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Vozes da Pandemia: A Memória Coletiva entre Jovens e os Relatos Orais sobre o Isolamento e o Ambiente Virtual

De Wikiversidade

HISTÓRIA DO BRASIL II

VOZES DA PANDEMIA: A MEMÓRIA COLETIVA ENTRE JOVENS E OS RELATOS ORAIS SOBRE O ISOLAMENTO E O AMBIENTE VIRTUAL

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GABRIELA DE SOUSA VIEIRA - RA: 241060826 (NOTURNO)

GABRIELLE BEATRIZ SILVA DE SOUZA - RA: 241061121 (NOTURNO)

IAGO SANTANA DOS SANTOS CUBA - RA: 241060141 (NOTURNO)

JÚLIA GOMES DO NASCIMENTO - RA: 241060974 ( NOTURNO)

FABRICIO DOS SANTOS BELIZARIO - RA: 241060796 (MATUTINO)


Marília

2025


RESUMO

Este estudo busca compreender e analisar de que maneira os jovens brasileiros relembram e compartilham, por meio da narrativa oral, suas vivências e recordações durante o período da pandemia de Covid-19. O objetivo é compreender como as memórias desse período são compartilhadas no cotidiano, seja em conversas, entrevistas ou, sobretudo, nas interações em redes sociais e outros espaços virtuais. Os jovens tiveram que mudar seus costumes durante o isolamento social, adaptando-se à distância dos amigos e parentes e mantendo a maior parte de suas relações no ambiente digital. Dessa forma, durante a pandemia de Covid-19, um período desafiador, os ambientes virtuais passaram a desempenhar um papel importante na maneira como expressavam seus sentimentos, mantinham relacionamentos e registravam suas vivências. A pesquisa busca entender e analisar de que maneira esses depoimentos orais contribuem para a reconstrução simbólica da vivência coletiva da pandemia, evidenciando emoções como saudade, medo, superação e conexão digital. A abordagem será qualitativa, fundamentada em entrevistas informais com jovens de variados contextos sociais. O objetivo é analisar como cada um recorda e narra sua vivência durante esse período, além de compreender como essas memórias pessoais contribuem para a construção de uma memória coletiva em relação ao isolamento e às transformações nas relações humanas.

Palavras-chave: Memória coletiva; Pandemia; Juventude; Comunicação online; Isolamento social.

1. INTRODUÇÃO

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A pandemia de Covid-19, que começou a se espalhar globalmente no início de 2020, transformou significativamente a maneira como vivemos, aprendemos e nos relacionamos. Para tentar conter a propagação do vírus, escolas, estabelecimentos comerciais e locais públicos foram fechados, e milhões de pessoas foram obrigadas a se isolar em casa. Além de ter sido uma crise de saúde, esse período alterou completamente a rotina da população mundial, caracterizando-se por incertezas, medo e adaptação coletiva.

Os jovens, entre os grupos mais afetados, vivenciaram uma experiência particularmente significativa. Subitamente, a rotina escolar, as interações presenciais e os momentos de convivência com amigos foram trocados por telas, mensagens e videochamadas. As redes sociais transformaram-se no principal meio de contato e expressão, enquanto a sala de aula passou a ser virtual, existindo dentro do computador. Embora o isolamento tenha gerado solidão e ansiedade, muitos jovens descobriram novas maneiras de criar, se comunicar e preservar relacionamentos afetivos no ambiente virtual.

À medida que as atividades presenciais retornam gradualmente, as memórias desse período permanecem vivas nas conversas, nas redes sociais e nas narrativas do dia a dia. Ao compartilharem suas experiências, os jovens transmitem sentimentos, reflexões e lições aprendidas, criando uma memória coletiva que combina medo, saudade e superação. Esses depoimentos orais vão além de meras recordações: são maneiras de atribuir significado a uma vivência que impactou uma geração inteira.

