Jogo 2014/Aula 11

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29 de maio, 2014
Aula 11 - Trio 10 - Davidson Soares, Diogo Morais e Luann Brasil

I.Tema e Objetivo da Aula[editar | editar código-fonte]

Jogos Cooperativos : Uma Pedagogia do Esporte e O jogo e suas implicações pedagógicas

O objetivo da aula foi demonstrar o que são os jogos cooperativos, perante a pedagogia do esporte, e como eles poderiam ser introduzidos nas escolas, pois, têm-se uma grande dificuldade em se alcançar esta meta pelo fato de vivermos numa sociedade altamente competitiva. E também mostrar a importância do caráter pedagógico do jogo no ambiente escolar, onde é pouco reconhecido.

Semana Mundial do Brincar

II.Materiais e Espaço Utilizados[editar | editar código-fonte]

O espaço utilizado foi uma das quadras do ginásio do Sesc (Santos,SP). Nós, alunos da UNIFESP, nos separamos em cinco grupos, nos quais diferentes materiais foram utilizados para que diferentes atividades fossem aplicadas para as crianças. Os grupos utilizaram para brincadeiras:

• Grupo 1(inicio)- Nenhum material;
• Grupo 2(Agôn)- Coletes de pano, jornais, fita crepe e uma corda grande;
• Grupo 3(Alea)- Bolas de pano e um pandeiro;
• Grupo 4(Mimicry)- Bambolês, fitas de ginástica, colchonetes e cordas;
• Grupo 5(Ilinx)- Cordas grandes, vendas (pano escuro) e cones;

Além das brincadeiras, tiveram oficinas de brinquedos provenientes de materiais recicláveis. Oficinas: -Jogo das cinco marias – Retalho de tecido, feijão, linha, agulha e tesoura;
-Fantoche – meias velhas, linha e botão;
-Passa-bola – garrafa pet, bolinha de gude e espeto de churrasco;
-Bate-bate – bolinha de ping-pong, barbante e durex;
-Bambolê – tubo polietileno, isqueiro, faca, fitas coloridas e cola;
-Vai-e-vem – garrafa pet, tesoura e barbante;
-Bilboquê – tesoura, garrafa pet, barbante e durex;
-Carrinhos – garrafa plástica e pequena, bexiga, espeto de churrasco, durex e uma caneta;

III.Método Didático[editar | editar código-fonte]

Intervenção dos alunos do curso de Educação Física da UNIFESP na semana mundial do brincar. Foram formados 5 grupos, e excetuando-se um, em cada formação eram aplicadas atividades que estavam de acordo com os quatro tipos de jogos conceituados por Roger Caillois.
O Grupo 2 realizou jogos do tipo Agôn, que são jogos de competição. Foram aplicados:
• Pega-pega tradicional;
• “Pega-rabo”;
• Pega-agachado;
• Cabo-de-guerra;
• Queimada;
Grupo 3 realizou jogos do tipo Alea, que são jogos de azar. Foram aplicados:
• Batata-quente normal;
• Batata-quente como corre cotia;
Corre cotia normal;
• Corre cotia zigue-zague;
• Corre cotia com dois pegadores;
• Corre cotia só com palmas;
• Escravos de Jó normal;
• Escravos de jó com bolinhas coloridas(tipo corre cotia);
• Brincadeira do pandeiro com números(explicada pelo professor);
Grupo 4 realizou jogos tipo mimicry, que são jogos de simulacro. Foram aplicados:
• Mãe da rua;
• Coelhinho sai da toca;
• Crianças passando pelo banco de equilíbrio;
• Crianças passando por cima ou por baixo da corda fazendo mímica ou movimentos de ginástica;
• Amarelinha e mímica;
Grupo 5 realizou jogos do tipo Ilinx, que são jogos de vertigem. Foram aplicados:
• Zerinho;
• Cobrinha;
• Desvio com cordas;
• Relóginho;
• Cabra-cega com cones;

IV. Descrição[editar | editar código-fonte]

Antes de começar a intervenção, tivemos o “ensaio” do grupo ALEA, com os próprios integrantes da sala, utilizando-se um pandeiro. Cada pessoa foi “enumerada” de 1 a 15, deveriam se misturar e cantar uma música, ao sinal de um membro do grupo a música pausa e ele diz um número (de 1 a 15), as pessoas que foram enumeradas com o respectivo número falado devem deixar-se cair, esperando que os outros que ainda estão em pé peguem-o.

