EaD-FE-UnB/Estratégias para Superação de Resistência à EAD em uma IES Federal

Fonte: Wikiversidade
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Resenha crítica do capítulo.

Resumo do Trabalho[editar | editar código-fonte]

O texto aborda acerca das características do Ensino à Distância que atualmente está atrelado às TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação). Ainda há muita resistência quanto a esta modalidade, por ser recente há um certo receio de fugir ao tradicional, resistência também dos professores quanto à desqualificação de sua profissão, entre outros. Dessa forma, o autor retrata uma certa realidade utilizando como exemplo o curso MINOR que foi utilizado em uma Universidade Federal como um curso à distância e obtiveram taxas negativas como evasão e insatisfação por parte dos alunos, e mostra a estratégia utilizada para reverter esse quadro.

Apresentação do trabalho[editar | editar código-fonte]

Apesar de a educação à distância ser bastante antiga, é graças às tecnologias de informação e comunicação, as TICs, que podemos ter acesso a essa modalidade nos moldes atuais. A cada dia essa forma de educação vem se tornando mais significativa, por causa do suprimento das demandas de muitas pessoas, como por exemplo a flexibilidade de horários, o preço mais baixo, a estimulação de algumas características nos alunos, entre outros. Entretanto, ainda existem muitas resistências para a adoção dessa modalidade. O texto fala sobre as causas e estratégias para combater essa resistência à Educação à Distância.

Dentre as resistências existentes por parte de professores, alunos e muitas pessoas que não conhecem a EaD, estão a relação que o professor deixa de ter com o aluno, ele deixa de ser porta-voz do conhecimento e passa a ter papel de mediador desse conhecimento, isso é encarado por muitos como uma desqualificação da profissão docente, mas por outro lado essa situação traz uma oportunidade de ressignificação dessa profissão e da relação professor-aluno. Também há resistência com relação à necessidade de o aluno ter uma maior autonomia e disciplina, já que não há rigidez de horários ou obrigatoriedade de deslocamento. Com relação a isso, muitas dessas pessoas que tiveram más experiências por causa da falta de planejamento ou até mesmo por causa da má gestão julgam ser a modalidade como um todo desqualificada, massiva e barata. Quanto a isso, analisando por outra perspectiva, a massificação é positiva, pois leva a muitas pessoas que não podem frequentar um curso presencial a oportunidade de acesso à educação.

Visto os elementos do EaD, das resistencias e estrategias, o autor coloca a experiencia vivida com o curso de empreendorismo MINOR.

A experiência MINOR foi uma espécie de curso complementar a graduação, que foi auxiliado pelo programa Universidade Aberta(uab). Dessa forma, foi programado para ser dividido em aulas a distância e presenciais, essa última em poucas fases.

O programa era voltado para a área do empreendedorismo, ou seja, um curso de capacitação para desenvolvimento de habilidades empreendedoras, como exemplo marketing e técnicas de comunicação. Baseado nessas informações, o autor aborda a realidade da educação a distância. A experiência por ser nova sofreu em diversos quesitos, essa deficiência foi apontada pelo grande número de evasões e pela insatisfação quantificada por uma pesquisa de satisfação sobre o curso na qual os alunos responderam. Podemos enumerar os principais problemas ditos no texto que podem ser levados para a EaD num geral. A pouca interação entre os próprios alunos, visto que a sala virtual era voltada no contexto aluno-conteúdo-professor, pouco desenvolvido para o chamado espaço aluno.

Tendo em vista esses problemas, a estratégia estabelecida pela Universidade foi variada, buscando o aumento na satisfação e a diminuição da evasão, que eram problemas latentes dentro do curso. As alternativas foram diversas, sendo a primeira a diminuição do tempo do curso de 2 anos para 1, o motivo foi que os alunos teriam que estar mais atentos para os conteúdos e estarem mais atentos ao recurso online. Outro ponto foi a mudança na interface do sistema, que era considerado "feio e complicado", mudando para se tornar mais claro, além de facilitar a interação.

Esses pontos, foram a solução pela forma do projeto AMEI (Ambientação no MINOR Empreendorismo e Inovação), que como o nome diz, queria facilitar o entendimento da interface e comunicação dentro da plataforma. Outro ponto foi o de aumentar a interação entre os alunos, assim se desenvolveu trabalhos em grupo que seguiriam desde o início do curso até a conclusão do mesmo com o intuito de acreditar que o grupo seria mesmo uma empresa e que colaborassem entre si para desenvolver as suas capacidades. Desse modo, além das teorias e fundamentos, aulas de criatividade e atitude empreendedora (CAE) foi inserida no currículo para aumento das capacidades e formas de solucionar problemas.  

