Cartografia Colaborativa

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O que é Cartografia Colaborativa[editar | editar código-fonte]

A cartografia colaborativa é um mapeamento de determinada região e inclusão de informações de forma descentralizada e colaborativa, onde a visualização desses mapas na rede torna possível não só destacar regiões e incluir informações técnicas, históricas, culturais e críticas, mas também reinterpretar o território com base em perspectivas sensíveis às comunidades de interesse.

As aplicações da cartografia colaborativa variam dependendo da característica do aplicativo. Um aplicativo de mapeamento colaborativo muito simples seria apenas traçar locais de usuários (mapeamento social ou redes geo-sociais). A expressão "colaborativa" implica a possibilidade de edição por vários indivíduos distintos, de modo que o termo tende a excluir aplicativos onde os mapas não são destinados ao usuário geral modificar. Geralmente, o aplicativos colaborativos têm sua eficiência baseada no volume de interação e participação dos usuários.

O georreferenciamento (ou georreferenciação), que consiste em definir, por meio de GPS ou outra técnica topográfica, a forma, dimensão e localização de determinada região, é uma ferramenta importante para a cartografia colaborativa. Atualmente, com a precisão e evolução de ferramentas como o Google Maps, o processo de georreferenciamento e de geolocalização para gerar uma cartografia colaborativa se dá de forma prática e fácil.

Nos últimos anos, a cartografia se tornou uma das estratégias chave para analisar e comunicar questões de saúde pública, planejamento urbano, justiça ambiental e direitos humanos. Ao realizar o mapeamento de suas próprias comunidades, e refletir sobre as informações organizadas visualmente nos mapas criados, a cidadania se capacita para formular as próprias soluções, e também para argumentar e defender sua visão sobre as questões. Assim, podemos dizer que está em curso um processo de crescente valorização do pensamento geográfico, e do valor de olhar para os problemas sociais e ambientais por meio da cartografia digital. Vale destacar, neste contexto, o conceito de geodecisão, onde o gestor utiliza da geografia para auxiliar na sua tomada de decisão.

Estudos de caso[editar | editar código-fonte]

Waze:[editar | editar código-fonte]

O Waze é um aplicativo desenvolvido pela Start-Up Waze Mobile, de Israel, e comprada pela Google no ano de 2013, por 966 milhões de dólares. Destinado para aparelhos celulares classificados como smartphones, entre eles Android, iPhone, Symbian, Blackberry 10, Windows Phone e Windows Mobile, a aplicação é respaldada por navegação on-line via satélite. Utilizado em larga escala desde sua concepção, o programa informa, em tempo real, todas as articulações existentes acerca de rotas de trânsito, de acordo com o serviço de localização do dispositivo móvel, monitorado via satélite. eWaze ganhou o prêmio de melhor aplicativo portátil de 2013 no Congresso Mundial de Portáteis.

Requisitos[editar | editar código-fonte]

  • iOS (Apple)
  • BlackBerry 10
  • Android
  • Windows Phone 8
  • Aparelhos Symbian (Nokia)
  • Conexão à Internet móvel (dados móveis)

Patentes[editar | editar código-fonte]

- Patente 7.936.284 dos Estados Unidos: Sistema e método para tempo de estacionamento estimado (3 de maio de 2011);

- Patente 8.271.057 dos Estados Unidos: Condição de ativação baseada e gerenciamento de aplicações de dispositivos móveis. (18 de setembro de 2012);

- Patente 8.612.136 dos Estados Unidos: Sistema e metodologia para criação de estradas de mapas (17 de dezembro de 2013)

Método de Funcionamento[editar | editar código-fonte]

O sistema do Waze, gratuito para download nas plataformas especificadas, é utilizado por mais de 50 milhões de usuários (Yahoo!, 2013), e emprega como base de dados as informações sobre trânsito fornecidas pelos usuários, com o intuito de disponibilizar todas as informações relevantes ou necessárias para o julgamento do usuário no que tange ao percurso a ser tomado com veículo automotor. Seus elementos principais de composição dos mapas se dão entre velocidades médias por trecho; presença de radares e seus limites de velocidade; presença de blitz policiais; ocorrência de acidente de trânsito (entre eles batidas, atropelamentos, incidentes de caráter natural); presença de congestionamento e sua extensão. Seu ponto positivo consiste no cálculo e recálculo de rotas em face desde conjunto de variáveis, objetivando o caminho de menos perturbações (menor número de ocorrências) em função do menor tempo possível.