Após a primeira brincadeira, que serviu como “aquecimento” para a turma, chegaram algumas crianças e jovens que foram direcionadas pelo grupo 1, pois iriam fazer a atividade de abertura da intervenção com as crianças. Conforme o pedido, as crianças se sentaram para fazer a primeira brincadeira do dia, que foi a “Montanha Russa”.

Primeira brincadeira com as crianças.


Ainda com o grupo de início, mas, com a ajuda de todos os estudantes, após o término da primeira atividade foi aberto uma roda para que fosse iniciada a atividade do “Escravos de Jó”. Aqui o objeto de jogo é o próprio corpo dos jogadores. O jogo começou em um ritmo mais lento e foi aumentado gradativamente, e, consequentemente, aumentou-se o nível de complexidade do mesmo. Algumas variações do jogo foram utilizadas, como o “Escravos de Jó” de olhos fechados, sempre visando o aumento de complexidade do jogo. Depois, teve o jogo de olhos fechados e sem a música cantada, apenas ritmada. Por fim, o grau máximo de dificuldade para os jogadores foi a variação do escravos de jó de olhos fechados e sem música, nem cantada, nem ritmada. As crianças e jovens se divertiram muito.

Após os jogos que fizeram a abertura da intervenção, cada grupo foi para um espaço na quadra, aplicar as atividades para as crianças, de acordo com os tipos de jogos de Caillois.
O grupo 4, do mimicry, começou suas atividades com o jogo “Coelhinho sai da toca”. As crianças vieram menos para essa brincadeira.

O grupo 3, da alea, começou com a atividade “Batata Quente”. Um bom número de crianças direcionou-se para esta brincadeira.

O grupo 5, do ilinx, começou com o jogo da corda. Os participantes tinham que passar por baixo da corda. Em grupos, as crianças, de mãos dadas, passavam por baixo da corda.

O grupo 2, do agôn, começou com o jogo do “pega-rabo”. Um bom número de crianças participaram da atividade.

No decorrer da intervenção, mais crianças foram entrando na quadra para brincarem e aproveitarem a intervenção. Estavam todas se divertindo e entusiasmadas tanto com as atividades, quanto com os estudantes que estavam aplicando. Todos os grupos durante as atividades estiveram com um bom número de crianças.
As brincadeiras com corda dificultaram a execução para as crianças. Mas, os integrantes dos grupos auxiliaram-os para que ganhassem confiança e continuassem brincando. Ainda, assim, muitas crianças desistiram e foram para outras brincadeiras. A maior dificuldade das crianças e dos jovens foi assimilar o “tempo” da corda. Com a prática e repetição do mesmo movimento as crianças foram aprimorando e entendendo melhor o movimento e, assim, passaram a gostar mais do jogo.
Os jogos do grupo do agôn estavam sempre com um bom número de crianças, pois, neste grupo muitas brincadeiras de correr e agir estavam sendo aplicadas e para as crianças o jogar sempre relaciona-se com o agir. Além disso, os jogos de competição são altamente estimulados hoje em dia, e o “ganhar ou perder” estimula a criança a querer jogar este tipo de jogo.

O grupo do mimicry, ao colocar em prática algumas atividades que envolviam movimentos ginásticos, tanto da Ginástica Acrobática, quanto da Rítmica, despertou muito a atenção das crianças. Estes movimentos são, teoricamente, movimentos arriscados e perigosos e sem dúvida nenhuma, são o que elas mais gostam. Elas se mostraram muito animas e dispostas nessas brincadeiras.

Quase no fim das atividades, o grupo Alea tinha a proposta de colocar em prática a “Brincadeira do Pandeiro com Números”. Porém, devido à complexidade do jogo para as crianças e jovens presentes, a brincadeira não foi aplicada. Então, os integrantes do grupo utilizaram o pandeiro para dar ritmo à “Capoeira”, que logo despertou o interesse das crianças que foram para a roda jogar livremente.

Depois de aproximadamente uma hora e meia de atividades, foram iniciando-se as oficinas de brinquedos provenientes de materiais recicláveis. Aos poucos as crianças foram se aproximando das oficinas e deixando os grupos. Cada grupo produziu alguns brinquedos juntamente com as crianças, ensinando-as. Após ser produzido, elas levavam seus brinquedos para poderem brincar. Foi ensinado a produzir:

Oficina de Brinquedos, com materiais recicláveis.

