Filosofia da mente: Consciência

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A consciência é uma das áreas mais problemáticas da filosofia e da neurociência.

Descartes vê a consciência como um elemento teórico primitivo. Em outras palavras, a consciência não pode ser explicada, provavelmente por ser aquilo que é pressuposta na explicação do que quer que seja.

Consciência é o estado de estar plenamente ciente dos acontecimentos ou fatos, como esses definem o mundo lógico, ser consciente ou ter consciência é estar no mundo, estar nele e participar de sua construção histórica. Consciência é definida em oposição à inconsciência. A consciência contém aquilo que pode ser objeto do pensamento lógico-matemático.

Consciência é uma qualidade psíquica, isto é, que pertence à esfera da psique humana, por isso diz-se também que ela é um atributo do espírito, da mente, ou do pensamento humano. Ser consciente não é exatamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo e do mundo, para isso, a intuição, a dedução e a indução tomam parte.

A consciência ora se aproxima do todo, macrocosmo, ora se aproxima da parte, microcosmo.Há a consciência de si mesmo e do outro, através do confronto dos nossos desejos com as limitações que nos impõe a sociedade.

Sistema consciência[editar | editar código-fonte]

Qual mente humana, a consciência é um elemento da cognição que anda na mais plena desordem científica nestes tempos tecnológicos hodiernos de baixo nível de visão social e muitos desejos individuais. António Damásio, em O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA, diz que "a consciência é o termo abrangente para designar os fenômenos mentais que permitem o estranho processo que faz de você o observador ou conhecedor das coisas observadas" e que o mesmo [consciência] "consiste em construir um conhecimento sobre dois fatos".

Na nossa obra a mente humana em raios x, o tema ocupa dois capítulos, três seções e um tópico – nos quais falamos sobre a cultura humana sobre o assunto, desenvolvemos a instância (o desenrolar de uma ocorrência, desde a ação factual até um nível pós-humano, passando pelo padrão que a experimentamos hoje) e descobrimos a ‘anatomia’ da função mental em discussão – o que nos obrigou a escrever, ao final, uma síntese do assunto.

A despeito de toda a complexidade, nós tentamos uma definição conceitual, simples e com poucas palavras, mais próxima da realidade que representa o termo consciência para a concepção humana comum neste momento cultural.

Senão vejamos:

Propriedade mental de altíssima complexidade, a consciência é uma função cognitiva do segundo momento; sendo que esse segundo momento (quando se dá o fato conhecedor), nem sempre acontece, exatamente, em uma segunda incidência; dependendo no grau de dificuldade que oferece o objeto alvo e o nível de informações acessáveis do observador – não há como se ter ciência de um objeto ou processo no ato inaugural.

Consciência, autoconsciência e autoconhecimento[editar | editar código-fonte]

Manfred Frank (em "Self-consciousness and Self-knowledge", ver bibliografia abaixo) apresenta a relação entre consciência, autoconsciência e autoconhecimento da seguinte maneira:

  1. Consciência pressupõe autoconsciência. Não há como alguém estar consciente de alguma coisa sem estar consciente de estar consciente dessa coisa.
  2. A autoconsciência é pré-reflexiva. Se a autoconsciência fosse o resultado da reflexão, então só teríamos autoconsciência após termos consciência de alguma coisa que fosse dada à reflexão. Mas isso não pode ser o caso, pois, como dissemos antes, consciência pressupõe autoconsciência. Logo, a autoconsciência é anterior à reflexão.
  3. Autoconsciência e consciência são distintas logicamente, mas funcionam de maneira unitária.
  4. O autoconhecimento -- isto é, a consciência reflexiva ou consciência de segunda ordem -- pressupõe a consciência pré-reflexiva, isto é, a autoconsciência.

De acordo com o esquema acima, a autoconsciência é o elemento fundamental da consciência. Sem ela não há consciência nem reflexão sobre a consciência.

Inconsciente (definições)[editar | editar código-fonte]

O inconsciente define um complexo psíquico (conjunto de fatos e processos psíquicos) de natureza praticamente insondável, misteriosa, obscura, de onde brotariam as paixões, o medo, a criatividade e a própria vida e morte (vide Jung).

O conceito de inconsciente de Jung se contrapõe ao conceito de subconsciente ou pré-consciente de Freud. O pré-consciente seria o conjunto de processos psíquicos latentes, prontos a emergiriam para se tornarem objetos da consciência. Assim, o subconsciente pode explicado pelos conteúdos que fossem aptos a se tornarem conscientes (determinismo psíquico). Já o inconsciente seria uma esfera ainda mais profunda e insondável. Haveria níveis no inconsciente mesmo inatingíveis.

Jung separou o inconsciente pessoal do inconsciente coletivo. Hoje, não existe consenso se realmente existe um tal inconsciente coletivo, igual ou distribuído igualmente entre todas as culturas e povos.

Definições do senso comum[editar | editar código-fonte]

  • Ação do indivíduo ou grupo sem o intuito ou vigilância da área central de consciência.
  • Conjunto de processos e/ou fatos que atuam na conduta do indivíduo ou construindo a mesma, mas escapam ao âmbito da ferramenta de leitura e interpretação e não podem, por esta área, ser trazidos a custo de nenhum esforço que possa fazer um agente cujo sistema mental não possui o treinamento adequado. Essas atividades, entretanto, costumam aflorar em sonhos, em atos involuntários (sejam eles corretos e inteligentes ou falhos e inconsistentes) e nos estados alterados de consciência.

Definições concorrentes[editar | editar código-fonte]

  • Visão determinista: Alguns entendem o inconsciente como ações inconscientes baseadas em informações do passado, experienciadas ou noticiadas.
  • Visão reducionista: O inconsciente é entendido como um neologismo científico reducionista para não explicar ou negar os estados alterados da consciência.

Bibliografia sobre consciência[editar | editar código-fonte]

  1. Frank, Manfred. 2002. "Self-consciousness and Self-knowledge: On Some Difficulties with the Reduction of Subjectivity". Constellations 9(3):390-408.