Educação na Web/Pensamento crítico

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O pensamento crítico é definido como "a aplicação da razão para determinar se uma proposição é verdade" [1]. Sua aplicação no ensino pode se dar através da leitura de material publicado na internet, segundo os princípios de leitura cuidadosa e com atenção; pensar criticamente e logicamente; julgar a argumentação e separar argumentos lógicos, racionais e emocionais; e aplicação a problemas reais (uso de temas cotidianos).

Pode ser usada para promover a habilidade[2] de leitura crítica necessária ao uso de internet pelo aluno. Para ajudar o aluno a ler e interpretar textos difíceis, John Bean organiza algumas recomendações[3]:

  • Explicar aos alunos que o processo de leitura é dependente do propósito: o tempo e atenção dedicados à leitura de um texto pode variar drasticamente de acordo com o propósito, especialmente se queremos promover a leitura crítica
  • Demonstrar aos alunos como fazer anotações e consultar fontes durante a leitura: demonstrar como a leitura de um texto precisa ser enriquecida com informação externa e com interpretação
  • Motivar os alunos a ler fora da sala de aula: cobrar dos alunos conteúdo além daquele dado em sala de aula
  • Demonstrar que o conteúdo reflete a perspectiva do autor e um contexto social: deixar claro para o aluno como textos e outros conteúdos são fruto da perspectiva do autor e podem ser analisados como tal. Como o conteúdo a ser avaliado foi produzido dentro de normas e elementos culturais compartilhados entre o autor e a audiência pretendida.
  • Ensinar os alunos a separar argumentos, motivações e finalidades: demonstrar como quebrar um texto em "o que ele quer dizer", a argumentação, com "o que ele faz", as motivações e objetivos do autor com o texto e o que pretende atingir com aquele conteúdo.
  • Produzir guia de leituras: guiar o aluno durante o processo de leitura com um guia que contextualiza o conteúdo a ser avaliado e levanta questões a serem consideradas durante a leitura.

Para Bailin[4], "é um erro conceituar o pensamento crítico em termos de habilidade e processos. Em vez disso, uma concepção do pensamento crítico deve ser explicitamente normativa, com foco nos critérios e padrões estabelecidos".

Temas cotidianos e polêmicos devem ser utilizados em sala de aula com o propósito de desenvolver o raciocínio crítico. O professor pode escolher temas que tenham motivações externas à discussão do meio científico e envolvam juízo de valor como evolução, aborto, utilização de células-tronco para pesquisa, aquecimento global, vacinação e questões de gênero.

Os alunos podem se orientar pelas regras abaixo para fazerem uma leitura crítica de um texto:

1. Quais as motivações do conteúdo? -> o estudante identifica a intenção do autor ao escrever aquele conteúdo e pode classificá-las como motivações racionais, emocionais ou financeiras.

2. Quais os argumentos? -> ao checar fontes e evidências, o aluno consegue desvendar como o autor do texto chegou a uma dada conclusão e como construiu toda a sua argumentação textual.

Nelson[5] observa que os alunos conseguem tirar melhor proveito de uma atividade como essa se forem apresentados ao conceito daquela matéria previamente. Assim, se o professor abordar evolução em sala de aula, ele precisa apresentar os conceitos base da teoria aos seus alunos para depois entrar em uma discussão sobre os argumentos que embasam o criacionismo.

Atividade sugerida[editar | editar código-fonte]

Material recomendado[editar | editar código-fonte]

O que é o pensamento crítico (curso em inglês)

Fontes[editar | editar código-fonte]

  1. Moore, B. N., & Parker, R. P. (2012). Critical Thinking (10th ed., p. 576). McGraw-Hill Education.
  2. Crow, L.W. 1989, The Nature of Critical Thinking. Journal of College Science Teaching 19(2), 114–116
  3. Bean, John C. "Helping Difficult Students Read Difficult Texts." Engaging Ideas: The Professor's Guide to Integrating Writing, Critical Thinking, and Active Learning in the Classroom. 2nd edition. Ch. 9. San Francisco: Jossey-Bass, 2011. [pdf]
  4. Bailin, S. (2002). Critical thinking and science education. Science & Education, 11(4), 361–375.
  5. Nelson, C. E. (2008). Teaching evolution (and all of biology) more effectively: Strategies for engagement, critical reasoning, and confronting misconceptions. Integrative and Comparative Biology, 48(2), 213–25