-Jogo das cinco marias
-Fantoche
-Passa-bola
-Bate-bate
-Bambolê
-Vai-e-vem
-Bilboquê

-Carrinhos

Seguindo umas das principais características do jogo, que é sua liberdade, nós aplicamos a intervenção com o intuito de deixar as crianças livres para brincarem do que quisessem. Não foi estipulado previamente uma ordem entre os grupos dos diferentes jogos, na qual as crianças deveriam passar obrigatoriamente por cada um. Evitamos manipular ao máximo os jogadores. Não foi feito nenhum circuito para que a intervenção ocorresse. As crianças e jovens se rotacionaram nos grupos da forma que acharam melhor e muitos permaneceram num mesmo grupo durante toda a atividade. As crianças brincaram do que mais gostaram, sem nada ser imposto. Portanto, a intervenção seguiu a característica fundamental do jogo, que quando perdida, não é mais jogo.
Fotos

V. Fichamento de Textos[editar | editar código-fonte]

Esteve proposto para esta aula a leitura de dois textos: “Jogos Cooperativos: Uma Pedagogia do Esporte” e “O Jogo e Suas Implicações Pedagógicas”. Segue em anexo o fichamento de cada um, contendo ainda questões para cada texto e um questionário.

Jogos Cooperativos e O Jogo e Suas Implicações Pedagógicas

Questionário

VI. Discussões e Dúvidas dos alunos[editar | editar código-fonte]

Como a aula foi prática (uma intervenção na Semana Mundial do Brincar no SESC), não houveram discussões a respeito dos textos e do respectivo tema da aula aqui abordada. Quanto à dúvidas, houveram questionamentos do por que deixamos as crianças e jovens livres na quadra, sem uma organização quanto a passagem nos diferentes grupos e brincadeiras, deixando-as livres para brincarem do que achassem melhor. Como já foi dito aqui, uma das principais características do jogo, segundo as teorias de Caillois, é a sua liberdade. Então, se tivéssemos imposto para as crianças uma regra, uma rotatividade obrigatória, o jogo perderia sua característica de ser ele liberdade.

Alunos do curso de Educação Física da UNIFESP que participaram da intervenção.

VII. Temas interdisciplinares[editar | editar código-fonte]

Como foi visto, os Jogos Cooperativos não fazem parte da nossa cultura. Até por isso, o autor frisa que deve-se ter cautela ao processo de introdução desta nova forma de ver e entender o jogo. Assim, vê-se grande relação com o texto de Roberto DaMatta, sobre a Cultura, trabalhado no módulo de IS- Inserção Social - onde têm-se que a cultura é um código na qual um grupo de pessoas utilizam como base para sua vida. No caso dos Jogos Cooperativos, eles não estão inseridos em nossa cultura, pois, a competitividade é o que está amplamente presente. O tema abordado ainda tem grande relação com o texto da experiência, de Jorge Bondía, abordado tanto no módulo de TS- Trabalho em Saúde - quanto no de Aproximação à Prática da Educação Física em Saúde, pois, o texto aborda o fato de a experiência ser algo que é vivido por cada um e que não se tem experiência quando apenas se está informado. Portanto, para ter a experiência dos Jogos Cooperativos é preciso colocá-los em prática e não apenas se informar do assunto. É preciso que esse jogo seja vivido para que se torne experiência, e só assim, saberemos se realmente será aceito pelos indivíduos.

VIII. Conclusões[editar | editar código-fonte]

É importante ressaltar que quando fala-se em Esporte devemos entende-lo nas suas mais variadas formas e não apenas com o de alto rendimento. O termo Esporte é bem mais abrangente e possui formas até mais importantes, como o de caráter educacional.
Os Jogos Cooperativos são uma nova maneira de entender e realizar os jogos. O espírito competitivo já está enfincado na sociedade atual, o que dificulta a difusão da cooperação.O importante é que os jogadores entendam que todos são importantes num jogo. Não há distinção de valores quanto a ganhadores e perdedores. Todos devem ser premiados, pois, num jogo, o mais importante são os jogadores e não propriamente o jogo.
Na leitura do texto, podemos compreender como o jogo é importante para a formação de uma pessoa, desde a infância até a vida adulta. Conseguimos perceber como a escola resiste em aceitar o seu caráter pedagógico.

Pesquisas Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

Texto de IS: Você tem Cultura? ,DAMATTA Roberto. Você Tem Cultura. Jornal da Embratel. Rio de Janeiro, 1981
Texto de TS:Notas sobre a experiência e o saber de experiência,BONDIA,I SEMINARIO INTERNACIONAL DE CAMPINAS. 2001, Campinas. Notas Sobre a Experiência e o Saber da Experiência. Leituras SME
Texto: Jogos Cooperativos : Uma Pedagogia do Esporte, BROTTO Fabio;
Texto: O jogo e suas implicações pedagógicas, FREIRE João;
Texto: Os jogos e os homens, CAILLOIS Roger.