EaD-FE-UnB/Inovação e conhecimento nas cidades-floresta 1

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Resumo do Trabalho[editar | editar código-fonte]

No tópico “Inovação e conhecimento nas cidades-florestas: a experiência da EaD em uma universidade amazônica” introduzido no livro “Utopias e distopias da tecnologia na educação a distância e aberta”, traz uma discussão sobre a Universidade do Pará (UFPA) a qual é considerada a maior instituição de ensino superior pública da região Norte do Brasil, porém, por fazer parte da bacia hidrográfica do rio Amazonas, as localidades da região ficam distantes da Universidade cujo acesso se faz apenas de barco ou avião de pequeno porte e no caso das regiões cujo acesso pode ser de carro, o percurso é distante devido a precariedade das estradas. Além das questões ambientais, territoriais, existem as questões sócio-histórias da região do Pará, que definem um cenário brasileiro diferente na região, denominado por Pacheco (2006) de cidades-florestas.

Por esses motivos o estado do Pará possui uma estrutura fragilizada de educação, portanto a UFPA tem trazido uma ampliação na oferta dos cursos de graduação e pós-graduação, buscando uma diversificação nas formas de aprender e ensinar, como por exemplo a implantação da modalidade de educação a distância em consonância com as políticas públicas nacionais voltadas para a Educação Básica (formação de professores e qualificação de gestores das instituições), pois o modelo presencial não tem dado conta de atender às necessidades da região.

Apresentação do Trabalho[editar | editar código-fonte]

Para a Universidade Federal do Pará as décadas de 80 e 90 foram vantajosas devido a implementação do Programa de Educação a Distância. Quando o projeto de Interiorização da UFPA começou (anos 80), estima-se que mais de 60% dos habitantes do Pará moravam no interior e menos de 1% chegava a finalizar o ensino Fundamental. Naquela época, dos professores que entravam em sala de aula cerca de 1% possuíam ensino superior.

O projeto se iniciou com a criação de polos em localizações estratégicas observando as situações econômicas e sociais da região. E os cursos eram voltados para a especialização de professores da educação básica e as ofertas com base nas suas situações socioeconômicas, ação que impactou significativamente o desenvolvimento dos municípios da região. Atualmente, os cursos ofertados vão além daqueles que visam a formação de professores e devido aos resultados positivos o projeto foi expandido.

A modalidade da EaD foi se estruturando com o emprego de material impresso combinado ao uso de outras mídias. Então em 1996, o Programa de Educação a Distância da UFPA foi aprovado oficialmente pela Câmara de Ensino, seguindo dois eixos: formação de recursos humanos e elaboração de um material didático de qualidade.

Um marco na UFPA foi o projeto “Alfabetização com Bases Linguísticas” desenvolvido inicialmente na modalidade presencial e posteriormente reestruturado na modalidade a distância. Ao fim de 3 anos na modalidade a distância, foram formadas 14.000 pessoas em 15 localidades diferentes

Um destaque na UFPA foi o curso de aperfeiçoamento do PLANEAR (Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional) que com seu financiamento contribuiu para a estrutura física da atual Assessoria de Educação a Distância (AEDi), tendo uma evolução considerável de 2001 até 2009, com o objetivo de coordenar a execução de projetos EaD tornando-se essencial no ensino-aprendizagem. Com o incentivo cada vez maior de políticas públicas para a EaD, criou-se a Universidade Virtual Pública do Brasil (UniRede) e em 2005 criou-se a Universidade Aberta do Brasil (UAB).

A UFPA foi pioneira no desenvolvimento de estratégias de formação superior no estado, mesmo em difíceis condições. Contando, atualmente, com cinco (5) cursos de graduação a distância: bacharel em administração pública e licenciaturas em biologia, física, letras, matemática e química.

O autor Fainholc (2009) relata que há uma busca constante por mudanças, renovação e projetos experimentais pautados na inovação. Ao longo da trajetória a AEDi (Assessoria de Educação a Distância), atuações criativas e inovadoras foram sendo construídas. Essas atividades só foram possíveis por causa do governo federal através do Ministério da Educação/SEED/CAPES que instaurou uma política de estado que garantiu o financiamento para a formação de professores, assim, as instituições puderam ampliar a oferta de cursos a distância e contar com recursos financeiros para outras atividades.

A AEDi (Assessoria de Educação a Distância) tem desenvolvido diferentes recursos didáticos que são trabalhados em conjunto com professores e especialistas, visando a qualificação do processo de ensino-aprendizagem de algumas disciplinas e buscando aprimorar os formatos tradicionais de ensino com uma linguagem audiovisual e multimidiática, sendo já produzidos materiais multimídia sobre: Termodinâmica, Cálculo, Geociências, Ad­ministração, História da UFPA, Ditadura Militar, Língua Brasileira de Sinais, Assistência e Integração Estudantil, Educação a Distância, Fito­terapia, Plantas Medicinais, entre outros.

Antes de um novo formato de conteúdo educativo são realizadas experimentações e pesquisas com o intuito de solucionar problemas com criatividade e baixo custo. Os formatos dos conteúdos partem de uma concepção de mídias como meio cultural, utilizando de linguagens e produtos que fazem parte do cotidiano no qual podem acrescentar qualidade e inovação no processo de ensino-aprendizagem.

Com o objetivo de inovação, em 2010, através do projeto “Institucionalização das Tecnologias de Informação e Comunicação” foi implementado uma plataforma virtual para o ensino e aprendizado na graduação. Com o objetivo de fortalecer os cursos de graduação, seja na modalidade presencial ou a distância, são disponibilizados a produção desenvolvida no âmbito da Instituição (vídeos, áudio, fotos, animação, jogos, entre outros).