Com as diversas mudanças implementadas, outra pesquisa foi feita para averiguar a satisfação com o novo modelo. Desse modo, após as mudanças no modelo observou-se uma redução na taxa de evasão além da melhor avaliação sobre as disciplinas com o novo modelo utilizado, como o autor coloca sobre o objetivo e a resultado das mudanças.


Conclusão do Trabalho[editar | editar código-fonte]

Baseado na experiência MINOR, pode-se concluir que a educação é uma possível solução para se desenvolver curso de graduação, mas que por ser recente em muitos aspectos, como os TIC’s, apresenta problemas na abordagem feita. No trabalho realizado, observou-se que ainda ocorre diversos problemas na tendência EaD, que se refletem na resistência de diversas pessoas com essa plataforma. Dessa forma o texto mostra que a solução foi uma pesquisa de satisfação para alteração de pontos principais que se encontravam falhos.

Por fim, o que se torna fundamental no trabalho é o fato de ocorrerem mudanças através de uma pesquisa de satisfação para mudanças a favor da plataforma e dos alunos, não hesitando em mudar aliando mais o presencial e o a distância, que ao se observar resistência ao EaD o jeito foi alterar a proposta inicial, modificando da característica da distância e melhorando o suporte e o próprio modelo da plataforma digital do curso, gerando mais satisfação e melhora nos índices de qualidade e de pessoas formadas no curso.

Análise[editar | editar código-fonte]

É interessante destacar a afirmação dos autores, fundamentados em Rosin (2009), a respeito do aspecto cultural característico dos estudantes brasileiros, que consiste na dificuldade, ou falta de costume de trabalhar com autonomia, tomada de decisões e responsabilização sobre seu processo educacional, bem como a dificuldade em construir o conhecimento coletivamente. Essa é uma realidade de fácil comprovação que pude atestar desde minha vida escolar, até as experiências atuais, como graduanda em música licenciatura numa Universidade Federal.

No exemplo mais antigo, estava já no Ensino Médio, quando representei um grupo de trabalho para a feira cultural do colégio perante a coordenação, com uma carta argumentativa, a fim de defender a aprovação de uma ideia de temática para abordarmos que não tinha sido sugerida pelos professores dentro das possibilidades de temas. Meu grupo estava muito motivado com essa ideia e já possuía todo o conceito de apresentação do trabalho, no qual pretendíamos inovar utilizando mais recursos do que os grupos costumavam usar. Nos daria muito mais trabalho, porém seria muito mais interessante. No entanto, fomos obrigados a lutar de forma muito incisiva para defender essa ideia, sem receber apoio dos docentes e sob olhares de desconfiança de toda a coordenação.

Esse momento de minha vida escolar é um bom exemplo de como se estimula a perpetuação de um padrão cultural de não tomar decisões, não pensar de forma autônoma, o que implica em passar a não buscar a inovação em sua trajetória como estudante. Aos poucos, iniciativas como a desse exemplo tornam-se mais raras e são substituídas pelo conforto de simplesmente seguir a trilha que todos seguem, mesmo que isso não leve a uma verdadeira aprendizagem significativa, ou a qualquer processo mais enriquecedor. É como se o aluno passasse por uma espécie de adestramento que vai subdesenvolvendo, atrofiando (de tanto deixar de lado paulatinamente) o seu desejo como indivíduo educando e, assim, sua relação com o processo de ensino passa a tornar-se menos pessoal e menos ativo. Subordina-se cada vez mais àquilo que é entregue em suas mãos e, uma das consequências notáveis e graves é a dificuldade de desenvolver uma perspectiva crítica própria, uma capacidade reflexiva, a criatividade, o olhar que analisa e é capaz de recriar, produzir algo por si mesmo.

Nesse sentido, considero pertinente a preocupação apontada no texto como um dos argumentos levantados pelos resistentes à EaD: a questão da massificação da educação. Na própria educação presencial, essa marcante característica não-autônoma, impressa nos estudantes, forjada e perpetuada na ação docente, ao meu ver, leva a uma normalização sistemática dos estudantes, ou seja, uma planificação dos comportamentos dos educandos, tornando os grupos mais e mais homogêneos, não fazendo proveito pleno de suas singularidades, tratando-os como uma massa uniforme. É desse modo que a educação contribui para uma sociedade menos pensante e atuante, menos empoderada de suas potencialidades transformadoras de realidades. Creio ser esse o potencial mais temido e mais importante que a educação nos deveria proporcionar.

