Anti-hipertensivos no combate contra o Câncer

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Célula cancerosa e a ação de combate dos macrófagos.

Anti-hipertensivos no combate contra o Câncer[editar | editar código-fonte]

Estudos experimentais revelaram a ação de anti-hipertensivos no combate contra o Câncer. Os resultados indicaram que os medicamentos bloqueiam a ação da angiotensina II, evitando a proliferação e progressão tumoral.


Anti-hipertensivos[editar | editar código-fonte]

Antagonistas dos receptores da angiotensina II tipo 1 (ou seja, bloqueadores dos receptores da angiotensina) são uma classe de medicamentos amplamente utilizados para tratamento de doenças de alta prevalência, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e diabetes nefropática. O losartan, foi aprovado para uso clínico em 1995, seguido por seis outras drogas, incluindo valsartan, candesartan, o irbesartan, telmisartan, medoxomila e eprosartan.

Sistema Renina-Angiotensina[editar | editar código-fonte]

O sistema renina-angiotensina clássico consiste de renina produzida pelo rim, do substrato da renina (angiotensinogênio) produzido pelo fígado e da enzima conservadora da angiotensina (ECA), localizada nos pulmões. Muitos tecidos contêm renina, angiotensinogênio e ECA e podem sintetizar angiotensina II, independentemente da renina e do seu substrato circulante. Eles agem localmente como fatores de crescimento, neurotransmissores e constritores do músculo liso. Os principais efeitos fisiológicos da angiotensina II incluem estimulação da aldosterona, regulação da homeostase do sal e da água e a estimulação do crescimento celular.


Angiotensina como agente tumoral[editar | editar código-fonte]

A Angiotensina II pode ter outra função menos conhecida e explorada: ajudar os tumores a formar ou atrair vasos sanguíneos que trarão os nutrientes necessários para sua sobrevivência. Com menos angiotensina, menos vasos sanguíneos crescerão no interior do tumor, que assim poderá morrer de inanição. Segundo os cientistas, esses estudos fortalecem a perspectiva de as moléculas com que o tumor interage, o chamado microambiente tumoral, e não só o tumor, serem alvo de novos medicamentos. Nos últimos anos, vários estudos indicaram que a angiotensina II promovia a migração e a proliferação de células endoteliais, que formam a camada mais interna dos vasos sanguíneos, desse modo participando da regulação de processos inflamatórios que às vezes marcam o início ou o desenvolvimento de tumores. “Um tumor pode ser visto como uma inflamação persistente, uma ferida que não cicatriza e atrai vasos sanguíneos, que por sua vez contribuem para a disseminação do câncer pelo organismo”. O fato de haver receptores de angiotensina na superfície das células endoteliais dos vasos que nutrem os tumores abre a perspectiva de novos usos para medicamentos anti-hipertensivos como o losartan. Testes preliminares em andamento em grupos limitados de pessoas nos Estados Unidos atestam a ação antitumoral desse medicamento, usado sozinho ou em conjunto com anti-hipertensivos com mecanismo de ação similar, como o captopril.

Ação dos Anti-hipertensivos no Tratamento tumoral[editar | editar código-fonte]

O câncer representa um conjunto amplo de doenças distintas, todas caracterizadas por células que crescem de maneira descontrolada e que invadem tecidos vizinhos. Estas diferenças se traduzem por diferentes assinaturas moleculares dos tumores, algo comparável com uma impressão digital e que aponta quais as vias moleculares estão alteradas em um certo tipo de câncer. Os fármacos anti-hipertensivos inibem a ação da angiotensina II através do bloqueio do receptor AT1 de sinalização que além de reduzir a pressão arterial, interfere na angiogênese através da diminuição da expressão de receptores de fatores angiogênicos (como o crescimento de vasos sanguíneos e processos inflamatórios).

Referências[editar | editar código-fonte]

Revista Pesquisa Fapesp. Pressão contra o câncer: Carlos Fioravanti - Edição Impressa 183 - Maio de 2011

Artigos científicos:

1. ARAI, R.J. et al. Building research capacity and clinical trials in developing countries. The Lancet Oncology. v. 11. ago. 2010.

2. OTAKE, A.H. et al. Inhibition of angiotensin II receptor 1 limits tumor-associated angiogenesis and attenuates growth of murine melanoma. Cancer Chemotherapy and Pharmacology. v. 66, n. 1, p. 79-87. mai. 2010.

3. MARQUES, F.D. et al. An oral formulation of angiotensin-(1-7) produces cardioprotective effects in infarcted and isoproterenol-treated rats. Hypertension. v. 57, p. 477-83. mar. 2011.