Educação Aberta/Redes sociais

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Introdução[editar | editar código-fonte]

O áudio do podcast está disponível no Archive.org.

Esse texto é uma resenha em forma de podcast do conceito Redes Sociais, com base no artigo de DA CUNHA RECUERO, Raquel. Redes sociais na Internet: Considerações iniciais. In: E-Compós. 2005.

Roteiro[editar | editar código-fonte]

BÁRBARA: Oi pessoal! Meu nome é Bárbara, estou aqui com minhas colegas de classe, Suelen e Julyanna para discutirmos a respeito do trabalho da Raquel da Cunha Recuero sobre as Redes sociais. Vamos falar um pouco sobre os conceitos de redes igualitárias e redes sem escalas buscando entender as redes sociais mediadas por computadores. Para isso é importante pensarmos quais são os paradigmas da Análise Contextual das Redes Sociais. A teoria dos grafos, representam um conjunto de nós conectados, compreende-se que os nós são geradores de redes de comunicação. Para um melhor entendimento sobre o assunto, a Suelen estará complementando com as ideias da autora em relação a essa estrutura das redes sociais.

SUELEN: É isso ai. Boa tarde, gente! Como bem colocou a Bárbara, os grafos são conjunto de nós que compõem uma rede. Sobre esse assunto, vale ressaltar que em uma rede social, as pessoas são os nós e as arestas são constituídas pelos laços sociais gerados através da interação social. No artigo em questão encontramos três modelos que tentam justificar as ligações entre esses nós: temos o Modelo de Redes Aleatórias; o Modelo de Mundos Pequenos e, por fim; o Modelo de Redes Sem Escalas. O Modelo de Redes Aleatórias propõe que o processo de formação dos grafos seria randômico, ou seja, esses nós se agregariam aleatoriamente.

BÁRBARA: Exatamente. Imagine que você estivesse em um festa, segundo o modelo, bastaria você conhecer uma pessoa da festa para que no final estivesse conectados com todos. Essa ideia é de que todos os nós teriam uma mesma quantidade de conexões, constituindo-se, assim, como redes igualitárias.

SUELEN: Já o modelo de mundos pequenos, como o próprio nome pressupõe, defende que pelo fato de cada um de nós ter amigos e conhecidos em vários lugares do mundo, que por sua vez, têm outros amigos e conhecidos, estaríamos, efetivamente, vivendo em um "mundo pequeno". Um exemplo disso, é a divulgação rápida de determinadas noticias via Whatsapp que por vezes prolifera uma informação falsa (Fake News). Esse modelo também defende a importância dos ditos “nós fracos”. E o que seriam esses nós fracos? Nada mais que as ligações mais distantes, como conhecidos, amigos afastados, amigos de amigos. Ao passo que os nós fortes seriam as ligações mais íntimas, como de familiares, amigos íntimos. Os laços fracos, como amigos distantes conectariam vários grupos, possibilitando o aumento das redes e incentivando a diversidade. Julyanna, e o Modelo de Redes Sem Escalas? O que você gostaria de destacar sobre ele?

JULYANNA: Pois bem... o modelo chamado de Redes Sem Escalas considera que as redes possuem uma ordem em sua estruturação. Esse padrão de estruturação significa que quanto mais nós alguém possui, maiores as chances de ele ter cada vez mais novas conexões, essas redes são chamadas de “sem escalas”, então, quanto mais seguidores a pessoa tiver nas redes sociais, maiores as chances de atrair mais seguidores. As Influenciadoras Digitais do Instagram exemplificam bem essa ideia, então quanto mais seguidores elas vão tendo, maiores as chances de terem bem mais. Portanto, outra característica dessas redes é que elas possuem nós desiguais, uns que são muito conectados e outros com poucas conexões, sendo representada pela curva denominada “power law”, ou lei 80/20, curva em que se inicia grande decrescendo até o final em uma cauda longa. O início dessa curva remete ao grupo pequeno de pessoas que possuem maiores conexões (mais seguidores) que seriam as influenciadoras digitais e o restante da curva é representado por nós, pessoas com uma quantidade razoável de conexões. Agora será que esses três modelos apresentados por mim, pela Suelen e pela Bárbara dão conta de representar as redes sociais na internet?

