Educação na Web/ Zika como arma biológica

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Pacote com substância biologicamente perigosa

Conversando com os professores[editar | editar código-fonte]

Público alvo[editar | editar código-fonte]

Professores de 1° e 2° Graus e seus alunos

Contexto[editar | editar código-fonte]

Este texto procura esclarecer um dos boatos sobre a epidemia de Febre Zika iniciada no Brasil no ano de 2015.

Boato[editar | editar código-fonte]

O zika vírus seria uma arma biológica sendo testada no Brasil.

Fonte: Yahoo respostas e comentários em notícias (G1 e outros) sobre a epidemia e a correlação dela com a microcefalia.[1] [2][3]

Argumentos utilizados pelo boato

  • Governos querem reduzir o tamanho da população humana
  • Desenvolvimento de armas por nações desenvolvidas
  • Governo Federal quer gastar menos com o Bolsa Família

Quais as motivações do boato?[editar | editar código-fonte]

Argumentos racionais[editar | editar código-fonte]

Vírus já foram usados como arma biológica[4][5][6]

Falta de transparência nas ações dos governos[7]

Tema muito trabalhado na ficção (livros, quadrinhos, filmes)[8]

Existe precedente para a preocupação com o uso de flavivírus como arma biológica[9]

Falta de familiaridade com assuntos científicos/de saúde[10]

Dificuldade em compreender os conceitos de Virologia, mutação e recombinação viral[11]

Geram motivações emocionais[editar | editar código-fonte]

Má reputação do SUS[12]

Falta de confiança histórica nas ações dos governos[13]

Contra-argumentos básicos ao boato[editar | editar código-fonte]

Os custos para o Governo com a epidemia são argumentos contrários à ideia de arma biológica[14][15]

Importância do Brasil no cenário mundial, o que não justifica local de experimentação de arma biológica[16]

O que é real ou não no boato[editar | editar código-fonte]

Existe a preocupação de que os flavivírus, vírus da família do zika, sejam utilizados como arma biológica. E já existe protocolo de tratamento epidemiológico, disponível para a comunidade médica mundial, acerca desse problema[9]. Flavivírus como o zika vírus, especificamente o vírus da Febre Amarela, já foram estudados para o uso como armas biológicas, tanto pela Coréia do Norte quanto pelos Estados Unidos (antes do fim do programa de desenvolvimento de armas biológicas daquele país, em 1969), assim como outros vírus causadores de febres hemorrágicas[9]

Porém, o zika vírus não deve ser considerado como potencial arma biológica. Devido à recente expansão da área de atuação desse vírus, que entre sua descoberta em 1947 e o ano de 2007 jamais tinha sido reportado por atacar pessoas fora do eixo África-Ásia, seu potencial para causar uma epidemia era desconhecido. Durante esses 60 anos o vírus ficou conscrito ao eixo africano-asiático e os poucos casos registrados mostravam uma doença de quadro leve, pouco perigosa e de alcance limitado[9]. “No banco de dados do PubMed, um serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, que reúne mais de 25 milhões de publicações científicas, uma busca pelo vírus retorna 210 resultados. Sobre dengue, são encontradas mais de 14 mil publicações e sobre o chikungunya, 2,4 mil”[17].

Foi apenas durante a epidemia ocorrida na Polinésia Francesa entre 2013 e 2014 que as primeiras complicações neurológicas ligadas à doença foram relatadas, ainda assim em número estatisticamente baixo - 70 casos em uma epidemia que afetou aproximadamente 28 mil pessoas[17].

Apenas após a chegada do vírus à América Latina, no período entre 2014 e 2015, é que começaram a ser relatadas complicações neurológicas graves em quantidade estatisticamente relevante para causar alarme. Especialmente a relação entre a infecção pelo vírus em grávidas e a ocorrência de microcefalia nos fetos que estas carregavam. Até então, não se sabia que o vírus poderia causar essas complicações. A relação pode ter existido desde a descoberta do vírus, porém ter passado despercebida devido à pequena quantidade de casos sintomáticos – existe a possibilidade de que até 80% dos infectados não desenvolvam qualquer sintoma da infecção[18] e também à falta de acesso a tecnologias de detecção do vírus.

Por que essas informações dão segurança de que não se trata realmente de um ataque com arma biológica?[editar | editar código-fonte]

Porque armas biológicas são desenvolvidas para se atingir um fim conhecido e previamente determinado: causar a morte ou incapacitação de grandes números de pessoas de modo rápido e controlado[19][20]. No caso do zika vírus, com as características que a doença provocada por ele tem hoje, esse propósito não é bem servido. Não só até 80% dos pacientes não desenvolvem sintoma algum, como também os efeitos danosos ao embrião ou feto causados pelo vírus são evitáveis, bastando às mulheres grávidas evitarem o contato com os mosquitos ou, no máximo, evitarem a gravidez durante o período de pico da epidemia, enquanto é desenvolvida vacina e métodos de controle dos mosquitos vetores da doença[18].