Análise (Prós e Contras)[editar | editar código-fonte]

Os usuários têm a sua disponibilidade os recursos de envio de mensagens instantâneas para outros usuários, emissão de alertas de diferentes tipos, adição de tags que contenham informações variadas como preço de combustível, pontos de encontro, localidades de interesse, intervenções na via, como protestos ou feiras, etc.

O controle de voz é uma ferramenta interessante, permitindo ao motorista que guie com atenção apenas às instruções de áudio, em detrimento da obrigação de olhar para o celular por grande parte do tempo, degradando o nível  de dirigibilidade e aumento os riscos e perigos ao volante. É disponibilizado um pequeno espaço da interface para promoção de marketing e propagada de marcas e produtos de acordo com a localidade e perfil do usuário.

O aplicativo oferece uma sessão da interface destinada à veiculação de notícias, em ligação com estações de TV e rádio.

A distração oriunda da utilização do aplicativo durante o ato de dirigir é tido como especialistas em segurança de trânsito como uma faceta negativa do programa, devido ao fator de expectativa do motorista, de atenção desviada, diante de uma variedade de impulsos sonoros e visuais, possíveis causadores de acidentes.

O ato de hackeamento (invasão), embora combatido como externalidade negativa, já foi registrado na história do aplicativo, o que coloca o usuário em situação de trânsito falsa ou errônea, potencialmente perigosa para sua integridade, devido à expectativa não correspondida em realidade, meramente induzida pelo programa.

O pleno potencial de funcionamento do Waze só ocorre com a condição de uma considerável massa de usuários, perdendo sua utilidade em caso de localidades com poucas pessoas que o utilizam, devido à insuficiência de dados e consequente falha na geração de informação, não podendo ser compartilhada em rede.       

Informação pública por meio do aplicativo Waze: um caso de governo aberto?[editar | editar código-fonte]

Em perspectiva de colaboração entre o setor privado em articulação com o setor público, no âmbito de utilização das iniciativas chefiadas e executadas por empresas privadas, como no caso do Waze, com o intuito de organização de eventos (mesmo os de grande porte), como os Jogos Olímpicos, é uma realidade de nosso tempo, já posta a prova de efetividade de funcionamento.   

À título de ilustração deste panorama, para as Olimpíadas de 2016, a prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com o aplicativo Waze, muniu-se do vasto alcance e cobertura do mesmo como canal de veiculação de curiosidades relativas ao mundo do esporte e informações relevantes de conteúdo olímpico atualizado para os cidadãos e turistas da cidade,  tais como as modalidades esportivas em questão, jogos a serem realizados e times escalados, via pequenas notas descritivas, por cada um dos 11 diferentes pontos de interesse, distribuídos pela cidade, onde se realizaram os eventos, a saber: Parque Olímpico da Barra, Complexo Esportivo de Deodoro, Campo de Golfe Olímpico, Estádio de Remo da Lagoa, Marina da Glória, Estádio do Maracanã, Copacabana, Estádio Olímpico (Engenhão), Sambódromo, Porto Maravilha e Vila dos Atletas.

Ademais, objetivando maior fluxo de informação e facilidade de entendimento para os participantes, a iniciativa da Prefeitura, de caráter público, conta ainda com a ferramenta imagens do Google, outra empresa privada, de forma que os usuários possam transitar com agilidade entre as notas informativas do aplicativo Waze e um conjunto suplementar de imagens, aportadas pelo Google, já direcionados para o elemento de interesse, otimizando, assim, o tempo e sua mobilidade.

Complementarmente, a prefeitura do Rio do Janeiro também lançou mão da utilização do aplicativo Big Data como instrumento de formulação e implementação de políticas públicas.

O “Pensa Sala de Ideias” é um programa criado pela Secretaria da Casa Civil da prefeitura local e apoiado pelo Centro de Operações Rio (COR), apresentando como essência a colaboração entre um grupo multidisciplinar de servidores públicos que objetiva a geração de relatórios, em uma base diária, que contenham informações sobre quaisquer assuntos de interesse relacionados à prefeitura.

Graças ao programa, políticas acerca do combate a dengue, bem como de eventos correlatos ao trânsito, como localidades e horários de maior incidência, permitiram à prefeitura a organização de providências nas intermediações de interesse, bem como medidas de resolução de uma situação problemática, de maneira mais eficiente e eficaz, mediante envio de relatórios às secretarias competentes, nos casos em pauta, diretamente à CET-Rio, do mesmo modo que gerencia os locais de maior incidência de Dengue em áreas de elevado risco, como as que contenham escolas, possibilitando acionar as secretaria municipais da educação e da saúde, podendo estas, portanto, trabalhar de maneira integrada, com as devidas medidas. Nos casos que envolvem quaisquer condicionalidades de tráfego, como notificações acerca de acidentes e manutenção de ciclovias, corroborada pelos próprios usuários, o COR faz uso do aplicativo Waze, devido à sua plataforma de GPS (Global Positioning System) de alta qualidade.