Portanto, este estudo tem como objetivo entender como os jovens relatam e compartilham suas recordações da pandemia. O objetivo é examinar não só o que elas recordam, mas também a forma como essas histórias são narradas e os sentidos que elas carregam. Com essas vozes, busca-se entender como a experiência do isolamento e do mundo digital alterou suas maneiras de se relacionar, de se expressar e de perceber o tempo em que vivem.

Locais onde foram realizadas as pesquisas:

Entrevistas remotas realizadas por videochamada (Google Meet e WhatsApp);

Entrevistas presenciais na cidade de Marília.

2. OBJETIVOS

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O objetivo geral deste estudo consiste em analisar de que forma os jovens brasileiros recordam e compartilham suas experiências vivenciadas durante a pandemia de Covid-19. Para alcançar essa finalidade, a pesquisa estabelece como primeiro objetivo específico investigar como as redes sociais e as interações digitais influenciaram o registro e a expressão das vivências durante o período de isolamento social, considerando o papel dos ambientes virtuais na comunicação, no sociabilidade e na construção de sentidos compartilhados entre os jovens. Além disso, busca-se compreender os significados simbólicos, emocionais e coletivos atribuídos às lembranças desse período, observando como sentimentos como medo, saudade, solidão, esperança e superação emergem e são representados nas narrativas. Por fim, procura-se identificar de que maneira os relatos orais contribuem para a formação de uma memória pública sobre a pandemia, destacando como essas narrativas individuais, quando compartilhadas no cotidiano ou em ambientes digitais, ajudam a reconstruir e consolidar uma memória coletiva sobre a experiência histórica do isolamento e das transformações nas relações humanas.

3. DESENVOLVIMENTO

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Este estudo teve como objetivo analisar e investigar de que forma os jovens brasileiros recordam e compartilham suas vivências durante a pandemia de Covid-19, especialmente por meio da oralidade e das mídias sociais. A análise das entrevistas conduzidas com jovens de 18 a 25 anos indica um panorama intrincado e ambíguo a respeito de suas vivências. O ambiente digital surgiu como um espaço fundamental para preservar as relações sociais, dar continuidade à educação e, principalmente, para a criação de uma memória coletiva sobre esse período. Nesse contexto, as redes sociais e plataformas de comunicação virtual atuaram como “pontes” que ligaram os jovens a seus amigos e familiares, diminuindo parcialmente os impactos do isolamento social. A maioria dos participantes da pesquisa deu notas positivas (de 7 a 10) ao papel desses espaços virtuais, ressaltando sua relevância para o apoio emocional e a interação social durante o período. Contudo, essa dependência do digital também trouxe consequências negativas consideráveis. Os relatos indicam um crescimento nos níveis de ansiedade, fadiga mental e uma comparação social constante, impulsionada pela exposição às representações da vida dos outros nas redes sociais. Essa ambiguidade, o digital como um espaço de conexão e, ao mesmo tempo, de desgaste, espelha a natureza contraditória dessas ferramentas, que têm o poder de unir e de esgotar.

Além das dificuldades relacionadas ao isolamento, o cenário político do país se destacou nas narrativas, funcionando como um pano de fundo de incerteza e temor. A maneira como o governo federal tratou a pandemia, caracterizada por discursos que frequentemente subestimavam a seriedade do vírus, contradiziam as diretrizes de saúde e causavam instabilidade institucional, foi um aspecto recorrente e angustiante nas recordações dos jovens. Muitos descreveram uma sensação de "desamparo", em que a crise de saúde era intensificada por uma crise de liderança. Esse sentimento coletivo de desconfiança nas autoridades centrais agravou a ansiedade e impôs a indivíduos, famílias e governos locais uma pressão ainda maior na procura por segurança e informações confiáveis.

