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A expansão marítimo-comercial foi o início de uma nova orientação política, marítima e colonial.


A expansão marítimo-comercial (a partir de 1492)


Motivos[editar | editar código-fonte]

A expansão comercial do século XI dera lugar à crise do século XIV. Com a falta de metais preciosos e de mercados assim como com o alto preço das especiarias, fazia-se necessária a busca de novas alternativas que proporcionassem novas expansões comerciais:

A Europa do século XV ressente-se da falta de metal precioso. O numerário é totalmente insuficiente para as monarquias e para o comércio em plena expansão. Os europeus intensificam a exploração das minas da Europa central, sem conseguirem satisfazer a fome de prata e ouro. Narrativas lendárias localizavam fabulosos tesouros na Ásia e na África, com a qual a conquista turca tornara mais difíceis as relações, justamente no momento em que estas eram mais desejáveis. Os europeus pretenderam, então, buscarem eles próprios o ouro (MOUSNIER, 1957, P. 11-12).[1]

Assim, portugueses, castelhanos, franceses, ingleses e neerlandeses, concentrando recursos e investimentos no financiamento de projetos navais, criariam as condições necessárias para essa expansão comercial, agora marítima.

Pioneirismo português[editar | editar código-fonte]

Como, em 1415, Portugal conquistara Ceuta, o infante Henrique impulsa uma política de conquista sistemática das costas africanas que leva à conquista da Madeira, dos Açores, do cabo Bojador, das costas do rio de Ouro e do Senegal, do arquipélago de Cabo Verde e do golfo da Guiné:

A expansão possui momentos e áreas de interesse circunscritos e bem definidos: o Norte da África, com a conquista de Ceuta (1415); as ilhas do Atlântico, com a ocupação da Madeira, Porto Santo e Açores, desde a década de 1420; a exploração do litoral africano, dessa mesma época até a década de 1450, alcançando-se a atual Serra Leoa. Somente a partir de 1474 é que foi definido um plano sistemático para se atingir as Índias (WEHLING, 1999, p. 38).[2]

A conquista de Ceuta traz a Portugal não só o controle de Gibraltar mas o de uma área importante, produtora de trigo, centro de rotas comerciais e entreposto de metais preciosos, escravos e especiarias orientais. Nesse mesmo contexto, são fundados os estaleiros e a escola náutica e cartográfica de Sagres:

Os príncipes desejavam conservar o segredo das descobertas. Em Portugal, era proibido, sob pena de morte, revelar cartas levantadas pelos exploradores. (...) A cartografia deveria permanecer, no interesse da defesa, como que uma arma secreta dos príncipes (MOUSNIER, 1957, p. 20).[3]

Com inovações técnicas que tornavam mais seguros os deslocamentos de longa distância, Portugal direciona a sua expansão para o oceano Atlântico, visando contornar o continente africano e, inclusive, incorporar novas terras localizadas a oeste. Além dos motivos econômicos, havia a retomada do espírito de conversão das populações conquistadas:

Cousa mui sabida é que as Índias Orientais foram descobertas em tempo de invictíssimo e cristianíssimo rei de Portugal D. Manuel, de gloriosa memória: nas quais os portugueses conquistaram novos reinos e grandes províncias, arvorando nelas o gloriosíssimo estandarte da salutífera Cruz de Cristo Nosso Senhor, para que tivessem notícia e verdadeiro conhecimento as bárbaras nações do mistério da redenção do gênero humano, que este Senhor nele tinha por ofício pregá-la e ensiná-la aos ignorantes se esforcem e movam, com zelo da salvação das almas, a passar a estas partes, onde há tanta multidão de gente que não sabe o verdadeiro caminho da sua salvação, em cuja conversão podem aproveitar muito, trazendo esta gente perdida ao rebanho das ovelhas de Cristo (SANTOS apud DIAS, 1982, p. 49-50).[4]

Com a expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica, os castelhanos começam a participar da expansão marítimo-comercial e aparecem as divergências entre as coroas de Portugal e Castela. A fim de resolver o problema político causado pelo tratado de Alcáçovas, diplomaticamente, ambas as coroas assinam o novo tratado de Tordesilhas, que permite que a navegação portuguesa reserve para si a zona situada até trezentas e setenta léguas ao oeste do arquipélago de Cabo Verde. Todas essas notícias, despertam o interesse de franceses, ingleses e neerlandeses, quem se lançam pelo oceano Atlântico.


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Referências[editar | editar código-fonte]

  1. MOUSNIER, R. História geral das civilizações. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1957.
  2. WEHLING, A.; WEHLING, M. J. Formação do Brasil Colonial. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999.
  3. MOUSNIER, R. História geral das civilizações. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1957.
  4. DIAS, J. S. Os descobrimentos e a problemática cultural do século XVI. Lisboa: Presença, 1982.