Em aspecto de ação conjunta, as Prefeituras vêm constantemente usufruindo de iniciativas privadas para melhor entender as demandas de sua população e, consequentemente, ceder suporte ao Poder Executivo para as tomadas de decisão, legitimando características de Governo Aberto.

Pontos de Alagamento[editar | editar código-fonte]

O "Pontos de Alagamento" é um mapa digital colaborativo com o intuito de disponibilizar os pontos de alagamento na cidade. " O esquema conceitual do sistema do Pontos de Alagamento foi elaborado a partir da linguagem UML (Unified Modeling Language). Para a representação do esquema conceitual foram utilizados os diagramas de casos de uso e os diagramas de atividades com o objetivo de apresentar a ideia e funcionamento geral do sistema colaborativo.

Usabilidade[editar | editar código-fonte]

O usuário pode interagir com o sistema na medida em que informa onde estão os pontos alagados, consulta os pontos de alagamento e recebe alertas. O registro dos dados se dá quando o usuário que se encontra em situação de alagamento informa sua localização e o dado é registrado no sistema através do aplicativo para celular ou website.

No caso da consulta dos pontos, o usuário acessa o sistema e verifica onde há pontos de alagamento na cidade. Quanto ao recebimento de alertas, o usuário faz um cadastro prévio no sistema, no qual serão registrados os endereços alvos de alagamento para os quais o usuário deseja receber alerta quando estes estiverem alagados. No cadastro ainda deve ser estipulado um raio de distância que envolve o endereço para limitar o espaço que o usuário deseja receber mensagens de alerta. O recebimento de mensagens de alerta se dá através do e-mail ou celular.

Uma das fontes corresponde ao usuário que contribui com dados e a outra fonte corresponde aos órgãos oficiais geradores de dados de alagamentos. Nesse caso, a fonte oficial sugerida é o CGE de São Paulo, o qual fornece informações sobre os locais alagados na cidade baseados em dados produzidos pela CET, conforme descrito anteriormente. O usuário que se encontra em situação de alagamento registra o ponto através do aplicativo ou website. Os dados entram no sistema e são convertidos automaticamente para pontos a serem visualizados no mapa, para informações a serem compartilhadas com redes sociais (facebook ou twitter) e mensagens de alerta a serem enviados via e-mail ou SMS para as pessoas que cadastraram endereço no sistema.

Da mesma forma, as fontes oficiais informam seus dados através de web service, os quais são carregados automaticamente no sistema e posteriormente convertidos para os mesmos usos descritos acima. No caso do protótipo "Pontos de Alagamento", a sugestão foi a inclusão dos dados provenientes do CGE.

O usuário pode realizar a consulta com os objetivos de: - explorar o mapa que mostra os pontos alagados no dia; - consultar do histórico dos dados guardados em um banco de dados, os quais podem ser filtrados por datas ou períodos de tempo, de acordo com seu interesse; - buscar os metadados.

Nesse caso, o usuário acessa a página através da web ou aplicativo e por meio da navegação no sistema, ele busca a informação que deseja.

O administrador é a pessoa que possui uma senha de acesso e a sua função corresponde à configuração da página, ao gerenciamento dos dados e ao gerenciamento dos usuários cadastrados. O administrador possui livre autonomia para realizar qualquer alteração que julgue necessária para o bom funcionamento e credibilidade do sistema. Dentre elas estão incluídas a alteração ou exclusão de dados, bem como a desativação de cadastro de usuários.

Os dados podem ser fornecidos através do aplicativo para celular ou através do website. Parte-se do pressuposto de que o aplicativo deve ser simples para que o dado seja transmitido rapidamente. Então, ao enviar um ponto, o usuário deve apenas informar uma classe da legenda para que possa ser organizado o banco de dados com vista às consultas futuras.

As classes da legenda foram baseadas naquelas utilizadas pelo CGE, que são: "Local intransitável", para locais onde o trânsito de veículos está totalmente impedido; "Local transitável", para locais onde há alagamento, porém, com tráfego de veículos liberado; "Inativo", para os locais onde houve alagamento, mas este já foi encerrado. Ainda, foi acrescentada a classe intitulada "CGE" para os dados oficiais fornecidos pela própria instituição.

A descrição do local em forma de texto ou a visualização em forma de foto são campos opcionais que não impedem o envio do dado sem o seu preenchimento.

