Ervas Medicinais

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Ecologia Médica: uma abordagem sistêmica

Dr. Fernando 2

   O Dr. Fernando Bignardi é médico pós graduado em Homeopatia, Medicina Comportamental, Psicoterapia e Gerontologia. Na noite de julho compartilhou conosco sua vasta experiência como coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da UNIFESP e do Setor de Transdisciplinaridade aplicada a Saúde

Há cerca de 50 anos surgiu nos consultórios médicos um paciente atípico: ele não trazia queixas específicas de um órgão em especial, como uma dor de cabeça ou no estômago ou uma febre. Queixava-se apenas de não estar bem; de não estar motivado para o trabalho; dizia que dormia mal à noite apesar de se sentir sonolento durante o dia; sem ânimo para o trabalho e até mesmo para o lazer e para a vida relacional. Durante décadas esse paciente foi medicado com tranquilizantes e ansiolíticos pois supunha-se que se tratava de um desequilíbrio psíquico. A situação elevou em dezenas de vezes o consumo mundial de benzodiazepínicos (ansiolíticos como o Valium e o Diempax).* A medicina convencional, como a conhecemos hoje, busca tratar apenas o sintoma físico através da medicação, mas as doenças não tem causa apenas na amplitude física, esta é uma pequena parte do homem se o enxergarmos com um ser inserido dentro de um modelo sistêmico e integrado com o ambiente e outros seres.

Transdisciplinaridade[editar | editar código-fonte]

O modelo newtoniano nos condicionou a criar caixas de conhecimento e separá-las, Física, Química, Biologia… é como se fossem mundos distantes e opostos, cada qual ocupando seu espaço, sem interagir com as outras áreas e até sendo contrárias. Pensar de maneira transdisciplinar é sobretudo compreender o conhecimento como uma unidade e uma buscar nova compreensão da realidade complexa articulando elementos que passam entre, além e através das disciplinas.

O conceito de transdisciplinaridade surgiu na década de 70, mas ainda é considerado um tema polêmico no meio acadêmico, o pensamento transdisciplinar favorece uma nova organização do conhecimento que permite a articulação entre os fundamentos científicos como, por exemplo, da Medicina com as diferentes áreas: Ciências Humanas, Filosofia, Tecnologia, Valores culturais e espirituais, busca uma nova compreensão da visão de homem e de mundo abrindo-se a uma lógica inclusiva para além dos limites estáveis do conhecimento disciplinar. Com Einstein, há cerca de um século, a dimensão imaterial (energia) é resgatada pelo domínio científico. Surge a Física Quântica, que começa a compreender a incerteza inerente aos fenômenos e reconhece que a realidade é um “caldo” complexo de possibilidades que colapsam como objetos perceptíveis na dependência de um arcabouço informacional. Amit Goswami nos traz a visão quântica de homem, que postula a correspondência hierárquica e interdependente de seus cinco corpos da consciência: físico, vital, mental, supramental e sublime, este último considerado como ilimitado.**

   Modelo Quântico de Homem

http://cdtagriculturaurbana.files.wordpress.com/2013/08/modelo-quantico-de-homem.jpg

   Imagem do setor de Transdisciplinaridade aplicada à Saúde (UNIFESP)

O que é uma doença?[editar | editar código-fonte]

Doença é a desconexão do indivíduo com a sua missão de vida e portanto a oportunidade de se reconectar com sua missão e encontrar a cura. Nas plantas, por exemplo, quando uma samambaia está com problemas em seu funcionamento sua seiva fica doce, atraindo pulgões para extrair esta seiva. É como se os pulgões fizessem uma espécie de acupuntura na planta ao puxarem para fora a essência da samambaia e extrair a seiva doce desequilibrada. Logo não faz sentido combater os pulgões para melhorar a saúde da planta, mas sim tratar a causa da disfunção de uma planta.

Ecologia Médica[editar | editar código-fonte]

É uma visão holística para o tratamento das pessoas como um todo ao vê-los como um microcosmo, que deve estar em equilíbrio consigo mesmo, e que deve estar em equilíbrio com o meio que o cerca, o macrocosmo. Busca-se técnicas médicas naturais, que façam o organismo reagir frente às agressões físicas e emocionais de maneira harmônica e consistente, fazendo com que o próprio organismo combata suas doenças, seus desequilíbrios. Toda doença é um fenômeno ecológico, temos que pensá-la em REDE, como um processo sistêmico. Toda doença é uma oportunidade para ser vivo se alinhar com o seu propósito de vida, ligado a intangibilidade e imaterialidade.

A relação entre micro e macrocosmo pode acontecer entre um vaso de ervas e a pessoa que o cultiva. A relação que eu estabeleço com a minha hortelã restabelece a minha inteireza (o meu propósito de vida) através da prática do cuidado e observação. Ao mascar a minha folhinha de hortelã é como esse microssistema pode adentrar no meu macrossistema mais complexo.

Qual o papel de uma planta na agricultura urbana? O papel sistêmico da planta é a atitude de converter água, luz e ar em biomassa, tornando densas e concretas as informações cósmicas e disponibilizá-las para o ser que a come.

A horta urbana não é uma questão de produtividade, mas de mudança na atmosfera urbana através do cultivo orgânico, transformando o solo potencialmente vivo, mas compactado e doente em um solo vivente e integrado ao micro-organismos (microcosmos também) abundante através da compostagem. Para caminharmos para uma agricultura urbana sistêmica é necessário nos desfazermos do padrão herdado de uma cultura monocultural e nos dar a oportunidade observar o sistema vivo de uma horta, os relacionamentos entre as plantas, os insetos, a ação do tempo e expandindo a compreensão pela experiência.

Mais informações sobre o trabalho do Dr. Fernando Bignardi:

CENTRO DE ECOLOGIA MÉDICA FLORESCER NA MATA – Agricultura Ecológica e Saúde

www.florescernamata.com.br

DEPARTAMENTO DE MEDICINA PREVENTIVA – Setor de Transdisciplinaridade aplicada à Saúde (UNIFESP)