitos, HQs e desenhos animados.

2. Cúpido e Psique: Entre outras coisas, tenho preferência pelos mitos, o que mais releio e, a partir dele, sempre construo novas perspectivas é o mito de Cúpido e Psique, também, enquanto preferência de leitura e trabalho, tenho muita inclinação pelas HQs do Tio Patinhas, ainda, sob o sentido de preferências, tenho grande interesse pelo poema de Brecht : O Analfabeto Político.

Os mitos são representações do sagrado e, entre outras coisas, também demonstram a jornada do herói, situação que também observo nas HQs como, por exemplo: do Tio Patinhas, pois a qualquer custo pretende continuar a sua busca por mais dinheiro, sua jornada do herói. Fator humano. Todavia Tio Patinhas é politizado ao ponto que consegue intervir nas decisões que vão contra seus interesses, algo semelhante ao poema de Brecht, pois tudo que a personagem da HQ não é, é ser analfabeto político. Dai minha inclinação e respeito pela personagem, da mesma forma, outra personagem, porém dos desenhos animados, também possui o meu respeito e admiração, pois busca sua jornada do herói, como aponta MOYERS & CAMPBELL (1990), e, porque não, busca tornar-se Deus.

A personagem que me refiro é Lex Luthor, do desenho Liga da Justiça, entre todos os vilões da trama, Lex, assim como o próprio Batman, aproximam-se das características humanas, pois são humanos e não possuem superpoderes como os demais, porém são líderes, cada qual em seu contexto, e essa liderança é exercida pela sua inteligência. Obviamente cada qual busca sua jornada do herói.

Histórias como de Tio Patinhas, Lex Lutor, Batman e outros, a meu ver, são representações e releituras de textos anteriores, como por exemplo, os mitos. Meu interesse em trabalhos com estes textos, vão além da minha identificação com a mitologia Grega, estão intimamente relacionados com a própria constituição do imaginário Ocidental e Oriental , pois nestes, observo e percebo como os seres humanos pensam, sentem e agem. Na impossibilidade de ler todos os mitos selecionei um para releitura: Cúpido e Psique .

Entre todos os elementos desse mito, há um em específico que sempre chama-me a atenção. Quando Afrodite descobre que foi enganada por Cúpido, seu filho, e que Psique, futura nora, está viva, a deusa resolve puni-la por sua incoerência humana, sim, pois além de tudo, ainda deixou cair cera nas asas de Cúpido.

Afrodite impôs severas tarefas, tarefas que somente deuses e semideuses podem realizar como fez Hércules em seus doze trabalhos, ou Aquiles na guerra de Tróia ou Superman em sua tarefa de salvar repetidas vezes o mundo e sua pseudo-namorada.

Psique (alma) é humana, todavia na impossibilidade de realizá-las, Psique, rompia em choros humanos. É certo que a própria natureza ajudou-a em três situações: com as formigas, com a árvore e a águia do próprio Zeus.

Esse mito faz-me lembrar das limitações humanas e que sem ajuda dos deuses o ser humano pouco pode fazer, todavia também demonstra que os deuses são vingativos e possuem sentimentos humanos, pois Afrodite, na sua imensa beleza e poder, sentiu inveja da mortal Psique, como faz Lex Lutor, em seu desejo de possuir toda a inteligência e dinheiro do mundo, ou como faz Batman para vingar seus pais que foram assassinados no contexto de depressão de 1929, ou mesmo Tio Patinhas, que prefere sua moedinha número um a seus sobrinhos. Isso nada mais é que comportamento humano. Porém, mesmo sob os reflexos de sentimentos humanos, essas personagens são politizadas, pois intervém em ambientes que lhe são desfavoráveis, como também fez Cúpido quando levou a situação ao julgamento do destruidor de casamentos e deus mor dos deuses: Zeus.

Para Barthes (2002), o mito é uma fala, porém não uma fala qualquer, pois ela precisa de determinadas condições para acontecer, nesse caso, os mitos são conduzidos pelo gênero e para sua compreensão o indivíduo deve compreender quais as condições que acontece o mito, entre outras coisas, esse gênero sempre falará do sagrado ou deuses.

Considerações Finais: Certamente os gêneros, seja ele oral ou textual são ferramentas essenciais para o ensino e também a aprendizagem, uma vez que quando se ensina também se aprende, dessa perspectiva, a discussão a partir do gênero mito traz considerável contribuição para o letramento ou diversos letramentos, pois em seu bojo são histórias orais que foram colhidas semelhante aos contos de fadas, porém os mitos somente falam sobre deuses e a miscelânea de sentimentos humanos, não sem razão Freud, estudou os mitos, pois eles tratam do humano.

Os mitos são fontes primarias, pois através deles todos os heróis nascem e morrem, porém não se deve esquecer que somente existe o herói se houver seu antagônico, percebe-se isso nas HQs, nos desenhos nas histórias para criança nos contos de fadas, na poesia, no teatro e outros mais.

Nesse sentido, acreditamos que esse gênero tem muito a contribuir com a formação humana, mesmo porque são as origens de tudo, como a própria bíblia. “E Deus disse: haja Luz! Houve luz”. Os Mitos dizem: haja deus... os homens... não sabem.

Bibliografia: BARTHES, Roland. Mitologias; tradução Rita Buogermino e Pedro e Souza – 12º edição; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

MOYERS, Bill & CAMPBELL, Joseph. O poder do Mito; Editora Palas Atenas, 1990.


Reflexão e Ampliação do Conhecimento. Todo texto, entre outras coisas, carrega consigo pequeno conhecimento do autor e, cada leitor, a partir do que é lido e seu conhecimento do assunto, também absorve parte do mundo do autor. Nesse sentido, o leitor representará e dará novo significado à reflexão construindo novas possibilidades para o texto apresentado.

Iniciar uma discussão com o utilizador Fábio Oliveira Santos

Iniciar uma discussão