As percepções em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS) também se tornaram polarizadas nesse contexto político, e o SUS se tornou um personagem central na memória da pandemia. Por um lado, alguns jovens manifestaram críticas contundentes, refletindo narrativas que “vilanizavam” o sistema ao vinculá-lo à lentidão no atendimento, à escassez de recursos e a um colapso iminente. Em contrapartida, muitos entrevistados elogiaram o SUS de maneira igualmente vigorosa, considerando-o a única instituição verdadeiramente universal a lidar com a crise. Eles enfatizaram o trabalho heróico dos profissionais de saúde e o papel crucial do sistema na vacinação, que mais tarde se transformou em um símbolo de esperança. Essa segmentação das memórias reflete tanto vivências concretas quanto o contexto de intensa divisão política e informacional da época, evidenciando como a memória coletiva acerca da pandemia também diz respeito às instituições brasileiras e à confiança que nelas é depositada.

No âmbito educacional, a experiência com o ensino à distância foi, em sua maioria, considerada insatisfatória. Os jovens mencionaram desmotivação, problemas de concentração e uma sensação abrangente de desconexão com o processo de aprendizado. A frase "estar ligado, mas desligado ao mesmo tempo" resume a ideia de que a tela preservou uma conexão formal com a escola, mas não conseguiu replicar a profundidade das interações e a vivência social do ambiente presencial.

As emoções que mais aparecem nas narrativas, saudade, medo, solidão e superação, destacam o aspecto altamente emocional dessas recordações. Embora esses sentimentos sejam experimentados de maneira individual, eles adquirem uma dimensão coletiva quando são compartilhados e contados, formando uma memória coletiva. Esse processo está ligado à visão de Maurice Halbwachs (1990), que considera a memória uma construção social, criada e fortalecida dentro dos grupos aos quais os indivíduos pertencem. Nesse cenário, as redes digitais atuaram como um novo “lugar de memória”, conforme Pierre Nora (1993), um espaço simbólico em que as vivências da pandemia foram documentadas, compartilhadas e, consequentemente, assimiladas de forma coletiva.

Essas narrativas podem ser interpretadas por meio da teoria da história oral de Alessandro Portelli (1997). Ele nos recorda que a fala não é apenas um meio de transmitir fatos, mas também transporta emoções, hesitações e ênfases que são parte essencial da experiência vivida. Os jovens ao relatarem seus medos e suas saudades, demonstram uma dimensão subjetiva e emocional da crise. Isso é evidenciado pelas pausas, tom de voz e expressões que utilizam, além do conteúdo de suas falas.

Além de preservar conexões, o ambiente digital possibilitou a criação e a reinterpretação de rituais coletivos ao longo da pandemia. Os jovens relataram que participam de festas, jogos, sessões de cinema e até celebrações religiosas por meio de plataformas digitais. Apesar de serem mediados pela tela, esses acontecimentos desempenharam um papel social importante: manter um senso de normalidade e continuidade diante da ruptura generalizada. A "saudade", sentimento frequentemente presente nas narrativas, abrangia não só as pessoas, mas também os rituais presenciais que foram perdidos. Assim, a memória coletiva que se forma também diz respeito ao esforço de replicar, no ambiente virtual, a trama do dia a dia e a proximidade dos encontros presenciais. Esse esforço, embora imperfeito, se tornou uma característica significativa da vivência dos jovens durante a pandemia.

Quando aplicada ao mundo digital, a ideia de Pierre Nora (1993) sobre os "lugares de memória" assume características particulares. As redes sociais, de um lado, serviram como um repositório vivo e acessível de emoções e vivências (por meio de publicações, stories e fotos), mas, de outro, sua característica efêmera e fragmentada apresenta obstáculos para a preservação dessas recordações. Os jovens mostraram estar cientes dessa ambiguidade: ao mesmo tempo em que valorizavam a instantaneidade que lhes permitiu compartilhar a angústia e a solidão em tempo real, questionavam a capacidade desses registros de retratar a profundidade da experiência vivida. Essa reflexão destaca uma particularidade geracional: a primeira geração a criar sua memória coletiva de um evento globalmente traumático, principalmente em um ambiente virtual. Isso levanta questões sobre como essa memória, influenciada pelas plataformas, será compartilhada e reinterpretada no futuro.