Quando o dado é enviado por meio do website é possível deixar como obrigatório o campo relacionado à descrição do local. Essa opção ajudaria na localização mais precisa do ponto alagado, já que nesse caso, o ponto seria desenhado manualmente no mapa, fato que pode acarretar em informações incorretas sobre o local desejado. Sendo assim, no caso de consulta, o usuário teria um parâmetro extra para tomada de decisão, que seria a descrição em forma de texto, além da possibilidade de carregar outros arquivos, como fotos, vídeos e links da web.

Para o fornecimento do dado, o usuário acessa a página de envio, escolhe uma classe da legenda de acordo com a situação do local alagado que está sendo informado e opta entre descrever mais detalhes do local ou enviar o ponto imediatamente. A descrição pode ser feita através de um texto escrito em um campo apropriado e/ou envio de fotos e vídeos. Uma das atividades envolve a consulta ao mapa, o qual permite a visualização das informações relacionadas ao ponto selecionado. Nesse caso, o usuário pode adicionar um comentário, compartilhar a informação com as redes sociais facebook e/ou twitter e dizer se aprova ou não a informação através do voto de credibilidade.

Além disso, o usuário pode verificar o histórico dos dados e metadados, em que é possível a visualização e download do banco de dados através da seleção dos dados de interesse, cuja operação pode ser realizada por meio da aplicação de filtros de busca. Dentre eles podem ser citadas as classes da legenda, períodos de tempo, local, existência de mídias, grau de credibilidade e fontes dos dados.

A consulta ao mapa permite o conhecimento sobre os pontos de alagamento existentes. Ao clicar sobre um ponto específico o usuário saberá detalhes como o horário e a data em que o ponto foi enviado, assim como qual foi a fonte do dado (usuários ou fonte oficial). A partir do filtro dos dados, o usuário obterá as informações específicas e de acordo com o seu interesse. Sendo assim, os dados podem ser carregados e visualizados na própria página do sistema ou salvos após ser realizado o download. O gerenciamento do sistema é feito pelo administrador, o qual possui um login e uma senha. Dentre as atividades encontram-se a edição da página e o gerenciamento das fontes externas, dos usuários, dos dados e metadados.

O sistema não depende do administrador para seu funcionamento, não há a necessidade de permissão para o envio do dado, bem como para o cadastro de recebimento de alertas ou o download dos dados e metadados, pois a ideia é que seja um sistema automático.

Porém, a existência de um administrador é necessária para filtrar dados considerados incorretos, usuários com intenções não condizentes com o objetivo do sistema e manutenção periódica para garantir o funcionamento, caso seja necessário. Diante da necessidade de configurar a página, uma senha é solicitada, a qual permitirá o acesso às opções de gerenciamento e edições. Após a realização das alterações, finaliza-se o processo.

O sistema[editar | editar código-fonte]

São fornecidos os campos para preenchimento das informações referentes ao ponto alagado, as classes da legenda (categorias) para serem selecionadas, as informações pessoais do usuário e as ferramentas de edição para a localização manual do ponto, além dos campos para acrescentar fotos, vídeos e notícias relacionadas.

O protótipo foi divulgado em revistas eletrônicas, como a Agência USP de Notícias, revista Exame e revista Galileu, além da rádio Band News FM e alguns blogs na Internet.

Através dos meios de comunicação foi possível verificar o interesse da população pelo sistema. No entanto, foi detectada também a dificuldade em motivar os usuários para contribuir com dados no momento do evento. Duas possibilidades de justificativa para tal situação foram levantadas - primeiro, o fato das chuvas e alagamentos serem fenômenos cotidianos dos meses de verão na cidade e acontecerem em período de tempo muito curto, e segundo, devido às questões funcionais de usabilidade da plataforma em que a página está hospedada.

A título de teste os dados disponibilizados pelo CGE foram incluídos no sistema no período entre 23 de outubro de 2012 e 01 de dezembro de 2012.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

Pontos de Alagamento. Disponível em: https://pontosdealagamento.crowdmap.com/

Mapeamento dinâmico e colaborativo de alagamentos na cidade de São Paulo. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/bcg/v19n4/a06v19n4.pdf

Waze. Disponível em: https://www.waze.com/pt-BR/

Cartografia Colaborativa. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo332/cartografia-colaborativa

Waze Looking to Improve Worldwide Traffic with 10 Global Partnerships. Disponível em: https://www.yahoo.com/tech/waze-looking-to-improve-worldwide-traffic-with-10-98975209374.html

Tudo sobre o Waze. Disponível em: http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/waze.html

Prefeitura do Rio lança conteúdo olímpico no aplicativo Waze. Disponível em: http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/noticias/prefeitura-do-rio-lanca-conteudo-olimpico-no-aplicativo-waze