BÁRBARA: Pergunta complicada hein, Julyanna! Mas vamos responder essa questão tomando o Orkut como exemplo concreto para avaliarmos. O Orkut era um conjunto de perfis de pessoas e suas comunidades, onde os usuários podiam personalizar com suas fotos, preferências pessoais, listar amigos e formar comunidades. Ao mostrar os perfis dos indivíduos era possível perceber suas conexões diretas, que são seus amigos, e indiretas que são amigos de amigos, e também as organizações sob a forma de comunidades. O Orkut parece demonstrar a existência de redes altamente conectadas, exatamente como foi mostrado no modelo de mundos pequeno pela Suelen, não é mesmo?

SUELEN: Isso mesmo, Bárbara! Mas vamos percebendo que a maioria das distâncias entre os membros é reduzida pela presença de alguns indivíduos, que são “amigos de todo mundo”. Então nem todos os amigos que temos na lista do Facebook são realmente nossos amigos, concordam? Isso porque é possível acrescentar quem se deseja como amigo sem que exista qualquer tipo de interação social entre os indivíduos, bastando fazer o pedido e a outra parte aceitar, muito simples. E até mesmo nas comunidades do Orkut, apesar de o número de membros crescer rapidamente, geralmente não havia interação entre eles. Desse modo, a maioria dessas conexões são falsas no sentido de que não apresentar nenhum tipo de interação social.

JULYANNA: Mas se não existe interação social, será que pode ser considerado uma rede social?

SUELEN: Na verdade Julyanna, para o sistema, as pessoas são apenas conectores, representando grandes nós que conectam membros de vários grupos isolados, e que através delas, têm um grau de separação menor entre si. Mas isso não deveria ser considerado o foco das redes sociais, porque em sua formação, dispensam a interação social, que essa sim deveria ser o foco.

JULYANNA: Entendi! A mesma crítica é destacada no modelo de rede sem escalas que eu expliquei. Não existindo envolvimento entre os membros, por exemplo, a exclusão de amigos passa praticamente despercebida, ou você sente algo ao excluir alguém da sua lista de amigos do Instagram? Provavelmente não, é só deixar de seguir a pessoa e pronto.

BÁRBARA: Então vamos pensar, será que se fosse necessário algum tipo de interação social para a adição dos perfis essas pessoas altamente conectadas existiriam?

SUELEN: Pois é, deu para entender que os modelos funcionam apenas no nível de software, mas não no nível efetivamente social. Um destes problemas se expressa quando as partes envolvidas não precisam dispender tempo, capital social e nem envolvimento para aprofundar ou manter a conexão entre elas. Um laço social pressupõe algum tipo de manutenção, seja ele fraco ou forte. O Orkut é efetivamente um mundo pequeno, mas não é possível dizer até que ponto essas distâncias sociais entre os indivíduos são realmente válidas porque a maior parte das conexões não pressupõe, novamente, nenhuma interação social.

JULYANNA: Dessa forma, vocês também perceberam que os modelos são insuficientes para definirem a complexidade das redes sociais? E principalmente porque não levam em conta primeiramente uma análise social. Agora toda vez que você estiver, por exemplo no Instagram, vai perceber que nem todos os seus seguidores ou quem você segue são realmente seus amigos, pode ser um amigo do seu amigo que você nem conhece, ou algum famoso que nunca vai responder os comentários que você deixa na foto dele, portanto mesmo que o nome remeta a uma interação: redes sociais, não há efetivamente uma interação. E essas foram as discussões a fim de compreender como funcionam os nós das redes sociais. Até mais, galera!

SUELEN: Valeu, gente! Até logo.

BÁRBARA: Até a próxima!

Créditos de áudio[editar | editar código-fonte]

Créditos de autoria[editar | editar código-fonte]