Com o passar do tempo, os jovens mostraram uma habilidade reflexiva em relação ao período, identificando aprendizados pessoais e mudanças em suas perspectivas de mundo. Essa maturação fortalece a concepção de Nora (1993) de que a memória não é um arquivo fixo, mas um fenômeno dinâmico, que está em constante reinterpretação com base no presente. Portanto, a pandemia não foi apenas um acontecimento traumático, mas também uma oportunidade de aprendizado e reconstrução simbólica. As redes sociais virtuais foram essenciais para preservar conexões, porém também causaram efeitos prejudiciais à saúde mental. O ensino à distância revelou-se restrito, especialmente devido à falta de interação direta e da experiência social proporcionada pela escola.

Em resumo, as narrativas mostram que os jovens desenvolveram uma nova forma de recordar e se conectar, caracterizada pela combinação do digital com o presencial. Com base na fala e na memória, esses jovens constroem um legado coletivo sobre como foi crescer e resistir durante um período de isolamento. O estudo revela que os jovens brasileiros, por meio de suas histórias contadas oralmente e da mediação digital, criaram uma memória coletiva caracterizada pela ambiguidade, reflexão e ressignificação. Eles não foram apenas espectadores da crise, mas participantes ativos na construção de significados, deixando um legado sobre como foi crescer, resistir e se reinventar durante um período de isolamento. Desse modo, o estudo destaca a importância da história oral e da memória coletiva para entender a realidade social recente, evidenciando que recordar também é um meio de reconstruir nossa trajetória e nossa transformação após a pandemia.

4. METODOLOGIA

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A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, combinando entrevistas remotas e presenciais para compreender de forma aprofundada as percepções dos participantes. As entrevistas foram realizadas por videochamada, utilizando plataformas como Google Meet e WhatsApp, o que permitiu alcançar participantes que não podiam estar fisicamente presentes e possibilitou maior flexibilidade de agenda. Além disso, foram conduzidas entrevistas presenciais na cidade de Marília, favorecendo a observação direta, maior interação entre pesquisador e entrevistado e enriquecendo o processo interpretativo. A escolha por esses dois formatos de coleta buscou garantir diversidade de experiências, ampliar o acesso aos participantes e fortalecer a validade dos dados qualitativos, permitindo captar nuances discursivas, expressões, percepções subjetivas e elementos contextuais relevantes para a análise.

O método principal consistiu na condução de entrevistas orais e informais com jovens de 18 a 25 anos, estudantes e/ou trabalhadores que vivenciaram o período pandêmico. As entrevistas investigaram recordações, emoções, aprendizados e modos de sociabilidade digital vivenciados durante o período de isolamento social, possibilitando que os participantes compartilhassem suas memórias e percepções sobre o contexto vivido de maneira livre. As entrevistas foram conduzidas tanto de forma presencial quanto por meio de plataformas online, levando em conta o conhecimento dos jovens nesses ambientes e a relevância do assunto relacionado à sociabilidade virtual.

As falas foram registradas, mantendo a autenticidade das expressões verbais, pausas e entonações, que também são componentes importantes da narrativa oral. As narrativas foram analisadas tematicamente, e, com isso, foram identificadas repetições, contrastes e significados comuns nas falas dos entrevistados. Essa análise possibilitou a observação de como as vivências individuais foram reinterpretadas de forma coletiva, desvelando as dimensões simbólicas, emocionais e sociais da memória a respeito da pandemia.

A análise dos dados foi realizada com base nos referenciais teóricos de Maurice Halbwachs (1990), que vê a memória coletiva como uma construção social; de Pierre Nora (1993), que aborda os lugares de memória, reinterpretados neste contexto como espaços simbólicos da oralidade e do ambiente virtual; e de autores da história oral, como Alessandro Portelli (1997) e Paul Thompson (1992), que destacam a fala como um meio legítimo de conhecimento e expressão da experiência vivida.