Dentro de um momento histórico, contextualizado na introdução do capítulo em questão, no qual a expansão das tecnologias da informação transformam continuamente nossas relações com o mundo - logo, de ensinar - e também com nossa própria forma de pensar - logo, de aprender - vejo que a EaD participa dessa “mecânica”, porém se encontra num espaço de rechaço, tanto pelo fato de que não é eficaz, muito menos plena em suas potencialidades quando apenas reproduz os modelos de relações e traços massificantes da educação presencial, quanto pelo fato de que exige, por sua natureza, uma relação de engajamento - ou disciplina - autônomo do estudante, ao qual ele não sabe, ou não tem costume de responder. Por esse motivo, inclusive, vejo como importantíssima a oportunidade de repensar as estruturas que se dão num curso presencial, ao se propor a reformulá-lo para o modelo de educação à distância. Para que essa massificação não seja apenas carregada para um ambiente virtual por exemplo, mas que seja uma chance de estimular novos padrões de comportamento nos estudantes brasileiros. A questão aqui é, no entanto, de que forma se pode desenvolver essas valorosas qualidades dentro das estruturas de cursos à distância?

O texto ilustra muito bem, a partir das consultas anônimas aos alunos do MINOR e as modificações realizadas em toda a estrutura do curso, como encontrou-se um caminho que gerou resultados muito mais satisfatórios. Mas pensar sobre isso olhando para situações da minha realidade, gostaria de trazer um segundo exemplo, uma experiência que tenho tido estagiando pela graduação em música licenciatura numa escola pública do DF, numa turma de EJA de um professor de artes. Logo em meu primeiro dia de observação e conversa posterior com o professor, pude notar o quanto a relação estabelecida entre ele e seus alunos era inusitada. O professor permitia que cada aluno pensasse o que desejava, verdadeiramente, por vontade própria realizar como projeto nas aulas. Tornava a sala um espaço de livre atuação dos alunos, que podiam tanto estar em grupos, quanto individualmente desenvolvendo suas atividades com autonomia. Permitia o que fosse necessário, construção de material no gramado fora da sala, busca de material reaproveitável nos arredores da escola, ou de objetos para desenho de observação em toda a escola, ensaio de apresentação musical ou teatral em sala vizinha. Durante a aula ele passava de projeto em projeto, dando suporte se fosse necessário. Ao final da aula, cada aluno ou grupo mostrava para ele o que desenvolveu, e ele muitas vezes indicava nomes de artistas referenciais para pesquisa autônoma dos alunos, em casa, como forma de inspiração e embasamento para seus trabalhos. Importante ressaltar que essa turma, além de muito heterogênea em faixa etária, também incluía alunos em situações de vida bem contrastantes, como adolescentes saídos do mundo do crime, ou em iminência de entrar nele. Em geral os alunos vinham de um histórico de rejeição com a escola, com os professores. No entanto, ali a relação deles com o professor de artes era visivelmente ativa, participativa, empoderada.

Essa observação me faz refletir sobre como é possível recriar a dinâmica de relação do estudante com seu processo educativo, e creio que as chaves que visualizei com isso foram a valorização do universo dos alunos, suas vontades próprias e singularidades, e o acompanhamento sempre estimulante que visa a manutenção do engajamento do estudante em sua atuação autônoma. Quanto mais o aluno está em contato com sua autêntica vontade, mais parece natural que ele se mantenha interessado em trabalhar, a autonomia parece deixar de ser um grande peso quando isso acontece com fluidez. Nesse exemplo relatado, podemos observar os pressupostos da Andragogia de Malcom Knowles (1980), apontados no texto: a automotivação do indivíduo; a consideração da bagagem do aluno no processo de aprendizagem; a urgência de aplicação do seu aprendizado na vida real.

Sendo assim, em concordância com o texto, na perspectiva da EaD, vejo que essa construção de uma relação eficiente do aluno com seu processo educativo vai demandar o pleno conhecimento dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem por parte dos professores, a ponto de que ele seja capaz de desenvolver dinâmicas de utilização dessas ferramentas que recriem em AVA essa valorização do universo singular do aluno, alimentando sua motivação e proporcionando a caminhos para que ele vivencie seu aprendizado, tornando-o uma realidade para o aluno.

Crítica[editar | editar código-fonte]

O texto aborda seu assunto principal de maneira bem ampla, demonstrando os dados da pesquisa, explicando os gráficos de maneira clara e apresentando as estratégias para a superação das resistências à modalidade de Educação à Distância. Destaca também a importância de se entender que a Educação à Distância não pode, e não deve, superficialmente representar a educação presencial em um ambiente virtual, pois cada modalidade tem suas próprias características e objetivos.

Para um futuro próximo é recomendado que sejam feitos relatos de outras experiências, assim como o curso MINOR, para que haja uma maior divulgação para servirem como base para falar da Educação à Distância. E que também a pesquisa com intuito de aprimoramento do curso seja levada para essas outras experiências, visando uma maior satisfação dos alunos daquele curso.