Utilizador Discussão:Maria Eduarda H. Pedrozo
Adicionar tópicoAnálise do filme: "Zuzu Angel", Dir. Sérgio Rezende, 2006.
O filme baseado em fatos da vida de Zuzu Angel exemplifica, o quão perversa e violenta foi a ditadura militar brasileira, e o quão desumano eram os responsáveis pelas operações, principalmente pelas sessões de tortura. Expõe também a desinformação que abrangia as pessoas na época, por ignorância própria e também pela extrema manipulação e censura da mídia. O filme retrata a luta de uma mãe pelo direito à imagem do filho desaparecido, e expõe a violência sofrida pelos civis que ousavam questionar o sistema ditatorial.
Zuleika de Souza Netto, nascida em 5 de junho de 1921 foi uma estilista brasileira, e uma importante figura na luta contra a ditadura militar. Ficou conhecida no Brasil, e internacionalmente pela busca de seu filho desaparecido, Stuart Angel. Além de Stuart, Zuzu tinha mais 2 filhos com um norte americano, e eventualmente, acabou se divorciando, sofrendo assim preconceito por ser mãe solteira, impactando assim na infância de seus filhos que além de um pai ausente, lidavam com as ofensas proferidas a sua família. Em 1971, no auge de sua carreira, Zuzu ascendeu financeiramente e pôde levar uma vida tranquila com os filhos, mesmo durante a ditadura vigente no Brasil. Porém seu filho, o jovem Stuart formava suas opiniões e traçava seus objetivos, se indignava com os acontecimentos que acometiam o Brasil na época, e a partir disso começou a frequentar manifestações e protestar contra a repressão policial. Zuzu tinha um conhecimento breve das ações do filho e da namorada Sônia, e se colocava contra a militância dos dois, tendo em vista que a ditadura não os afetavam até o momento, já que viviam uma vida privilegiada de classe média. Stuart adentrava cada dia mais na militância, e nota-se que Zuzu que se colocava contra, também possuía preocupações de quais consequências essa luta traria para a vida do filho. Após receber um telefonema suspeito, onde informaram que “O Paulo caiu!”, Zuzu nota a falta de seu filho Stuart, que usava o codinome “Paulo” para evitar perseguições, e após isso, Stuart é dado como desaparecido, e as buscas pelo mesmo se iniciam. Ela se junta ao seu advogado, e o primeiro lugar que vão procurar é a base do exército, acreditando que possa ter ocorrido sua prisão, e ao chegar lá, um general constata que seu filho não se encontra, e garante que caso tenha ocorrido a prisão de Stuart por um Órgão do exército, todas as leis da convenção de direitos humanos seriam respeitadas, fato que posteriormente é evidenciado como desonesto e mentiroso. Sem soluções visíveis a mãe entra em desespero, e cogita saídas como a dupla nacionalidade do garoto, ou o Habeas Corpus que o governo poderia estar utilizando para interrogá-lo sem prestações de contas, porém sem nenhum fato constatado volta à estaca zero. Zuzu procura Stuart em bases da aeronáutica, novamente sem sucesso. A estilista chega a apelar seus anseios a um padre da Igreja católica, que afirma que os boatos de perseguições e torturas durante a ditadura, não passavam de enganações espalhadas pelos comunistas retratando assim, o quão alienada era uma grande parte da população na época. Zuzu reconsidera suas ideias sobre a ditadura, e vivencia pessoalmente as atrocidades cometidas pelo regime. Após muita procura, uma carta é enviada para informá-la sobre a morte de seu filho mais velho, Stuart, escrita por um colega de cela, contava que durante uma interrogação na base da aeronáutica, o jovem havia sido torturado e morto por militares, que procuravam Carlos Lamarca, um dos líderes da guerrilha armada, e Stuart ao se recusar a entregá-lo morre torturado. A aeronáutica nega os fatos até o fim, afirmando que o garoto nunca esteve em nenhuma de suas bases. Zuzu tenta publicar a carta para buscar justiça pela morte do filho, a fim de descobrir o nome dos culpados, e expor as atitudes dos militares, porém sofre uma forte censura e é impedida de realizar a publicação. O filme evidencia que somente quem vivenciou as repressões da ditadura, sendo vítimas ou familiares das vítimas, que as descrevem como um período de repressão, e quem não é afetado, é comprado pela ideia de que a ditadura não foi violenta. No final do filme, um militar arrependido decide ajudar a estilista a buscar justiça pelo filho, e propõe expor todos os fatos acerca da morte de Stuart, juntando assim provas incontestáveis de que Stuart Angel Jones havia sido perseguido, torturado e morto pelo sistema ditatorial. Porém Zuzu que nesse momento virou alvo dos militares da época, temendo por sua segurança, declara no dia 8 de Abril de 1976 em documento oficial "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho", e entrega a Chico Buarque a que deixa a missão de realizar a publicação, caso ela não conseguisse. Uma semana depois, Zuleika sofreu um acidente de carro, falecendo assim em 14 de Abril de 1976 no Rio de Janeiro, acidente constatado que foi orquestrado por uma junta de militares a fim de censurá-la. As provas da tortura de Stuart estavam junto a ela em seu carro, e nunca foram encontradas.
Ainda hoje, a Ditadura Militar é exaltada por uma parte da população que não possuem conhecimento de histórias como as de Zuzu e Stuart, ou que através de uma confiança irracional em um sistema opressor, validam essas perseguições, e as consideram “um mal necessário” para a proteção do país. As vítimas da ditadura seguem sendo apagadas e descredibilizadas, evidenciando assim o caráter conservador e fascista do povo brasileiro no século 21. Muitas histórias como a de Zuzu não possuem essa visibilidade, e com a falta de informações do período diversas vítimas foram apagadas da história.
Iniciar uma discussão com o utilizador Maria Eduarda H. Pedrozo
É nas páginas de discussão que os utilizadores discutem como tornar o conteúdo da wiki Wikiversidade o melhor possível. Inicie uma discussão para estabelecer contacto e colaborar com o utilizador Maria Eduarda H. Pedrozo. Aquilo que disser aqui será público e pode ser visto por todos.