Assim, a metodologia utilizada possibilitou a compreensão das narrativas dos jovens como expressões de uma memória coletiva oral, reconstituída nas interações diárias e nos ambientes digitais, conectando recordações pessoais e representações sociais do período da pandemia.

5. CONCLUSÃO

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A análise conduzida durante este estudo possibilitou entender de que forma a pandemia de Covid-19 se transformou em um ponto crucial na formação de uma memória coletiva entre os jovens brasileiros. As vivências desse período, contadas oralmente e mediadas pelas redes digitais, mostram não só o aspecto traumático do isolamento social, mas também a habilidade de reinvenção, criatividade e solidariedade de uma geração que teve que aprender a manter conexões à distância.

Ficou claro que o ambiente virtual serviu como um novo espaço para sociabilidade e construção de significados, desempenhando o papel de um "lugar de memória" e também como um canal de expressão emocional. As narrativas analisadas revelaram que, apesar das dificuldades do ensino remoto, da solidão e da ansiedade, os jovens conseguiram encontrar formas de transformar o dia a dia em experiências coletivas, reforçando a relevância do coletivo na construção do que foi vivido. Dessa forma, ao compartilharem suas vivências, os jovens recriam simbolicamente a experiência da pandemia, convertendo a dor em aprendizado e o isolamento em uma chance para refletir sobre os valores da convivência, empatia e presença.

As memórias da pandemia vão além do período em que ocorreu, servindo como referências afetivas e simbólicas para uma geração que vivenciou a transição entre os mundos presencial e digital. Essa memória coletiva, formada nas redes sociais e na oralidade, destaca a capacidade da juventude em ressignificar crises e reforça a importância da memória como instrumento de reconstrução social e fortalecimento da identidade em períodos de transformação.

Este estudo possibilitou a compreensão de que a lembrança da pandemia de Covid-19 entre os jovens é um fenômeno intrincado, formado nas interações entre o pessoal e o coletivo, o presencial e o virtual. As narrativas orais deixaram claro que os jovens não foram passivos durante a crise, mas agentes ativos na (re)construção de seus mundos sociais. O ambiente digital surgiu como um cenário central e ambíguo: ao mesmo tempo em que se tornou um excelente meio para a sociabilidade e apoio emocional, também se transformou em uma fonte de desgaste mental e sobrecarga.

As vivências com o ensino à distância e a adaptação dos rituais de convivência ressaltaram a importância do contato físico e das interações profundas e espontâneas do ambiente presencial. Entretanto, a habilidade de adaptação e a invenção de novas maneiras de se conectar, mesmo à distância, demonstraram a resiliência e a criatividade dessa geração.

Ao compartilhar suas recordações pessoais, os jovens criaram uma memória coletiva caracterizada pela ambiguidade, pela saudade e pela superação. Assim, essa memória não é apenas um registro do passado, mas uma força ativa e dinâmica que ainda afeta a maneira como essa geração entende suas relações, seu papel no mundo e sua habilidade de lidar com desafios. Desse modo, o estudo destaca a importância da narrativa oral e da memória coletiva como ferramentas essenciais para compreender experiências traumáticas e construir identidades no mundo pós-pandemia. Sem dúvida, a lição mais importante desse período será que, mesmo em isolamento, a necessidade humana de conexão e sentido pode encontrar novas formas de se manifestar e persistir.

6. DIFICULDADES ENCONTRADAS PARA A ELABORAÇÃO DA PESQUISA

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A execução dessa pesquisa, focada na memória coletiva dos jovens durante a pandemia de Covid-19, foi um processo onde enfrentamos desafios consideráveis em todas as suas etapas, desde a organização inicial até a conclusão do trabalho.