Outro projeto que a UFPA implantou foi o “Projeto Newton” que visa inovar o modelo de ensino de cálculo na instituição com base em práticas inovadoras. Baseado na criação de ações pedagógicas, passando pelas mais tradicionais metodologias até às linguagens midiáticas contemporâneas. Assim, o processo ensino-aprendizagem foi desenvolvida em vários ambientes para a ajuda na aprendizagem. O caráter inovador está na integração de diferentes recursos e na interdisciplinaridade.

Ambos projetos demonstram a inovação que a UFPA quer trazer para o ensino-aprendizagem que através da AEDi promove uma ambiência própria à experimentação e à inovação no ensino da Instituição.

Conclusão do Trabalho[editar | editar código-fonte]

Os mais de 20 anos de EaD na Universidade Federal do Pará (UFPA) se firma como uma iniciativa baseada no comprometimento da Universidade como agente do desenvolvimento social, econômico e cultural da região. É em parte resultado dos investimentos internos da Universidade, mas também de diversificadas políticas públicas governamentais (implantação do sistema UAB), no qual mostram uma educação baseada na experiência e na valorização dos diferentes processos educativos visando principalmente a inovação no ensino, mas também, na forma de vida, de trabalho e formação na região do Pará. São oportunidades de transformar realidades, gerar oportunidades e expectativas e promover o desenvolvimento humano por meio do diálogo com a população que constitui a cultura das cidades-florestas.

Análise[editar | editar código-fonte]

Podemos analisar com os fatos expostos a importância da Educação a Distância da UFPA. O grande diferencial da UFPA é o pioneirismo em iniciativas de EaD que trouxe para à região melhoras significativas na situação socioeconômica das cidades-florestas com projetos que atuaram em varias regiões fazendo com que essas pessoas tenham acesso à educação, realizando oportunidades. Isso é fantástico! O ensino de Educação a Distância é uma modalidade em ascensão e vem se expandido no Brasil desde os anos 80.

Nos dias de hoje a EaD evoluiu trazendo oportunidades de ensino-aprendizagem para pessoas que por diversos motivos não podem ter acesso a educação presencial nas escolas diariamente. Todavia ainda há controversas entre os que apoiam a EaD e os de vão na contramão da ideia; de fato no que tange a modalidade de educação à distância podemos listar questões que ajudam, assim como questões que chegam a atrapalhar o aluno que visa uma educação de qualidade.

Uns exemplos de possíveis empecilhos para os que buscam a EaD é a falta de foco já que estando à distancia não existe uma cobrança direta para os estudos, caso surja alguma dúvida existe uma certa demora no feedback dos educadores. Falando de infraestrutura, é essencial para o processo de educação a distância dar certo. É preciso ter plataformas e computadores, projetos didáticos que funcionam; algumas instituições que ofertam esses serviços hoje em dia não os possuí. Todavia, indo em contrapartida existe a ideia de que a EaD é a "salvação" para pessoas que não fazem o perfil de alunos presenciais.

Além de um notável crescimento socioeconômico nas regiões em que a educação a distancia se aplica, existem para os alunos uma flexibilidade de horário para se estudar, autogestão do aprendizado, há uma diminuição no deslocamento já que existe a comodidade do estudo em casa ou onde achar mais confortável economizando assim passagem de ônibus, eventual alimentação por estar longe de casa, stress em geral vindo do dia a dia na rua, dentre outros.

Segundo pesquisas do Censo do Ensino Superior, todo o ano, milhares de novos cursos são reconhecidos pelo MEC e as matrículas em graduações à distância já passaram de um milhão. A EaD vem mostrando presença, evolução e bons resultados mais ainda tem muito o que evoluir. Devemos pensar nos benefícios e empecilhos não como ideias contrarias, mas sim como ideias que se completam para que possamos resolver os empecilhos e a partir disso melhorar cada vez mais os benefícios trazendo uma educação eficiente e de qualidade para todos.


Crítica[editar | editar código-fonte]

O capítulo do texto é estruturado de forma bastante clara e os links acontecem de forma objetiva realçando a importância da EaD com diversos exemplos e propostas que legitimam essa forma de educação. Muitas informações interessantes são apresentadas, especialmente por ser um tema pouco conhecido e/ou divulgado, o que consegue prender a atenção do início ao fim.  

O título do texto é um grande atrativo ao leitor e desperta interesse, entretanto ele remete a temáticas pouco citadas na construção da leitura e apesar de ser importante saber o conceito de cidades-floresta, essa não é a temática central da leitura e o conteúdo abordado se volta muito mais para a inovação da UFPA numa realidade amazônica do que especificamente aborda sobre as cidades-floresta, fato esse num primeiro momento pode causar confusão a quem lê. Apesar disso, no decorrer do texto essa resolução acontece e não deixa dúvidas de qual é a proposta central do capítulo. Possivelmente, essa confusão inicial poderia ser resolvida se ao início da leitura houvesse uma contextualização acerca do contexto social e cultural que envolve as cidades-floresta a qual a UFPA atende e se adapta a essa específica realidade, porém no decorrer das abordagens, é facilmente possível chegar a essa conclusão.

Contudo, é um excelente texto, com uma temática que desperta bastante curiosidade e revela informações muito ricas sobre o que tem acontecido em outros contextos educacionais da realidade brasileira, deixando uma grande reflexão acerca da pluralidade brasileira tanto naquilo que permeia as inovações na educação quanto ao fato de que essa inovação está acontecendo em ambientes que passa por diversos contratempos sociais, culturais e ambientais sendo esse sequer imaginados por aqueles que não estão a par das especificidades da região Norte do país que é uma região muitas vezes esquecida pelo restante da nação, mas que o texto revela o grande potencial e os excelentes resultados que estão obtendo ainda assim, servido de grande exemplo para as demais localidades brasileiras.