Matemática Computacional/Definições da Matemática Computacional

Fonte: Wikiversidade
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Matemática computacional

União entre as áreas de Matemática e Computação resultou na criação de uma ciência com múltiplas possiblidades

A Matemática Computacional é o que se pode chamar de par perfeito. Duas ciências uniram-se diante da constatação de que muitos dos problemas cotidianos, do setor produtivo ao mercado financeiro, passando por pesquisas científicas como as do genoma humano, têm soluções matemáticas, mas é impossível colocá-las em prática sem a ajuda da computação. Apaixonado pela Computação e também pela Matemática, Guilherme Vale Braz, 21 anos, acabou descobrindo, um tanto pela sorte, que esse curso era o ideal para ele.

"À medida que fui conhecendo o curso soube que não tinha errado", recorda. Mas foi necessário o contato próximo com disciplinas específicas para que ele entendesse o que é motivo de confusão para grande parte dos candidatos: a Matemática Computacional tem um ingrediente próprio e uma parte não pode ser dissociada da outra. Intervenção de Rita de Glória sobre fotos de Eber Faioli


"Não basta gostar só de Matemática ou só de Computação", salienta Guilherme. É necessário compreender que existe uma interação entre os conhecimentos e que esta especialidade, de teor bastante prático, surge como alternativa à solução de problemas que estão quase sempre associados a outras áreas do conhecimento. "A característica principal da Matemática Computacional é a interdisciplinaridade", reforça o coordenador do Colegiado de Curso, professor Helder Candido Rodrigues.

Helder diz que o curso vive plenamente a fusão da Matemática com a Computação e destaca que as propostas de reestruturação curricular realçam a versatilidade com que o profissional vai se deparar. Apesar de o currículo ter sido concebido na criação do curso em 1999, os alunos ressentiam-se de uma maior orientação para a escolha dos caminhos. Eber Faioli

Em busca de definições, GUILHERME BRAZ mergulha fundo em projetos de pesquisa


"O atual currículo prevê uma série de disciplinas optativas, que devem ser escolhidas de acordo com as preferências de cada aluno. No entanto, eles queriam maior definição das possibilidades", ressalta Helder. A preocupação foi traduzida em opções de formação complementar, que devem estar formatadas já no próximo ano — Criptografia, Bioinformática, Modelagem de Contínuo, Finanças, Imagens e Robótica, Matemática e Computação.

Momento de definição Sem ter ainda se definido por qual área avançará, Guilherme optou por conhecer os caminhos da Matemática Computacional por meio de projetos de pesquisa. Ele foi bolsista do Programa de Aprimoramento Discente (PAD) e também de Iniciação Científica. Foca Lisboa

Currículo deve, a partir do próximo ano, incorporar novidades, segundo HELDER RODRIGUES


O que fez com que Guilherme se interessasse pelas pesquisas foi uma experiência marcante, ocorrida no segundo semestre de 2004. Ele foi selecionado para participar de um programa de intercâmbio mantido entre a UFMG e universidades no exterior. Durante seis meses, Guilherme vivenciou a realidade da University of the Incarte Word, no Texas, Estados Unidos. Como nessa instituição não existe o curso de Matemática Computacional, ele dividiu o tempo entre os cursos de Matemática e de Computação.

"Foi uma experiência muito bacana, porque pude aprender muito. Eu e três outros estudantes, de outros cursos, aprendemos a valorizar a UFMG. Temos aqui um ensino que não deve nada ao do exterior", assegura. Guilherme acredita que seu leque de atuação profissional é muito grande. Em função disso, não se preocupa tanto com o mercado de trabalho.

"Se eu quiser, posso ir até para o mercado de ações. O matemático computacional tem como definir modelos para o comportamento das ações, analisando o passado e explorando tendências de futuro", ensina. Guilherme sabe, entretanto, que para muitas indústrias, empresas ou órgãos públicos, a prática do matemático computacional é nova e, muitas vezes, completamente desconhecida.


Território sem fronteiras


Essas inúmeras possibilidades aproximaram Alexandre Celestino de Almeida, 26 anos, da academia. Formado há um ano e meio, ele lamenta o fato de o mercado não saber quem é o matemático computacional e diz que o curso tem pouquíssima divulgação. Um dos reflexos desse desconhecimento está estampado nos concursos públicos, aponta: "Tem vaga para matemático ou para o pessoal da Computação, mas nunca para o matemático computacional".

Percebendo essa dificuldade, Alexandre preferiu fazer o Mestrado em Matemática e é professor na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Mas ele quer ainda fazer Doutorado em Matemática Aplicada ou Modelagem Computacional. Formado no ano passado, Luiz Alberto Vieira, 23 anos, também destaca as dificuldades encontradas pelo profissional por causa da novidade que o curso representa. "Estamos prontos a resolver problemas que o mercado expõe, mas que ainda não reconhece como nossa função. Apesar de a interação com outras áreas apresentar uma facilidade, acho que ainda temos muito o que fazer", afirma ele. Eber Faioli

LUIZ ALBERTO: em busca da valorização profissional


Luiz Alberto está convicto de que o curso lhe serviu como uma luva. "Eu não teria mais o que fazer", garante. Ao se definir pela Matemática Computacional, ele queria principalmente trabalhar na área de Exatas e adquirir um conhecimento que tivesse muita aplicação prática. "O engenheiro quer construir, mas quer também uma obra de baixo custo. O matemático computacional pode mostrar caminhos viáveis para essa obra, porque lida com muitas variáveis matemáticas ao mesmo tempo e pode encontrar a solução", exemplifica.

"O curso é muito complexo, por isso acho que todo mundo que chega deve se aproximar muito dos professores e também de alunos veteranos", defende Luiz Alberto. A dica de hoje foi utilizada por ele durante a graduação. Durante um tempo, participou de projetos de pesquisa, aprofundando-se em "algoritmos numéricos para resolução de equações diferenciais parciais", algo que lida com modelagens de fenômenos da natureza. Atualmente na Rios Projetos e Sistemas, Luiz Alberto dedica-se ao desenvolvimento de software na área de tributação.