Fase Inicial: Estruturação do Grupo e Estabelecimento do Tema

Na etapa inicial da elaboração do trabalho o maior desafio foi a organização e a coordenação do grupo. Inicialmente, consideramos dois temas diferentes para o projeto. Contudo, notamos que o primeiro ainda era muito recente para fornecer uma base sólida para a pesquisa, ao passo que o segundo acabava se distanciando do que o professor havia solicitado. Assim, após nossas discussões, concluímos que nenhum dos dois se mostrava adequado aos critérios e ao prazo definidos. Esse falso começo exigiu um tempo precioso para a reorientação, mas foi fundamental para que, finalmente, abordássemos o tema da memória coletiva pandêmica, que despertou o interesse de todos. A definição desse assunto atual e delicado ainda demandou diversos debates para ajustar os recortes teóricos. Ademais, a própria natureza do objeto de estudo, um evento traumático recente, levantou questões éticas e emocionais que precisaram ser cuidadosamente ponderadas desde o começo, a fim de que a pesquisa não reativasse dores, mas as incorporasse à narrativa.

Fase intermediária: distribuição de tarefas entre os membros do grupo, escolha do método frente ao tipo de pessoa pesquisada

Após a definição do tema, iniciou-se uma fase intermediária de organização e distribuição de tarefas. O grupo enfrentou dificuldades para padronizar o formato das entrevistas, já que cada participante demonstrava diferentes níveis de abertura emocional ao relatar suas vivências durante a pandemia. Diante disso, foi necessário adaptar o método qualitativo, permitindo que cada entrevistado conduzisse sua narrativa no próprio ritmo e respeitando seus limites pessoais. Outro desafio consistiu em conciliar horários para entrevistas presenciais e virtuais, pois muitos dos entrevistados possuíam rotinas intensas de trabalho e estudo, o que exigiu maior flexibilidade e coordenação por parte dos pesquisadores.

Fase final: escolha da forma de apresentação dos resultados, e apreciação final sobre o projeto, com sugestões para o aprimoramento do mesmo

Na fase final, após a coleta do material empírico, surgiram dificuldades na síntese e interpretação das falas. As narrativas se mostravam densas, emotivas e repletas de significados, o que aumentava o risco de simplificações excessivas durante a análise. Além disso, o grupo precisou buscar uma forma adequada de organizar e apresentar os resultados. Para isso, optou-se por realizar interpretações a partir das falas dos entrevistados, agrupando-as em eixos temáticos como educação, saúde pública e política, o que permitiu observar padrões e especificidades nas lembranças sobre a pandemia. Ainda assim, foi necessário escolher um formato que fosse claro, sensível e fiel às vozes dos participantes, sem descaracterizá-las ou minimizar sua dimensão humana.

Apesar dos desafios, o grupo avalia que o processo representou um aprendizado significativo sobre pesquisa qualitativa, história oral e memória social. Entre as sugestões para aprimoramento em futuras investigações, destaca-se a ampliação do número de entrevistados, de modo a contemplar maior diversidade regional e sociocultural. Recomenda-se também a realização de grupos focais para observar interações coletivas e comparar memórias compartilhadas em ambiente grupal. Por fim, considera-se importante aperfeiçoar protocolos de cuidado emocional, especialmente em pesquisas que envolvem temas sensíveis e recentes, garantindo acolhimento e segurança aos participantes e aos pesquisadores.

De modo geral, o projeto atingiu seu propósito de compreender a construção da memória coletiva da pandemia entre os jovens, e a fundamentação teórica demonstrou ser extremamente eficiente para interpretar os resultados. Os desafios encontrados estavam ligados à complexidade do objeto de estudo e tiveram um papel importante no processo de pesquisa.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003. (A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura; v. 1).

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 1990.

HUYSSEN, Andreas. Passados presentes: mídia, política, amnésia. In: ______. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, dez. 1993.

PORTELLI, Alessandro. O que faz a história oral diferente. Projeto História, São Paulo, n. 14, fev. 1997.

THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.