Porque a progressão da distribuição do vírus zika através do mundo é conhecida. O Zika Vírus foi isolado pela primeira vez na década de 1940, por meio de estudos realizados em macacos da floresta de Zika, em Uganda. Em 1964, na Nigéria, foi identificado pela primeira vez em humanos e de lá se espalhou por outras regiões da África e também da Ásia. Em 2007, foi encontrado pela primeira vez fora desses continentes, em um surto da doença na Oceania. De lá foi transportado por navio (em pessoas infectadas ou junto com os mosquitos) pelo Oceano Pacífico até chegar à América Latina, onde se espalhou em 2014[21]

Sugestões de como trabalhar o tema em sala de aula[editar | editar código-fonte]

  • Os alunos podem fazer entrevistas na rua;
  • Pesquisar real causa da epidemia;
  • Produzir um vídeo/reportagem no formato de noticiário ou outro, embasado na pesquisa e esclarecendo eventuais dúvidas dos entrevistados;
  • A sala pode criar um canal no Youtube para todos os vídeos produzidos;

Material recomendado[editar | editar código-fonte]

Fontes de consulta onde encontram a informação necessária para responder os questionamentos listados acima.

Lista de fatores para conferir se uma epidemia pode ter sido causada por arma biológica ou não[editar | editar código-fonte]

Uma arma biológica normalmente:

  • Causa infecção controlada, restrita a uma localidade geográfica ou a uma determinada população
  • Usa um vetor controlável e não mosquitos, como a produção de esporos (essa é a maior dificuldade para vírus serem utilizados por grupos terroristas e o motivo pelo qual estes historicamente preferem utilizar outros patógenos como o anthrax ou a toxina botulínica[20]);
  • A infecção costuma ser localizada em regiões em guerra/disputa (testes de desenvolvimento de armas biológicas são feitos na imensa maioria das vezes com militares ou com prisioneiros, mas sempre na população do país desenvolvedor, não com população aleatória, para fins de controle de resultados[22]);
  • Existe capacidade financeira/tecnológica de alguma das partes em conflito para desenvolver armas biológicas;
  • O vírus em questão é letal para adultos; objetivo do ataque é subjugar ou eliminar de vez a população; em ambos os casos o extermínio dos indivíduos adultos é necessário, até porque os pesquisadores do país que podem desenvolver estratégias de cura/defesa contra a epidemia são adultos;
  • Checar a área de estudo da fonte: fontes desconhecidas ou que sejam de outras áreas sem essa especialidade (Exatas, Humanas) são menos confiáveis.

Links para pesquisa dos alunos[editar | editar código-fonte]

  • Vídeo com informações básicas sobre o Vírus Zika pelo canal Nerdologia
  • 9 perigos biológicos que podem ser usados como armas letais[4]
  • Wikipédia: Guerra Biológica[20]
  • Entenda como o zika vírus se espalhou pelo mundo. Zero Hora, 03/12/2015[17]
  • Genética Viral[11]
  • O Arsenal de Guerra[23]
  • O que é uma arma biológica?[5]

Referências Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  1. http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20151202085121AA0MBaM
  2. http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/12/zika-virus-entenda-transmissao-os-sintomas-e-relacao-com-microcefalia.html
  3. http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2015/12/deixei-de-seguir-diz-gestante-sobre-boatos-sobre-microcefalia-na-internet.html
  4. 4,0 4,1 http://www.megacurioso.com.br/virus-bacterias-e-protozoarios/45351-9-perigos-biologicos-que-podem-ser-usados-como-armas-letais.htm
  5. 5,0 5,1 http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-uma-arma-biologica
  6. http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102-311X2001000600037&script=sci_arttext&tlng=ptpt
  7. http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,sp-nao-notifica-suspeitas-de-ma-formacao,10000004285
  8. http://filmow.com/listas/top-150-filmes-series-sobre-epidemia-fim-do-mundo-catastrofes-invasao-alienigena-zumbis-l33190
  9. 9,0 9,1 9,2 9,3 http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=194908#Table1.HemorrhagicFeverViruses*
  10. http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/12/03/pisa-desempenho-do-brasil-piora-em-leitura-e-empaca-em-ciencias.htm
  11. 11,0 11,1 http://www.microbiologybook.org/Portuguese/virol-port-chapter5.htm
  12. http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/SUS-pesquisa-mostra-insatisfacao-paradoxos-e-impasse-politico/4/18477
  13. http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2015/11/1712972-corrupcao-lidera-pela-primeira-vez-pauta-de-problemas-do-pais.shtml
  14. http://www.cearanews7.com.br/dilma-se-reunira-com-governadores-para-levantar-custos-de-plano-contra-microcefalia
  15. http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/11/20/interna_vidaurbana,611617/governo-vai-reativar-grupo-para-enfrentar-epidemia-de-microcefalia.shtml
  16. http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2015/04/14/a-importancia-do-brasil-na-economia-mundial-e-as-prioridades-sociais/
  17. 17,0 17,1 17,2 http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2015/12/entenda-como-o-zika-virus-se-espalhou-pelo-mundo-4921534.html
  18. 18,0 18,1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Febre_Zika
  19. http://www.siumed.edu/medicine/id/bioterrorism.htm#types
  20. 20,0 20,1 20,2 https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_biológica
  21. http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,humanizacao-do-zika-facilitou-infeccoes,10000003831
  22. http://super.abril.com.br/ciencia/cobaias-humanas
  23. http://www.bbc.com/portuguese/especial/1221_mff_bio/page7.shtml